quinta-feira, 8 de abril de 2010

Chuvas no Rio de Janeiro: 173 mortos



Deslizamento no Morro do Bumba - Imagem capturada na Internet (Último Segundo)



Lamentavelmente, as chuvas ainda persistem no estado do Rio de Janeiro e, ainda que em menor intensidade, sua frequência diária manifesta-se e traduz em perdas materiais e, infelizmente, humanas.

Até o momento já foram registradas 173 óbitos em consequência das chuvas, que caem no Rio de Janeiro desde o início da noite de 2ª feira passada (05/04). Infelizmente, este número deve aumentar, pois há muitas pessoas desaparecidas e soterradas em razão dos deslizamentos de terra.

Embora em vários pontos do município do Rio de Janeiro e em outros há uma breve estiagem, em geral, há pancadas de chuvas ou precipitações mais “leves”.

As aulas na rede municipal do Rio de Janeiro reiniciaram hoje, mas a frequência dos alunos – como era de se esperar – foi baixa. Eu mesma fiquei em dúvida quanto à normalidade destas, hoje, pois ouvi uma declaração do nosso prefeito, Eduardo Paes, na qual ficou subentendido que as mesmas só voltariam ao normal amanhã (6ª feira).

Mas, uma coisa devo admitir, o nosso prefeito agiu corretamente e de forma bem estratégica devido a situação caótica que a cidade viveu e está passando. As suas orientações quanto à suspensão das aulas, de não sair de casa ou de um lugar seguro foi eficiente e sensato mediante os sérios riscos.

Até o presente momento, o município de Niterói é o que apresenta o maior índice de óbitos (99), seguido pelas cidades Rio de Janeiro (52), São Gonçalo (16), Nilópolis, Paracambi, Marica, Magé e Petrópolis com 1 morte em cada.

Os meteorologistas declararam que as chuvas que castigam o estado foi causado pelo El Nino. Fenômeno este, climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico (Equatorial), cujos efeitos provocam alterações no clima.

O fenômeno provoca alterações climáticas, regionais e/ou mundiais, sobretudo, nos índices pluviométricos (chuvas), assim como também nos padrões de ventos e no deslocamento das massas de ar.

Ainda não há estudo conclusivo e comprovado acerca das causas de sua ocorrência, mas sabe-se que este dura, em média, de 10 a 18 meses e sua frequência é irregular, apresentando intervalos de 2 a 7 anos.

As tragédias registradas em diversos pontos do estado do Rio de Janeiro, principalmente, em relação os deslizamentos de terra é algo já bastante mencionado neste espaço e nas mídias.

Não há como deixar de ressaltar - mais uma vez - a problemática existente na ocupação desordenada nos morros e nos sopés destes, lembrando também que o Poder Público tem conhecimento dos altos riscos que estas áreas representam e nada fazem ou fizeram na tentativa de remoção das comunidades locais. Seja a ocupação antiga (densamente povoada) seja esta sendo ocupada inicialmente, com poucas famílias residentes.

Nesta última situação, a remoção seria bem mais fácil e sem graves conflitos por ambas as partes. Mas, os caminhos traçados pela população carente e, sobretudo, permissivos pelo descaso das autoridades responsáveis, são concretizados e traduzem neste tipo de tragédia, que nos deixam chocados e perplexos. E este tipo de atitude não é recente, de um governo específico ou de outro...

Lamentavelmente, ele é antigo e comum em relação ao tratamento das questões habitacionais, principalmente, de baixa renda.

Ontem, assistimos a mais uma cena de total irresponsabilidade de ambas as partes e que retrata esta situação a que me refiro. Todo mundo viu e assistiu o telejornal e, por mais leigo que seja na área de Geologia, Geografia, Pedologia ou Geomorfologia, tem noção mínima de que o solo de encosta, desprovido ou não de vegetação, com declividade significativa e sob o regime de chuvas normais e/ou anormais, como foi agora, representa área de alta susceptibilidade erosiva.

Mas, saber que a ocupação humana foi em cima de uma antiga área de aterro sanitário é verdadeiramente estarrecedor. Onde estavam os políticos no momento em que as primeiras famílias chegaram e se instalaram na localidade?

Sabemos o quanto é difícil remover uma família, duas ou dezenas de famílias de locais de alto risco, mas a prevenção deveria ser a medida correta a ser tomada em qualquer situação que envolvesse a relação inadequada do Homem x Natureza.

Estou falando isso em razão da grande tragédia que aconteceu na favela Bumba, em Niterói. Foi horrível! O cenário de destruição afetou sensivelmente a todos nós. O que dirá a população local e/ou adjacente, que direta e/ou indiretamente se encontra associada a esta?! Aquela que teve perda material (parcial ou total) e perda de parte de sua vida em consequência da morte de um ente querido.

Mais uma vez, as cenas se repetem e a classe social é a mesma...

Fontes de Consulta:

. O Globo

. Último Segundo



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