sexta-feira, 31 de julho de 2009

Escândalos no Senado II: Artigo do Folha OnLine



Desde ontem, os principais jornais televisivos transmitem o pronunciamento do nosso presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva acerca dos escândalos no Senado e, inclusive, se colocando totalmente indiferente, neutro à figura e às denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney.

Como eu havia postado a respeito da Crise no Senado, achei oportuno compartilhar - neste espaço - o artigo do repórter (Folha OnLine) Valdo Cruz, publicado hoje.

A grande expectativa fica para semana que vem, quando termina o recesso parlamentar e o Conselho de Ética iniciará a abertura e a análise dos processos com as diversas denúncias contra José Sarney, os quais podem levar à cassação de seu mandato.
Confiram o artigo...

31/07/2009
O problema é do Lula, sim!
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o futuro do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não é problema seu. Questionado se discutiria com o aliado peemedebista seu futuro à frente do comando do Senado, Lula disparou: "Não é um problema meu [a permanência de Sarney]. Eu não votei para eleger Sarney presidente do Senado nem votei para ele ser senador do Maranhão (sic)", confundindo o Estado pelo qual o peemedebista foi eleito, o Amapá.

Com todo respeito, nada mais falso. Verdade que, votar, ele realmente não votou em Sarney. Mas que trabalhou pela eleição do aliado, ah, isso ele fez. Que o diga o senador petista Tião Viana, derrotado por Sarney na disputa pelo comando do Senado. Na época, o petista reclamou da falta de apoio do Palácio do Planalto.

Ao dizer ontem publicamente que Sarney não é problema seu, Lula não foi fiel ao que vinha dizendo em particular. Ao próprio presidente do Senado e demais aliados peemedebistas, Lula mais de uma vez defendeu a permanência de Sarney no cargo. Reiterou esse apelo nessa semana, durante conversa por telefone.

O mesmo presidente que ontem disse que Sarney não é problema seu comandou uma operação para enquadrar os senadores petistas antes do recesso parlamentar, quando a bancada do PT no Senado ensaiou abandonar o peemedebista. Foi um rolo compressor, constrangedor para os senadores. Na época, ele foram obrigados a desdizer o que já haviam dito sobre Sarney.

Agora mesmo, na reta final do recesso, Lula entrou em ação para solicitar a seus companheiros que maneirassem no tom em relação ao presidente do Senado. E prometeu ao PMDB trabalhar, mais uma vez, para que nem todos os 12 senadores do PT abandonem José Sarney em seu momento mais delicado.

O fato é que Lula já defendeu publicamente Sarney várias vezes. Estava pegando mal junto ao eleitorado. Daí que ele já havia avisado que passaria a ser econômico nas palavras em relação ao presidente do Senado, evitando novas declarações públicas de apoio. Mas não se furtaria a trabalhar nos bastidores em nome do peemedebista.

E dificilmente Lula poderá abandonar totalmente Sarney. Afinal, ele sabe muito bem o problema que criará se assim o fizer. Um PMDB abandonado no Senado pode dar o troco nos trabalhos da Casa, mais precisamente na CPI da Petrobras. Tudo que Lula não deseja.

A dúvida é sobre a resistência de Sarney diante do agravamento da crise que enfrenta desde sua posse, em fevereiro. Familiares dizem que estão pressionando pela sua saída. Mas os aliados mais próximos no PMDB garantem que ele está firme no posto e comandando a estratégia de sobrevivência, que passa pela representação no Conselho de Ética contra o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio.

A verdade é que o cenário está um pouco nebuloso nessa semana. Na próxima, com a volta dos trabalhos do Congresso, tende a ficar mais claro. Até lá, nada deve acontecer.

Valdo Cruz, 48, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal. Escreve às terças.

E-mail:
valdo@folhasp.com.br


Fonte: Folha OnLine

quinta-feira, 30 de julho de 2009

José Sarney: Crise no Senado


Não é à toa que a política brasileira não é levada a sério e, muito menos, a maior parte dos seus membros ativos - os políticos - são considerados sérios e de total confiança...

Com escândalos ou não, terminando em pizza ou não as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), entre outros "furos" de nossos políticos e governantes, uma coisa é certa, a política no país serve como matéria prima para a piada, fortificando - cada vez mais - o descrédito naqueles que representam e tem o papel de fazer algo pela coletividade, pela sociedade.





Escândalos nos Senado: As denúncias protocoladas contra José Sarney


Muito se ouve falar acerca das denúncias contra José Sarney (PMDB-AP), o presidente do Senado e estas não são poucas...

Como a política é uma área de pouco afinidade entre a grande maioria dos estudantes, achei oportuno postar as acusações que pairam sobre a sua atitude e ética enquanto membro ativo do governo, eleito pelo povo e presidente do Senado.

Os escândalos que envolvem o senador José Sarney iniciaram no mês passado e, desde então, a pressão vem aumentando, com pedidos para que o mesmo tire licença ou renuncie ao cargo.

Os pedidos, encaminhados ao Conselho de Ética, deverão ser analisados agora, em agosto, após o recesso parlamentar.

As principais denúncias protocoladas no Conselho de Ética contra o Senador José Sarney são, em ordem cronológica (
Revista Época):
 
. 29 de junho: O neto e o crédito consignadoO senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) entregou um documento com 18 acusações contra José Sarney, todas divulgadas na imprensa. Entre estas há denúncias de que vários atos secretos beneficiaram parentes do senador e de alguns de seus aliados.

A mais grave de todas, publicada no jornal Estadão, se refere ao esquema do crédito consignado para os funcionários do Senado, o qual incluía entre os seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney, neto do senador José Sarney.

Dono da empresa Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda, José Adriano intermediava – desde 2007 - a concessão de empréstimos - de seis bancos - aos servidores, com desconto na folha de pagamento.
 
. 30 de junho: Atos secretos
O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) protocolou representação, na qual solicita investigação sobre a suposta quebra de decoro parlamentar cometida pelo presidente do senado José Sarney: atos secretos tiveram “suspeição relevante”.
 
. 10 de julho: Suposto desvio de dinheiro da Petrobras
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) entregou pedido solicitando investigação acerca do suposto desvio de R$ 500 mil realizado pela Fundação José Sarney – entidade privada instituída pelo presidente do Senado.
 
Segundo reportagem do Estadão, a entidade recebeu R$ 1,3 milhão da Petrobras para digitalizar todo seu arquivo, mas o trabalho nunca saiu do papel.
 
. 14 de julho: Acusação de mentir no PlenárioO senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) protocolou ação contra Sarney declarando que ele mentiu ao Plenário, no dia 9 de julho, quando este afirmou não ter “responsabilidade administrativa” sobre a Fundação José Sarney, que teria desviado dinheiro da Petrobras.

Uma reportagem do jornal Estadão, publicada no dia 10 de julho, já havia divulgado que o senador era o presidente vitalício e fundador da referida entidade, tendo – por isso - como uma de suas prerrogativas “assumir responsabilidades financeiras”.
 
. 23 de julho: O namorado da netaO senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) denunciou Sarney por sua suposta participação em uma negociação para dar emprego ao namorado de sua neta, Maria Beatriz, no Senado.

O senador Arthur Virgílio se baseou na reportagem publicada pelo Estadão, do dia 22 de julho, com áudios da operação Boi Barrica, da Polícia Federal.

Nas gravações, seu filho Fernando Sarney diz à filha que precisa falar com o ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, e com José Sarney, para tentar arrumar emprego para o namorado da mesma.
 
. 28 de julho: PSDB entra com três ações contra SarneyO presidente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Sérgio Guerra (PE), protocolou três denúncias contra José Sarney, baseadas nas quatro ações que Arthur Virgílio (PSDB-AM) havia proposto sozinho.

As três ações dizem respeito às acusações nos casos da Petrobras, dos atos secretos e do crédito consignado aos funcionários do Senado.
 
. 29 de julho:Psol denuncia quebra de decoro
O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) entregou uma representação, acusando José Sarney de quebrar o decoro parlamentar por vários motivos: omissão de um imóvel em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral; o uso de recursos públicos de forma irregular por meio da Fundação José Sarney e pelas mentiras ao prestar informações sobre a relação de com a entidade.
 
. 29 de julho: Sarney teria vendido terras sem pagar imposto
Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Cristovam Buarque (PDT-DF), também, protocolaram denúncia contra José Sarney baseados em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, no qual o senador é acusado de vender terras na divisa de Goiás com o Distrito Federal (Fazenda São José do Pericumã), as quais nunca foram registradas em seu nome. Utilizando deste artifício, este deixou de pagar impostos.

José Sarney comprou a Fazenda São José do Pericumã no início dos anos 80 e a vendeu em setembro de 2002.
 
. 29 de julho: Informações privilegiadas da Polícia FederalArthur Virgílio (PSDB-AM) e Cristovam Buarque (PDT-DF) formalizam denúncia contra Sarney, acusando o agente da Polícia Federal Aluizio Guimarães Filho – cedido pelo Palácio do Planalto ao senador José Sarney, na cota de funcionários de ex-presidentes – de passar informações privilegiadas da Polícia Federal ao grupo comandado pelo filho do senador, Fernando Sarney. A denúncia foi feita pelo jornal Correio Braziliense.

Artigo: Perigo à vista para o futuro do pré-sal

Artigo publicado, hoje, no site Último Segundo e transcrito originalmente neste espaço (a exceção dos meus grifos).

Perigo à vista para o futuro do pré-sal
Dia vai, dia vem, e o tema do pré-sal volta ao noticiário com novidades, especulações sobre alguma coisa que se manifesta como uma espécie de sebastianismo salvador, dada a enorme expectativa criada em torno da descoberta de expressivas reservas de petróleo. A subjetividade do termo "expressivas" é adequada ao conceito econômico de reservas.

Ou seja, o petróleo só é viável se o custo de extração, processamento e transporte para o mercado consumidor for menor do que esse mercado está disposto a pagar.

Em outros termos, enquanto não soubermos quanto vai custar esse novo petróleo, será impossível conhecer a dimensão exata da riqueza que poderá proporcionar ao País.

Três desafios se impõem nessa etapa: 1) tecnológico, por causa das características geológicas e da profundidade na qual se encontra o óleo, que, seguramente, será superado pela reconhecida competência técnica da Petrobrás; 2) logístico, por causa das enormes distâncias das descobertas em relação à costa; 3) financeiro, pois, se confirmados os volumes de reservas, as necessidades de capitais será de um volume monumental, podendo alcançar a US$ 1 trilhão para que seja disponibilizado o produto.

Diante dessas incertezas, a única certeza é que, para essas descobertas feitas pela Petrobrás e diversas outras empresas, foi decisivo o papel da Lei 9478/97, conhecida como Lei do Petróleo, que flexibilizou o monopólio da União, permitindo a entrada de novos agentes no processo de exploração do petróleo nacional. Gostem ou não alguns, a lei é um sucesso. E, como a lei é um sucesso, querem mudar a lei.

E aí começa o festival de absurdos: sem saber exatamente quanto do petróleo será efetivamente convertido em reservas (o que só ocorrerá daqui a alguns anos), o governo sinaliza a alteração do modelo de concessões.

No modelo atual, o Estado, por meio da Agência Nacional do Petróleo (ANP), controla o processo produtivo, cobrando as taxas e impostos decorrentes da produção, que vão diretamente para os cofres do Tesouro Nacional para serem distribuídos, segundo normas legais, para Estados, municípios e órgãos da União.

O processo é transparente e vantajoso para a sociedade, que vê os recursos do petróleo imediatamente transformados em meios que podem, a critério do governo, ser utilizados para segmentos sociais (saúde, educação, etc.) ou infraestrutura. Esses valores representam, atualmente, cerca de 65% do valor do petróleo extraído, podendo ser majorado, no que tange às participações especiais, apenas com a alteração de um decreto presidencial.

E aí dizem (sem que ninguém pare para pensar por quê) que o "modelo de partilha" é melhor, pois o governo poderá "controlar melhor" a produção. Atualmente, todo o processo produtivo é controlado pela ANP.

Nenhuma empresa pode determinar, segundo sua vontade, como e quanto petróleo pode chupar do subsolo, como se sorvesse um milk-shake na lanchonete da esquina.

É também importante ressaltar que no modelo de partilha o governo fica sócio do petróleo extraído! E aí que entra a tal "empresa estatal enxuta" (uma contradição na origem) que se pretende criar para "gerir" esses recursos. Perigo à vista! Já imaginaram quem vai indicar os diretores dessa empresa? Já pararam para pensar no que significa uma empresa estatal vendendo petróleo, fazendo negócios com países como China, Rússia ou Venezuela?
Não por acaso (basta ver a lista), os países que adotam o modelo de partilha são aqueles dominados por regimes autocráticos, onde o governo se confunde com os interesses petrolíferos para a execução de transações pouco transparentes.

Não falo deste governo. Falo de um modelo que, se adotado, será um enorme retrocesso em um setor que se notabilizou pelas regras estáveis e uma reputação de lisura em suas licitações e execução de seus contratos.

Ainda nesse aspecto da mudança da legislação, todos sabemos como entra um projeto no Congresso, mas nada sabemos sobre como ele sairá. Qualquer proposta de alteração da legislação atual encontrará um Congresso conturbado e às vésperas de uma eleição presidencial. Todos desejarão seu quinhão. Mais perigo à vista...

Por fim, nenhuma política pública está sendo formulada para que os recursos financeiros desse petróleo finito e altamente poluente sejam parcialmente utilizados para a inserção do Brasil nas modernas economias voltadas à produção de energia renovável e menos poluente. Transformar o finito sujo em perene e limpo.

O mundo está freneticamente em busca dessas energias modernas e se afastando cada vez mais do petróleo.

Não podemos correr o risco de, sendo o país mais avançado em uso de energias renováveis, ficarmos para trás nessa transição energética pela qual passam as economias deste sofrido planeta. Nunca é demais lembrar que a Idade da Pedra não terminou porque as pedras deixaram de existir.

Curiosidade: Pato Mergulhão e o Meio Ambiente

 

Imagem de Sávio Bruno, capturada na Internet
(Serra da Canastra - São Roque de Minas/MG)


Ultimamente, algumas notícias têm sido vinculadas à ocorrência do pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) no Brasil.

Hoje mesmo, o Globo Rural (diário) da emissora de Televisão Globo transmitiu uma reportagem sobre o caso da referida ave em um trecho do rio Novo, no Parque Estadual do Jalapão, no Tocantins.

Recentemente, eu recebi por e-mail, um Boletim de Notícias do Instituto Ciência Hoje, no qual uma das matérias era “Pato-mergulhão: termômetro ambiental Documentário mostra hábitos de ave rara que pode ser bandeira de conservação do rio São Francisco” (Boletim CH n° 202).

O referido artigo apresenta um documentário acerca dos hábitos do pato-mergulhão. O vídeo, recém-lançado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), teve suas filmagens realizadas no Parque Nacional da Serra da Canastra (Minas Gerais), no local próximo à nascente do rio São Francisco, onde se verifica a maior concentração desta espécie no país.

Interessei-me pelo artigo e além deste, procurei pesquisar mais a respeito da referida espécie.

O curioso é saber que o pato-mergulhão, ave rara, ameaçada de extinção, antigamente, existia em boa parte da América do Sul, em muitos rios do Brasil, Paraguai e Argentina e, hoje, só é encontrado no Brasil.

Alguns sites ainda se referem à ocorrência na Argentina e no Paraguai, porém dados mais recentes já descartam estes dois países, uma vez que faz muito tempo que não há registro da ave nos referidos países. Este fato pode ser um indício de que ela não mais exista por lá.

Em território nacional, no entanto, a espécie só é encontrada em algumas áreas. Isso já era previsível. Previsível devido às condições de sua sobrevivência mediante a apropriação e ocupação do solo pelo homem que, ao longo do tempo, vem causando a poluição dos rios, habitat natural da referida ave.

De acordo com o levantamento realizado, o pato-mergulhão (nome popular), cujo nome científico é Mergus octosetaceus (Vieillot, 1817), é uma ave da Ordem: Anseriformes e da Família: Anatidae. É também conhecido pelos nomes populares: merganso do sul, mergulhador, patão e pato-mergulhador.

Sua espécie está ameaçada de extinção (nível crítico) tanto na lista de espécies ameaçadas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) quanto na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

É um anatídeo com 49 a 56cm de comprimento.

Tanto a cabeça quanto o seu pescoço é de cor verde-petróleo/metalizado, sendo o dorso verde-escuro, o peito cinzento pálido malhado e um abdômen esbranquiçado. As patas cor rosada-lilás.

De feições esguias, o pato-mergulhão tem bico escuro, longo, fino, serrilhado e acentuadamente curvo na extremidade (adaptado para capturar peixes com mergulhos de extrema destreza). Apresenta uma longa crista na cabeça, que na fêmea é - normalmente - de dimensão menor.

O macho possui um penacho nucal maior do que a fêmea. Além disso, a cabeça do macho é um pouco mais robusta.

O seu habitat natural é o rio, mas rio de águas límpidas, com corredeiras (rios de planalto ou rios de montanhas) e com matas ciliares ou matas de galerias.

Sua alimentação básica é constituída de peixes, especialmente os lambarís (Astianax sp.), o que não exclui a possibilidade de capturar outras espécies, de tamanho bem mais avantajado. Pequenos invertebrados também podem, eventualmente, constituir parte de sua dieta.

É uma espécie monogâmica e acredita-se que, após formado um casal, este permanece unido por toda a vida. Enquanto seus filhotes ainda não dominam a arte de voar (e nem possuem penas adequadas para tal), o casal não costuma voar para afugentar-se de ameaças, como pessoas que se aproximam, pois permanecem juntos com seus filhotes, protegendo-os. Família unida é um lema que deve ser levado a sério! Nesta situação, os patos podem ser observados em certas ocasiões, por mais tempo, pois, em regra geral, se afastam do perigo iminente, nadando ao longo do rio, seguidos de seus filhotes.

Seus ninhos podem ser estabelecidos em barrancos ou paredões rochosos, assim como em cavidades de árvores. Até o momento, as maiores ninhadas contam com oito filhotes.

O pato-mergulhão vive por muitos anos.

Apresenta baixa densidade populacional e riscos de extinção total em razão das alterações antrópicas em seu habitat natural, que vão além da poluição das águas (urbanização, garimpo, atividades agrícolas etc.), como a própria destruição das matas ciliares e de galerias, da construção de hidrelétricas, que transformam trechos de rios de planaltos (com corredeiras) em lagos artificiais.

Dentre os principais predadores, destacam-se a lontra e certos gaviões. Até momento, os patos-mergulhões não foram submetidos oficialmente a condições de cativeiro e consequentemente não houve estudos baseados nestas.

Há registros, incluindo históricos, da ocorrência do pato-mergulhão nos estados de Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, bem como em regiões limítrofes do Paraguai e Argentina.

Todavia, na maior parte destas localidades, a espécie não é mais encontrada. Atualmente, as duas principais áreas de ocorrência do pato-mergulhão em território nacional são a Serra da Canastra (Minas Gerais) e a Chapada dos Veadeiros (Goiás). Em ambas, o IBAMA mantém extensos Parques Nacionais destinados à proteção da fauna e da flora nativas, cujos planos de manejo preveem ações de conservação da referida ave.

Outras localidades, onde há registros de sua presença são os estados do Paraná, Bahia e do Tocantins. Sendo este último, no Parque Estadual do Jalapão, tal como mencionei acerca da reportagem do Globo Rural de hoje.

Apesar de estar classificada como ave em situação crítica de extinção, as tentativas implementadas por meio de Programas e Projetos Institucionais - ao meu ver - parecem contribuir, de fato, para reverter tal quadro e, quem sabe, a espécie não permanecer em tão acentuado risco de extinção.

Além da Serra da Canastra, localizada em Minas Gerais, que apresenta a maior concentração da espécie pato-mergulhão, a reprodução da espécie também tem sido observada no Jalapão, no Tocantins.

O Projeto de Monitoramento e Conservação do Pato-Mergulhão desenvolvido, desde 2007, pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) vem registrando anualmente a reprodução da espécie, que já conta com 25 filhotes.

Estes registros são significativos não só para a sobrevivência da espécie na localidade, como também podem fornecer elementos capazes de subsidiar um maior aprofundamento acerca da vida e do comportamento deste no meio ambiente.

Embora, as informações correspondam a uma vitória em meio aos riscos de extinção, sabe-se que as formas de uso e de apropriação do solo pelo homem, longe está de permear a conciliação do desenvolvimento com a conservação do meio ambiente, em um nível de sustentabilidade ambiental para todas as espécies, sejam estas animais (incluindo o homem) e vegetais.

Os riscos são eminentes, infelizmente. Estes, por sua vez, se apresentam como termômetro à qualidade ambiental... enquanto existirem em um determinado rio, a poluição não se faz presente. Todavia, quando este desaparecer de um determinado local, onde ocorria, vamos ter a certeza, que a intervenção antrópica direta e/ou indiretamente se faz presente.

A pureza da água do rio constitui um fator condicionante para a sua presença no meio ambiente.


Fontes de consultas
 
 
 

 
 


 
OBSERVAÇÃO: Texto revisado e com contribuições do Prof. Sávio Bruno (UFF)/Outubro de 2009




Pato Mergulhão - Imagem capturada da Internet
(Imagem de Sávio Bruno/Ciência Hoje On-line)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Gripe H1N1: Prorrogação do Recesso Escolar no Rio de Janeiro



As últimas notícias acerca da Gripe H1N1, que circularam nas mídias, afirmam que o reinício das aulas neste segundo semestre vai ser adiado, não só no Rio Grande do Sul, como também no Distrito Federal e nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Em nosso estado (RJ), a rede estadual foi a primeira a prorrogar o recesso escolar, adiando o reinício das aula para o próximo dia 10 de agosto.

A medida foi tomada tanto para o segundo segmento do Ensino Fundamental quanto para o Ensino Médio e escolas técnicas.

Estava prevista para hoje, à tarde, uma reunião com as Secretarias Municipais de Educação e de Saúde, mas a emissora do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) já anunciou que a decisão do prefeito Eduardo Paes é acompanhar as medidas tomadas pelo Governo do Estado.

Em consequência disso, tanto os alunos da rede estadual quanto da rede municipal deverão retornar às aulas somente no dia 10 de agosto.

Uma das medidas preventivas sugeridas pelos médicos é evitar aglomerações e ambientes fechados e, realmente, a sala de aula é um espaço bastante propenso e facilitador à contaminação geral.

Em geral, as salas de aulas das escolas públicas - principalmente - são lotadas, em torno de 45 a 48 alunos. E, por isso, a vulnerabilidade é muito grande.

Além disso há de se considerar que os alunos são agentes multiplicadores, tendo em vista seu trajeto diário casa-escola-casa, entre outros percursos.

Como eu sempre recomendei aos alunos, devemos acompanhar diariamente a evolução da doença no país e tomar as medidas preventivas. Não custa nada e, melhor, pode salvar as nossas vidas e de terceiros.


terça-feira, 28 de julho de 2009

Gripe H1N1 no Brasil: 56 Vítimas Fatais

Imagem capturada da Internet


Como todos vêm acompanhando, nas mídias, as notícias acerca da Gripe H1N1 no Brasil, podemos observar que o número de vítimas fatais se concentrava nas regiões Sul e Sudeste. Porém, tudo indica que a doença vem adquirindo força maior e de forma descontrolada, pois além do aumento dos casos confirmados, o vírus já fez uma vítima no Nordeste.

Hoje foi notificada a primeira morte na referida região. A vítima foi um homem, de 31 anos, na cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba.

De acordo com as informações prestadas pelo Hospital Lauro Wanderley, na capital, a vítima sofreu duas paradas cardíacas graves. E de acordo com o mesmo, a vítima esteve, recentemente, em um Congresso de estudantes em Brasília.

No momento, o número de óbitos em consequência da Gripe H1N1, no país, subiu para 56 (cinquenta e seis), tendo o estado de São Paulo o maior número de vítimas fatais (27), seguido pelo Rio Grande do Sul (19), Rio de Janeiro (5), Paraná (4) e Paraíba (1).

No estado de São Paulo há 7 casos de óbitos considerados "desconhecidos", uma vez que a Secretaria da Saúde do estado não divulgou o sexo, a idade, o local do óbito e nem a condição clínica pré-existente, conforme informa o site Globo.com

Considerando este grupo (desconhecidos) e os demais, com um total de 56 vítimas fatais, eu fiz um levantamento de acordo com as respectivas faixas de idade e o resultado - a nível nacional - foi o seguinte:

. Jovens (0 a 19 anos): 8 vítimas (sendo 7 crianças) - 14% das vítimas totais;

. Adultos (20 a 59 anos): considerando ambos os sexos, homens e mulheres (68%)

--- Mulheres: 16 vítimas (seis gestantes) - 29% das vítimas totais:

--- Homens: 22 vítimas - 39% das vítimas totais;

. Idosos (acima de 60 anos): 3 vítimas (duas do sexo feminino) - 5% das vítimas totais;

. Desconhecidos (idade ignorada): 7 (todos de São Paulo) - 12% das vítimas fatais.

OBS.: A diferença na soma das porcentagens se deve ao arredondamento.

Alguns dados são interessantes e merecem ser destacados nos referidos estados:

1. Rio Grande do Sul:

- Foi o estado com o maior registro de óbitos entre o sexo masculino (faixa de idade adulta), com 11 vítimas fatais. Havendo, também, a ocorrência de um óbito na faixa de idoso (62 anos);

- entre as mulheres adultas, as vítimas foram só gestantes, havendo além destas a ocorrência de uma jovem (18 anos) e uma idosa (63 anos);

- duas crianças morreram, uma menina (5 anos) e um menino (9 anos).

2. São Paulo:

- é o estado que apresenta o maior número de vítimas fatais no grupo de mulheres, adultas. Ao todo são 9, entre estas duas gestantes. Havendo, ainda, um registro no grupo de idosa (68 anos);

- o número de homens, adultos, totaliza 7 óbitos;

- é o estado que apresenta o maior número entre as crianças (3);

- é o estado, onde foram considerados 7 novos casos de obituários, mas de origem decsonhecida (até o momento).

3. Rio de Janeiro:

- no estado não há ocorrência de óbito, confirmado pela Gripe H1N1, no grupo de homens (adultos e/ou idosos);

- no grupo de mulheres, adultas, são três óbitos, sendo uma gestante;

- duas crianças, do sexo masculino, morreram em consequência da Nova Gripe (6 e 10 anos).

4. Paraná:

- no estado, todas vítimas pertencem ao grupo de adultos, sendo 1 do sexo feminino e 3 do sexo masculino.

5. Paraíba:

- foi o primeiro registro de vítima fatal, confirmado pela doença, em toda região Nordeste e foi um homem (31 anos).

Vale a pena, também, relembrar os principais sintomas da Gripe H1N1:

Como a gripe H1N1 é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A (chamado de H1N1), este é transmitido de pessoa para pessoa.

Os sintomas são bastante similares aos da gripe comum, ou seja, tosse, dor de cabeça intensa, febre superior a 38ºC, dores musculares e nas articulações, irritação dos olhos e coriza.

Para diagnosticar a infecção de forma mais precisa, os médicos devem coletar e examinar - em laboratório - uma amostra respiratória nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, justamente, quando a pessoa infectada espalha vírus.

De acordo com os resultados realizados em laboratórios, os antigripais Tamiflu e Relenza, que foram utilizados contra a gripe aviária, têm se mostrados eficazes contra o vírus da gripe suína (H1N1).

Dica de como lavar as mãos corretamente (FEF Notícias)

Vejam mais detalhes das vítimas da Gripe H1N1 no Brasil através do mapa disponibilizado no site Globo.com.

Fontes de Consulta

. FEF Notícias

. Folha OnLine

. Globo.com

Crônica: Conversa de Pai e Filha

Antes de entrarmos em recesso escolar, cada professor da rede municipal teve direito a receber dois livros do Programa Rio. Uma Cidade de Leitores da Secretaria Municipal de Educação.

Dos autores nacionais, eu escolhi o livro "As Cem Melhores Crônicas Brasileiras", organizado por SANTOS, Joaquim Ferreira dos, Ed. Objetiva - Rio de Janeiro - 2007. Dos estrangeiros, optei por "O menino do Pijama Listrado", BOYNE, John, CIA das Letras - São Paulo - 2007.

Como adoro ler crônicas, eu comecei, primeiramente, pelo livro nacional, que reúne 62 autores e cem crônicas em ordem cronológica. Como o próprio organizador cita na parte introdutória, "a crônica brasileira tem uma cara própria, leve, bem humorada, amorosa, com o pé na rua". Eu amei!

Já soube pela minha outra irmã e professora também, que a história "O menino do Pijama Listrado" é triste e, ao mesmo tempo, muito bonita.

Bom, folheando antes de iniciar a leitura propriamente dita da obra, deparei-me com um título que muito me chamou a atenção... Conversa de Pai e Filha.

A crônica é de autoria de Antônio Maria e, nossa, como eu pude enxergar através desta a relação do meu marido com a nossa filha, Ana Carolina.

Eu, enquanto mãe, tenho estas preocupações, mas antes mesmo de criticar possíveis atitudes, tento conversar e orientar a respeito, inclusive, demonstrando em casos reais pelos quais presenciamos ou ouvimos falar.

Quero ser uma amiga para ela, antes de tudo! Sei que nossos mundos, na maioria das vezes, passam e repassam conceitos contraditórios, antagônicos de acordo com a realidade.

Eu venho acompanhando as suas mudanças de criança para adolescente e acho legal ver o seu desenvolvimento. Tento o máximo acompanhá-la e entendê-la. Sei que é uma relação difícil de ser livre, sem mentiras e segredos, mas posso assegurar qua as minhas intenções são únicas e sinceras.

Já o meu esposo teria os mesmos pensamentos expressos na referida crônica e, acreditem, acho que a sua posição não seria igual a que o autor define no final da obra.

Por estas questões e por este espaço estar voltado para um público infanto-juvenil e para profissionais da Educação, gostaria de compartilhar com todos a crônica, a qual me refiro.

Imagem capturada da Internet

CONVERSA DE PAI E FILHA

Antônio Maria

- Pai, eu tenho um namorado.

Pai, que ouve isso da filha mocinha, pela primeira vez, sente uma dor muito grande. Todo o sangue lhe sobe à cabeça, e o chão do mundo roda a seus pés. Ele pensava, até então, que só a filha dos outros tinha namorado. A sua tem, também. Um namorado presunçosamente homem, sem coração e sem ternura. Um rapazola banal, que dominará sua filha. Que a beijará no cinema e lhe sentirá o corpo, no enleio da dança. Que lhe fará ciúmes de lágrimas e revolta; pior ainda, de submissão, enganando-a com outras mocinhas. Que, quando sentir os seus ciúmes, com toda a certeza, lhe dirá o nome feio e, possivelmente, lhe torcerá o braço. E ela chorará, porque o braço lhe doerá. Mas ela o perdoará no mesmo momento ou, quem sabe, não chegará, sequer, a odiá-lo. E lhe dirá, com o braço doendo ainda: “Gosto de você, mais que tudo, só de você.” Mais que de tudo e mais que dele, o pai, que esse porcaria de rapaz fará a filha mocinha beber whisky, e ela, que é mocinha, ficará tonta, com o estômago às voltas. Mas terá que sorrir. E tudo o que conseguir dela será, somente, para contar aos amigos, com quem permuta as gabolices sobre suas namoradas. Ah! O pai se toma de imensa vontade de abraçar-se à filha mocinha e perdir-lhe que não seja de ninguém. De abraçá-la e rogar a Deus que os mate, aos dois, assim, abraçados, ali mesmo, antes que torça o bracinho da filha. Como é absurda e egoisticamente irracional o amor de pai! Mais que ódio de fera. Ele sabe disso e se sente um coitado. Embora sem evitar que todos esses medos, iras e zelos passem por sua cabeça, tem que saber que sua filha é igual à filha dos outros; e, como a filha dos outros, será beijada na boca. Ele, o pai, beijou a filha dos outros. Disse-lhe, com ciúme, o nome feio. E torceu-lhe o braço, até doer. Nunca pensou que sua namorada fosse filha de ninguém. Ele, o pai, humanamente lamentável, lamentavelmente humano. Ele, o pai, tem, agora, que olhar com o maior de todos os carinhos e sorrir-lhe um sorriso completo de bem-querer, para que ela, em nenhum momento, sinta que está sendo perdoada. Protegida, sim. Amada, muito mais. E, quando ela repetir que tem um namorado, dizer-lhe apenas:

- Queira bem a ele, minha filha.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mensagem: As Mãos da Minha Avó


Fiquei devendo uma mensagem sobre as avós, por isso, aqui está...


Imagem capturada da Internet




AS MÃOS DA MINHA AVÓ


A minha avó que tinha mais de 90 anos, estava sentada num banco na varanda e tinha um aspeto fraco.

Ela não se mexia, estava apenas sentada a fixar seu olhar nas mãos. Quando me sentei ao pé dela, nem sequer se mexeu, não teve nenhuma reação.

Eu não a queria perturbar, mas ao fim de um certo tempo perguntei-lhe se estava bem. Ela levantou a cabeça e sorriu para mim.

- Sim, eu estou bem, não te preocupes, respondeu ela com uma voz forte e clara.

- Eu não a queria incomodar, mas você estava aí com o olhar fixado nas suas mãos e eu apenas pretendi saber se estava tudo bem consigo.

- Já alguma vez viste bem as tuas mãos ? perguntou-me ela.

- Quer dizer, vê-las como deve de ser?

Então eu olhei para as minhas mãos e fixei-as. Sem compreender bem o que ela queria dizer, respondi que não, nunca tinha olhado bem para as minhas mãos.

A minha avó sorriu para mim e contou-me o seguinte:

- Pára um bocadinho e pensa bem como as tuas mãos te têm servido desde a tua nascença.

E continuou...

- As minhas mãos cheias de rugas, secas e fracas, foram as ferramentas que eu utilizei para abraçar a vida. Elas permitiram agarrar-me a qualquer coisa para evitar que eu caísse, antes que eu aprendesse a andar.

Elas levaram a comida à minha boca e vestiram-me.

Quando era criança a minha mãe mostrou-me como uni-las para rezar.

Elas ataram as minhas botas e meus sapatos. Elas tocaram no meu marido e enxugaram as minhas lágrimas quando ele foi para a guerra.

Elas já estiveram sujas, cortadas, enrugadas e inchadas. Elas não tiveram jeito nenhum quando tentei segurar o meu primeiro filho.

Decoradas com a aliança de casamento, elas mostraram ao mundo que eu amava alguém único e especial.

Elas escreveram cartas ao teu avô, e tremeram quando ele foi enterrado. Elas seguraram os meus filhos, depois os meus netos.

Consolaram os vizinhos e também tremeram de raiva quando havia alguma coisa que eu não compreendia.

Elas cobriram o meu rosto, pentearam os meus cabelos e lavaram o meu corpo. Elas já estiveram pegajosas, úmidas, secas e com rugas.

Hoje, como nada funciona como dantes para mim, elas continuam a amparar-me e, eu ainda as uno para orar.

Estas mãos contêm a história da minha vida, mas, o mais importante, é que serão estas mesmas mãos que um dia, Deus segurará para me levar com Ele para o seu Paraíso.

Com elas, Ele me colocará a Seu lado. E lá, eu poderei utilizá-las para tocar na face de Cristo.


Pensativo, eu olhava para as minhas mãos. Nunca mais as verei da mesma maneira.

Mais tarde, Deus estendeu as Suas mãos e levou a minha avó.

Quando eu me machuco nas mãos, quando elas são sensíveis, quando acarinho os meus filhos ou a minha esposa, penso sempre na minha avó.

Apesar da sua idade avançada, ainda teve inteligência suficiente para me fazer compreender o valor das minhas mãos!..

Obrigado DEUS, pelas minhas Mãos!...


Tradução e Adaptação de Faustino Rosário

Missão Cumprida: Encerramento da 1ª Arrecadação da Campanha de Solidariedade 2009



Última missão da primeira arrecadação da Campanha de Solidariedade 2009
Da esquerda para direita, as alunas Ágatha, Juliana e Raquel


Na última sexta feira (24/07), enquanto a Festa Junina dos alunos do 6° ao 9° acontecia na quadra, eu, a professora Irlene (Educação Física) e as alunas Ágatha, Juliana e Raquel fomos fazer a entrega da boneca grande e das duas sacolas (uma de roupas e a outra de brinquedos) à Casa de Apoio à Criança com Câncer - São Vicente de Paulo.

Estes donativos foram esquecidos na Sala do Núcleo dos Adolescentes, tal como mencionei em outra postagem e srªGleidi Corrêa, responsável que nos recebeu no dia 23/07 (quinta feira) na Casa de Apoio. E assim, como prometi a esta, retornamos no dia seguinte (hoje) para fazer a entrega.

A princípio, como mencionei anteriormente, quem iria nos levar era a Profª Angela Gaetta (Diretora), mas como a mesma se encontrava ocupada na hora, a professora Irlene concordou em nos levar até à Instituição.

O tempo estava chuvoso, mas durante o nosso trajeto, a chuva foi "camarada"...

Antes de irmos, eu e as três alunas, acima citadas, tivemos um compromisso muito sério a cumprir. Fomos até à sala da profª Andrea Paula, agradecer o apoio da mesma em ceder o espaço da sala para as caixas com mantimentos da Campanha (gelatina e leite em pó). As alunas - em nome da turma - entregaram a caixa de bombom e um cartão.

Ela reclamou e disse que não tinha nada a ver, mas sem a ajuda dela, realmente, ficaria muito difícil para nós mantermos o ritmo da Campanha. Isso tudo porque não tivemos nenhum espaço adequado, disponível, para guardar as caixas devido às aulas de reforço do Programa da Secretaria Municipal de Educação (SME/RJ).








Depois, fomos direto à Casa de Apoio à Criança com Câncer - São Vicente de Paulo, com a profª Irlene.





Quem nos recebeu foi a srª Elza e desta vez, diferentemente, do dia anterior, as crianças em tratamento aceitaram tirar fotografia com o grupo.












Eu anotei os nomes de todas as crianças, mas não encontrei o papel onde fiz a anotação. Vou procurar com mais calma e depois complemento.

Em agosto, quando faremos uma avaliação desta primeira arrecadação, este aspecto vai ter que ser discutido, pois em nenhuma das arrecadações anteriores, nós esquecemos alguma caixa ou sacola.

Tudo bem que, desta vez, a quantidade de donativos foi bem mais elevada e, segundo, eu mesma não estava junto com os alunos pegando as caixas, pois estava ocupada com outras coisas.

domingo, 26 de julho de 2009

26 de julho: Dia das Avós e dos Avós

Imagem capturada da Internet


Hoje se comemora o Dia da Avó ou, melhor, o Dia dos Avós. Na verdade, quando se fala em Avó, a referência diz respeito às comemorações ao Dia de Sant’Ana, que é hoje, a Mãe de Maria e, consequnetemente, a Avó de Jesus.

Quando nos referimos à data como o Dia dos Avós, nos remetemos não só à Sant'Ana, como também a São Joaquim, os avós de Jesus, considerados os padroeiros dos avós.

Apesar do seu sentido religioso, a data vem sendo - a cada ano - adquirindo um significado material, comercial.

Não resta dúvida que nada comparável aos Dias das mães, dos pais e/ou das crianças, mas já se encontra atrelado a este sentido exploratório.

Em postagem do ano passado (vide categorias), eu menciono sobre a vida de Sant'Ana. Como estou de passagem em casa, visto que estou na residência de minha mãe desde ontem, optei por não postar novamente e, apenas, sugerir a leitura para quem deseja se aprofundar mais sobre a real razão da escolha da data como o Dia da Avó e/ou dos avós.

Nesta mesma postagem, eu destaquei a diferença existente entre os papéis exercidos pelas avós, podendo se estender aos avós.

É bastante comum, ouvirmos que os avós não têm nenhum compromisso em educar e, por isso, deixam os netos aprontarem literalmente. Tem quem diga que o papel dos avós é deseducar.

A minha opinião continua a mesma, eu discordo - em parte - pois conheço muitos avós que não pertencem a este grupo, pelo contrário!

E foi por esta situação, que eu os classifico em dois tipos: os "avós-avós” e os “avós-educadores”.

Se fossemos seguir o conceito que domina o pensamento da grande maioria, os avós verdadeiros (avós-avós) seriam aqueles que "estragam" toda a educação que os pais ensinam. São aqueles que mimam e deixam os netos fazerem o que quiser em casa.

Enquanto, os “avós-educadores”, embora não deixem de paparicar, sabem intervir no momento certo de forma a educá-los corretamente.

Não importa a qual tipo os avós pertençam, pois hoje o dia é dedicado a eles. E, por esta razão, parabenizo a todos e, em especial, a minha mãe (Edith Fontes), a minha sogra (Severina Alexandre) e o meu sogro (José Francisco), que exercem os papéis de "avós educadores".

Desejo a todos os avós, um dia bastante especial, em família, cheio de Paz, Amor e União. E, mais do que nunca, respeito pelos anos vividos, pela responsabilidade exercida como pais e avós e, sobretudo, pela importância dos mesmos no seio de uma família.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Visitação dos alunos da Turma 1801 no Jardim Botânico do Rio de Janeiro


Como mencionei na postagem anterior, assim que saímos da Casa de Apoio à Criança com Câncer – São Vicente de Paulo, no dia 23 de julho, fomos direto ao Jardim Botânico.

A minha preocupação era com o tempo que tínhamos para visitar o mesmo e a hora do retorno à escola, que a princípio estava marcado para 12 horas e o sr. Edmar, o motorista, conseguiu estender para às 13 horas.

Apesar do engarrafamento que enfrentamos na Linha Vermelha, conseguimos chegar às 10h:06min. Combinei com o sr. Edmar de nos encontrarmos ao meio dia, no mesmo local em que descemos, para podermos ir embora.

Sabia que o período era curto para a visitação, mas só o fato do tempo estar bom (a previsão de frente fria era só para mais tarde) e que tínhamos quase duas horas para andar, já me dei por satisfeita. Os alunos estavam animados.

Como eu estava com um grupo de alunos, uniformizados, o ingresso ao Jardim Botânico é gratuito. Peguei um formulário com o funcionário do Portão de entrada do acesso ao estacionamento e tive que prenchê-lo, com dados da escola, do quantitativo de alunos e adultos, bem como acerca dos objetivos da visitação.

Enquanto, eu preenchia o referido formulário na cabine do vigia, os alunos ficaram entertidos com as tartarugas no lago e o relógio do Sol.



Lago e o relógio do Sol


Antes de entrarmos, efetivamente, na grande área verde do Jardim Botânico, tiramos uma foto no Centro dos Visitantes, que para minha surpresa (descobrir percorrendo o nosso trajeto na Visita Virtual) se trata da Casa Sede do Engenho Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, construída em 1576.



Os alunos sairam de lado devido a posição do Sol


De acordo com o texto explicativo, ela é considerada a mais antiga residência da Zona Sul do Rio de Janeiro. Desapropriada por D. João, em 1808, esta fora residência dos diretores da Fábrica de Pólvora, sendo também o local onde a família Real se hospedava, quando visitava o Jardim Botânico.

A construção serviu de residência de alguns diretores do Jardim Botânico - como Barbosa Rodrigues - e, posteriormente, a famílias de servidores, até 1981. Abrigou também o Setor de Proteção Florestal do Parque Florístico e o Herbário Bradeanum.

Desde 1993, a Casa abriga o Centro de Visitantes, no qual há uma livraria, cafeteria e loja de souvenirs.



Atual Centro dos Visitantes. Hoje, a área de frente está toda gramada
Imagem capturada do site da Visita Virtual


Tiramos foto também do Relógio do Sol Equatorial, bastante diferente dos já conhecidos (devido o seu material).



Relógio do Sol e a hora que chegamos ao Jardim Botânico


Cada aluno recebeu um Guia de Visitação (folder), entramos e dobramos à esquerda, na primeira Aléia, com o objetivo de irmos ao Jardim Sensorial.

O portão de entrada do Jardim Sensorial há as estátuas das Deusas Ceres e Diana, ambas esculpidas em mármore.

Estas informações, eu tinha anotado em um caderno, por ocasião do Curso que eu, Sandra Amadeu e Roberto, professores da E. M. Dilermando Cruz, fizemos com a intenção de orientar uma visitação da própria turma ao Jardim Botânico (projeto descartado, três vezes, devido às chuvas intensas do ano passado). Eu só complementei-as com os dados informativos da Visita Virtual.


Estátuas de Ceres e Diana - portão do Jardim Sensorial - Imagem capturada da Visita Virtual

A estátua mais preservada, a da direita, é a de Ceres, a deusa das plantas, dos grãos, da fertilidade da terra, enquanto a Diana, a estátua que se apresenta sem cabeça (à esquerda) é a deusa dos animais selvagens e domésticos, bem como da caça.

O Jardim Sensorial foi inaugurado em março de 1995. Ele foi projetado, especialmente, para a inclusão dos deficientes visuais ao espaço do Jardim Botânico. As espécies vegetais selecionadas são capazes de promover os sentidos através do aroma, da forma e da textura das plantas (plantas de tempero, medicinais e aquáticas).

Nas placas de identificação do nome e origem da planta, há também uma outra em braile.


Os alunos em volta das plantas aquáticas (detalhe da carqueja no canto direito)


Desde julho de 2008, o Jardim Sensorial está sendo patrocinado pela Michellin (multinacional ligada à indústria pneumática). O solo do espaço do Jardim Sensorial, por onde os visitantes andam, foi revestido por uma camada de restos de pneus picados.

À primeira vista foi difícil identificar, mas pareciam restos de vegetais de coloração preta, de forma alongada e fina, mas o funcionário explicou do quê se tratava.

Ao lado do Jardim Sensorial é possível avistar o Cactário, que abriga a coleção de cactos e outras plantas suculentas, mas neste, nós não fomos.


Cactário, vista à partir do Jardim Sensorial


Ao sairmos do Jardim Sensorial, entramos na primeira Aléia à esquerda e vimos o mogno, com suas grandes raízes e a árvore que é símbolo nacional, o pau brasil.

Comentei sobre a exploração do pau brasil e suas razões: extração do corante vermelho (brasilina), muito utilizado na Europa, principalmente, entre os nobres (o vermelho sempre esteve ligado ao poder, à nobreza).

Sua extração ocorreu do século XVI ao XIX. Depois, o mercado foi suprido com as tinta sintéticas.

Passamos por uma cascatinha, artificial, cuja água fora desviada do rio dos Macacos, cuja nascente é no Maciço da Tijuca.

Imagem capturada da Visita Virtual

Nesta hora, rimos muito, pois alguns alunos colocaram a mão na água, passaram no rosto e eu, ao saber do feito dos mesmos, comentei em tom alto, que cinco macacos haviam urinado na água, minutos antes.

Foi muito engraçado ver a reação deles. Depois, desmenti a notícia.

É a curiosidade que ultrapassa os limites dos olhos... tudo tem que ser tocado.

Paramos de frente ao busto em bronze de D. João VI, local onde estão algumas palmeiras imperiais. Tiramos fotos e os alunos sentaram um pouco.

A história já comentei na postagem anterior, por isso, vou transcrevê-la...

O primeiro exemplar de palmeira (Roystonea oleracea) foi plantada por D. João, em 1809, quando passou a ser conhecida como Palmeira Imperial.

Diz a lenda que o diretor do Jardim, na época, queria monopolizar o plantio das plameiras, isto é, restringir o seu cultivo à área do Real Horto. Porém, durante a noite, os escravos subiam nas árvores, colhiam as sementes e as vendiam, na intenção de juntar dinheiro para comprar suas respectivas cartas de alforria.

Em razão disso, a palmeira imperial foi amplamente disseminada e desta descenderam todas os espécimes desta palmeira, daí sua denominação de Palma Mater.

Todavia, a Palma Mater - a primeira palmeira plantada por D. João (1809) - não se encontra mais no Jardim Botânico, pois esta foi destruída após ser atingida por um raio em 1972.

O busto de D. João VI ficava na frente da referida palmeira.

De acordo com o texto explicativo na Visista Virtual, o Busto e o Brasão de D. João VI são datados de 1908, ano do Centenário do Jardim Botânico, os quais foram encomendados pelo diretor vigente, na época, João Barbosa Rodrigues, ao escultor Rodolfo Bernardelli.

Ambos foram confeccionados em bronze e inspirados na gravuras de Jean Baptiste Debret


Ao saírmos do local, a minha intenção era percorrer o caminho traçado, sob a orientação dos agentes educadores do curso do Núcleo de Educação Ambiental (EA), a fim de vermos as espécies de grande interesse do público, em geral, tais como, a Cânfora, a árvore do Pau Mulato, o Abricó de Macaco, a seringueira, entre outras.

Logo, mais a frente, os alunos viram saguis nas árvores. Curiosidade geral e estes fizeram tanto alarde, que outros visitantes também pararam para observá-los nos galhos.

Saguis

Continuamos a andar, mas não consegui encontrar nem a Cânfora e nem o Pau Mulato.

Mais a frente e à esquerda do nosso percurso, na mesma Aléia (Aléia Custódio Ferrão), deu uma enorme vontade de parar novamente, sentar e contemplar.

Tratava-se de uma enorme mangueira, centenária, com galhos caídos. Na verdade, são várias mangueiras, mas a que se apresentava mais atrativa para um momento de reflexão, de contemplação foi a primeira e a maior de todas. Pena que eu não tirei foto.

Do lado direito, as árvores enfileiradas era da espécie Couroupita guianensis (nome popular, Abricó de Macaco), originária da floresta Amazônica.

As árvores estavam com muitos frutos, mas a flor mesmo, só vimos uma (muito bonita e exótica). O interessante é que a flor nasce no tronco, à partir de um "ramo".

O fruto desta árvore é comestível pelos macacos, daí a sua denominação popular.

Apesar de ser classificada como árvore ornamental, devido ao tamanho e peso dos seus frutos, a mesma não é recomendada para projetos paisagísticos urbanos, pois estes podem representar um verdadeiro perigoso às pessoas.

Abricó de Macaco ( Couroupita guianensis ) - Imagem capturada na Internet

Continuamos caminhando...



Entrada principal (Portão 920), onde funciona a Sociedade de Amigos do Jardim Botânico, a bilheteria e uma loja de souvenir. Seu acesso interno dá direto à parte central do Jardim Botânico, onde há o Chafariz das Musas


Vista da Aléia de frente ao portão 920 (ao fundo, o Chafariz)

Alguns alunos queriam seguir em frente para ver o Chafariz das Musas, localizado na parte Central do Jardim Botânico, mas eu preferi seguir o caminho para o Jardim Japonês.

O Jardim Japonês foi criado no ano de 1935 e reinaugurado em 1995 pela princesa Sayako, filha do Imperador japonês Akihito.

Além da arquitetura típica, a cultura japonesa se encontra representada pelos bonsais, cerejeiras (não identificadas por nós), bambuzais, lagos artificiais com carpas e espaço com areia e pedra.

Os alunos ficaram admirados com o tamanho das carpas e com a beleza do jardim.





Continuamos a andar e conseguimos parar para observar, com maior atenção, a seringueira, o pé de Açaí, entre outras.

Contudo, como o tempo não estava livre, ou seja, tínhamos que correr a fim de explorarmos o máximo possível do espaço do Jardim Botânico dentro de um limite de horas, muitos caminhos não foram percorridos e nem a observação detalhada de algumas espécies da flora nacional e/ou estrangeira pode ser feita.








Os alunos fizeram a festa neste emaranhado de galhos. Eu não consegui identificar a espécie vegetal, mas tive que chamar muito a atenção dos alunos, principalmente, do Lucas Melo, que parecia uma criança brincando nos galhos.

Entramos na Aléia do Memorial do Mestre Valentim e, logo no início, nos deparamos com os cravos da Índia. Se eu não estiver errada, a Aléia é chamada de Aléia dos Cravos.

O Memorial foi instalado na antiga Estufa das Violetas e estava fechado, mas os alunos puderam observar o seu interior e suas obras, pois este apresenta a falta de várias vidraças (mal conservada).

O mestre Valentim (Valentim da Fonseca e Silva), era natural de Serro, em Minas Gerais (1745-1813). Ele era escultor, entalhador e urbanista, sendo considerado um dos principais artistas do Brasil colonial. Viveu e trabalhou muito no Rio de Janeiro, onde faleceu.

Suas obras, em exposição no Memorial, são as Aves Pernaltas e as estátuas de Ninfa Eco e de Narciso.

As informações abaixo foram complementadas com dados extraídos dos meus apontamentos e da Visita Virtual ao Jardim Botânico.

No centro estão expostas as Aves Pernaltas, fundidas em liga de bronze e que enfeitavam – originalmente - o Passeio Público, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro. Por solicitação do antigo diretor João Barbosa Rodrigues, elas foram trazidas, em 1905, para decorar o saguão do prédio do Museu Botânico.

As estátuas de Ninfa Eco (ninfa das fontes e das florestas) e de Narciso (caçador), expostas no lado esquerdo e direito, respectivamente, correspondem às primeiras obras em metal fundidas do país, em liga de estanho e chumbo.

Elas foram trazidas pelo mesmo diretor, acima citado, quando da demolição do Chafariz das Marrecas, localizado também no Centro da Cidade do Rio de Janeiro.

O amor da Ninfa Eco com o caçador Narciso é uma história trágica da mitologia grega. Para saber mais sobre o amor de Eco e de Narciso, leia AQUI

Memorial do Mestre Valentim - Imagem capturada da Visita Virtual

Aves Pernaltas e Eco

Narciso

Não ficamos muito tempo no Memorial, pois como ele estava fechado, os alunos pouco puderam observar.

Continuamos a caminhada e alguns alunos já demonstravam cansaço e fome. Soube, também, por estes que o pai da aluna Bruna Kelly estava vindo ao nosso encontro. Ele trabalha próximo do Jardim Botânico e aproveitou para se juntar ao grupo.

Ele chegou na hora que nos aproximamos da parte Central do Jardim Botânico, ou seja, o local do Chafariz das Musas.

Ele mesmo nos relatou que, embora trabalhasse perto, não conhecia o Jardim Botânico. Como ele conhecia a mãe da Victória, a Srª Maria de Fátima Rosendo, ambos ficaram juntos.

O céu já não estava azul, por isso, as fotos não saíram boas.

No Chafariz das Musas, quando eu vim no ano passado, haviam várias tartarugas. Desta vez, não vi nenhuma. Acredito (pois não tirei a dúvida), que são elas que se encontram no lago próximo do Relógio do Sol, na entrada da área do Jardim Botânico. Não sei...

As musas do Chafariz Central representam a Música, a Poesia, a Arte e a Ciência.

O Chafariz Central foi fabricado na Inglaterra e é de ferro fundido. Originalmente, ele se localizava no Largo da Lapa, sendo transferido para o Jardim Botânico, em 1905, sob a administração de João Barbosa Rodrigues.




Chafariz Central ou Chafariz das Musas

As quatro Musas (da Música, da Poesia, da Arte e da Ciência) - Imagem capturada na Internet

No mesmo local, há uma outra atração que é a árvore Sumaúma (Ceiba pentandra L.), da região Amazônica, cujo diâmetro é bastante largo. Tal como o mogno, suas raízes tabulares se destacam.

A árvore é, hoje, referenciada como Monumento ao compositor Antonio Carlos Jobim

Não pude tirar foto, pois outras pessoas estavam registrando e, como ainda tínhamos muito a explorar e pouco espaço de tempo, preferi não aguardar.

Mas, a nível ilustrativo, capturei a imagem...

Sumaúma - Monumento Tom Jobim - Imagem capturada da Visita Virtual

Continuamos, a nossa andança e chegamos no Lago Frei Leandro ou Lago da Vitória Régia.

Este lago foi construído em 1824, quando o Real Jardim Botânico esteve sob a administração do Frei Leandro do Sacramento. Foi ele que deu início à organização paisagística do Jardim Botânico.

Além da Vitória Régia, flor de lótus (Nelumbo nucifera) e outras plantas aquáticas, o lago abriga várias espécies de peixes de água doce. Os alunos se surpreenderam com o tipo de peixe, que parecia estar morto, pois se encontrava parado sobre uma pedra.

Ele pareciam com o famoso "limpa vidro" de aquário, só que bem maior. Não sei se é da mesma espécie. Fica aí, uma grande dúvida. Quem souber e puder esclarecer a espécie, nós agradecemos!

A Vitória Régia é bastante conhecida através dos livros. Ela é bastante comum na Floresta Amazônica. Dizem que suas folhas adultas são capazes de suportar pesos de até 45 kg.

Lago Frei Leandro ou lago da Vitória Régia

Saímos do lago e fomos ver a Estufa da Plantas Insetívoras ou Carnívoras, que fica bem próxima deste.

Eu mesma nem cheguei a entrar, pois o público era muito grande, tamanha a curiosidade e interesse por este tipo de plantas.

De acordo com a Visita Virtual, a estufa abriga as seguintes espécies: Dionea ou “Papa-Moscas”, Serracenia, Drosera, Utricularia e Nepenthes.

Estas espécies ocorrem em locais úmidos e em terrenos pantonosos, pobres em Nitrogênio. A captura de insetos se dá justamente para obter os nutrientes necessários à sobrevivência das mesmas.

Elas têm o poder de atrair os insetos através do perfume doce que exalam. A captura destes é feita através de movimentos mecânicos contrácteis, que leva as plantas a digerirem os insetos por meio de sucos secretados por glândulas especiais.

Estufa das Plantas Insetívoras ou Carnívoras - Imagem capturada da Internet

Mais adiante, encontramos uma espécie vegetal, cujos frutos dão em "cacho". Achei-os super interessantes. Trata-se da palmeira Urucuri (Attalea phalerata), originária da América do Sul, com um cacho de coquinhos.



Palmeira Urucuri

Com o horário da partida estava chegando, tive que acelerar, pois temia não conseguir visitar - pelo menso - a casa dos Pilões.

Já tínhamos perdidos outras atrações, como o muro da Fábrica de Pólvora (uma das unidades desta), localizado próximo a uma das cantinas, o Portal da Academia Nacional de Belas Artes, que foi transferido do Centro da Cidade do Rio de Janeiro, entre outros. Todos localizados em direção à Rua Pacheco Leão.

Chegamos, enfim, na Casa dos Pilões, que hoje se constitui em um Museu - Sítio Arqueológico.

Na verdade, a casa dos Pilões constitui-se na unidade mais completa da Fábrica de Pólvora. Era a oficina de compactação da pólvora, ou seja, onde se produziam os explosivos que abastecia todo o mercado brasileiro.

Os trabalhos de restauração da Casa foram iniciadas em 1984 e à partir das prospecções arqueológicas, confirmou-se à existência de estruturas remanescentes da oficina de compactação da pólvora. Daí a sua nova denominação Museu - Sítio Arqueológico Casa dos Pilões.

Além das antigas estruturas da Oficina de Compactação de pólvora, fragmentos de louças e alguns talheres da época, o museu abriga um modelo, em madeira, de que como os moinhos funcionavam.

Eu sabia que havia um botão que faziam o modelo funcionar, demonstrando a sua operacionalidade, mas não o achei. Na verdade, como dizem por aí... "a pressa é inimiga da perfeição" e eu estava com pressa, vendo o tempo disponível chegando ao fim e, por isso, a paciência também se esvaindo.

Enquanto, eu apressava de um lado, alguns alunos - mais tranquilos e desligados em relação a hora - olhavam com calma. Realmente, o interesse era grande.

De repente, eu ouvi o barrulho e fui ver como eles haviam conseguido achar o botão que fazia o modelo funcionar. Descobri que foi a aluna Ana Caroline que havia encontrado.

Museu - Sítio Arqueológico Casa dos Pilões - Imagem capturada da Internet


Museu - Sítio Arqueológico Casa dos Pilões

Prosseguimos acelerados, pois já passavam de 11h30min. Tempo muito curto...

Tivemos uma "parada técnica", necessária, para que os alunos pudessem ir ao sanitário. Enquantos alguns foram, outros ficaram curiosos com a ação de um fotógrafo (em função da câmera, acredito ser profissional), que tentava captar uma imagem sobre a folha de uma planta.

Eles foram saber do que se tratava e era um inseto. Através do zoom da câmera fotográfica do homem, eles conseguiram ver a "cara" do inseto, segundo os próprios.

Mais adiante, eles ficaram impressionados com a aranha e sua teia. Alguns chegaram a té fotografar.

Lamentei, neste momento, o tempo escasso. Quanto poderíamos aproveitar se o tempo fosse bem maior...

Vimos mais saguis. Eram muitos. No ano passado, durante o curso do NEA, nós chegamos a ver esquilo, tartarugas e um tucano. Desta vez foram as tartarugas e os saguis.

Logo adiante, encontramos uma outra fonte de água (bebedouro). Há várias espalhadas em toda a área do Jardim Botânico. Todas de origem francesa, fundidas em ferro, com imagens baseadas na mitologia greco-romana.


Em seguida, avistamos a Gruta Karl Glasl e os alunos correram para subir.

De acordo com o site da Visita Virtual, Karl Glasl (professor de Agronomia em Viena) foi diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro no período de 18 de Outubro de 1863 a 1883.

A gruta artificial que, hoje tem o seu nome, foi construída durante a sua gestão, para aclimatar espécies de plantas que vivem em ambientes úmidos e rochosos. Ela é ornamentada com samambaias, avencas, musgos, líquens e bromélias.


As alunas Camila e Mariana

Os "meninos" fazendo pose para a foto

Algumas alunas que aguardavam os demais e o pai da Bruna Kelly


Saímos do jardim Botânico e chegamos ao ponto de encontro com o motorista do ônibus ao meio dia. Certinho!

Apesar do tempo corrido, da falta de um planejamento maior - tendo em vista a indecisão acerca do destino do passeio devido às últimas chuvas - e da baixa participação da turma (só metade dos alunos), considerei positivo o passeio.

Lamentei não ter levado a minha filha, assim como a ida a outros pontos atrativos do jardim Botânico, bem como a sua exploração maior a nível de conhecimentos. Mas, tudo foi de última hora e, na verdade, o que mais importa neste momento é saber se eles - os alunos gostaram. E, pelo que eu pude constatar através dos depoimentos dos mesmos, eles adoraram. Que bom!

Até que enfim, o passeio ao Jardim Botânico desencantou e encantou, ao mesmo tempo. Nossa, desde o ano passado.

O pior foi ouvir que uma mãe não deixou a filha vir ao passeio, pois todos os cancelamentos do ano passado mais o último, ocorrido no dia 22 de julho - pelo mesmo motivo de condições metereológicas desfavoráveis a um passeio ao ar livre (chuvas fortes) - era um sinal de que algo de ruim poderia acontecer.

Bom, graças a Deus, nada de ruim aconteceu e muito menos em nossos pensamentos.

Enquanto, a grande maioria dos alunos desceu do ônibus e foi embora para casa; uma pequena parte ficou na porta da Unidade Escolar, sob o encargo da Srª Maria de Fátima Rosendo, aguardando os seus respectivos responsáveis, eu e os alunos Camila Nascimento e Gabriel Novaes fomos entregar a caixa com leite em pó do Hospital Mário Kroeff, tal como já mencionei em outra postagem.

Quem quiser acessar o site da Visita Virtual, que tanto comentei nesta postagem, acesse AQUI.