domingo, 7 de setembro de 2008

Comemorações da Independência do Brasil


Este ano, as comemorações de 7 de setembro teve um atrativo a mais: o Fogo Simbólico passou pela Escola Municipal Dilermando Cruz.

Eu não pude participar, pois no mesmo horário estava na outra escola que trabalho (E.E. Assis Chateaubriand), mas tomei conhecimento que o evento foi muito bonito e emocionante.

Contrariamente às homenagens em si, gostaria de compartilhar de uma crônica de autoria de Wanda Cristina da Cunha e Silva acerca das comemorações de 7 de setembro, a qual considero bastante interessante e pertinente, inclusive, por nos remeter à reflexão sobre o seu pensamento e a realidade de nosso país.


Independência ou Morte?
Wanda Cristina da Cunha e Silva


Neste setembro, a nossa agenda está cheia de patriotismo: Dia da Raça, Dia da Letra do Hino Nacional, Dia da Independência, Dia da Fundação de São Luís... E esta é a hora de repensarmos a nossa História.

Como disse o historiador maranhense Carlos Cunha, “Há, na verdade, duas histórias. Aquela que é feita para agradar a príncipes e reis, que transforma heróis em traidores e vice-versa. Por outro lado, existe a história autêntica, verídica, que não faz concessões aos donos do mundo, contando e narrando os fatos como ocorreram, sem deturpações”. O certo é que, em pleno cinco de setembro, é preciso ter raça para “engolir” o sete de setembro.

O querido mestre Ribamar Seguins, no seu “Sete – O número Sagrado”, diz que “para o brasileiro, na sua concepção satírica, o número sete é, simplesmente conta de mentiroso”. E o Brasil? Ele foi ou não foi proclamado independente em sete de setembro? Ficamos sem saber quando marchar, uma vez que Cipriano Barata, político e jornalista, integrante da Inconfidência Baiana de 1798, também conhecida como Revolução dos alfaiates, citou que o dia da Independência do Brasil deu-se em 12 de outubro de 1822. Puxa, como é controvertida a nossa história!...

Por outro lado, se existe algo que fascina é a cadência majestática do Hino Nacional, cuja melodia foi extraída da “Marcha Triunfal”, de Francisco Manuel da Silva e oficializada por Deodoro. Contudo, o Governo Brasileiro, em 1909, organizou um concurso para escolher os versos que acompanhariam a melodia do Hino Nacional. Para efeito de ilustração, a “Marcha Triunfal” trazia uma letra que desrespeitava o Imperador D. Pedro. Mas, com o resultado do referido concurso, que teve como vencedor o Joaquim Osório Duque Estrada, o Presidente Epitácio Pessoa oficializou, em seis de setembro de 1922, através do Decreto nº 15.671, o Hino Nacional Brasileiro, ora constituído pela melodia da “Marcha Triunfal”, de Francisco Manuel da Silva e pelos versos de Osório Duque Estrada.

Na época, o poeta disse categoricamente que as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Não resta dúvida de que, naquele emaranhado de barganhas, o povo já era heróico, ainda mais, escanifrado diante do subdomínio de D. João VI, que teve de transformar o Brasil em Reino Unido a Portugal, devido ao nepotismo que o levou a agradar a Grã-Bretanha, em decorrência do Bloqueio Continental imposto por Napoleão. Por isso, Portugal e Inglaterra fizeram um acordo à surdina: D. João, para salvar a dinastia de Bragança, chegaria com toda sua corte ao Brasil, sob a proteção inglesa, mas teria que abrir os portos brasileiros, que serviriam de ancoradouro aos interesses da Inglaterra. E o Brasil tornou-se uma laranja dividida ao meio.

Com a chegada da Família Real, que propicia aos ingleses a possibilidade de negociar em portos brasileiros, ficou difícil alguém imaginar que “o sol da liberdade, em raios fúlgidos”, brilhou no céu da pátria nesse instante”.

Pode até ter brilhado naquele instante, mas sem muitos méritos, tendo em vista que D. João VI voltou a Portugal, levando tudo que havia nos cofres do Banco do Brasil e deixou a terra sob o poder do seu filho, como garantia do seu domínio e já com a intenção de recolonizar o Reino Unido.

E, sem dinheiro, sem nada, com apenas uma independência que saiu no grito, tivemos que inaugurar aquilo que traz hoje o nome de dívida externa, quando da solicitação de um empréstimo aos estrangeiros, autorizada pelo Visconde e Marquês de Maricá. E o pior de tudo é que tivemos de pagar dois milhões de libras esterlinas, como indenização ao governo português, para que ele reconhecesse a nossa independência. Ora, vejam só!...

Os portugueses é que deveriam ter indenizado o Brasil pelos maus feitos e fraudes que aqui enraizaram. E, para disritmia da nossa independência, cortamos o cordão umbilical que nos ligava politicamente a Portugal.

Em contrapartida, passamos a súditos econômicos da metrópole comercial inglesa. Não resta dúvida de que a terra é adorada, amada, idolatrada por nós e pelos visíveis exploradores. Contudo, na hora do “...Salve! Salve!”, ninguém quer salvar o Brasil.

Para o autêntico brasileiro, o Brasil continua sendo “um sonho intenso”, embora todos percebam que não desce à terra “um raio vívido de amor e de esperança”, porque o que há é o predomínio da violência, da miséria, do extermínio...

Estaríamos mentindo se disséssemos que o nosso céu não é mais risonho e límpido? Ora, até a nossa moeda muda de cara a cada governo!... e é evidente que a imagem do cruzeiro já não resplandece....

Só uma coisa haveremos de aplaudir: O Brasil ainda é o “Gigante pela própria natureza”. Com as suas riquezas naturais, com a sua extensão territorial, com a Amazônia e com tudo que serve de sustentáculo aos recursos de grande valor econômico, só que contraria é a moeda que não tem esse mesmo valor.

De que forma um país que tem mudado constantemente de moeda e de heróis, pode estar “deitado em berço esplêndido?” ele está, sim, ao som de Itamar e à luz de um caos profundo. E, embora fulgure na América, é iluminado ao sol do terceiro mundo.

E a independência deu-se em 07 de setembro ou em 12 de outubro? E o que prevaleceu: a independência ou a morte? Independentes ou não...

O certo é que os empréstimos e favores geram a escravidão. E, como já dizia o estudioso Gustavo Barroso, “o grande passo para tornar um governo escravo é torná-lo devedor”. E isso nós o seremos, até que mudemos o percurso desta História...
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