terça-feira, 6 de abril de 2010

Temporal na cidade do Rio de Janeiro: Situação Caótica

Praça da Bandeira alagada
Imagem capturada na Internet (Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia)


Mediante a chuva que cai torrencialmente desde ontem, à noite, na cidade, as aulas na rede municipal foram suspensas pelo prefeito Eduardo Paes. A orientação deste e dos Órgãos competentes e responsáveis pela segurança pública é que as pessoas evitem sair de casa.

Mesmo sabendo desta medida e pelo fato de não ter conseguido entrar em contato com a escola (E.M. Dilermando Cruz), pois o telefone só dava ocupado e o da Coordenadora (celular) não atendia, resolvi arriscar e fui trabalhar.

Meu marido chegou a me alertar, pois o movimento nas ruas estava bem fraco (baixa circulação de ônibus e/ou táxis). Fui e não deu outra... Tive que retornar, pois havia retenção no trânsito devido os alagamentos em determinadas ruas do bairro de Olaria.

Choveu muito e ininterruptamente a noite toda. Ontem, então, eu enfrentei a chuva na rua, indo para a escola noturna, que acabou tendo que suspender as aulas também. Embora estivesse com guarda chuva, a sua intensidade era tanta que acabei ficando toda molhada embaixo deste.

Agora, estarrecedor mesmo foram as imagens divulgadas na TV acerca dos pontos alagados, das enchentes e dos deslizamentos nas encostas causados pelas chuvas.

A cidade do Rio de Janeiro, literalmente, parou... Praça da bandeira; Av. Francisco Bicalho; Av. Presidente Vargas; Rua Jardim Botânico; Ponte Rio-Niterói e tantas outras. Não havia alternativa para sair ou fugir do caos por efeito atmosférico.

Para piorar, o medo de muitas pessoas ora alternava em decorrência das chuvas fortes ora pelos riscos de assalto (trânsito parado facilita a ação indesejada).

De acordo com o último boletim divulgado, o número de mortos chega a 102 (Jornal da Globo), devendo aumentar em razão do registro de pessoas desaparecidas e da probabilidade de outras vítimas em caso de deslizamento ou outro tipo de acidente provocado pelas chuvas.

A média do volume de chuva que caiu sobre a cidade, em 24 horas, foi de 175 mm. O maior, registrado em um único dia, há 10 anos.

A estação meteorológica, localizada na Rocinha, registrou o maior índice pluviométrico no período compreendido entre às 9h de ontem (05/04) e às 9h de hoje (06/04), isto é, foram 283,2mm.

Segundo o Site Tempo Agora, índices pluviométricos elevados, superiores a 200 mm, foram registrados em outras dez estações meteorológicas da cidade, a saber: Jardim Botânico (273,4 mm), Tijuca (264mm), Cachambi (255,8 mm), Vidigal (245,2 mm), Penha (226,2 mm), Grajaú (223 mm), Santa Teresa (222,8 mm), Grota Funda (216,4 mm), Laranjeiras (205,6 mm), Copacabana (201,4 mm).

Não resta dúvida que as chuvas diminuíram, mas a sua continuidade – mesmo com baixa intensidade - é responsável por saturar mais ainda o solo, tornando-o seguramente instável e susceptível a deslizamento.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, tomou a decisão de manter as escolas fechadas (aulas suspensas) a fim de evitar o agravamento da situação caótica que instalou na cidade.

A previsão é que a frente fria seja mantida até o final de semana...

Eu já enfrentei temporal e enchentes em várias ocasiões, mas a pior de todas – a meu ver – foi a de 1988. Eu estava saindo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), quando caiu o temporal e por lá fiquei, presa, sem poder sair do prédio, pois logo depois as ruas estavam alagadas, além do transbordamento do rio Maracanã.

Voltei para o 4° andar, onde eu estava anteriormente (Faculdade de Geologia), e pude ver – do alto - os carros “abandonados” sendo arrastados pela correnteza ou colidindo com outro veículo devido a força da água.

Passavam das 23h, quando eu fui para a Praça Saens Peña pegar o ônibus no ponto final. A rua Conde de Bonfim, na altura da referida praça, era total sujeira mediante a quantidade de terra e lixo que desceu dos morros.

Lembro-me, como se fosse hoje, eu estava “morta” de fome e não podia gastar o pouco de dinheiro que tinha, pois não sabia como seria o trajeto completo até a Penha.

Desci em Bonsucesso às 2h da madrugada para atravessar o túnel subterrâneo (de pedestre), mas este estava alagado e com pivetes praticando assalto aos aventureiros que arriscavam a atravessá-lo.

Liguei a cobrar para o meu pai (na época, não havia celular) e ele foi me buscar de carro.

No dia seguinte, eu e a minha orientadora, na época, Profª e Geógrafa Antonia Maria Martins Ferreira (Tuninha) fomos até o Morro do Borel, na Tijuca, com uma equipe da GeoRio ver as consequências dos deslizamentos. Muitos estragos! Foi nesta vsitoria, que pude constatar a eficácia de um bambuzal na contenção de terra.

Vamos torcer para que as chuvas diminuam e o número de mortos não se eleve mais.



Algumas Imagens capturadas na Internet


Deslizamento e Resgate de vítimas no Morro dos Prazeres, Zona Norte do Rio

(Foto: Marcos de Paula/AE - O Estadão)







Deslizamento na Mangueira - Imagem capturada na Internet (Google)






Morro do Borel - Imagem capturada na Internet
(Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia)






Museu "Casa do Pontal" inundado
Imagem capturada na Internet (Agência Estadão)







Alcântara (São Gonçalo) inundado
Imagem capturada na Internet (Foto: Leitor Paulo Cesar)







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