terça-feira, 31 de maio de 2016

Dia 29 de maio: Dia do Geógrafo



No dia 29 de maio (domingo passado), além do 80˚ aniversário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comemorou-se o Dia do Geógrafo, isto é, o bacharel em Geografia.

Para quem desconhece, o Curso de Graduação em Geografia (Ensino Superior) oferece duas modalidades distintas de formação: o bacharelado e a licenciatura.

O bacharel em Geografia tem a habilitação para exercer estudos e atividades de pesquisa em sua área de concentração, enquanto que o licenciado é habilitado a atuar como docente, isto é, dar aulas de Geografia (professor) tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio (professor). Ele, ainda, pode ser professor de Universidade (Ensino Superior), no caso de ter a titulação exigida para trabalhar neste nível de ensino (Mestrado e/ou Doutorado, por exemplo).
 
Nesta última modalidade de ensino, professor universitário, tanto o bacharel quanto o licenciado podem ministrar aulas de Geografia ou de áreas afins mediante as titulações de pós-graduação mencionadas (Mestrado e/ou Doutorado).
 
O bacharel em Geografia, legalmente habilitado através da Lei 6664/79, pode ter o seu registro junto ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) de seu estado. Estando regularmente associado ao CREA e desenvolvendo atividades de pesquisa, o Geógrafo pode emitir parecer técnico, elaborar EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e RIMA (Relatório de Impacto do meio Ambiente), tanto em empresas privadas quanto estatais.
 
Eu, particularmente, obtive as duas habilitações na área de Geografia, ou seja, tanto sou geógrafa (bacharel) quanto professora de Geografia (licenciada), formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ).
 
Além de docente, por muitos anos trabalhei em pesquisa, desde o período da faculdade, como bolsista do CNPq, tendo apresentado e publicados trabalhos em Congressos, em Simpósios e em livro.
 
Como bolsista (graduanda) trabalhei no Departamento de Geologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), na área de Geomorfologia e Sedimentologia. Depois, já formada e tendo as duas titulações (bacharelado e licenciatura) dei aula no mesmo Departamento da UERJ na disciplina Geomorfologia Ambiental, com contrato temporário e, depois, fui contratada como docente no Centro Universitário de Araguaína (da antiga UNITINS, hoje, UFT), para dar aula na Faculdade de Geografia (Licenciatura) e no Colégio de Aplicação.
 
Neste período em Araguaína (TO) fiz parte da Comissão Organizadora do I Encontro de Geografia do Tocantins (1º ENGETO), realizado na mesma cidade, em 1993.
 
Foi, inclusive, em Araguaína que conheci o meu atual esposo, também, Geógrafo.
 
Embora, goste de atuar em pesquisas, desde que saí de Araguaína e estando grávida, não mais me dediquei a exercer junto a algum profissional nesta área. Dediquei-me na tarefa de ser mãe e, depois, também, minha mãe caiu doente e precisou da nossa ajuda em seus cuidados (eu e mais duas irmãs sob o sistema de rodízio).
 
Hoje, atuo exclusivamente como docente na rede municipal e estadual do Rio de Janeiro, ministrando aulas no Ensino Fundamental (6º ao 9º Ano) e no Ensino Médio (1ª e 3ª Série).
 
Sinto saudades deste tempo, mas não me arrependo de ter traçado outros caminhos, pois estes nunca perderam o foco em Geografia.
 
Mais uma vez, a minha homenagem aos Geógrafos, cuja importância é, sem dúvida, essencial a muitos trabalhos sob o contexto das relações e intervenções humanas no ambiente, mesmo ciente que os mesmos ainda não têm o valor devido em face da falta da integração dos seus estudos e pesquisas em diferentes planejamentos de ordem social, econômica, ambiental e política.

Indignação com a Selvageria Urbana do Rio de Janeiro

Ato Simbólico de repúdio ao estupro coletivo no Rio de Janeiro
Imagem capturada na Internet
Fonte: Revista Veja


Barbárie! Indignação, tristeza... Não se trata de mais um caso de violência contra o gênero feminino. Trata-se de um crime monstruoso, de total repulsa aos valores humanos.
 
Estou falando do crime ocorrido contra uma adolescente de 16 anos do Rio de Janeiro, que – segundo as mídias e as reportagens nos telejornais - foi vítima de estupro no sábado passado (21/05), dentro de uma comunidade no Morro da Barão, na Praça Seca, em Jacarepaguá, Zona Oeste da cidade.
 
De acordo com os noticiários e do depoimento dela à polícia, a adolescente se dirigiu até a casa do rapaz com quem ela se relacionava, no sábado e só se lembra que acordou, no dia seguinte (domingo), em outra residência na própria Comunidade, nua e dopada. Na casa, junto com ela haviam 33 homens armados com fuzis e pistolas, os quais a submeteram a sessões de estupro, ou seja, de estupro coletivo.
 
Além de seu caráter hediondo, as sequelas inevitáveis – oriundas desta barbárie – dificilmente serão apagadas da mente da vítima, mesmo que ela passe por um tratamento psicológico rigoroso.
 
São marcas de violência que ultrapassam a física e a sexual, pois emocionalmente sua vida foi transgredida, seja pela humilhação a que foi submetida entre diferentes homens seja pela exposição de vídeos e imagens dos atos, em si, na Internet. Sem dizer dos riscos da mesma contrair alguma Doença Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como a Aids, Gonorreia, Hepatites virais, Herpes genital, Infecção pelo HTLV, Sífilis, entre outras.
 
O rapaz envolvido e citado como "namorado" ou "ficante" da jovem poderia ser enquadrado na Lei Maria da Penha em face da ligação de afetividade entre ambos.
 
Após a divulgação do caso nas mídias, um levante popular – mais um sob este contexto – desencadeou discussões e mobilizações em defesa da jovem e em repúdio ao que é chamado a “cultura do estupro”, proveniente do machismo ainda presente, fortemente, em nossa sociedade.
 
O caso do estupro desta jovem de 16 anos foi destaque na imprensa internacional, sendo até comparado a um episódio, também ocorrido de forma coletiva, na Índia, em dezembro de 2012, com uma estudante de fisioterapia, de 23 anos, que foi estuprada e agredida dentro de um ônibus, por seis homens (incluindo o motorista e um menor de idades), em Nova Déli (capital da Índia).
 
Ela estava acompanhada de um amigo, quando saíram do cinema e embarcaram no ônibus. Com o ônibus desviado do seu trajeto habitual, os seis homens agrediram o rapaz com uma barra de ferro, deixando-o inconsciente e se voltaram para a estudante, estuprando-a. Depois, ambos foram jogados para fora do ônibus. A estudante morreu no hospital, duas semanas depois, em consequências dos ferimentos.
 
Um dos nomes (apelidos) atribuído à vítima, "Nirbhaya", que significa a "destemida", se deu em razão do nome verdadeiro das vítimas de estupro, na Índia, não poderem ser revelados. Após a sua morte, o seu nome foi revelado, Jyoti Singh.
 
Este caso teve grande repercussão no país, gerando diversos protestos em muitas cidades indianas. A sociedade indiana é fortemente patriarcal e a mulher sofre com a discriminação e violência praticada pelos homens. Mas, depois deste caso, a legislação na Índia tornou-se mais rigorosa.
 
Como o estupro da jovem foi também coletivo, a imprensa indiana, em especial, o jornal The Times of India noticiou o caso com o seguinte título, “O Brasil encara sua própria crise de Nirbhaya".
 
Entre tantas mobilizações populares contra a violência sexual e, mais especificamente, em repúdio ao estupro coletivo da jovem de 16 anos, no Rio de Janeiro, além da manifestação organizada e realizada nas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no centro da cidade, destaco o Ato simbólico nas areias da praia de Copacabana, onde foi estendido um varal com 33 peças de roupas, todas manchadas de vermelho (para efeito de sangue), em alusão aos 33 homens envolvidos no caso do estupro coletivo. Diversos cartazes e faixas foram também usados neste protesto.
 
Os organizadores ainda distribuíram flores às mulheres que passeavam no calçadão da Praia de Copacabana. Segundo a Revista Veja, ao todo foram 130 flores, que simbolizavam os 130 casos de estupros que ocorrem, diariamente, em nosso país.
 
Como já era de se esperar, o caso desta jovem vem sofrendo diversas críticas por uma minoria sob a alegação que a conduta da vítima já era propensa a situações dessas, que ela fantasiou tudo, que a violência sexual foi consensual, ou seja, ela permitiu, não sendo forçada a nada. Enfim, sua posição como vítima em potencial está sendo colocada em dúvida.
 
No entanto, em minha opinião, se ela teve ou tem envolvimento direto com o grupo, se ela consentiu ou não, como a própria delegada afirmou, o vídeo e as imagens postadas na Internet já comprovam o crime.
 
Nenhuma conduta da adolescente justifica o ato de barbárie a que ela foi submetida. Para estas pessoas que tentam difamar e denegrir a imagem dela, a “cultura do estupro” deve ser justificável e legítima. Só pode!
 
É preciso que a sociedade lute contra estes valores desumanos e a violência contra as mulheres.
 
Vale ressaltar ainda que, embora o título desta publicação se refira à selvageria urbana do Rio de Janeiro, no Piauí já houve registro de dois casos de estupro coletivo, um em 2015 e o outro, ocorrido recentemente, no dia 21/05, no mesmo dia da jovem do Rio de Janeiro.


Fontes de Consulta

. Jornal O Globo impresso (diversas edições)

. Portal G1 (diversas edições)

. Revista Veja

segunda-feira, 30 de maio de 2016

29 de maio de 2016: Aniversário de 80 anos do IBGE


80 anos do IBGE
 Imagem capturada na Internet

 
Ontem, 29 de maio, além de ser comemorado o Dia do Geógrafo, um Órgão Federal ligado à área da Geociências e de pesquisas estatísticas fez aniversário. Trata-se do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que completou 80 anos.
 
Como aprendemos em sala de aula, a Demografia é uma área da Geografia que estuda a dinâmica da população humana. Dinâmica esta, que não se restringe apenas ao levantamento do número e sexo da população, mas também das condições de vida desta (indicadores sociais), sua movimentação (migrações), bem como questões ligadas ao setor produtivo em termos de População Economicamente Ativa (PEA) e População Economicamente Inativa (PEI), emprego e/ou desemprego.
 
O primeiro censo oficial do Brasil foi efetuado em 1872 sob o comando da Diretoria Geral de Estatística (DGE), instituída no ano anterior (1871) e que era subordinada ao Ministério de Negócios do Império Brasileiro. O levantamento da população contava, também, com os dados fornecidos pela Igreja (registros paroquiais) que auxiliava através do número de nascimentos, batismos, matrimônios e óbitos (mortes).
 
A Diretoria Geral de Estatística (DGE) passou também a catalogar esses registros quando da implantação da República, realizando mais três recenseamentos, nos anos de 1890, 1900 e 1920.
 
Em 1931, o DGE foi dissolvido e suas atribuições foram divididas entre os Ministérios.
 
No dia 6 de julho de 1934, por meio do Decreto n˚ 24.609, foi instituído o Instituto Nacional de Estatística (INE), mas a data oficial de sua regulamentação ocorreu em 29 de maio de 1936, data considerada como referência da criação do IBGE.
 
O Instituto Nacional de Estatística (INE) foi fundado por um grupo de estudiosos, liderado pelo estatístico, baiano, Mário Augusto Teixeira de Freitas, que aspiravam organizar os dados estatísticos em um único órgão centralizador.
 
 
 Mário Augusto Teixeira de Freitas (Fundador do IBGE)
Imagem capturada na Internet


Em 1937, pelo Decreto n. 1.527, foi criado o Conselho Brasileiro de Geografia (CBG), o qual foi integrado ao INE, no ano seguinte. Foi a partir da integração de ambos (CBG e INE) em um único Órgão, que o nome mudou para Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (Decreto-Lei n˚ 218, de 26 de janeiro de 1938).



 Wasmália Bivar (Atual Presidente do IBGE)
Imagem capturada na Internet



Quadro Resumido acerca do IBGE

. Data oficial de criação: 29 de maio de 1936;
. Nome Original (Antecessor): Instituto Nacional de Estatística (INE);
. Seu fundador: o estatístico, baiano, Mário Augusto Teixeira de Freitas;
. Data da mudança do nome para IBGE: 26 de janeiro de 1938 (Decreto-Lei n˚ 218);
. Atual Presidente: Wasmália Bivar;
. Atribuições: produção, análise, pesquisa e disseminação de informações a partir de Levantamentos Estatísticos demográficos, sociais e econômicos (Censos) e Geocientífica (geográfica, cartográfica, geodésica e ambiental) na intenção de suprir órgãos das três instâncias de governo (Federal, Estadual e Municipal), bem como outras instituições e o público em geral;
. Recenseamento ou censo demográfico: Coleta periódica de dados estatísticos da população de um determinado lugar;
. Periodicidade dos Censos: decenal (de 10 em 10 anos);
. Ano do último Censo: 2010;
. Contagem da População: entre o intervalo de dois recenseamentos;
. Sede do IBGE: Rio de Janeiro (capital).
 
 
Para saber mais da história do IBGE, clique em Linha do Tempo.

Fontes de Pesquisa

. Agência Brasil: IBGE comemora 80 anos de fundação neste domingo (Cristina Índio do Brasil)

 . Portal do IBGE

. Material Didático particular.

. Wikipedia

90 dias: Greve dos Professores Estaduais do Rio de Janeiro

  Faixa do Movimento Ocupa do C.E. Prof.ª Sonia Regina Scudese
Imagem capturada na Internet

 

“É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores
decidir sobre a oportunidade de exercê-lo
e sobre os interesses que devam por meio dele defender”.

Art. 9º da Constituição Brasileira (1988)

 
Como muitos sabem, eu aderi à Greve dos Professores da rede estadual junto a maioria dos docentes do Colégio Estadual Prof.ª Sonia Regina Scudese, decidido em Assembleia realizada, no âmbito deste, no início de março.
 
Vários fatores justificam o movimento em face as condições de trabalho da categoria, bem como de outras da rede estadual. 
 
Nesses 90 dias paralisados (completados hoje, dia 30/05), vários fatos ocorreram, entre os quais destacam-se: a continuidade da greve dos professores aprovada após votação em diversas Assembleias realizadas; a ocupação de várias Unidades Escolares pelos alunos; a licença médica do Governador Luiz Fernando Pezão para tratamento de saúde e assumindo interinamente o vice-governador Francisco Dornelles; a greve de outras categorias do funcionalismo estadual; a ocupação da Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC) pelos alunos; a mudança do Secretário de Estado de Educação; a suspensão do pagamento do salário dos funcionários aposentados (inativos); a violência no embate entre os grupos dos movimentos “Ocupa” e “Desocupa” e, também, com policiais; a antecipação das férias para os colégios ocupados.
 
A situação caótica por qual os profissionais da Educação e as Unidades Escolares estão passando, assim como outros servidores da mesma rede é resultado do grau de endividamento do Estado, considerado o de pior situação no Brasil inteiro.
 
Atrelado à má gestão política e econômica do atual governo (e do anterior também), o Rio de Janeiro não é o único estado brasileiro nestas condições, mas é – sem dúvida alguma – o de conjuntura mais grave.  Com isso, além dos atrasos dos pagamentos dos servidores e do parcelamento do 13˚ salário em cinco vezes, o governo mudou a data de pagamento dos salários para o sétimo dia útil e, ainda, não oferece segurança que o mesmo vai ser pago. O Governo prevê, também, realizar mudanças no sistema previdenciário do funcionalismo estadual.
 
A Greve dos professores teve início no dia 02 de março e os motivos para o movimento pautavam em:

- A falta de segurança nas Unidades Escolares, uma vez que os contratos dos porteiros terceirizados foram cancelados, assim como o reforço para sua segurança com a presença de policiais militares nas mesmas;

- Problemas quanto aos serviços gerais de limpeza, pois os funcionários terceirizados tiveram o seu salário reduzido, muitas vezes, não recebendo em dia. Daí, muitos não tinham condições de ir trabalhar;

- Falta de material didático, tais como: caneta de quadro branco, papel, livros, entre outros recursos indispensáveis;

- Redução na quantidade e qualidade da merenda;

- Salas superlotadas;

- Falta de climatização nas salas de aula;

- Falta de reajuste salarial dos profissionais da Educação;

- Mudança do calendário de pagamento dos salários dos servidores do Estado.
 
O C.E. Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, foi a primeira Unidade Escolar da rede estadual a ser ocupada pelos alunos (21 de março). E, após a esta iniciativa de um grupo do corpo discente, outros colégios passaram a ser ocupados por seus alunos.
 
Em meados de abril já eram contabilizados 70 colégios em todo o estado do Rio de Janeiro. O movimento ganhou força e até o Colégio Estadual Prof.ª Sonia Regina Scudese foi ocupado por alunos.
 
Com reivindicações distintas, pontuais, de acordo com a realidade de cada estabelecimento de ensino, os alunos do movimento “Ocupa” – em geral – iniciaram em apoio à Greve dos professores.
 
O Secretário de Educação e outros membros ligados à esfera educacional, como também alguns diretores atribuíram à ocupação das escolas às influências de partidos políticos e Associações estudantis. Não vou dizer que isso possa ocorrer, mas - não restam dúvidas - que a participação dos alunos na luta por melhores condições de infraestrutura física dos colégios e de qualidade de ensino é algo inovador no corpo discente dos colégios de Ensino Médio. E eles se mostraram responsáveis, pois foram pacíficos e trabalharam na intenção de levantar o movimento às reivindicações deles, enquanto alunos.
 
Não houve violência por ocasião da ocupação e eles asseguram a funcionalidade dos colégios de acordo com as necessidades de se manterem lá, cozinhando, realizando a limpeza, entre outras coisas. Uma verdadeira lição de cidadania, sem precedente nos movimentos grevistas da rede pública de ensino, seja estadual e/ou municipal.
 
No processo de ocupar,
o aluno já muda a visão que
normalmente tem daquele espaço,
tido como frio, pouco aglutinador,
não afeito à participação.
Quando ele ocupa, inverte totalmente a visão
que tem sobre a escola.
Ele não será o mesmo aluno
e a escola não será a mesma escola
(Daniel Cara, cientista político) *.

Só presenciamos atos de violência quando houve conflitos entre os estudantes dos dois movimentos (Ocupa e Desocupa), assim como as intervenções da polícia militar e do Batalhão de Choque. Em muitas escolas houve registro de mobília escolar quebrada, alunos feridos e até desacordado, como ocorreu durante as ações do Batalhão do Choque contra os alunos que ocuparam a SEEDUC.
 
As Unidades Escolares ocupadas pelos alunos tiveram a antecipação das férias para este mês de maio (a partir do dia 02/05) e, durante as Olimpíadas (agosto), elas terão aulas normais, mesmo o Governo quebrando o acordo firmado com a Prefeitura acerca da mudança do calendário em virtude do mega evento esportivo (Olimpíadas).
 
Segundo a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC), nas outras Unidades Escolares que não aderiram à greve e nem foram ocupadas, o recesso ocorrerá no período de 1º a 27 de agosto, seguindo o calendário escolar.
 
O Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, Antonio Neto foi exonerado no dia 17/05 e, em seu lugar, assumiu o Wagner Victer. A escolha do novo Secretário, por sua vez, foi alvo de muitas críticas mediante atuação e gestão deste em outros Órgãos públicos.
 
De acordo com as negociações entre o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE/RJ) e a Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC), algumas conquistas foram alcançadas e outras ficaram a ser tratadas, a saber (texto transcrito e modificado do Portal do SEPE):
 
. Eleição para Diretor:  A escolha do diretor pelo voto da Comunidade Escolar (professores, pais e alunos) foi aprovado pela ALERJ, no dia 12/05, mas falta o Governador sancionar a nova lei.

Ainda, este ano (2016), haverá a escolha da Direção onde houver vacância e no ano que vem (2017) em todas as unidades. Nas 69 escolas ocupadas até a data de 10 de maio, haverá a eleição 40 dias após o fim das ocupações;
 
. Abono das greves: Decreto do Governador publicado em Diário Oficial, em 13/05, com os abonos das  greves ocorridas entre 1993 e 2015;
 
. Fim do parcelamento de salários: o Governo pagou os salários de abril (pagos em maio) de todos os servidores da Ativa e Aposentados de modo unificado, como a categoria exige;
 
. Licença Especial: a licença especial para docentes não precisa mais esperar pela aposentadoria. A SEEDUC publicou Ato no dia 06/05;
 
. Nenhuma disciplina com menos de dois tempos: a partir de 2017, as disciplinas de Filosofia e Sociologia passam a ter dois tempos no 1º ano. Foi criado um Grupo de Trabalho (GT) com a SEEDUC para discutir os casos de Artes e Língua Estrangeira optativa. O SEPE defende 2 tempos para todas as disciplinas;
 
. Fim do pagamento de bônus por metas pré-estabelecidas: ainda em negociação;
 
. Carga Horária de 30 horas para funcionários administrativos das escolas: Será votado na Alerj um Projeto de Lei que permite que os funcionários administrativos das escolas trabalhem com carga horária de 30 horas semanais;
 
. Uma matrícula, um professor por escola: De acordo com a SEEDUC, atualmente, 91% dos professores já se encontram em apenas uma escola. Há apenas cinco professores trabalhando em cinco escolas, que serão chamados até o dia 03 de maio para resolver a situação. Outros 55 professores atuam em quatro escolas, que serão chamados para solucionar o problema entre os dias 03 e 10 de maio. Já a partir de 20 de maio, começa a convocação dos 783 professores que trabalham em três escolas (não sei se isso aconteceu de fato);
 
. Enquadramento por Formação: SEEDUC regularizará, até o fim deste ano, os valores referentes a 2016. As quantias relativas aos anos de 2013, 2014 e 2015 serão parceladas em 24 meses, a partir de janeiro de 2017;
 
. Retorno do calendário de pagamento anterior: o SEPE reivindica a volta do pagamento no início do mês;
 
. Arquivamento do Projeto de Lei do governo de reforma do Rio previdência: o Projeto de Lei foi retirado da pauta de emergência (mas, significa que não suspenso definitivamente);
 
. Reajuste salarial de 30%: o governo não fez proposta e afirma que não tem dinheiro;
 
. Realização de concurso público para funcionários técnico-administrativos: sem proposta;
 
. Sobre situações pontuais de cada escola: a SEEDUC informou que enviará equipes às Unidades Escolares para verificação do que pode ser feito de melhoria.
 
. 1/3 de planejamento: o atual Secretário Victer afirmou que será implantado;
 
. Criação do Cargo de Professor indígena I e II: foi aprovado pela Alerj, mas falta o Governador sancionar. O contrato dos professores indígenas será prorrogado até que o concurso seja feito após criação do cargo.
 
A próxima Assembleia está marcada para o dia 02/06 às 10 horas no Clube Hebraica (Rua das Laranjeiras, 346).
 
 

* Artigo "Ouvir os que não querem sair"

(VIEIRA, Andrea Gouvêa, Revista Appai Educar n˚ 99/2016 pag.63 )

 

domingo, 29 de maio de 2016

Dica de Vídeo: "Bata Nela!"


 Imagem capturada do vídeo e
trabalhada no Adobe Photoshop


Um dos vídeos exibidos na palestra da Promotora de Justiça Alexandra Carvalho Feres faz parte de uma Campanha italiana e, embora alguns alunos já conhecessem, a maioria assistiu pela primeira vez, assim como eu e foi, como posso dizer, tocante e lindo. 

Algumas alunas mencionaram que se esta Campanha fosse realizada com meninos brasileiros, elas tinham certeza que a atitude deles não seria a mesma. Eles, com certeza, agiriam com violência. 

Eu também não iria duvidar! É como eu falei e já está provado, em nosso país (assim como em outros), a violência é uma questão cultural.  
 
Vale a pena assistir! Para acessa-lo no You Tube, clique no seu Título "Bata Nela!"

 

Palestra sobre a Lei Maria da Penha na Escola


Imagem capturada na Internet


Com relação aos trabalhos que permearam as discussões acerca da Mulher e, mais especificamente, sobre a violência contra a mesma, este ano, eu pude contar com um reforço a mais à esta temática após contatar com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), ter a minha solicitação aceita e poder receber - em nossa Unidade Escolar – a Promotora de Justiça Alexandra Carvalho Feres e a Assistente Renata Sobral da Fonseca, ambas do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Violência Doméstica contra Mulher (MPRJ). A referida promotora proferiu duas palestras sobre a Lei Maria da Penha.
 

A palestra foi realizada no final do 1˚ Turno, com a presença dos meus alunos das turmas 1901, 1803 e 1801 e, no início do 2˚ Turno, cujas turmas foram escolhidas pelos professores da tarde, prestigiando também o 9˚ e o 8˚Anos em razão da faixa etária. 

Além de explanar oralmente e por meio de Power Point acerca do contexto quanto a origem da Lei em 2006, da vítima que deu nome a mesma (nome mais popular), a senhora Maria da Penha Maia Fernandes, as formas e fases da violência praticada pelo agressor, os casos mais conhecidos e as Campanhas Internacionais e Nacionais, entre outros tópicos, ela exibiu vídeos do próprio relato da Maria da Penha, de Campanhas internacional (italiana) e duas nacionais, inclusive uma feita só por homens (famosos).
 
As palestras foram ótimas e, mesmo tendo alguns alunos com comportamento inadequado durante ambas as palestras, os comentários posteriores demonstraram que o objetivo foi alcançado.
 
Muitos funcionários e responsáveis, também, se interessaram e me procuraram para saber das cartilhas que foram entregues aos alunos durante a apresentação da palestra.
 
Além das cartilhas, a escola recebeu cartazes sobre a Lei Maria da Penha, os quais foram fixados em diversos pontos da mesma. 

No dia seguinte, um aluno do 8˚Ano me cobrou o porquê de eu trabalhar a lei Maria da Penha na escola, se – por um acaso – eu sofri ou sofria agressão do meu marido. Eu achei graça da intervenção dele, mas até o entendo, pois este tema não é muito debatido nas salas de aula e a realidade de muitos perpassa por situações de violência doméstica.
 
Eu respondi que trabalho em razão das estatísticas da violência contra a mulher em nossa sociedade ainda serem altas. Embora, após a promulgação da referida legislação, os índices de agressões tenham apresentado uma queda, os números de ocorrência são considerados elevados. 

O preconceito é que uma questão cultural e a escola é o espaço ideal para a promoção de debates e discussões acerca deste tema e outros.
 
 Palestra no 1˚Turno
 
 Promotora de Justiça Alexandra Carvalho Feres
(palestrante)


Promotora Alexandra Carvalho Feres e a Assistente Renata Sobral da Fonseca










 
 
  Palestra no 2˚Turno
 


 

Trabalhos do 1˚ Bimestre: Eixo Central, a Mulher.


 Imagem capturada na Internet

Finalmente, neste mês de maio, consegui expor os trabalhos dos alunos do II Segmento do Ensino Fundamental da E.M. Dilermando Cruz e, assim mesmo, nem todos realizaram ou fizeram a contento, tal como a minha proposta inicial.

 
Como já mencionado, neste espaço, eu trabalho sempre - no 1˚ Bimestre – a “Mulher”, não apenas por esta constar como um dos temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), mas por duas datas específicas que recaem neste período, que são o Dia Internacional da Mulher (08 de março) e o Dia Nacional da Mulher (30 de abril). Aproveito o ensejo para trabalhar a questão da violência contra as mulheres, a estrutura patriarcal de nossa sociedade e o machismo tão presente em atitudes e pensamentos nos diversos casos de preconceito e discriminação de gêneros. Para esta questão trabalhei, também, a Lei Maria da Penha.
 
Os tópicos trabalhados no 1˚ Bimestre que nortearam o eixo central “Mulher”:

. Dia Internacional da Mulher (08/03);
. Dia Nacional da Mulher (30/04);
. Lei Maria da Penha;
. A Antiga Estrutura Patriarcal da Sociedade;
. O Machismo, o Preconceito Cultural e a Violência contra a Mulher;
. A Mulher na Sociedade Brasileira;
. A Mulher no Mercado de Trabalho (Entrevistas).

Além de trabalhar na sala de aula, com textos, atividade dirigida, nas provas e por meio de entrevistas a mulheres ativas no mercado de trabalho, os alunos do 6˚ Ano foram os únicos a trabalhar com as mulheres da Comunidade Escolar e não ter cobrança nas avaliações devido a faixa etária. 
 
Frases estanques:
. O silêncio... é o maior aliado do seu agressor (Guibson Medeiros)
. Lei Maria da Penha, vale mesmo sem a queixa da agredida (Tribuna Popular On Line)
. Grave, Frequente e Silenciosa... A violência contra a mulher no Brasil é cultural (Câmara dos Deputados)
 
Resultados Obtidos
. TURMA 1601
. Número Total de Grupos: 16 (100%)
. Grupos Participantes: 14 ( 88%)

Observação: Todos os Grupos da Turma 1601 realizaram o trabalho com mulheres da Comunidade Escolar e tiraram foto com elas. Dois Grupos, no entanto, não entregaram após terem levado para casa para passar a limpo a Entrevista. Daí, a não exposição dos mesmos no dia.

. TURMA 1801
. Número Total de Grupos: 14 (100%)
. Grupos Participantes: 08 ( 57%)
. Carreira escolhida e pretendida por um ou mais membros do Grupo: 02 (25%)

. TURMA 1803
. Número Total de Grupos: 14 (100%)
. Grupos Participantes: 10 ( 71%)
. Carreira escolhida e pretendida por um ou mais membros do Grupo: 01 (10%)

. TURMA 1901
. Número Total de Grupos: 14 (100%)
. Grupos Participantes: 11 ( 79%)
. Carreira escolhida e pretendida por um ou mais membros do Grupo: 01 ( 9%)


Exposição das Entrevistas realizadas pelos alunos
 
Turmas 1901, 1803 e 1801
 
 
 
 
 
 
 
Entrevistas com Mulheres da Comunidade Escolar (Turma 1601)