sábado, 10 de julho de 2010

2º Bimestre de 2010: Resultado abaixo da Expectativa



Imagem capturada na Internet (Google)



Como todo final de bimestre, a exaustão é o nosso retrato. Afinal, no meu caso, são 14 turmas, cada qual com características distintas. Agregado a este quadro de cansaço vem o desânimo, o desalento – mais uma vez – com os resultados e rumos da Educação no país. E olha que a atenção e os conselhos são constantes na minha prática, mas de nada adianta.

Puro desabafo, pode até ser. Mas, uma coisa é bastante notória, a situação de uma grande parcela das turmas vai de encontro ao resultado do Ideb (ïndice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgado recentemente nas mídias.

Na última 4ª feira (07/07) houve Conselho de Classe na rede municipal de ensino do Rio de Janeiro (6º ao 9º ano) e, em minha opinião, até o presente momento, este primeiro semestre de 2010 foi o período que eu tive os piores resultados de rendimento escolar nas turmas. Daí, o desânimo...

É claro que há anos, nós profissionais da Educação, já vínhamos percebendo a desvalorização da Educação e do próprio processo ensino-aprendizagem por parte do público-alvo (os alunos) e, também, por parte dos co-responsáveis pelo processo (os responsáveis).

Não vou eximir de culpa, também, os professores, porque ignorar que certos problemas associados ao desenvolvimento escolar têm a participação negativa de certos educadores é escamotear a realidade da Educação do país. É evidente que há casos, mas são fatos isolados. Graças a Deus!

E, graças a Ele novamente, o desânimo geral ainda não foi capaz de nos fazer desacreditar no caminho da transformação humana e social, que é a Educação e, muito menos, em nosso papel como educadores e mediadores neste processo.

Alunos que não trazem material escolar de casa, não fazem as atividades propostas (nem de aula e nem aquelas para serem realizadas em casa), casos de não comparecimento (e não justificado) nos dias das avaliações, conversas paralelas no momento da explicação, uso ilegal e repreendido de aparelhos eletrônicos e celulares durante as aulas, o descaso de certos responsáveis em evidência nas atitudes perante as nossas solicitações de comparecimento à Unidade Escolar e/ou através de relatos, decepcionados, de alguns alunos (os quais demonstram sentir muito a não participação dos mesmos), entre outros fatos que são uma constante no dia a dia do nosso exercício profissional.

Quero deixar bem claro que esta minha opinião, não é única, pois vai de encontro a muitas outras espalhadas pelo país, mas – antes de tudo – estou me baseando pela minha prática em sala de aula. Eu jamais envolveria um ou dois outros segmentos da Educação se eu tivesse contribuído – direta e/ou indiretamente – para que os resultados fossem assim.

Posso e não sou uma ótima professora, mas tenho consciência que atuo visando contribuir o processo ensino-aprendizagem do aluno e, também, o induzindo a se tornar um agente autônomo na construção do seu conhecimento.

Sendo assim, posso dizer que o meu desânimo é um reflexo, também, da minha frustração pessoal enquanto mediadora em certas situações conflitantes, nas quais orientei turmas inteiras e alguns alunos, individualmente, desde os resultados do 1º bimestre. Muitos destes casos individuais, a conversa vem sendo travada há anos (séries e anos anteriores).

Acredito que o desinteresse pessoal, a falta de apoio familiar, famílias desestruturadas ou em situação de intenso conflito interpessoal, a imaturidade e/ou inexperiência do aluno em conciliar os estudos com outras atividades paralelas (cursos, namoro etc.), vícios, agressividade verbal e/ou física, prática constante de bullying etc. são alguns dos fatores que podem justificar – de forma isolada e/ou associada a outros – os resultados obtidos neste último bimestre.

De algumas turmas consegui fazer com que eles analisassem e escrevessem – sob a forma de redação – a opinião deles quanto à razão do resultado negativo. Muitas respostas me surpreenderam.

Ontem mesmo, quando uma aluna do 8º ano me entregou a sua análise pessoal, levei a mesma ao conhecimento da Direção, com a autorização da sua respectiva autora, em consequência do trabalho que nós (professores) e a equipe de Direção vêm desenvolvendo na turma, desde o início do ano, mas que não está surtindo efeito (explícito muito bem no texto da aluna e utilizado como uma das causas de sua nota baixa).

Muitos alegaram que desconhecem o real motivo, mas que não estão se preparando muito para o período das provas. Outros, por sua vez, escreveram que estão se esforçando mais e destacarm certa preocupação com o futuro.

Alguns revelaram que têm dificuldades de aprender a matéria e até apontaram outras, as quais também obtiveram notas baixas pelo mesmo motivo.

Outro dia, eu olhei os cadernos da turma 1904 para ver quem havia respondido a tarefa de casa. De 41 alunos matriculados e frequentes na sala, apenas 4 haviam realizado as atividades. Com uma pequena variação, o mesmo já foi observado em outras turmas.

Na última 5ª feira (08/09), a mesma turma (1904) já apresentou um resultado diferente. Todos os presentes haviam realizado a tarefa de casa.

Só que nem sempre é possível verificar caderno por caderno, pois o tempo reduzido nos impede de agir sempre, assim. É preciso que os alunos percebam a importância da realização da atividade para casa e da revisão da matéria através da continuidade desta através de exercícios de fixação.

Espero que os resultados melhorem no próximo semestre... Em uma próxima postagem, mencionarei acerca da posição do nosso estado no ranking do Ideb, nos diferentes anos e modalidades de Ensino (Fundamental e Médio).

Nenhum comentário: