terça-feira, 8 de outubro de 2013

Educação Pública em Luto


Imagem capturada no Facebook

“Um país que aceita o espancamento de seus professores
está no mais alto grau de inversão de valores”.
(Will Tom)


Como muitos puderam constatar, eu nunca fiz uso deste espaço para publicar algo sobre a greve dos Profissionais da Educação, tanto da rede pública estadual quanto a municipal do Rio de Janeiro.
 
Não que eu não achasse relevante, mas porque o seu objetivo é outro. Contudo, por mais que eu não queira misturar os assuntos, como professora e na condição de grevista pela rede municipal de ensino, não há como deixar os fatos - ao ponto que chegaram - de lado, como se nada estivesse acontecendo.
 
Nem todas as Assembleias, eu pude participar, mas fui na maioria delas, inclusive, na que foi realizada na terça feira (01/10), na Cinelândia, Centro da cidade, no dia da votação do Plano de Carreira, Cargos e Remuneração (PCCR) da Educação.

Ontem, dia 07/10, foi realizado um Ato de protesto e passeata das categorias das redes estadual e municipal da Candelária à Cinelândia, pela Av. Rio Branco, em defesa da Educação e contra à violência policial dos governos Cabral e Paes em cima dos Profissionais da Educação.

Pelas imagens vistas na TV, a passeata que contou com a participação e apoio de diversas entidades da sociedade civil foi um sucesso. Muita gente aderiu, inclusive quem saiu do trabalho no final da tarde.

De acordo com o que foi publicado e noticiado nas mídias, a passeata transcorreu normalmente, com alguns registros de arruaças provocados por mascarados, mas o clima foi de pacificidade.

Mas, este sempre foi a intenção principal da nossa categoria. É uma pena que algumas pessoas que se infiltram nas manifestações vão já com segundas intenções e acabam provocando tumultos e quebra-quebra nos arredores.

E foi isso que aconteceu no final da concentração na Cinelândia, ontem. Um grupo de indivíduos mascarados iniciou um quebra-quebra na praça e ruas adjacentes ao ponto de dispersa os Profissionais de Educação, segundo os depoimentos de alguns participantes da passeata e o que foi mostrado nas mídias. 

No dia 01/10, eu acompanhei tudo bem de perto e desde cedo, quando ainda não havia sido autorizado a interdição do trecho da Av. Rio Branco, entre a Rua Almirante Barroso até o final da Cinelândia para os protestos dos Profissionais da Educação.

 

 



Como sempre foi a intenção da categoria, a manifestação acontecia de forma bem pacífica. É claro que movida a cartazes e bandeiras, bem como embaladas por refrões "parodiados" contra o governo em suas esferas municipal e estadual (as duas redes públicas de ensino estão paralisadas, em greve, no Rio de Janeiro).

Próximo de mim foram lançadas as duas primeiras bombas. Foi muita violência contra os professores, além de outros membros da Comunidade Escolar presentes, como alunos, responsáveis, cozinheiras, agentes educadores, entre outros. 



 

 

 



Não restam dúvidas que outras pessoas estavam infiltradas na manifestação, com outros interesses, totalmente adversos ao da categoria majoritária, mas caberia a quem tem o dever de garantir a segurança e a ordem, saber discernir as diferenças de atitudes, as pessoas e não colocar em risco a integridade física e emocional de quase a totalidade dos profissionais da Educação presentes.

O despreparo policial e a forma como eles estavam munidos, mais uma vez, colocou em evidência que eles estavam prontos e aptos a agir com violência... Mesmo sendo o enorme grupo de educadores, inclusive, podendo alguns professores serem dos filhos de muitos policiais, ali, presentes.

Parecia um campo de batalha a espera apenas de um sinal para o início do ataque. De um lado e bastante fortificados, ora por extensas grades de isolamento ora por escudo e as próprias armas (gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, spray de pimenta etc.) estava o Governo representado pela força policial e, do outro, os profissionais da Educação, com seus cartazes e suas faixas de contestação.





 
 
 


 
 


Tudo poderia ter seguido outro rumo se as duas vértices tivessem os mesmos objetivos ou, pelo menos, tentassem entrar em um consenso, sentando novamente e definindo um acordo que atendesse ambas, as partes. Não custava nada...
 Mas, o Governo não quis assim e resolveu de diversas formas driblar a opinião pública e as nossas reinvindicações. Com o apoio das mídias e amparado por seu próprio discurso em entrevistas, a verdade sempre foi escamoteada e a figura do professor - mais uma vez - foi prejudicada.

Além de termos sido agredidos pela votação do PCCR imposto pelo Governo, à revelia dos profissionais da Educação e dirigentes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE/RJ), fomos submetidos ao despreparo policial, sofrendo atos de extrema violência e covardia. 

Professor e professora feridos durante a manifestação
e encaminhados para o hospital


Saí mais cedo da Cinelândia, mas fui na correria e ao som de novas bombas jogadas contra os Profissionais da Educação.

Um fato bem marcante nos protestos da nossa categoria era a divulgação do caráter pacífico de nossas manifestações, o quê era - constantemente - anunciado no carro de som. Eram palavras de ordem de "calma" e contra a violência, assim como na forma de alerta aos grupos infiltrados que, ao contrário do nosso lema, queriam mais tumultuar e provocar arruaças na praça e ruas adjacentes.

Este grupos distintos, de atitudes agressivas e de total vandalismo contra prédios históricos, agências bancárias e lojas comerciais ficaram bem contrastantes com o dos Profissionais de Educação

Infelizmente, estes indivíduos aproveitam estes movimentos para incitar a violência e, isso, a nossa categoria não aprova. Que isso fique bem claro!

As cenas da passeata de ontem, promovida pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação/RJ (SEPE), reuniu também outras categorias de profissionais e da sociedade civil.

Imagem da passeata dos professores que sairam da Candelária
e se concentraram na Cinelândia.
https://www.carlosjunior.com.br/ Foto: Carlos Junior Exclusivo @[514760291945490:274:Jornal Zona de Conflito Mídia Independente]


Na próxima quarta-feira (09/10), às 10 horas,  haverá nova Assembleia dos Profissionais da Educação. O local ainda não foi confirmado. 
 
É bom lembrar que a Categoria não é restrita ao segmento Professor...

Imagem capturada no facebook

 
 

O Governo não quer uma população capaz de fazer pensamentos críticos.
Ele quer trabalhadores obedientes.
Pessoas inteligentes o suficiente pra controlar as máquinas,
e burras o bastante pra aceitarem,

pacificamente, a própria situação”.
(George Carlin)

 

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