quarta-feira, 20 de maio de 2009

Um visitante ilustre, os bombeiros e o sonho de dois meninos




Hoje, à tarde, eu presenciei duas cenas inusitadas na escola da rede estadual, onde trabalho, no município de Duque de Caxias (RJ).

Quando eu chegava na E.E. Assis Chateaubriand, vi um aluno do CIEP Cora Coralina, situado ao lado do seu prédio, espiando pelo portão, com o corpo quase todo para dentro.

Chamei a atenção dele e este falou, baixo, algo sobre um bicho. Entramos juntos, quando eu percebi uma ave preta andando no pátio externo da escola.

Embora, eu a conhecesse, não consegui identificá-la pelo nome. As pessoas que se aproximaram arriscaram vários palpites, enquanto outras desconheciam totalmente.

O guarda de trânsito que nos auxilia na travessia das crianças disse que era um mergulhão. "Mergulhão" ou não, a ave andava para lá e para cá, demorava um pouco, tombava.

Fui até à Secretaria e liguei para os Bombeiros para que eles viessem resgatar a ave, pois acreditávamos que o seu ambiente deveria ser a Baía da Guanabara, que não é nada perto da escola. Ambiente fluvial tem até próximo, mas também não é tão perto assim.

O mais agravante é que a avenida que margeia a nossa escola, a Av. Presidente Kennedy, é muito perigosa, caracterizada por ser uma via de média a alta velocidade (é claro que por imprudência dos motoristas, daí a necessidade de um guarda para nos auxiliar).

O medo da gente era a ave sair do espaço da escola e ser atropelado.

Consegui falar com o Corpo de Bombeiros (193) e este me deu o número da Corporação localizada na Refinaria de Duque de Caxias (REDUC).

Enquanto, eles não chegavam, um funcionário conseguiu levar a ave para uma dependência, nos fundos da escola (sala).

Os bombeiros chegaram. Como fui eu que tratei ao telefone, inclusive, me identificando junto a este, levei-os até a referida sala. Eu e mais outros funcionários e alunos curiosos. Alguns alunos se aproximaram para ver, mas foram reconduzidos para a sala de aula.

No entanto, dois alunos da turma 602, Caliel Fagner Martins de Oliveira e Wendrel de Normandia Lima, permaneceram. Eu pedi que fossem para a sala, mas eles insistiram em ficar (eles são meus alunos, também).
Logo imaginei que eles estavam curiosos para ver a ave que, na verdade, se tratava do único motivo da presença dos bombeiros na escola, mas qual a minha surpresa, quando eles -juntos - falaram que queriam ver, mesmo, os bombeiros, pois o sonho de ambos é ser bombeiro.

Eu fiquei admirada com a alegria expressa nos olhos deles. Eu jamais pensaria nisso. Na mesma hora, solicitei aos bombeiros, se eles poderiam tirar uma foto com os meninos. Eles concordaram prontamente.





O aluno Caliel Fagner era o mais entusiasmado, deu o braço ao bombeiro, todo feliz, embora também temesse que a ave pudesse o bicar.

Fiquei muito feliz em ver dois alunos novos, já com um projeto de vida: ser bombeiro.

Espero que eles não desistam de seus sonhos, que a Escola possa sempre estimulá-los, bem como assegurar o desenvolvimento de suas competências, habilidades próprias e autonomia para a construção do conhecimento.

Bela profissão que eles almejam e, aproveito, para agradecer ao Corpo de Bombeiro pela pronta acolhida, tanto no que diz respeito ao resgate da ave quanto da exposição para a foto.



Ah, já ia me esquecendo... chegando em casa fui pesquisar para tentar identificar o tipo de ave. Meu esposo, que também é geógrafo, após ver a foto, arriscou no nome e acertou.

A ave que foi parar na escola é um Biguá (Phalacrocorax brasilianus). Trata-se, realmente de uma ave aquática. A cor de sua plumagem é preta e tem os pés palmados.

De acordo com o levantamento na Internet, o habitat deste tipo de ave pode ser lagos, grandes rios e estuários. Em geral, eles não se afastam da costa para se aventurarem ao mar. Sua ocorrência é verificada do México à América do Sul.

São ótimos mergulhadores e andam em grupos, nadando lado a lado, na mesma direção.
Para descansar, pousam na beira da água ou sobre pedras, árvores e estacas. Esticam as asas como os urubus.

Imagem capturada da Internet

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