terça-feira, 24 de março de 2009

Mensagem: Carta Escrita no ano 2070

Imagem capturada da Internet e modificada


Ainda sobre à temática do Dia Mundial da Água, estou disponibilizando o texto sobre a Carta Escrita em 2070, publicado na Revista "Crónicas de los Tiempos" (abril de 2002).



CARTA ESCRITA EM 2070
John Vask



Ano 2070.

Acabo de completar 50 anos,

mas a minha aparência é de alguém com 85.

Tenho sérios problemas renais

porque bebo muito pouca água.



Creio que me resta pouco tempo.

Hoje sou uma das pessoas

mais idosas nesta sociedade.


Recordo quando tinha cinco anos.

Tudo era muito diferente.

Havia muitas árvores nos parques,

as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar

de um banho de chuveiro.. .

Agora usamos toalhas de azeite mineral

para limpar a pele.


Antes, todas as mulheres mostravam

as suas formosas cabeleiras.

Agora, devemos raspar a cabeça para a manter limpa sem água.


Antes, o meu pai lavava o carro com a água

que saía de uma mangueira.

Hoje, os meninos não acreditam

que a água era utilizada dessa forma.


Recordo que havia muitos anúncios

que diziam para CUIDAR DA ÁGUA,

só que ninguém lhes dava atenção.

Pensávamos que a água jamais podia acabar.


Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão,

irreversivelmente, contaminados ou esgotados.

Antes, a quantidade de água indicada como ideal para beber

eram oito copos por dia por pessoa adulta.

Hoje só posso beber meio copo.


A roupa é descartável,

o que aumenta grandemente demais a quantidade de lixo.

Voltamos a usar os poços sépticos (fossas),

como no século passado,

já que as redes de esgotos não se usam por falta de água.

A aparência da população é horrível;

corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele

provocadas pelos raios ultravioletas que já não tem a capa de ozônio

que os filtrava na atmosfera.


Imensos desertos são a paisagem que nos rodeia por todos os lados.

Infecções gastrintestinais, pólipos no intestino,

enfermidades da pele e das vias urinárias

são as principais causas de morte.

O volume de biópsias fez crescer o número de laboratórios.

A indústria parou e o desemprego é dramático.

As fábricas de dessalinização são a principal fonte de emprego

e pagam-me com água potável ao invés de salário.

Assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas.

A comida é 80% sintética.

Ressequida,

a pele de uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40.

Os cientistas investigam,

mas não há solução possível.

Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado,

faltam árvores, o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.

Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos,

há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.

O governo até nos cobra pelo ar que respiramos:

137 m3 por dia por habitante adulto.

Os acionistas de empresas que tratam água ficaram ricos

e têm preferência no fornecimento.

Pessoas que não podem pagar são retiradas das "zonas ventiladas",

dotadas de gigantescos pulmões mecânicos

que funcionam com energia solar;

mesmo não sendo de boa qualidade ainda podemos respirar;

a idade média é de 35 anos.

Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio,

que é fortemente vigiado pelo exercito;

a água tornou-se um tesouro muito cobiçado,

mais que ouro ou diamante.


Aqui, em troca, não há árvores porque quase nunca chove e,

chega a registrar-se, a precipitação é de chuva ácida;

as estações do ano têm sido severamente transformadas

provas atômicas e pela indústria contaminadora do século XX.



Quando minha neta me pede que lhe fale de quando era jovem,

descrevo o bonito que eram os bosques,

lhe falo da chuva, das flores,

do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens,

beber toda a água que quisesse,

o saudável que era a gente.

Ela pergunta-me: Vovô! Por quê a água se acabou?

Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado,

porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente,

ou, simplesmente, não tomamos em conta tantos avisos.

Agora os nossos filhos pagam alto preço e, sinceramente,

creio que a vida na Terra em breve já não será possível,

porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.

Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto,

quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!


Imagem capturada na Internet (Usina das Letras)

Um comentário:

Anônimo disse...

acho este video muito real,ele é de uma verdade assustadora,quero parabenizar o criador,pois ele conseguil tocar profundamenteem nossos corações e mente,por favor passe isso em um horario nobre na tv,caso precisem peçam doações para o pagamento da midia serei a primeira a ajuda-los.