quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Líbia: O Fim de uma Era de 42 anos de Regime Ditatorial



O Efeito Dominó nos Conflitos do Mundo Árabe 
 Imagem capturada na Internet (Fonte: Wikipedia)


Muitos alunos do 9º Ano do Ensino Fundamental se mostraram interessados e “antenados”  acerca dos fatos da atualidade, sobretudo, em relação à morte do ex-ditador da Líbia, Muammar Khadafi. Eu já havia comentado – em sala de aula e no Blog – acerca dos conflitos que vêm ocorrendo no chamado Mundo Árabe, isto é, nos países do Norte da África e do Oriente Médio, predominantemente islâmicos, de cultura árabe. Inclusive, o mesmo fora tema de uma questão em uma das minhas avaliações passadas.
Estas manifestações populares contra os regimes ditatoriais que vêm ocorrendo, desde dezembro de 2010, passou a ser chamada de Primavera Árabe.
Além de reunir questões comuns referentes aos regimes dos seus respectivos países, sob a forma de ditadura (autoritarismo, violência, falta de liberdade etc.), dois aspectos precisam ser destacados, as atitudes da população envolvida, insatisfeita e ávida por mudanças radicais e o uso de tecnologia de comunicação e de redes sociais (Facebook e Twitter, por exemplo) para divulgar e mobilizar as pessoas em prol do processo revolucionário, que começou na Tunísia (dezembro do ano passado), derrubou o seu presidente, se alastrou por outros países, derrubou o presidente do Egito, continuou, colocou fim na era do regime do ex-ditador Kadafi (42 anos no poder) e, ainda, continua através de mobilização e protestos populares em outros países das regiões abrangidas.
Seguindo esta onda dos protestos populares contra os regimes autoritários que, há décadas estão no poder, vimos no último dia 20/10 (5ª feira passada), o período de 42 anos de poder do ex-ditador Muammar Kadafi, na Líbia, ser encerrado de vez, após o ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e dos combatentes líbios ao comboio que o levava, que resultou em sua captura e morte. Fato tão divulgado nas mídias e comemorado pela população líbia e em muitos países do mundo.
Muammar Kadafi - Imagem capturada na Internet (Fonte: Brasília 247)

O início do conflito na Líbia aconteceu em fevereiro deste ano, na cidade de Benghazi, considerada o reduto da oposição ao governo de Kadafi e, desde a contra resposta agressiva do ex-ditador às manifestações populares, insurgentes, o país mergulhou em uma violenta guerra civil.
De todas as manifestações populares que vêm ocorrendo no Norte da África e no Oriente Médio, a da Líbia foi – até então - a mais violenta, com o ex-ditador Muammar Kadafi ordenando às forças militares abrirem fogo contra os rebeldes, população líbia, opositora e insatisfeita.

 Caça líbio atingido por forças rebeldes, em março deste ano, na cidade de Benghazi     Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra - Foto AFP)

De acordo com o que foi noticiado, nos principais meios de comunicação, o número estimado de mortos chega a mais de dois mil.
No final de março do ano em curso, o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes líbios, ganhou maior força com o apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) sobre as estruturas militares e de comando do ex-ditador.
Sob o aval do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a OTAN afirmou que sua missão era proteger à população líbia e, sobretudo, ao segmento insurgente em luta pela democracia e contra a repressão do regime de Kadafi.
No final do mês de agosto, ao tomarem outras cidades e a capital do país, Trípoli, os rebeldes conseguiram derrubar o ex-ditador, assumindo o controle do seu quartel-general.
Muammar Kadafi, por sua vez, assegurou reação imediata contra as tropas do Conselho Nacional de Transição (CNT) e, a partir desta tomada dos rebeldes, fugiu, constando como desaparecido até que, no último dia 20 de outubro, um comboio com 75 veículos militares em fuga (alta velocidade) da cidade de Sirte foi bombardeado pela operação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

 Míssil disparado por combatentes anti-Kadafi na cidade de Sirte, no início do mês em curso Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra - Foto AP) 

 Comemorações dos rebeldes pela tomada da cidade natal do ex-ditador Muammar Kadafi, Sirte no mês em curso - Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra - Foto REUTERS)

De acordo com o que foi noticiado nas mídias, a OTAN afirmou que desconhecia a presença do ex-ditador no comboio e que o ataque se deu em razão do mesmo estar portando grande armamento e de seu caráter pró-Kadafi (em situação de fuga).
Verdade ou mentira, o fato é que o ex-ditador Muammar Kadafi se encontrava no comboio e em fuga. Ele foi capturado depois pelos rebeldes e... A sequência dos fatos, todos sabem, pois foi bastante explorada pelos principais veículos de comunicação. Kadafi estava ainda vivo, bastante ferido e, depois, apareceu morto. O seu filho, Muatassim, também morreu neste ataque contra o comboio em Sirte.
Tanto o corpo do ex-ditador quanto do seu filho ficaram expostos ao público no último sábado (22/10), na cidade de Misrata, onde se concentram opositores do ex-ditador Kadafi, contrariando as próprias leis muçulmanas, que preconiza o tempo de 24 horas entre o período da confirmação da morte e do sepultamento.
O local do enterro de ambos foi mantido em segredo em razão dos riscos de violação dos túmulos por vandalismo, bem como de peregrinação, na idolatria ao ex-ditador. Sendo assim e, de acordo com a imprensa on line e impressa, eles e mais um ex-assessor foram sepultados, ontem (3ª feira), às 5 h da manhã (horário local), no deserto (Saara), em local não divulgado, tendo a presença de familiares e autoridades.
Em razão de todo o mistério criado acerca do sepultamento, principalmente, do ex-ditador e de seu filho, não confere a esta informação uma forte credibilidade, pois não houve confirmação oficial.
Com a sua morte e o fim do regime ditatorial e autoritário no país, não podemos afirmar que o pesadelo da Líbia acabou, pois o seu futuro permanece, ainda, incerto. Espera-se que tenha encerrado e uma nova vida e sentido democrático seja estabelecido em seu território, mas é preciso aguardar... 
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Anders Fogh Rasmussen, declarou que pretende encerrar a sua missão na Líbia, no próximo dia 31 de outubro, mas o próprio presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Abdel Jalil, assim como outras autoridades internacionais solicitaram, hoje, a permanência da mesma no país até o final do ano. A resposta da OTAN ainda não foi emitida.
A Líbia foi declarada um país independente pelo Conselho Nacional de Transição (CNT) e deve realizar eleições livres e democráticas em até oito meses. Está previsto também a elaboração de nova Constituição e criação de um governo provisório.

Fontes de Consulta
. Jornal O Globo (impresso - várias edições)
. Wikipedia

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