sexta-feira, 23 de abril de 2010

Projeto: Livro de Rua



Imagem capturada na Internet (Google)
Atualizado às 12h07.


Este também foi publicado, ontem, no jornal O GLOBO, só que na página 7 - Seção OPINIÃO.

Espero que o projeto dê certo aqui, no município do Rio de Janeiro, pois o hábito de ler é algo transformador e as pessoas precisam muito deste incentivo.

Só espero que as pessoas respeitem as regras e o compromisso de deixar o livro, após a leitura, em outro ou no mesmo lugar público.

Como é o próprio princípio do projeto, estou aproveitando para repassar adiante o texto da referida jornalista e membro da ONG Instituto Ciclos do Brasil.


LEIA O LIVRO E PASSE ADIANTE

Yolanda Stein

Se você estiver numa praça carioca, num café, num posto de saúde ou numa padaria e vir um livro sobre um banco ou balcão, não se acanhe. Pegue, folheie e, se for de seu interesse, leia. É todo seu; não precisa pagar. Mas há um compromisso: passá-lo adiante, deixando-o em algum lugar público, para outros poderem também apreciar seu conteúdo. Se a corrente não for quebrada, num futuro não tão distante, mais pessoas poderão preencher uma lacuna e desfrutar do prazer do conhecimento.

Não, não se trata de uma utopia, mas o objetivo é ambicioso. O projeto "Livro de rua", inspirado no movimento internacional "BookCrossing", pretende ajudar a transformar a cidade numa grande biblioteca sem paredes, libertando os livros de estantes empoeiradas, onde muitas vezes não passam de objetos decorativos. Um grão de areia ou uma gota d'água capaz de contribuir para melhorar os ainda baixíssimos índices de leitura e a qualidade da educação no país.

O projeto não se limita ao troca-troca entre iniciados. Seu foco são as comunidades carentes, num esforço de proporcionar o acesso à leitura em localidades com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs). Nestes tempos de tanta apologia (ou demagogia) a atitudes republicanas, a iniciativa, por sua simplicidade e despretensão, pode significar um passo à frente. Afinal, as gotas d'água formam os oceanos.

As ações do "Livro de rua", iniciativa do Instituto Ciclos do Brasil, propagam-se em três frentes. A primeira é justamente a "libertação" de livros em locais públicos, uma iniciativa de voluntários apaixonados pela leitura. Alguém deixa um livro num determinado lugar e outro o pega para ler, formando-se uma corrente.

O movimento é mais abrangente, envolvendo a distribuição de livros em praças públicas, ao lado de outras atividades, como contar histórias e recitar poesias. Recentemente, foram "liberados" 700 livros nos bairros de Anchieta e Pavuna.

Há ainda as "Bibliotecas da liberdade", espaços de leitura onde se pode colocar e retirar livros livremente, sem controles, prazos ou restrições. São pequenas estantes organizadas em lugares públicos, como escolas, associações de moradores, lan-houses, igrejas, postos de saúde. Em princípio, todos os espaços da cidade podem se tornar espaços de leitura.

São iniciativas simples, sem custo ou burocracia, uma vez que os livros provêm de doações. O sucesso depende da ação de todos. É um círculo virtuoso: aqueles que não querem mais os livros, doam; os que querem, mas não podem comprar, pegam emprestado; estes, por sua vez, os passam adiante depois de ler.

É importante cadastrar o livro no site (www.livroderua.com.br). Basta colocar o número da inscrição que se encontra na capa e o local onde foi deixado. Assim, todos terão as informações das pessoas que leram o livro, o que fortalece a corrente.

O projeto "Livro de rua" obteve apoio da Secretaria de Cultura do Rio para participar do Viradão Cultural Carioca, com a montagem, no dia 25 de abril, de uma biblioteca na Praia de Copacabana, ao lado da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, no Posto Seis. Quem passar pelo local poderá levar um dos mil livros doados.

A meta é batalhar por uma sociedade justa, na qual a educação de qualidade, o acesso à cultura e a leitura não sejam privilégios de poucos, como destaca o presidente do Instituto Ciclos do Brasil, Pedro Gerolimich, ao citar o poeta Mário Quintana: "Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas."

YOLANDA STEIN é jornalista e integrante da organização não governamental

Instituto Ciclos do Brasil.


Imagem capturada na Internet

2 comentários:

Tamiris Neves *--* disse...

Legal. Agora eu quero achar um *-*, será que tenho sorte de passando na Prança das Nações achar um?

Marli Vieira disse...

Tamiris,

Vou torcer para que você ache um.
Podemos participar, o que você acha? Quem é que não tem um livro que possa compartilhar?

Mas, enquanto isso, vou torcer para que alguém já tenha iniciado e você seja uma das primeiras leitoras.

Boa sorte!
Beijos