domingo, 24 de abril de 2011

Crônica: Preparação para a Páscoa de 2011

Imagem capturada na Internet (Fonte: Belas Mensagens)

Texto atualizado às 8h18

Dia 23 de abril de 2011, 4h20 da madrugada, Sábado de Aleluia, véspera do Domingo de Páscoa e eu perdi o sono.

Perdi não por estar iniciando uma vigília Pascal ou simplesmente por ter tido um pesadelo com Judas Iscariotes ou com o coelhinho da Páscoa. Não!

Perdi o sono porque o céu – por diversa vezes – se iluminou e ecoou explosões de fogos de artifícios, muitos dos quais pareciam estourar dentro do quarto.

Remexi na cama, virando de um lado e do outro, mas o barulho estarrecedor dos fogos parecia não ter fim e a minha agitação também.

Por alguns momentos quis entender a razão de tantos fogos artifícios justamente no Sábado de Aleluia, mas antes que eu pré-julgasse e atribuísse um grau de insanidade mental nos religiosos fogueteiros, lembrei-me que o dia era também de outro santo, guerreiro e muito festejado pelos devotos católicos e praticantes de religiões afro-brasileiras: São Jorge.

A vontade de dormir e o meu desespero eram tão grandes, que eu cheguei a rezar ao próprio São Jorge, na tentativa dele interceder junto aos seus fiéis madrugadores e fogueteiros para que os fogos cessassem. Mas, é claro que eu não seria atendida; afinal era festa para ele.

Remexi na cama novamente e fiquei a pensar na minha infância, relembrando a magia da Páscoa com o coelhinho e seus ovinhos.

Na minha tenra idade, o significado religioso ficava em segundo plano, muito embora, eu participasse das celebrações da Semana Santa na Igreja Católica junto com a minha mãe e minhas irmãs.

O meu fascínio infantil pela data era por conta dos ovos escondidos e da curiosidade sobre o coelho; de como ele conseguia entrar em casa sem que o cachorro se importasse (latisse) com a sua presença...

Sendo assim, além de seguir os diversos ritos religiosos da Semana Santa, com a celebração da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo, desde o Domingo de Ramos até o Domingo de Páscoa, tínhamos também as brincadeiras de procurar os ovos de chocolate que o coelhinho havia deixado escondidos e a famosa bacalhoada no almoço em família.

Bacalhoada como tradição passada pelos meus avós paternos e maternos, portugueses.

A família toda reunida, preparando o seu prato com muito azeite, vinagre, sal, pimenta e mais... batatas, cebolas, ovos, couve e o famoso bacalhau.

Senti saudades da minha infância e uma vontade enorme de voltar no tempo. Diante do óbvio, não há milagre – nem de São Jorge – que nos faça retroceder no tempo, resolvi levantar, pois o sono já havia sido perdido mesmo.

Ainda sob o estopim dos fogos de artifícios, que continuaram até o raiar do dia, fiz café, comecei a limpar a casa e fiquei a pensar na bacalhoada do Domingo de Páscoa, dia em se comemora a ressurreição de Jesus. Afinal, a preparação da bacalhoada é – agora - de minha responsabilidade.

E, sob a benção do significado religioso do Domingo de Páscoa (a salvação dada com a morte de Jesus e sua vitória com a ressurreição), eu espero encontrar e compartilhar o almoço com os meus familiares.

Feliz Páscoa a todos! E viva São Jorge!

Um comentário:

leandro disse...

Professora achei muito legal esse tema da pascoa porq lembra chocolate e chocolate e muito muito bom '
Leandro Moreira , 1903