sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mais um Escândalo na Política Brasileira


Imagem capturada no Globo.com

"De tanto ver triunfar as nulidades,
tanto ver prosperar a desonra,
tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".



(Ruy Barbosa)




A minha intenção era postar anteontem esta matéria, principalmente após ter lido nos jornais duas frases do nosso Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas, ao final do dia, depois da minha escola noturna, o cansaço me venceu e eu acabei adiando, adiando e, hoje, resolvi postar, mesmo cansada e com sono.

Na verdade, não é só pelo fato em si, por ser inadmissível a rotina como estes escândalos estão vindo à tona... mas eu estou ficando seriamente temerosa que a frase de Ruy Barbosa, acima descrita, se torne um “lugar comum” para a sociedade brasileira.

Enquanto o povo ficar estarrecido com as notícias, a esperança ainda existe. Pior é chegarmos a um nível de análise que leve estes escândalos a um patamar debanalidade humana.

Mais uma vez, um escândalo envolvendo um esquema de distribuição de dinheiro (propinas) a políticos e aliados vem à tona e deixa o povo perplexo diante das telas de TV.

Desta vez, as denúncias envolvem o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), apontado como o comandante do referido esquema de distribuição de propina, o seu vice, Paulo Octávio (DEM), empresários e outros integrantes do governo.

Este escândalo já está sendo chamado de “mensalão do DEM”, em Brasília, isto é, divisão de proprina entre membros do governo do Distrito Federal, do partido Democrata (DEM).

As denúncias foram exibidas em diversos vídeos, tendo como pivô do escândalo o ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que aparece nas imagens distribuindo a propina e em gravações de telefone com empresários, secretários e com o próprio governador José Roberto Arruda.

Durval Barbosa apresentou as gravações em troca de redução de pena, em caso de condenação.

As investigações fazem parte da Operação da Polícia Federal, denominada de Caixa de Pandora. No dia 27 de novembro (6ª feira), a Polícia Federal realizou buscas e apreensões na residência oficial do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, em Águas Claras, bem como em gabinetes de deputados distritais.

Os vídeos não deixam dúvidas do montante de dinheiro que “rola” por detrás das cortinas da política. A corrupção é grande, a quantia de dinheiro é grande e o número de pessoas envolvidas na distribuição de propinas é grande demais...

A série de vídeos apresentada nas mídias mostra o atual Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, recebendo dinheiro para a sua campanha, na época em que concorria o pleito eleitoral.

Com a exibição do vídeo, este negou a versão apresentada, alegando que defeitos no gravador devem ter provocado alterações nos diálogos, pois o mesmo estava discutindo a distribuição de dinheiro que seria para os membros do governo.

Em outro vídeo, as imagens também são comprometedoras e, ao mesmo tempo, absurdas. Elas mostram o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente (DEM), guardando o dinheiro recebido em várias partes do corpo, inclusive, nas meias.

O mesmo explicou que guardou o dinheiro nas meias porque não tinha pasta, mas admitiu que recebeu "ajuda financeira não-contabilizada" para a campanha de 2006.

Outra aberração em nossa política, foram as imagens de deputados distritais orando, em voz alta, depois da divisão de propina.

Em um outro vídeo, aparece o dono de jornal em Brasília guardando dinheiro na cueca.

Há, ainda, um vídeo mostrando o empresário Gilberto Lucena, dono da Linknet, reclamando do pagamento de proprina. Ele aparece perguntando a Durval Barbosa, na época Secretário de Relações Institucionais, a participação do vice-governador, Paulo Octávio, no recebimento da propina.

Mas, o pior foi ouvir as palavras proferidas pelo nosso representante máximo, Presidente Lula, em relação aos vídeos, “A imagem não fala por si. O que fala por si é todo o processo de apuração, é todo o processo de investigação. Quando tiver toda a apuração e investigação terminadas, a Polícia Federal vai ter que apresentar o resultado final do processo. Aí você pode fazer juízo de valor e mesmo assim quem vai fazer é a Justiça”

E, para completar, afirmar que... “Não estou acompanhando, porque está na esfera da Polícia Federal e se está na esfera da Polícia Federal o presidente da República não dá palpite, espera a apuração para depois falar alguma coisa.

Fica difícil acreditar que a política brasileira vai mudar.

Como diz a letra da música...



Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um.

Fontes: Folha OnLine; Globo.com


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