terça-feira, 25 de janeiro de 2011

E.E.E.S. Clóvis Beviláqua: Mais uma escola supletiva fecha suas portas.


Escola da rede municipal onde funciona a E.E.E.S. Clóvis Beviláqua (Foto do meu arquivo particular)

 Embora, tenha dito – na postagem anterior - que eu estava retornando às atividades no Blog, outros fatos desagradáveis aconteceram impedindo-me de cumprir com o prometido. Inclusive, eu iria postar a respeito disso, mas acabei adiando pelo motivo do mesmo ter tomado outro rumo.

Bom, trata-se da minha antiga escola noturna. É, antiga sim, e eu vou explicar!

Em dezembro passado, durante o Conselho de Classe, nós professores da E.E.E.S. Clóvis Beviláqua soubemos que mais uma turma seria dissolvida para o ano de 2011 e, sendo assim, nós deveríamos procurar outra Unidade Escolar a fim de complementação da carga horária.

Na verdade, a utilização do nosso espaço escolar é compartilhada com a rede municipal de ensino, pois a escola – no período do diurno – é de responsabilidade do município. Nós utilizamos o mesmo espaço, à noite, através da Secretaria Estadual de Educação (eu desconheço os trâmites entre as duas redes de ensino).

Como eu vim remanejada para o município do Rio de Janeiro por Amparo Especial devido aos problemas de saúde de minha mãe, a notícia foi a pior possível, uma vez que seria impraticável dar aula em três escolas noturnas (já dava aula em duas escolas) conciliando os horários que eu cuido e durmo na casa dela.

Do mesmo jeito que ficou ruim para mim, outros colegas também ficaram apreensivos com a situação criada (menos turmas em 2011).

Eu consegui os 12 tempos em uma escola também na modalidade de Supletivo (noturno), perto de casa, tal como almejo em virtude dos cuidados da minha mãe. Ficou tudo acertado no início de janeiro.

No mesmo dia que resolvi a minha "adequação funcional" em outra Unidade Escolar, nós soubemos, tanto a diretora quanto os profissionais presentes,  que o prédio da escola vai ser demolido para a construção de uma nova estrutura, inclusive, com creche. Muito bom, pelo menos para a rede municipal. Mas, quanto à escola noturna (estadual), as obras se converteram no seu fim, pois ela não vai voltar a funcionar à noite. A E.E.E.S. Clóvis Beviláqua está com os seus dias de existência contados. Já haviam rumores acerca desta obra desde o ano passado, mas não sobre o fechamento da escola supletiva.

Todos os profissionais sejam da administração, de apoio e os professores foram alocados para a E.E.E.S. Walt Disney, situado no bairro vizinho, Ramos.

Bom, para o meu lado, as coisas também começaram a desandar... Eu estava certa da minha transferência para uma escola perto da minha casa, quando soube por telefone – no hospital (minha mãe esteve internada devido a uma infecção urinária durante o período de 11 a 19 de janeiro) – que eu havia perdido a vaga na referida escola. Meu mundo caiu...

Pensei que a novela tinha acabado com um final feliz, mas que nada! E, nesta altura do campeonato, achar outra Unidade Escolar em condições iguais ou próximas, com os 12 tempos, em local de fácil acesso e sem ser área de risco era algo impossível.

Detalhe, nem a E.E.E.S. Walt Disney tinha os 12 tempos de Geografia. Além disso, esta se localiza mais distante da minha casa e é de difícil acesso devido ao transporte coletivo (no meu caso).

Bom, a minha vida tomou um sabor de tristeza, muito suor e desespero. Por fim, consegui adequar os meus horários em duas escolas, de Ensino Médio, uma bem pertinho de minha casa (não sendo preciso pegar transporte nenhum) e a outra, em outro bairro mais distante, porém no horário da tarde.

Sinto muito pelos alunos da E.E.E.S. Clóvis Beviláqua. Acredito que muitos migrarão para a E.E.E.S Walt Disney, porém outros não poderão dar continuidade nesta, pois moram mais longe e a localização da nova escola aumenta ainda mais a distância para estes. Eles devem procurar outra Unidade Escolar que ofereça o Ensino Fundamental à noite (Educação de Jovens e Adultos - EJA), jamais desistir de estudar!

As escolas supletivas mais próximas, que eu conheço são estas, abaixo relacionadas. Devem existir outras, com certeza! Fica aí como uma dica:

. Escola Estadual de Ensino Supletivo Berlim

Rua Noêmia Nunes, 20 - Olaria;

. Escola Estadual de Ensino Supletivo Conde de Agrolongo

Rua Conde de Agrolongo, 1246 - Penha;

. Escola Estadual de Ensino Supletivo Chile

Praça Belmonte, 15 - Olaria;

. Escola Estadual de Ensino Supletivo Professor Souza Carneiro

Rua Califórnia, 255 - Penha.


Embora, a minha passagem na referida escola tenha sido curta, desde outubro de 2009, eu gostava muito da escola, do pessoal administrativo, dos colegas (professores) e dos alunos. É uma pena que as escolas supletivas estejam fechando. Eu ouvi e, por isso, não posso afirmar, que muitas escolas da mesma modalidade estão sendo dissolvidas por falta de aluno ou número muito baixo de matriculados. Qual será a razão desta evasão? Eu desconheço!
 
Imagens do prédio da E.M. Clóvis Beviláqua, onde funciona a escola supletiva de mesmo nome no período noturno (fotos do meu arquivo paeticular).
 
 






2 comentários:

Nilza disse...

Olá professora Marli, em primeiro lugar parabéns pelo blog, acabo de descobri-lo e me ancantei com a seriedade e a riqueza do mesmo. Quanto ao fechamento das escolas no horário noturno e em especial cursos Eja (supletivos), sinto dizer que em São Paulo também estamos enfrentando o mesmo problema. Acredito, que em parte o que está acontecendos seja pela diminuiçao da demanda, mas o que de fato tem levado ao fechamento de muitas salas de aulas de cursos noturnos, em minha opinião, é a diminuição de gastos por parte dos governos e pela falta de seriedade com a Educação. No município de São Paulo, os cursos de Eja ocorrem agora em escolas Polos, o que na maioria das vezes é distante da residência do aluno, o que leva a desmotivação, principalmente do aluno trabalhador.

Marli Vieira de Oliveira disse...

Nilza,

Desculpe-me por só agora estar lhe respondendo.

Eu também desconheço as causas do fechamento de turmas dos cursos noturnos. Aqui no Rio de Janeiro é geral.

Não sei se o motivo seja a redução no número de matrículas ou a falta de um maior comprometimento por parte do governo, pois salas cheias neste horário não condiz com qualidade e muito menos atende ao tipo de clientela (a maioria, trabalhador adulto).

Infelizmente, as consequências negativas são para os alunos e para o professor, que terá que complementar a sua carga horária em outra Unidade Escolar, muitas das vezes, bastante distante de sua moradia ou da outra escola.

Eu não tenho lido nada a respeito dessa situação por parte do governo.

E, pelo que você comentou, São Paulo e, talvez, os demais estados brasileiros estão passando pela mesma situação.

Obrigada por sua visita e comentários.

Abraços