domingo, 14 de abril de 2013

Hoje, além da Coreia do Norte, restam mais quatro países socialistas

 
Guerra Fria: charge mostrando, à esquerda, o líder da URSS, Nikita Kruschev 
e, à direita, o presidente dos EUA, John Kennedy.
Imagem capturada na Internet (Fonte: História por Imagem)
 
 
Antes de entendermos esta preocupação mundial com as ameaças de guerra por parte da Coreia do Norte, precisamos retomar alguns tópicos que envolvem o período da Guerra Fria, inclusive, de sua criação como Estado-Nação e de seu sistema político-ideológico. Maiores detalhes sobre o país farei em uma outra publicação. 
 
Desde o dia 06 de agosto de 1945, quando os EUA lançaram a primeira bomba atômica (nuclear) na cidade de Hiroshima, no Japão e três dias depois, em Nagasaki, outra cidade japonesa, no final da II Guerra Mundial (1939-1945), a humanidade passou a viver sob o temor de um combate direto, de grandes proporções, capaz de envolver países com armas nucleares (declaradas e/ou não declaradas).
 
Foi o que aconteceu durante a Guerra Fria, período conhecido pelo embate indireto entre os EUA e a antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).
 
Após a II Guerra Mundial, a nova Ordem Mundial era bipolar, isto é, o mundo passou a se estruturar, se organizar, em termos político e econômico a partir da influência e da disputa entre estas duas superpotências (EUA e URSS).
 
No entanto, a disputa também envolvia sistemas político-ideológicos distintos, tendo os EUA na liderança do bloco dos países capitalistas e a URSS no comando do bloco dos países socialistas. 
 
O termo Guerra Fria consiste no fato de que não houve um embate direto entre as duas potências (EUA versus URSS), mas elas se tornaram patrocinadoras de diversos conflitos envolvendo países de ambos os blocos, os quais foram financiados e orientados – cada qual– conforme os seus respectivos interesses.
 
 
 Charge capturada na Internet (Fonte: História por Imagem)
 
 
O clima de tensão foi mantido durante todo este período, marcado pela corrida espacial, corrida armamentista, redes de investigação e espionagem (CIA versus KGB), caça às bruxas, entre outros aspectos. A população mundial viveu sob o temor de uma guerra nuclear.
 
A Guerra Fria teve início em 1947 e o seu término, para alguns autores, se deu no final de 1989, quando houve a queda do muro de Berlim, considerado o maior símbolo da Guerra Fria, que separava a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental, socialista) da República Federal Alemã ou Alemanha Ocidental (capitalista). No entanto, outros autores consideram o ano de 1991 em virtude de ter havido a dissolução do Pacto de Varsóvia (ou Tratado de Assistência Mútua da Europa Oriental), isto é, da aliança militar dos países do bloco socialista.
 
A crise no Socialismo, o fim da URSS e o desmantelamento quase por total do bloco socialista (países de regimes comunistas), no final dos anos 80 e início dos anos 90 (Século XX), o cenário mundial mudou de forma significativa. Hoje, cinco países se mantêm socialistas (regime comunista), são eles: Cuba, China, Coreia do Norte, Vietnã e Laos.
 
Embora, os referidos países apresentem uma história político-socioeconômica distinta, eles possuem alguns aspectos comuns, tais como a economia baseada na estatização de empresas e da propriedade da terra, assim como são sustentados por uma linha de governo repressiva, de ditadura.
 
Hoje, mesmo com a ditadura de partido único, estas nações são pressionadas pelo mercado mundial, que impõe a necessidade de adaptações em face da crise econômica. Mas, vale ressaltar aqui, que as mudanças perpassam a nível econômico e não político, tendo em vista a manutenção do governo ditatorial.
 
Laos, por exemplo, iniciou mudanças econômicas no país, na década de 90 (século XX), após firmar acordos econômicos com o Japão e promover a privatização de empresas estatais, mas governo ditatorial continua, assim como no Vietnã.
 
Cuba, único país socialista do continente americano, localizado na América Central Insular (mar do Caribe). Após a Revolução Cubana (1959) e o alinhamento do país ao bloco soviético, o país sofreu um embargo econômico, comercial e financeiro por parte dos EUA em 1962, em vigor até hoje. Muitos avanços foram verificados, em sua evolução histórica como país comunista, sobretudo, nas áreas da Saúde, Educação e Esportes. Todavia, como a sua economia era dependente dos recursos da antiga União Soviética (URSS), quando esta foi desmantelada no início dos anos 90 (Século XX), o país entrou em crise. Dificultada ainda pelo embargo econômico dos EUA, Cuba teve ajuda financeira da Venezuela por intercessão do, então, presidente Hugo Chavez e, também, com o crescimento do setor turístico na ilha.
 
No entanto, com a morte de Hugo Chavez no dia 5 de março deste ano, Cuba ingressou em mais um período de instabilidade econômica, tal como foi por ocasião da dissolução da URSS.
 
Hoje, a população venezuelana foi às urnas para eleger o novo presidente do país. Os dois candidatos Nicolás Maduro (legado do antigo governo) e Henrique Capriles (opositor) se encontram na expectativa dos resultados da eleições na definição do governante. O primeiro já mencionou a manutenção da ajuda financeira a Cuba, mas o segundo (Capriles) declarou manter a relação diplomática, mas sem regalias nos contratos comerciais.

 



De acordo com o site DW Notícias, “Cuba tira sua principal fonte de receita da venda de serviços profissionais, em especial médico e educacional, (...). Só em 2011, Caracas pagou a Havana 5 bilhões de dólares pelo serviço de 30 mil médicos e outros 15 mil profissionais cubanos”.
 
Para reduzir os gastos do Estado, em 2010, o governo cubano anunciou a demissão de 500 mil funcionários públicos e tomou outras medidas, inclusive, com o objetivo de abrir espaço para a propriedade privada. Em 2011, a Assembleia Nacional aprovou uma reforma econômica, com esta mesma meta, que inclui demissões de funcionários.

Dos cinco, a China é o país que apresentou maior flexibilidade na sua posição tanto no âmbito do sistema comunista quanto na crise econômica. Após a morte de Mao Tsé-tung, em 1976, o país passou a ser comandado pelo Partido Comunista Chinês (PCCh), que assumiu o poder e impetrou diversas mudanças na política econômica da China.
 
Ela manteve a hegemonia do Estado na produção, mas realizou certa liberação econômica ao dispor, próxima à costa litorânea oriental (áreas portuárias, industrializadas e urbanas), na segunda metade da década de 1970, a criação de Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) destinadas à instalação de multinacionais (filiais de empresas estrangeiras), principalmente, japonesas e estadunidenses.
 
Estas mudanças promovidas pelo Estado foram cruciais para o crescimento do país, que já apresentava diversos fatores locacionais para a instalação de tais empresas estrangeiras em seu território, entre os quais pode-se citar: a existência de mão de obra barata e não qualificada, conjunto de infraestrutura (logística) adequada à entrada do capital estrangeiro, proximidade às fontes de matéria-prima, isenção de impostos por parte do governo, entre outros.
 
Por sua relativa abertura ao capitalismo, o sistema adotado ficou conhecido como “economia socialista de mercado”, denominado de terceira via.  
 
Em 1997, o país promoveu um gigantesco programa de privatizações de empresas estatais e, em 2001, tornou-se membro da Organização Mundial do Comércio (OMC), passando a seguir as regras do comércio internacional.
 
Se houve mudanças na sua economia, o mesmo não se pode falar da política chinesa, uma vez que esta se manteve aos moldes da linha repressiva de governo ditatorial, socialista, com uso da censura e restrições aos direitos da população (falta de liberdade de expressão).
 
A Coreia do Norte (República Democrática Popular da Coreia), que ultimamente é manchete constante nos principais meios de comunicação devido às ameaças de bomba atômica, é o país mais fechado do mundo e de modelo mais radical sob o princípio do sistema comunista.
 
O país é governado por Kim Jong-un, que assumiu o comando após a morte de seu pai, Kim Jong-il, em dezembro de 2011. Ele segue, assim como seu pai seguiu, a ditadura implantada por seu avô, Kim II-sung, desde quando o país foi criado, em 1948, durante a Guerra Fria, após a península coreana ser dividida em duas partes: Coreia do Norte (socialista) e Coreia do Sul (capitalista).
 
Em 1950, as duas Coreias iniciariam um confronto militar que durou 3 anos (Guerra da Coreia), cujo conflito até hoje não foi resolvido, sendo responsável pelo clima de tensão existente entre ambas as partes.
 
Com a assinatura do Armistício de Panmunjom, assinado em 27 de julho de 1953, ficou decidido que a fronteira definida em 1948 fosse mantida, assim como foi estabelecida uma zona desmilitarizada entre as duas nações, ou seja, uma faixa de segurança que protege o limite territorial entre as repúblicas coreanas. Esta possui 4 km de largura e 238 km de comprimento. Ela é considerada uma das áreas mais fortificadas e impenetráveis do mundo.
 
Sua economia é altamente centralizada no Estado, isto é, ela é planejada inteiramente pelo governo. As principais atividades econômicas são a agricultura (setor primário), com o cultivo de arroz, batata, soja e milho e, no setor secundário, com a indústria pesada. Alimentos, habitação, saúde e educação são assegurados pelo Estado.
 
Pyongyang, a maior cidade e capital do país, é o centro comercial da Coreia do Norte. A sua política de isolamento faz com que o comércio internacional seja muito restrito, tendo a China como principal parceiro comercial.
 
Assim como em Cuba, o contato com o mundo capitalista ou o ocidente é proibido pelo governo. Do mesmo modo que toda e qualquer informação que circule é analisada, inicialmente, pelo governo para só depois ser liberada ou não para a população.

 
 
Fontes de Consulta
 
 
. Guia do Estudante: Atualidades - 1º Semestre 2013
 
. Material didático (particular)
 
. Wikipedia

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