segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Feminicídio ou Femicídio: a Violência Fatal contra a Mulher


 Imagem capturada na Internet
Fonte: GlobalVoices


“A violência contra a mulher não é um fato novo.
Pelo contrário, é tão antigo quanto a humanidade.
O que é novo, e muito recente,
é a preocupação com a superação dessa violência
como condição necessária
para a construção de nossa humanidade.
E mais novo ainda é a judicialização do problema,
entendendo a judicialização como a criminalização
da violência contra as mulheres,
não só pela letra das normas ou leis,
mas também, e fundamentalmente,
pela consolidação de estruturas específicas,
mediante as quais o aparelho policial e/ou jurídico
pode ser mobilizado para proteger as vítimas
e/ou punir os agressores.”
Julio Jacobo Waiselfisz

Um tópico que sempre trabalhei com os alunos nas escolas e, até mesmo, neste espaço, é a questão da violência doméstica contra a mulher.
 
Embora, as denúncias, a legislação, os programas políticos e instituições públicas e privadas voltadas para o atendimento às vítimas tenham crescidos em todo o país, a violência contra a mulher perpetua em nossa sociedade, com números estatísticos altos, revelando que o comportamento machista e de tratamento desigual quanto ao gênero, no país, continuam elevados em face – muitas das vezes – por falhas do próprio sistema e da falta de campanhas efetivas para mudanças de hábitos por ambas as partes envolvidas.
 
Estas mudanças de hábitos, melhor dizendo, atendem tanto às mulheres (principais vítimas) em denunciarem mais as ameaças e agressões sofridas quanto aos homens (agressores em potencial da violência doméstica), mediante à conscientização quanto à igualdade de direitos e deveres de todos os cidadãos, bem como acerca da importância e do cumprimento efetivo das legislações pertinentes a estes casos de violência.
 
Além da Lei n˚11.340/2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, em março deste ano (2015), foi sancionada a Lei 13.104 (Lei do Feminicídio), que trata da violência e assassinato da mulher por questões de gênero, classificando-o como crime hediondo e com agravantes em situações específicas de vulnerabilidade, tais como, mulheres grávidas, menor de idade, com presença de filhos, entre outros.
 
Recentemente, em razão do Dia Internacional de Luta pelo fim da Violência contra a Mulher (25 de novembro), várias celebridades do meio artístico tiveram suas fotos manipuladas pelo artista italiano Alexsandro Palombo, para uma Campanha com este propósito, ou seja, contextualizar a violência doméstica contra a mulher.
 
Apoiado no slogan A vida pode ser um conto de fadas se você quebrar o silêncio. Nenhuma mulher está imune à violência doméstica. ”, a Campanha produzida pelo referido artista teve por objetivo de conscientizar e levantar a bandeira de quebrar o silêncio, a fim que muitas vítimas da violência doméstica, aquela cometida dentro de casa por agressores conhecidos ou íntimos, não se sintam oprimidas e denunciem.
 
Além disso, seu slogan e imagens expressam - direta e/ou indiretamente - que a violência doméstica pode acontecer com qualquer mulher, independente de classe social, profissão, cor, religião etc.
 
 Imagens capturadas na Internet (Fonte: BBC Brasil)


 
É claro que pesquisas realizadas em nosso país apontam o predomínio de um dado perfil das vítimas, sendo revelado que as mulheres negras são as mais expostas à agressão e, consequentemente, ao óbito decorrente da violência, assim como a faixa etária de 18 a 30 anos de idade.
 
Observa-se, ainda, em nosso país, uma alta incidência feminina no infanticídio, ou seja, entre as crianças.
 
Em 2012, o Brasil ocupava a 7ª posição em um ranking, com 84 países, em número de assassinatos de mulheres no mundo.
 
De acordo com os últimos dados divulgados nas mídias, desde 2013, o Brasil passou a ocupar a 5ª posição no ranking dos países com maior índice de homicídios femininos do mundo, em um total de 83 países analisados, sendo superado apenas por El Salvador, Colômbia, Guatemala e a Rússia.
  
Esses dados foram divulgados durante o lançamento do Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil, de autoria de Julio Jacobo Waiselfisz e elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), com o apoio da ONU Mulheres (Brasil) e, também, da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.
 
Este termo, “feminicídio” (ou femicídio) , implica no assassinato de mulheres decorrente de violência doméstica, exclusivamente, por questões de gênero (discriminação), isto é, pelo fato de ser mulher. Perante à legislação brasileira, o feminicídio é classificado como crime hediondo.
 
“À semelhança de outros países da América Latina, o problema do feminicídio no Brasil está estreitamente ligado à violência conjugal: dentre as mulheres assassinadas, muitas morreram pela ação de pessoas com quem mantinham ou mantiveram um relacionamento afetivo. Esse fenômeno é conhecido como feminicídio íntimo. ” (A violência doméstica fatal: o problema do feminicídio íntimo no Brasil).
 
Mudanças deste quadro, em nosso país, perpassam pela Educação em termos de campanhas de conscientização e debates abertos acerca do mesmo a todos os segmentos da Comunidade Escolar, pela intervenção maciça das mídias em campanhas publicitárias e, sobretudo, pelo cumprimento das legislações pertinentes a esta questão e outras conexas, bem como de medidas preventivas (proteção às vítimas em risco, ameaçadas).
 

 
Fontes de Consulta
  
. A Violência Doméstica Fatal: O Problema do Feminicídio Íntimo no Brasil 

. Celebridades 'apanham' em campanha de artista contra violência doméstica
 
. Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil
 
.  Violência contra a Mulher: Feminicídios no Brasil

domingo, 22 de novembro de 2015

Uma Sexta-Feira, 13, Maculada por uma Série de Ataques Terroristas em Paris

 Imagem capturada na Internet
Fonte: A Rede
 
Tal como prometi aos meus alunos, eu não poderia deixar de comentar sobre a série de ataques terroristas que a capital da França (Paris) sofreu na noite do último dia 13 de novembro (sexta feira, 13).
 
Além de constituírem-se em atos de total covardia, a tragédia imputa indignação e comoção mundial não só pelo número de pessoas que morreram, mas pela barbárie em si diante das ações do grupo Estado Islâmico (EI), cujos membros ultrapassaram as fronteiras, infiltrando-se na sociedade ou, em muitos casos, sendo crias internas, as quais foram assediadas e convertidas. Em outras palavras, ajuda e participação interna de jovens.
 
De acordo com as informações nas mídias, ao todo foram 129 mortos e 350 feridos em cinco ataques, simultâneos, em região boêmia de Paris, com muitos restaurantes, bares e casas de shows, a qual foi assinalada pelos próprios terroristas como "a capital das abominações e perversões".
 
Há controvérsias quanto ao número oficial, pois alguns incluem os terroristas mortos na relação e outros, não.
 
A motivação destes ataques pelo Grupo EI, segundo as mídias, foi uma forma de retaliação à França quanto a sua intervenção militar na Síria e no Iraque.
 
Além de vários ataques pontuais, nas ruas, os seis principais alvos dos terroristas foram: 

1. Restaurante e Pizzaria La Casa Nostra (culinária italiana): um homem com metralhadora atirou na direção do terraço do restaurante.
. Número de mortos: 05 (e 08 feridos).

Assista o vídeo do ataque à pizzaria no Expresso Internacional (clique no link).

2. Restaurante La Belle Équipe: atiradores abriram fogo em direção ao terraço do restaurante (ao ar livre).
. Número de mortos: 19 (e 13 feridos).
 

  Imagem capturada na Internet
Fonte: G1
 
3. Café Le Carillon: terroristas dispararam contra as pessoas que estavam na parte externa do café.
. Número de mortos: 14 (e 10 feridos).
 
 Imagem capturada na Internet
Fonte: New York Time 
 

4. Restaurante Le Petit Cambodge (culinária cambojana): atiradores abriram fogo em direção aos clientes, três brasileiros ficaram feridos.  
. Número de mortos: 14.
 

 Imagem capturada na Internet
Fonte: EATER
 
 
5. Nos arredores do Stade de France: três explosões ocorreram próximo ao estádio, todas como atentados suicidas (homens-suicidas). A pretensão era que um terrorista, pelo menos, entrasse no estádio, mas este, com cinto com explosivos, foi barrado na entrada (ele detonou a bomba, morrendo no local e matando uma pessoa). As seleções da França e da Alemanha disputavam um jogo de futebol e o presidente francês, François Hollande, se encontrava no estádio.
. Número de mortos: 04 (mais de 50 feridos).
 
 
   Imagem capturada na Internet
 
6. Bataclan Concert Hall (Casa de shows): atiradores abriram fogo contra o público de 1.500 pessoas que assistia ao show da banda Eagles of Death Metal.
. Número de mortos: 89.
 
 Imagem capturada na Internet
 
 
 Mapa dos principais seis pontos de ataques efetivos
  Imagem capturada na Internet
Fonte: ZH

 
Como eu mencionei no Facebook, o ódio, a intolerância e o radicalismo com base em princípios religiosos só causa o caos e a perda do sentido do que é ser e tratar o ser humano aos olhos de Deus.
 
Sem dúvida nenhuma, o maior perigo da atualidade consiste no emprego sistemático de ameaças e de violência por grupos terroristas, que agem de forma bem planejada no intuito de atingir os seus alvos principais, além dos civis que, aleatoriamente, são atingidos, podendo ser estes, mulheres, crianças e idosos.
 
Eu já havia comentado sobre o referido grupo terrorista (EI) no artigo sobre a crise dos refugiados sírios e em sala de aula.
 
O Estado Islâmico (EI) é considerado o pior e o mais violento grupo terrorista da atualidade. Além de chocar a opinião pública, mundial, com estas atrocidades cometidas na capital francesa, as quais levantaram a bandeira dos Chefes de Estado e de Governo a uma coalização internacional contra o terrorismo, na intenção de ordenarem políticas de segurança, controle e repressão a entrada e ações deste em seus respectivos territórios.
 
 

  Imagem capturada na Internet
Fonte: Último Segundo - Mundo 


 O problema é que, na conjuntura atual, a Síria se encontra em guerra civil (desde 2011/2012) e os refugiados sírios necessitam de apoio internacional, tendo em vista a dimensão do problema político, militar, econômico e social que assola o país, sem falar do domínio e ações extremistas do referido grupo terrorista (Estado Islâmico) em áreas de seu território, sobretudo, na fronteira deste com o Iraque.
 
Como é de conhecimento de muitos, o presidente da França, François Hollande, defende a saída do ditador Bashar al-Assad da Síria, em apoio aos rebeldes sírios, que iniciaram os seus protestos contra o governo, no âmbito dos movimentos da Primavera Árabe, em 2011, confrontos estes que incitaram uma guerra civil no ano seguinte, quando o conflito passou a se intensificar com o uso de armas também pela população rebelada, diante da agressividade das forças do governo.

No sábado passado (14/11), no dia seguinte à série de ataques na capital da França, o governo decretou Estado de Emergência no país por 12 dias, bem como em seus territórios ultramarinos, espalhados pela América, África, Oceania e Antártida.

No entanto, na última quinta feira (19/11), o Parlamento francês aprovou e estendeu esta medida por um período de três meses, a contar a partir de 26 de novembro até 25 de fevereiro de 2016.

Com esta medida, o governo e as autoridades competentes poderão determinar o fechamento de espaços públicos (locais de maior concentração de pessoas, como escolas, igrejas, metrôs, Casas de Shows, entre outros), estabelecer toque de recolher e as restringir o acesso e a circulação tanto de veículos quanto de pessoas no país.


 "O governo de um País pode declarar que
este se encontra em estado de emergência.
Isso significa que o governo pode suspender e/ou
mudar algumas das funções do executivo, do legislativo
ou do judiciário enquanto o país estiver
neste estado excepcional, alertando ao mesmo tempo
seus cidadãos para que ajustem seu comportamento
de acordo com a nova situação,
 além de comandar às agências governamentais
a implementação de planos de emergência.
Um governo pode declarar estado de emergência
em resposta a desastres naturais e/ou causados pelo homem,
períodos de desordem civil, declarações de guerra ou
situações envolvendo conflitos armados
internos ou internacionais."
 
Nesta situação e apoiada pela legislação francesa, em vigor desde 1955, as autoridades civis são autorizadas ainda a estabelecer zonas de segurança, proibir manifestações, exigir a entrega de armas e/ou munição, vistoriar domicílios a qualquer hora (de dia ou à noite), sem a obrigação formal de apresentação de mandado judicial, decretar prisão domiciliar e outras medidas de segurança.
 
Até o presente momento e, segundo as reportagens vinculadas nos principais meios de comunicação, vários suspeitos foram apreendidos, inclusive, sob prisão domiciliar. De acordo com as agências internacionais de notícias, oito terroristas morreram, sendo que sete por suicídio. E, ainda, o terrorista apontado como mentor dos ataques de Paris também morreu.
 
As buscas aos terroristas continuam no país, assim como em outros países europeus, como por exemplo, a Bélgica.
 
Não foi a primeira vez que a França sofreu um ataque terrorista, neste ano. Além de alguns casos isolados, os quais foram vinculados a ações de terroristas, quem não se lembra do massacre na sede do jornal satírico francês, Charlie Hebdo, em Paris, em janeiro deste ano, que resultou na morte de 12 pessoas?
 
A sede do jornal já havia sofrido ameaças, anteriormente e, entre os mortos se encontravam dois policiais, oito membros da equipe editorial do jornal, sendo cinco cartunistas (Charb, Cabu, Tignous, Philippe Honoré e Georges Wolinski), um economista (Bernard Maris), uma colunista e psicanalista (Elsa Cayat) e um corretor (Mustapha Ourrad). Os outros dois eram um editor (Michel Renaud), que fora convidado pelo cartunista Cabu e um funcionário da empresa Sodexo, Frédéric Boisseau, que trabalhava no local.
 
De acordo com o que foi apurado, na época, a motivação do ataque se deu em virtude de publicações de caricaturas, polêmicas, por conta do teor de suas piadas sobre Maomé e líderes islâmicos, como aconteceu com a do líder do grupo jihadista do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi.
 
Em razão destas caricaturas, a sede do jornal sofreu um ataque por um grupo de três pessoas, sendo que uma estava no controle do veículo usado. Os que cometeram os ataques, tanto na parte externa quanto na parte interna da sede do jornal, eram irmãos. O autor do “cartoon” polêmico, Philippe Honoré, foi atingido e morto no ataque.
 
A Internet oferece uma gama de links que tratam deste caso específico, assim como este mais recente, ocorrido no dia 19 do mês em curso, assim como as autoridades francesas e outras estão lidando com estas questões do terror (medidas anti-terroristas).
 
 Protestos em Paris após o massacre n
a sede do Charlie Hebdo
Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipédia (Foto de Olivier Ortelpa)


Fontes de Pesquisa

. Ataques de novembro de 2015 em Paris – Wikipédia

. Ataques em Paris: Como o Estado Islâmico escolheu os alvos – Sputinik Brasil

. Ataques em Paris ocorreram em seis pontos diferentes - ZH
 
. Jornal O GLOBO (impresso, várias edições)
 
. Massacre do Charlie Hebdo – Wikipédia
 
. Veja a cronologia dos atentados em Paris que mataram mais de 120 – G1

 
 Imagem capturada na Internet
Fonte: A Rede

sábado, 21 de novembro de 2015

20 de Novembro: Dia da Consciência Negra (Atividade Dirigida) - Parte II

 Imagem capturada na Internet
 
Dando continuidade à publicação anterior, acerca da Atividade Dirigida desenvolvida no C.E. Profª Sonia Regina Scudese no âmbito do Projeto Étnico-Racial, trago a letra da música e as fotos das etapas seguidas.
 

O MEU GURI
                                                                                      Chico Buarque

 
Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar.
 
Como fui levando não sei lhe explicar.
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá, olha aí, olha aí,
Olha aí, ai o meu guri, olha aí,
Olha aí, é o meu guri e ele chega.
 
Chega suado e veloz do batente e
Traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço, que haja pescoço para enfiar.
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí,
Olha aí, ai o meu guri, olha aí,
Olha aí, é o meu guri e ele chega.
 
Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador.
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos está um horror.
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí,
Olha aí, aí o meu guri, olha aí,
Olha aí, é o meu guri e ele chega.
 
Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo,
Acho que tá lindo de papo pro ar
desde o começo eu não disse, seu moço?
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí,
Olha aí, ai o meu guri, olha aí,
Olha aí, é o meu guri.


 
. Descrição do Perfil do “O Meu Guri”
. Nome:
. Idade:
. Cor:
. Altura:
. Estilo (roupa e calçado):
. Acessórios: