sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Conflito entre Israel x Palestina - Parte I

 
Imagem capturada na Internet (Fonte: Blog Amnésia)


Nada como retornar às atividades do Blog com um tema atual e, ao mesmo tempo, polêmico e pouco compreensível a muitos alunos: o conflito entre Israel e a Palestina, isto é, entre os judeus e árabes (“palestinos”) na Faixa de Gaza.

Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que a minha intenção, aqui, não deve ser interpretada - de forma alguma – que eu queira defender uma ou outra parte envolvida, isto é, os judeus, os árabes palestinos ou o próprio Hamas. Não! De jeito nenhum!
 
Pretendo sim, abordar a temática, colocar os fatos como estes foram e estão sendo registrados, mas sem defesa de causa. Desejo somente e, exclusivamente, torna-la mais compreensível ao entendimento dos alunos quanto às razões que cada um faz uso como justificativa de seus atos, bem como o estopim deste mais novo conflito.
 
Além disso, vale a pena ressaltar que, para efeito desta postagem, não desejo aprofundar-me em termos do processo histórico quanto a origem dos conflitos Israel x Palestina. Para tal, reservarei uma postagem, a ser publicada futuramente, assim como indicarei sites que  ofereçam riquíssimo material para análise.

Além disso, como este tópico é bastante abrangente, outros artigos deverão ser publicados sequencialmente sobre a mesma temática.

Os principais meios de comunicação, nos últimos meses, registraram imagens de crianças entre as diversas vítimas fatais do referido conflito, o quê despertou revolta e, também, a curiosidade de alguns alunos, tanto do segundo segmento do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio.

Imagem capturada na Internet (Fonte: PSTU)
 
As atrocidades que um conflito ou uma guerra traz, reflete o lado obscuro e de horror da desordem política, econômica e/ou social de um ou mais territórios e/ou povos envolvidos, as quais, infelizmente, atingem inúmeros civis, inocentes.
 
É fato que há grandes danos materiais, arrasando cidades, suas construções, escolas, hospitais, monumentos históricos etc., mas nenhuma delas supera a dor e a comoção, nacional e/ou mundial, quanto às inúmeras perdas humanas.
 
Embora, o embate entre os judeus israelenses e os palestinos (árabes) seja antigo, a última onda de violência na região teve início, no mês de junho deste ano, após ações extremistas praticadas por ambos os lados.

Na verdade, o incidente inicial foi o estopim que deflagrou o barril de pólvora que traduz a verdadeira realidade da região em questão. O contra-ataque por parte de Israel já era esperado e foi subsequente.
 
Três jovens judeus, seminaristas, foram sequestrados e mortos, quando regressavam de uma escola religiosa, na Cisjordânia, no início do mês de junho passado. Os jovens ficaram três semanas desaparecidos até que os corpos foram encontrados, com marcas de tiros. Na sequência da imagem abaixo, são eles, da esquerda para a direita: Naftali Fraenkel (16 anos), Gilad Shaar (16 anos) e Eyal Yifrach (19 anos).
 
Imagem capturada na Internet (Fonte: Blog Reinaldo Azevedo - Revista Veja)


Após a prisão do mandante do crime, que confessou ter sido financiado pelo Hamas, fato contestado pelo Grupo, na época. Mas, o clima de tensão na região se agravou e piorou com os disparos vindo da Faixa de Gaza. O contra-ataque de Israel foi imediato.

No dia seguinte, imbuídos por vingança, jovens judeus extremistas sequestraram e atearam fogo no palestino Mohammed Abu Khdeir, 16 anos, em Jerusalém Oriental, que foi queimado vivo, segundo a autópsia realizada, emergindo e acirrando mais ainda o clima hostil na região.
 
Imagem capturada na Internet (Fonte: Wikipédia)
 
E mesmo com o Hamas negando a autoria dos crimes, foi, sob essa conjuntura, que os ataques e contra-ataques começaram e se sucederam, até hoje, na Faixa de Gaza, envolvendo o Hamas  e os israelenses.

Recentemente, no último dia 20, uma autoridade do Hamas admitiu a participação de membros do grupo no assassinato dos três rapazes, seminaristas, judeus.

Só para ter uma ideia, de acordo com os últimos dados obtidos nas mídias, as ofensivas israelenses em represália aos ataques do Hamas, resultaram em 2.071 vítimas palestinas, sendo 541 crianças, 250 mulheres e 95 idosos. Quanto aos feridos na Faixa de Gaza o número reporta a 10.196 feridos. Do lado israelense, os números foram bem menores, somando 67 israelenses mortos (sendo 64 militares, dois civis e um estrangeiro) e cerca de 500 feridos.

Há registro, ainda, que entre os 64 militares israelenses mortos, cinco foram vítimas do chamado "fogo amigo", isto é, foram atingidos pelos próprios amigos, colegas da tropa, seja por erro de cálculo ou por qualquer situação que causou certa confusão na avaliação do perigo.

Esses números díspares entre as vítimas fatais e feridos decorrem da superioridade militar israelense em termos de arsenal bélico, tanto terrestre quanto aéreo, inclusive, de destruição de foguetes lançados pelo Hamas. Não esquecendo, é claro, que os EUA são os principais financiadores de Israel, cujo apoio envolve diversos interesses políticos e econômicos.
 
Vários protestos e manifestações têm acontecido em diversos pontos do planeta pedindo o fim dos ataques na região, inclusive, em Israel, milhares de manifestantes se reuniram em Tel Aviv  para pedir a retomada das negociações de paz entre o governo e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Zeidan Abbas, mais conhecido como Abu Mazen.

Na tentativa de chegar a um acordo e dar fim ao conflito, o Egito assumiu a função de mediador entre as partes envolvidas, mas de acordo com as últimas notícias e o fim da trégua entre eles, não haverá mais nenhuma possibilidade de acordos de Paz. 

Na verdade, esta situação de grande hostilidade mútua e sem acordo definitivo entre os israelenses e os palestinos só ratifica que a Paz está longe de ser alcançada na região. Trata-se de uma questão histórica, cujas cicatrizes não se fecharam e, ainda, comprometem um desfecho satisfatório para ambos os lados e, consequentemente,  para os povos que ali vivem. Cada um carrega motivos e justificativas para os seus respectivos atos, de forma inflexível.

Embora, não seja a minha intenção - nesta - aprofundar-me quanto aos conflitos entre Israel e a Palestina, tal como já mencionei, eu a sintetizarei em quatro conjunturas históricas que marcaram a vida dos povos judeu e árabe:

Mesmo não sendo o objetivo principal, desta, aprofundar-me quanto ao processo histórico dos conflitos Israel x Palestina, eu posso sintetizá-lo sob cinco conjunturas históricas que marcaram a vida dos judeus e árabes na região, a saber:
 
- Primeira, a migração forçada dos judeus que viviam na Palestina, ocorrida no Século I da Era Cristã (ano 70 D.C.), quando os mesmos foram expulsos pelos romanos;
 
- Segunda, após a expulsão dos judeus, diferentes povos passaram pela Palestina, ao longo dos milênios, sucedendo os árabes, à partir da expansão islâmica, em 634 D. C. e os Otomanos (turcos), quando o seu território foi incorporado ao imenso Império Otomano (1517-1918). Contando com uma população predominante, os árabes adotaram a Palestina como sua pátria;
 
- Terceiro, com o movimento sionista (final do Século XIX) e a Declaração de Balfour (1917), ambos em apoio à imigração de judeus à Palestina (retorno à Terra Prometida) e, também, da criação de um Estado judaico no território, o fluxo de imigrantes judeus aumentou consideravelmente, ganhando mais força durante e após a II Guerra Mundial em razão, entre outros aspectos, da comoção mundial quanto ao sofrimento destes com as perseguições e mortes cometidos pelo governo nazista de Adolf Hitler (Holocausto);
 
- Quarta, em meados do Século XX (1947), a Assembleia Geral da ONU colocou em votação e aprovou a partilha do território da Palestina entre os judeus e árabes. As áreas destinadas fora, assim estabelecidas, 57% das terras palestinas para os judeus e os 43% restantes para os árabes. Foi à partir desta divisão do território da Palestina e da criação do Estado de Israel, que tudo começou... Nem os árabes palestinos e nem os países vizinhos árabes concordaram com a divisão e vários conflitos e guerras foram desencadeados, como a Guerra de Independência (1948), a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra do Yom Kippur (1973);
 
- Quinta, tem a ver com a nova organização territorial da Palestina, com novos "territórios ocupados por Israel". Como este saiu vitorioso nos embates com os palestinos e países árabes vizinhos (Egito, Síria, Líbano, Transjordânia), os israelenses passaram a dominar e ocupar novas áreas, aumentando os seus limites. Com isso, a instabilidade política na região se agravou.
 
No quadro abaixo há como analisar o território da Palestina antes e depois da divisão proposta inicial da ONU, bem como a evolução da ocupação de outras áreas por Israel, reduzindo e comprimindo cada vez mais o direito dos palestinos (árabes) à terra (clique para ampliar).
 

Imagem capturada na Internet (Fonte: Oca Virtual)

Sendo assim, o conflito histórico em si perpassa pela questão territorial (posse de terra), étnica, cultural e religiosa. 

Durante mais de 40 dias de conflitos sucessivos, intercalados por períodos curtos de cessar-fogo, sob a mediação do Egito, alguns deles não foram efetivamente cumpridos até o prazo final, havendo ataques e, consequentemente, contra-ataques por ambas as partes.

Na última trégua, em represália ao ataque do Hamas, antes do término do prazo estabelecido, o Primeiro-Ministro israelense autorizou novos bombardeios e estes foram feitos, matando três pessoas, entre as quais uma mulher e uma criança na Faixa de Gaza, segundo notícias de última hora da região (19/08).
 
Em função desta situação configurada, mais de uma vez pelos militantes palestinos, isto é, interrompendo a trégua, os negociadores israelense foram retirados do Cairo, capital do Egito. Assim como, do lado do Hamas, a mesma conduta se seguiu. Com isso, um possível acordo de Paz entre Israel e Palestina ganhou distância e longe está de ser estabelecida.

Diante de uma eventual necessidade de expandir suas operações militares na Faixa de Gaza, Israel já convocou 10 mil reservistas, ontem, segundo informações no Telejornal da noite.

Imagem capturada na Internet (Fonte: Dicção Velô)

 
Fontes de Consulta

. Curso Objetivo

Jornal O GLOBO (impresso, várias edições)

. Material didático (particular)

. Portal G1 (várias reportagens)

. Reuters Brasil

. Wikipédia

. Veja na História

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