quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Crônica do Primeiro Amor


Há tempo não compartilho mensagens e/ou crônicas neste espaço. E por isso, embora outros tópicos sejam prioritários, resolvi publicar uma crônica que fala de algo que mexe com as emoções, com os sentimentos e, sobretudo, com as decepções de não ser correspondida e, pior, ser ferida por palavras e atitudes daquele que consegue bater mais forte o nosso coração.
 
 Imagem capturada na Internet
 

CRÔNICA DO PRIMEIRO AMOR
Elzenir Apolinário

O sino bateu e lá estava eu envolta em uma multidão assustadora e desconhecida. Meu primeiro dia de aula em uma nova escola em pleno agosto. Como era difícil encarar aquela situação, pois era nova em uma turma de alunos entrosados e unidos pelo início do semestre. Parecia um peixe fora d' água.
 
Ao entrar na sala de aula, uma surpresa: ele, aquele garoto que eu conheci na segunda série estava lá, na minha classe. Naquele momento, comecei a me ambientar e parecia que o tempo não havia passado. Mas a menina, apesar de agora ter alguns centímetros de altura a mais, mantinha aquela timidez que a tolhia de todas as formas.
 
Os dias foram se passando e o sentimento que havia adormecido começou a se aflorar. O sinal para o recreio era uma esperança de aproximação com aquele garoto nada tímido e um pouco soberbo. A escola parecia tão maior que meu corpo de menina e me separava de minha paixão secreta. O pátio era enorme e nos deixava correr à vontade em busca de alegria, descanso e brincadeiras.
 
Minha educação e inteligência despertavam tanto a atenção da professora, quanto a repulsa de colegas. Eu caminhava pensativa em meu mundo tentado entender o comportamento de meus colegas, enquanto o coração se agigantava no peito ao ouvir um certo nome.
 
Não tardou muito, certo dia, quando a professora havia saído da sala, o garoto encaminhou-se até minha carteira, eu gelei por dentro, pois ele pegou meu livro favorito e começou a insultar-me com palavras grosseiras... Que decepção!! Como ele soube da minha paixão secreta, por que sentia tanta raiva de mim? Havia apenas perguntas e uma lágrima, que num átimo teimava em se escorrer pelo meu rosto e eu tentando quase inutilmente contê-la. Quanta tristeza...
 
No outro dia apareceu na escola uma menina mais segura, que carregava não uma dor no coração, mas uma certeza de que aquele garoto não merecia seu mais puro sentimento... Ela, então, ergueu a cabeça e seguiu adiante até sua carteira, sabia que aquele seria um ano de grandes aprendizados e desafios, mas também sabia que não veio ao mundo para fugir de coisa alguma.

Fonte: Releituras de Mundo
 

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