quarta-feira, 13 de abril de 2011

13 de abril: Discussões amplas no Centro de Estudo nas escolas públicas municipais do Rio de Janeiro

E. M. Dilermando Cruz, Bonsucesso, Rio de Janeiro (Arquivo particular)


Como já estava previsto no Calendário Oficial da Secretaria Municipal de Educação, hoje, todas as escolas da rede tiveram Centro de Estudo Integral, ou seja, reunião periódica com todos os professores do I e II Segmento do Ensino Fundamental.

Nada fora da normalidade se não fosse a mudança do eixo principal da reunião: o espaço escolar diante da tragédia ocorrida na E.M. Tasso da Silveira.

Segundo as próprias palavras da Secretária de Educação, as reflexões e discussões deveriam perpassar ao nível de estratégias para reinventar o espaço escolar, capaz de assegurar amparo e devida acolhida a todos os membros de sua comunidade interna, a qual – neste momento – se sente insegura e angustiada diante dos fatos ocorridos.

Soubemos, antes, porque a Coordenadora Pedagógica nos encaminhou - via e-mail - a Carta da Secretária de Educação, Cláudia Costin, na qual ela enfatiza a importância das discussões acerca da tragédia no Centro de Estudo e orienta a respeito das diretrizes a serem seguidas na intenção de fomentar mudanças capazes de atender os anseios da população quanto ao espaço escolar.

E dando prosseguimento, ela enfatizou a importância do momento e, em especial, da reunião com o corpo docente e de gestão, para que estas estratégias permeiem a valorização e o resgate de valores humanos, éticos e de responsabilidade cidadã.

Eu acredito ainda no papel da escola como espaço de formação ampla do educando, baseada não só apenas em um arcabouço de conhecimentos, mas, sobretudo, de educação para a vida em sociedade, afinal, o que é a escola senão um espaço social e de grande pluralidade cultural!

A dimensão do problema é bem maior que só o ataque de um ex-aluno, introspectivo, revoltado com a sua vida e com as cicatrizes de ter sido vítima de bullying.

“... as diversidades que o espaço escolar abarca” vão além disso...

É preciso valorizar e resgatar valores humanos, com certeza! É imprescindível que a prática de bullying no ambiente escolar seja combatida e banida, não restam dúvidas! É de fundamental importância que a família participe e interaja no desenvolvimento escolar dos seus filhos, acompanhando-os em casa e na escola, quando a sua presença for necessária...

Mas, acrescido a todos estes aspectos... as escolas precisam contar com o apoio profissional de um psicólogo no interior da unidade, mesmo que sua atuação seja itinerante (em dias alternados). Um profissional permanente seria o ideal, mas é uma utopia. Não há como negar a importância deste profissional no âmbito das Unidades Escolares e, nem adianta, contradizer, alegando que o mesmo pode ser feito através de encaminhamento da escola para o Posto de Saúde, pois não é a mesma coisa.

O aluno apresenta um comportamento na escola e outro, totalmente distinto, quando se encontra diante dos seus responsáveis.

Muitas das vezes, presenciamos pais discordando das informações prestadas pelos professores acerca da conduta dos alunos em Relatórios encaminhados a psicólogos.

O acesso às Unidades Escolares não são feitos à revelia dos profissionais ativos nestas. Há sempre um controle por parte da Direção ou demais recursos humanos com estas atribuições a fim de garantir um mínimo de segurança aos segmentos da Comunidade Escolar. Todavia, material ou substância escondidos por debaixo da roupa não são perceptivos. Daí, a importância, em minha opinião, de um detector de metais. Este pode até não evitar a entrada de alguém portando armas, mas o conhecimento de que na escola há um sistema de detector de metais já afugenta muitas tentativas.

Não restam dúvidas que o tema é polêmico, mas, infelizmente, ocorreu no interior (e fora) de uma escola.

Com certeza, todas as discussões que nortearam o CE, de hoje, passaram no nível de propostas pedagógicas com fins de gerir mudanças viáveis para uma escola mais integrada, humana, solidária e cidadã.

É difícil reinventar o espaço escolar, quando o conceito concebido e apreendido se mostrou inválido diante da ameaça e ataque de um indivíduo externo a este.

Pode-se afirmar que o muro da escola não separa apenas duas áreas de domínio público, de objetivos distintos (via de passagem x espaço sociocultural). Ele demarca intenções contraditórias e, infelizmente, sendo uma de caráter nefasto.

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