sábado, 15 de janeiro de 2011

Tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro


Teresópolis - Imagem capturada na Internet (Fonte: Notícias R7


Atualização às 22h10 (anexação de imagens de Penedo)


Há tempo estou para reiniciar as minhas postagens no Blog, mas o tempo escasso não me permitiu tal feito até então.

Muitos devem ter observado que o número de publicações no Blog caiu desde dezembro, mas além de estar, realmente, super atarefada com o final do ano letivo em três escolas, as quais – juntas – totalizavam 16 turmas, eu tive 6 (seis) Conselhos de Classes, dois deles após o período de reforço (recuperação).

Além desta falta de tempo, eu estava fazendo um curso on line, o qual – por sorte minha – prorrogou o prazo da entrega do trabalho final para o dia 10 de janeiro (eu terminei exatamente neste dia).

As minhas últimas postagens de dezembro (2010) e a primeira e anterior a esta, já em 2011, foram em cima de mensagens, nas quais não me estendi muito ou nada comentei. Agora, espero retornar de vez e no mesmo ritmo de antes.

Contudo e, infelizmente, este meu retorno junto a este espaço é marcado pela tragédia – digamos, já anunciada há muito tempo – acerca dos recentes deslizamentos e mortes na região serrana do Rio de janeiro em face das chuvas ininterruptas, as quais não são novidades nesta época do ano.

Até o final da manhã, o número de mortos na região serrana do Rio de Janeiro, divulgado nas mídias, já totalizava em 555 pessoas.

Mais uma vez, as chuvas no estado colocam à prova a vulnerabilidade e susceptilidade do terreno em face de topografia acidentada, a própria instabilidade do solo e a ocupação desordenada. Não há como dissociar um destes fatores.

Na verdade, a combinação deles acrescido, sobretudo, pela falta ou pouco investimento em políticas públicas voltadas pata a prevenção e/ou remoção da população de áreas de riscos justifica tamanha destruição e o grande número de óbitos. Infelizmente...

O inacreditável é assistir diversas discussões e debates em cima da tragédia entre as autoridades do poder público, ano após ano, quando sabemos que – há tempo – diferentes especialistas – principalmente - na área de geotecnia já haviam alertado quanto às características naturais do terreno (declividade, instabilidade e composição do solo) e os riscos reais quanto à ocupação do homem sob uma situação de chuvas intensas e/ou de baixa intensidade, porém permanente (considerada a pior devido ao saturamento do solo).

A região serrana do Rio de Janeiro localiza-se ao norte do estado e faz fronteira com o estado de Minas Gerais. A referida região político-administrativa é constituída, segundo a Fundação CIDE (Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro), por 14 municípios, a saber: Bom Jardim, Cantagalo, Carmo, Cordeiro, Duas Barras, Macuco, Nova Friburgo, Petrópolis, Santa Maria Madalena, São José do Rio Preto, São Sebastião do Alto, Sumidouro, Teresópolis e Trajano de Moraes.

Dentre estes municípios, Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis se destacam não só em termos econômicos e demográficos (mais populosos), como também pela potencial turístico (clima ameno e beleza natural da Serra dos Órgãos) e acervo histórico, sobretudo, Petrópolis (conhecida como Cidade Imperial) e Teresópolis (nome em homenagem a Imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II).

Não quero dizer com isso que os demais municípios (e seus distritos), situados na mesma região político-administrativa, não apresentem estes atrativos. Não se trata disso, mas sem dúvida nenhuma, estes três municípios se sobressaem. E foram os mais castigados pelos efeitos das últimas chuvas (embora outros da mesma região administrativa tenham sofrido os mesmos problemas, como Sumidouro, São José do Rio Preto e Bom Jardim).

A manchete de um dos jornais de grande circulação no estado do Rio de Janeiro trazia o seguinte título: “A dor que une pobres e ricos”. Não resta dúvida, pois neste cenário, ambas as categorias são atingidas, afinal o que há em comum e grave é a ocupação em locais considerados de alto risco, sejam estes localizados no alto ou no sopé da encosta (ou ainda ao longo do vale).

No entanto, o volume e a força das águas foram, ao mesmo tempo, impressionantes e assustadores, nunca vistos na proporção que ocorreu nos três municípios mais afetados pela chuva, cujos sítios urbanos contribuíram para a devastação. Acredito que não houve nada igual em todo o estado do Rio de Janeiro.

Não houve quem não se comovesse com a cena de resgate de uma senhora, de 52 anos, do terraço de sua casa, a qual estava preste a ser levada pela correnteza das águas, no município de São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana do estado.

Não precisamos de mais eventos meteorológicos para atestar que a geografia e as condições do solo em nosso estado são vulneráveis e susceptíveis à erosão, deslizamento e outros movimentos de terra, os quais se tornam mais agravantes quando se verifica ocupação humana desordenada em áreas de riscos.

Neste momento, atribuir a culpa é uma questão fácil, mas não devemos esquecer que a responsabilidade é de muitos. É evidente que cabe ao governo e suas secretarias específicas vistoriarem e coibirem à expansão mobiliária e/ou a invasão de terrenos em situação de risco, mas a participação da população também se torna relevante e imprescindível, não só denunciando, discutindo e conscientizando, como também evitando migrar e fixar residência em áreas potencialmente instáveis.

Mas, a falta de controle e a especulação imobiliária (construções da chamada “segunda residência”, hotéis e pousadas) acabam mantendo este tipo de uso e apropriação do solo, transformando os desastres naturais em desastres sociais.

Só para se ter uma ideia, em dezembro passado, eu, meu marido e nossa filha fomos conhecer Penedo, distrito do município de Itatiaia (antes, Penedo pertencia ao município de Resende), na região sul do estado do Rio de Janeiro, antiga colônia finlandesa.

Sua vocação é estritamente turística, sendo caracterizado por muitas pousadas, hotéis, restaurantes e diversos serviços para atender os inúmeros turistas e casais em lua de mel que por lá visitam ou passem temporadas.

Enquanto o meu marido e minha filha foram cavalgar, eu aproveitei para caminhar e conhecer outros lugares fora do eixo central de Penedo. E, como era de se esperar, vi muitas encostas ocupadas, principalmente, por chalés (pousadas) e em alguns pontos próximos, registro de deslizamentos.

Observem algumas imagens de Penedo (tiradas em dezembro de 2010 - imagens do meu acervo particular) e a localização de determinadas pousadas e residências. Mais adiante, registrei dois focos de deslizamentos na parte inferior da encosta, o que evidencia a vulnerabilidade e susceptilidade do terreno a movimentos de terra.









Será que após tantos casos de deslizamentos, enchentes, alagamentos e outros processos, a maioria desencadeados de forma devastadora devido a interferência antrópica (homem), as instâncias governamentais responsáveis, tanto na esfera municipal, estadual e federal, não aprenderam que é melhor prevenir para que outros eventos não venham ocorrer de forma drástica?

Só em andar em Penedo, eu pude observar estas evidências de processos erosivos ligados à ação das águas pluviais (chuvas) nas encostas e, mais agravante, a existência de pousadas nas proximidades destas, configurando-se como um problema ambiental e social. Daí, eu afirmar no início deste, que estes eventos e seus respectivos efeitos são “tragédias já anunciadas”. Só não vê quem tem interesses particulares, meramente gananciosos, que sobrepõem à integridade da vida humana.

Será que a catástrofe na Região Serrana do Rio estabelecerá novos rumos nas políticas públicas, visando a prevenção e medidas corretivas aos atuais níveis de degradação ambiental e à ocupação desordenada nas encostas?

Será que as atuais políticas públicas na área de habitação e de saneamento básico passarão a ser estendidas a todos, os cidadãos, tal como deveria ser regra?

Todos sabem que remover a população de áreas de riscos não traz votos, pelo contrário, esta política se opõe aos interesses de ambas as partes. Mas, permitir que mais mortes ocorram é de uma irresponsabilidade absurda! É preciso que o poder público adote medidas sérias, preventivas e corretivas, de forma urgente e a população não só se conscientize quanto a esta necessidade, mas também participe, denunciando e discutindo.

Precisamos mudar este cenário ou, pelo menos, evitar mais perdas humanas, materiais e econômicas, todos os anos, durante o verão.

No momento, o que podemos fazer - ao invés de ficarmos de braços cruzados - é sermos solidários, fazermos o mínimo, pelo menos, encaminhando donativos aos diversos desabrigados da região Serrana ou doando sangue no Hemorio.

De acordo como o que foi noticiado nos principais meios de comunicação, a população das áreas afetadas está precisando de doações de água mineral, alimentos, roupas, cobertores, colchonetes, produtos de limpeza e de higiene pessoal.

Façamos a nossa parte para aqueles que perderam tudo, seus entes queridos, bens materiais e, quem sabem, até os sonhos.



Covas no cemitério municipal de Teresópolis - Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra - Foto: Reinaldo Marques/Terra




Teresópolis - Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra - Foto: Vanderlei Almeida/AFP)



Teresópolis - Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra - Foto: Vanderlei Almeida/AFP)




Teresópolis - Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra - Foto: Antonio Lacerda/EFE)




Nova Friburgo - Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra  - 
Foto: Marino Azevedo/Divulgação)




       Nova Friburgo - Imagem capturada na Internet 
           (Fonte: Terra - Foto: Ivaldo Anastácio/Futura Press)




Nova Friburgo - Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra - Foto: Shan Reis/EFE)




Nova Friburgo - Imagem capturada na Internet   (Fonte: Terra -
Foto: Reinaldo Marques/Terra)







Nova Friburgo - Imagem capturada na Internet
(Fonte: Terra - Foto: Reinaldo Marques/Terra)




Nova Friburgo - Imagem capturada na Internet

(Fonte: Terra - Foto: Antonio Lacerda/EFE)

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