quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A Redenção da Mídia Estrangeira a outros Sabores Brasileiros



Dando continuidade à postagem anterior, acerca dos biscoitos de polvilho Globo, outros artigos de jornais estadunidenses fizeram questão de enaltecer determinados produtos alimentícios brasileiros para remediar a polêmica criada com a matéria publicada no New York Times e assinada pelo repórter David Segal, que criticou duramente o sabor, a qualidade dos referidos biscoitos e até a própria culinária carioca.

O foco desta vez, de forma positiva, foi para o nosso famoso “pão de queijo” e para o “brigadeiro”, ambos brasileiríssimos.

A origem do pão de queijo é incerta, mas sabe-se que ele é de Minas Gerais. Especula-se que sua origem remonta à época da escravidão, Século XVIII, nas fazendas mineiras, quando eram servidos durante o café. Naquela época, a farinha de preparo dos pães não era de boa qualidade, a qual fora substituída - pelas cozinheiras escravas - por polvilho.

Pão de Queijo
Imagem capturada na Internet

Assados no fogão a lenha, o pão de queijo era preparado com polvilho e outros ingredientes, inclusive, o queijo, todos produzidos nas próprias fazendas.

De sabor agradável, a receita se espalhou por todo o território brasileiro, tornando-se efetivamente popular na década de 50 (século XX) e, ultrapassando as fronteiras do nosso país, sendo exportada para vários países, tais como: Portugal, EUA, Itália e Japão.

O brigadeiro, também genuinamente brasileiro, é um doce típico de festas infantis, sendo – hoje – vendido em vários estabelecimentos comerciais (confeitaria, padaria, delicatessen etc.).  

Docinho de Brigadeiro
Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipedia

Sua origem e, em especial, o seu nome se fundem sob um contexto político e de tietagem do eleitorado feminino a um determinado candidato às eleições presidenciais de 1945.

Em 1945, a disputa acirrada para Presidência da República, no processo sucessório do então presidente Getúlio Vargas, era entre o Marechal Eurico Gaspar Dutra (Partido Social Democrata - PSD) e o Brigadeiro Eduardo Gomes (União Democrática Nacional – UDN).

Marechal Eurico Gaspar Dutra
Imagem capturada na Internet

O primeiro tinha a seu favor o apoio do Presidente Getúlio Vargas e, com isso, a apreciação popular também. Já o Brigadeiro da Aeronáutica tinha a seu favor, sobretudo, o eleitorado feminino que o admirava pelos seus “atributos físicos”, pois ele era um militar do tipo galã (alto e bonito).

 Brigadeiro Eduardo Gomes
Imagem capturada na Internet
Fonte: Operacional

Eduardo Gomes tinha formação em aviação militar, com grande notoriedade, além de ter forte senso de justiça social e, posteriormente, se lançar na política. Foi ministro da Aeronáutica em dois períodos. E é o patrono da Força Aérea Brasileira (FAB).

A origem do doce de brigadeiro remonta à época de sua primeira campanha eleitoral à Presidência da República, em 1945. Solteiro, bonito, charmoso, alto e do tipo atlético, Eduardo Gomes – desde novo – era muito cortejado pelas garotas. No entanto, ele nunca se casou.

Na época, o seu partido político, recém-fundado, União Democrática Nacional (UDN) não dispunha de recursos suficientes para bancar a sua Campanha Eleitoral à Presidência da República. Sendo assim e, a fim de arrecadar fundos para a mesma, um grupo de eleitoras criou um doce feito com a mistura de chocolate em pó e leite condensado, o qual era vendido durante os comícios. O doce inventado por elas recebeu o nome de “Brigadeiro”. O doce fez maior sucesso e, ao mesmo tempo, se popularizou, mas não o suficiente para o eleger Presidente do Brasil.

Com forte apoio de Getúlio Vargas e da popularidade deste, o candidato Eurico Gaspar Dutra venceu a eleição, assumindo a Presidência em 1946.

Nascido em Petrópolis (RJ), em 20 de setembro de 1896, Eduardo Gomes faleceu em 13 de junho de 1981, aos 84 anos.

Brigadeiro Eduardo Gomes
Imagem capturada na Internet
Fonte: Operacional


Fontes de Consulta






Biscoito de Polvilho Globo: Críticas a um dos principais ícones das praias cariocas

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 Biscoitos de Polvilho Globo
Imagem capturada na Internet - Fonte: Exame 

Durante a XXXI Olimpíada do Rio de Janeiro, alguns fatos que circularam nas mídias – fora do contexto esportivo – causaram polêmica à opinião pública, sobretudo, a carioca que foi diretamente afetada, bem como tentativas de converter a situação de configurada com elogios a outros produtos do mesmo gênero. Como se isso fosse apagar a primeira impressão...

Quem teve ou tem o hábito de frequentar as praias cariocas, ficar parado no meio de um engarrafamento nas principais vias expressas da cidade ou participar de algum evento cultural já deve ter experimentado o biscoito de polvilho Globo, vendido por muitos ambulantes.

Pois bem, o biscoito Globo - considerado um dos ícones das praias cariocas – foi citado e criticado em uma reportagem no jornal New York Times (EUA), sob a autoria do repórter americano David Segal, que o classificou como alimento "sem gosto e sem graça, assim como a culinária carioca".

Na respectiva reportagem, ele ainda descreve o biscoito de polvilho como "ar transformado em bolacha, em forma de anel" e, continua a sua crítica, expondo "coloque um na sua boca e será como se seus dentes estivessem em uma festa para a qual sua língua não foi convidada".

Se por um lado, o repórter criticou o biscoito por não corresponder ao seu paladar, por outro lado, este recebeu muitas críticas dos brasileiros que se sentiram ofendidos pela exposição da opinião pessoal do mesmo acerca do referido produto, o qual contradiz – histórico e até culturalmente – a apreciação do povo, sobretudo, carioca. Tendo em vista que, os biscoitos Globo juntamente com o mate, são considerados ícones das praias do Rio de Janeiro, que garantem o elevado consumo e comercialização dos mesmos.

As críticas ao repórter vieram de todas as partes, principalmente, pelos internautas brasileiros nas redes sociais.

Os biscoitos Globo – ao contrário do que se pensa - não são genuinamente cariocas, uma vez que sua origem se encontra ligada à capital paulista, no ano de 1953, com os irmãos Milton, Jaime e João Fernandes Ponce.

De acordo com o levantamento histórico do mesmo, em virtude da separação dos pais, os três irmãos foram morar com um tio que era dono de uma padaria no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Trabalhando com o tio, eles aprenderam a fazer biscoitos de polvilho.

Em 1955, por ocasião do 36º Congresso Eucarístico Internacional na cidade do Rio de Janeiro, os irmãos decidiram viajar para a capital carioca, na intenção de aproveitar o grande contingente de católicos na cidade para vender seus biscoitos.

Na época, a cidade do Rio se transformou na capital mundial do catolicismo, tamanha a importância do evento religioso e a quantidade de pessoas participantes. E, durante o Congresso Eucarístico, os biscoitos de polvilho não só agradaram como foram um sucesso de venda, indicando que o Rio de Janeiro seria o mercado ideal para a sua comercialização. Com base nisso, os irmãos Ponce decidiram ficar de vez na cidade do Rio.

E foi, justamente, no Rio que o biscoito recebeu o nome “Globo”, homônimo à padaria - localizada no bairro de Botafogo - para a qual os irmãos Ponces foram contratados para trabalhar. Os proprietários da padaria Globo tinham mais sete panificadoras e, em todas elas, os biscoitos eram vendidos. E o sucesso e a expansão dos negócios prosseguiram, fazendo com a produção dos biscoitos Globo não pare.

Hoje, o único ponto de distribuição é a fábrica, que funciona de domingo a domingo, das 6h às 20 horas, com uma produção diária de 150 mil pacotes. No verão, a produção aumenta devido a sua comercialização intensa por ambulantes nas praias.  

Tradicionalmente, a embalagem é a mesma e suas cores distintas servem para diferenciar os sabores e, também, serviam para orientar os ambulantes analfabetos: rótulos em cor vermelha para os biscoitos doces e rótulos em verde para os salgados.

Foi Milton Ponce, hoje com 80 anos, que recebeu o repórter americano do New York Times na fábrica do biscoito Globo e, segundo o filho do empresário, Marcelo Ponce, o seu pai ficou muito chateado com os comentários e críticas do repórter David Segal ao sabor do seu produto.

O que se pode dizer quanto a isso é que, não vai ser uma opinião pessoal, única de um estrangeiro, que vai alterar a história, o gosto e o consumo de um biscoito que representa mais que um produto do gênero alimentício... Representa um grande símbolo carioca. 


Fontes de Pesquisa: 






terça-feira, 30 de agosto de 2016

História das Olimpíadas (Parte II): Comitê Olímpico Internacional (COI)


Imagem capturada na Internet

. Entidade responsável pelas Olimpíadas: Comitê Olímpico Internacional (COI), que é uma Organização Não-Governamental, responsável pela promoção, supervisão, acompanhamento e coordenação à realização dos Jogos Olímpicos.

De acordo com a Carta Olímpica, o COI detém todos os direitos sobre os símbolos olímpicos, bem como o de transmissão dos jogos, publicidades e outras atividades ligadas ao megaevento esportivo.

. Tipo: Federação Desportiva.

. Lema: Citius, altius, fortius” (Rápido, alto, forte).

. Sede: Suíça.

. Endereço: Château de Vidy, 1007 - Lausanne, Suíça.

 Sede do Comitê Olímpico Internacional (COI) na Suíça
Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipedia - Foto: Arnaud Gaillard 

. Data de Fundação do COI: 23 de junho de 1894.

. Fundador: O francês Pierre de Freddy que se tornou conhecido sob o título de Barão de Coubertin.

 Barão de Coubertin
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Fonte: JC Online


. Número de Membros: Cento e cinco (105) membros ativos. De acordo com a sua própria regulamentação, todos os seus membros – ao atingirem 81 anos – são retirados do quadro do COI.

. Línguas oficiais: Inglês e Francês.

. Periodicidade das Olimpíadas: Quadrienal (de 4 a 4 anos).

. Edições das Olimpíadas até a presente data: trinta e uma (31). A I Olimpíada foi em Atenas, na Grécia (1896). Devido à I Guerra Mundial (1914 a 1918), a VI Olimpíada de Berlim (1916) não foi realizada, assim como também a XII Olimpíada de Helsinque (1940) e a XIII Olimpíada de Londres (1944) em consequência da II Guerra Mundial. Embora, as três Edições dos Jogos Olímpicos tenham sido suspensas devido às guerras, a numeração das respectivas edições foi mantida. A Edição mais recente foi a XXXI Olimpíada, realizada na cidade do Rio de Janeiro (2016) e, a próxima, será em Tóquio, no Japão (2020). 

 XXXI Olimpíada do Rio de Janeiro (2016)
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Fonte: O Regional Sul

. Atual presidente do COI: o alemão Thomas Bach (desde 2013).

 Atual presidente do COI, Thomas Bach
Imagem capturada na Internet 
Fonte: Exame 

O atual presidente - Thomas Bach - foi o nono nomeado para exercer o cargo mais elevado do COI. Desde 1894 e antes deste, oito presidentes, de diferentes nacionalidades, assumiram o referido cargo, a exceção da Bélgica que, por duas vezes, teve um membro como presidente do COI (Henri de Baillet-Latour e Jacques Rogge). Foram eles:

1. Dimitrios Vikelas da Grécia (1894 a 1896);


2. Pierre de Coubertin da França (1896 a 1925);


3. Henri de Baillet-Latour da Bélgica (1925 a 1942);


4. Sigfrid Edström da Suécia (1942 a 1952);


5. Avery Brundage dos EUA (1952 a 1972);


6. Michael Morris Killanin da Irlanda (1972 a 1980);


7. Juan Antonio Samaranch da Espanha (1980 a 2001);


8. Jacques Rogge da Bélgica (2001 a 2013);


9. Thomas Bach da Alemanha (2013 ...) 


 . Principais objetivos e funções do COI:
 - Criar leis e regras sobre os Jogos Olímpicos;
 - Administrar, organizar e realizar as Olimpíadas;
 - Selecionar as cidades que servirão de sede, assim como acompanhar e orientar a sua organização;
 - Administrar os direitos autorais de símbolos, marcas e imagens relacionadas aos Jogos Olímpicos.
  
. Movimento Olímpico: Atualmente, ele é composto pelas Federações Esportivas Internacionais (IFs, sigla em inglês), Comitês Olímpicos Nacionais (CONs) e Comissões Organizadoras de cada especificidade dos Jogos Olímpicos;

. Símbolos Olímpicos (pertencentes e administrados pelo COI): Carta, Lema, Bandeira, Chama, Hino e Mascotes:

- Carta Olímpica: Ela rege um conjunto de regras e guias para a organização das Olimpíadas e para o comando do Movimento Olímpico, ou seja, ela dita os Princípios Fundamentais, as Regras e os Estatutos, escritos em inglês e francês (línguas oficiais). Contudo, durante as reuniões do COI, a mesma é traduzida para alemão, espanhol, russo e árabe. Sua última atualização ocorreu em 9 de setembro de 2013.


Principais Componentes da Carta Olímpica:
. Capítulo 1: O Movimento Olímpico e suas ações;
. Capítulo 2: O Comitê Olímpico Internacional;
. Capítulo 3: As Federações Internacionais;
. Capítulo 4: Os Comitês Olímpicos Nacionais;
. Capítulo 5: Os Jogos Olímpicos.

- Lema Olímpico: Em latim, “Citius, Altius, Fortius”, que significa "rápido, alto, forte". O lema foi criado pelo padre Henri Didon, amigo do Barão Pierre de Coubertin, por ocasião da fundação do Comitê Olímpico Internacional, em 1894. Sendo apenas introduzido nos Jogos Olímpicos de 1924, em Paris (França).

- Bandeira Olímpica: Foi criada, em 1914, pelo Barão de Coubertin. De cor branca, ela apresenta, em sua parte central, cinco aros ou anéis entrelaçados, coloridos, representando os cinco continentes unidos. As seis cores da bandeira olímpica (branco, amarelo, azul, vermelho, preto e verde) foram estabelecidas em razão de serem as que mais aparecem nas bandeiras dos países.


Bandeira das Olimpíadas
Imagem capturada na Internet

Cores atribuídas aos continentes:

Preto: África

Verde: Oceania

Azul: Europa

Vermelho: América

Amarelo: Ásia



- Chama Olímpica: Desde os jogos olímpicos da antiguidade, na Grécia, o fogo era mantido aceso enquanto as competições durassem. Nos jogos modernos, o registro da primeira chama ocorreu na cerimônia de abertura da Olimpíada de 1928, em Amsterdã (Países Baixos), que foi na primeira pira olímpica. Tal procedimento simbólico foi seguido na edição seguinte dos Jogos Olímpicos realizada em Los Angeles (1932), na qual – segundo fontes de pesquisa – na cerimônia de encerramento foi usada uma citação do Barão de Coubertin, a qual preconizava "Que a Tocha Olímpica siga o seu curso através dos tempos para o bem da humanidade cada vez mais ardente, corajosa e pura".

Mas, foi na Olimpíada de Berlim, na Alemanha (1936), que teve início a cerimônia do transporte da chama Olímpica, saindo de Olímpia, na Grécia (local dos jogos antigos) até ao estádio onde seriam realizados na capital alemã.

Atualmente, meses antes da realização da Olimpíada, a chama é ateada em Olímpia, na Grécia, em frente às ruínas do templo de Hera, recriando a cerimônia como deveria ser na antiguidade, com sacerdotisas (atrizes) que colocam uma tocha na concavidade de um espelho, no qual os raios solares incidiriam. A chama é acesa marcando o início dos jogos olímpicos.


Imagem capturada na Internet
Fonte: Olimpíada 2016 - Foto: Louisa Gouliamaki/AFP

Posteriormente, a chama é colocada em uma urna e levada até ao local do antigo estádio, onde é acesa a tocha olímpica, transportada pelo atleta que fará o primeiro percurso do atletismo, conduzindo-a ao longo do percurso até ao estádio onde se realizam os jogos.

- Hino Olímpico: Embora, o hino tenha sido composto pelo grego Spyridon Samaras, com letra do poeta romano Kostís Palamás, em 1800, somente em 1958, o Comitê Olímpico Internacional (COI) o adotou, executando-o durante a Cerimônia de Abertura de cada edição, quando a Bandeira Olímpica é hasteada, assim como na Cerimônia de Encerramento, quando a mesma é arriada.

Inicialmente, ele era cantado em grego, mas em várias edições sua letra foi traduzida para o idioma do país anfitrião (país-sede).

GREGO LÍRICO

Αρχαίο Πνεύμ' αθάνατο, αγνέ πατέρα
του ωραίου, του μεγάλου και τ'αληθινού,
κατέβα, φανερώσου κι άστραψ'εδώ πέρα
στην δόξα της δικής σου γης και τ'ουρανού.

Στο δρόμο και στο πάλεμα και στο λιθάρι,
στων ευγενών Αγώνων λάμψε την ορμή,
και με τ' αμάραντο στεφάνωσε κλωνάρι
και σιδερένιο πλάσε κι άξιο το κορμί.

Κάμποι, βουνά και θάλασσες φέγγουν μαζί σου
σαν ένας λευκοπόρφυρος μέγας ναός,
και τρέχει στο ναό εδώ, προσκυνητής σου,
Αρχαίο Πνεύμ' αθάνατο, κάθε λαός.


TRADUÇÃO EM PORTUGUÊS

Espírito imortal da antiguidade:
Criador augusto da verdade, beleza e bondade!
Desça aqui, apresente-se e radie sua luz 
sobre nós,
por este nobre campo e debaixo deste céu,
que primeiro testemunharam 
sua fama imperecível.

Traga vida e entusiasmo para estes 
nobres jogos,
atire coroas de flores com frescor eterno
aos vitoriosos da corrida e da luta.
E crie em nossos peitos corações de aço!

Em sua luz, planícies, montanhas e mares,
brilham em matizes rosados e 
formam um vasto templo,
no qual as multidões de todas as nações 
vão adorá-lo:
Ó espírito imortal da antiguidade!


- Mascotes: Em geral, as mascotes olímpicas são animais nativos, personagens representativos da cultura do país anfitrião da edição dos Jogos Olímpicos. A primeira mascote olímpica oficial foi o cachorro Waldi dos Jogos Olímpicos de Verão de Munique (Alemanha), em 1972. O cão era da raça Dachshund, muito popular na Alemanha.

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As discussões relacionadas ao Movimento Olímpico Internacional são tratadas pelo COI, conjuntamente com os seus membros, em reuniões de acordo com suas especificidades. Essas reuniões se configuram sob duas formas: Congressos e Sessões Olímpicas.

. Congressos Olímpicos: São reuniões pertinentes às questões importantes relativas ao Movimento Olímpico Internacional, em sua trajetória e perspectivas futuras, realizadas em períodos irregulares (não fixos), quando necessárias, as quais são organizadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), reunindo os seus próprios membros oficiais e, também, os representantes de todas as organizações que o compõem, isto é, dos Comitês Olímpicos Nacionais, das Federações Esportivas Internacionais, dos Comitês Organizadores de Jogos Olímpicos, atletas, treinadores, juízes e dos meios de comunicação, além de outros participantes e observadores.

Até a presente data foram treze Congressos Olímpicos realizados pelo COI, sendo o primeiro ocorrido em 1894, em Paris e, o último, em 2009, em Copenhague (Dinamarca). Em 1994, em comemoração ao centenário dos Jogos Olímpicos, o Congresso foi realizado em Paris, tendo como pauta de discussões a contribuição do Movimento Olímpico para a sociedade moderna, desporto e os meios de comunicação (mídias).

Para saber dos treze Congressos realizados, clique AQUI!

. Sessões do COI: são reuniões que ocorrem anualmente com os membros do COI, onde são discutidas questões relacionadas ao Movimento Olímpico, havendo necessidade de votação ou de ações efetivas a este. Cada membro do COI tem o direito a um voto. Trata-se do órgão supremo do COI, ou seja, as decisões aprovadas ou não são finais.

Em caso de emergência ou para resolver questões ainda pendentes, um membro pode solicitar uma sessão extraordinária em conveniência com o presidente do COI ou, por escrito com, pelo menos, 2/3 do pedido do número dos membros.

Entre as atividades mais importantes, tratadas nas sessões do COI, se encontram:
-  Adaptações e/ou alterações da Carta Olímpica;
- Eleição dos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), como o Presidente Honorário, membros honorários, entre outros;
- Eleição do Presidente, do vice-presidente e todos os outros membros do órgão Executivo;
- Seleção da cidade-sede dos Jogos Olímpicos;
- Determinação dos esportes que farão parte do calendário Olímpico.

Ao todo já foram realizadas 129 Sessões do Comitê Olímpico Internacional (COI), sendo a primeira ocorrida em 1894, em Paris e a última (129ª) no Rio de Janeiro, em 2016, por ocasião da XXXI Olimpíadas do Rio. Nesta Sessão foram discutidas, votadas e decidida a inclusão do baseball/softball, Karatê, Surf, Escalada e  Skate na XXXII Olimpíada de Tóquio, em 2020.

Para saber todas as Sessões realizadas e as que já estão agendadas, clique AQUI!

. Site Oficial: http://www.olympic.org/


Fontes de Pesquisa

. Bandeira das Olimpíadas. Disponível em:
 http://olimpiadasdorio2016.com/bandeira-das-olimpiadas/

. Apostila impressa particular.

. Várias Edições do Wikipedia

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

História das Olimpíadas (Parte I)


Imagem capturada na Internet

Texto atualizado em 25/08/2016 às 21h25

Na última segunda-feira (22/08), a palavra mais citada na cidade do Rio foi “Saudades, traduzindo o sentimento da maioria em relação ao encerramento da XXXI Olimpíada do Rio de Janeiro, ou seja, referenciando as lembranças dos jogos e o intenso desejo de revivê-los. E, para alguns, até o arrependimento de não ter aproveitado muito a grande oportunidade de participar e interagir, como telespectador, em algumas ou em todas as modalidades esportivas.


 Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipedia

Eu, praticamente, não publiquei nada a respeito deste megaevento esportivo, com exceção da postagem do último dia 06 de agosto (“Olimpíadas Rio 2016: Quem merece medalha não vai participar”), sobre a qual tratei a polêmica que permeou a sua realização em nosso país e, mais especificamente, na cidade do Rio de Janeiro.

Também não pude assistir nenhum jogo. O máximo que pude fazer foi, no feriado municipal (por conta das Olimpíadas) do dia 18/08, conhecer o Boulevard Olímpico da Praça Mauá e a Casa do Rio de Janeiro. Por conta do feriado, as filas para entrar nas demais Casas de outros países eram quilométricas. 

Mas, enquanto blogueira, eu não poderia deixar de falar sobre a mesma, ainda mais que - pela primeira vez - este megaevento esportivo foi realizado em um país sul-americano, no nosso, Brasil! E, mesmo já encerrado a sua Edição, resolvi publicar esta matéria.

Inicialmente, a minha intenção era escrever a história do renascimento dos Jogos Olímpicos Modernos, enfatizando e contextualizando alguns fatos históricos, sociais, políticos e outros que envolveram todas edições anteriores, da primeira (1896) até a deste ano (2016).

Para isso, pesquisei diversas fontes na Internet, assim como contei com material que já possuía, como a obra do CARDOSO (2000).

Já com um acervo bibliográfico suficiente, iniciei a leitura e, aos poucos, comecei a rascunhar os artigos sobre a História da Olimpíada, a qual foi dividida em três partes – devido o extenso conteúdo -  compreendendo períodos e suas respectivas edições dos Jogos Olímpicos. Mas, para a minha surpresa, muitos dados obtidos neste levantamento não eram concordantes entre as diferentes fontes de pesquisa, inclusive, com os registros de CARDOSO (op. cit.).

No entanto, isso não significa que desisti de escrever tais artigos, mas este problema quanto a veracidade dos fatos demanda mais tempo de análise. E, embora, a rede municipal de ensino esteja em recesso escolar até o dia 29/08, eu estou trabalhando com as turmas do Ensino Médio (rede estadual) após o fim da Greve dos Profissionais da Educação da mesma rede.

JOGOS OLÍMPICOS

Os Jogos Olímpicos remontam ao período do século VIII a.C. ao século V d.C., tendo origem em Olímpia, na Grécia. Sendo ressuscitados, no Século XIX (1894), pela França por intermédio do professor francês, Pierre de Freddy, o qual ficou mais conhecido sob o título de Barão Pierre de Coubertin ou, simplesmente, Barão de Coubertin.

Barão Pierre de Coubertin - Imagem capturada na Internet
Fonte: JC Online 

Daí, o francês ser o principal idioma das Olimpíadas Modernas, além do inglês.

Inicialmente e, a mando do governo francês, Pierre de Freddy teve a incumbência de elaborar um projeto educativo para as escolas francesas e, por isso, viajou para diversos países a procura de ideias inovadoras. E, foi durante essa sua busca, que ele tomou conhecimento das descobertas arqueológicas das ruínas do estádio Panathenaic Salvador, local da realização dos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, sob a coordenação do arqueólogo e historiador alemão Ernst Curtius, em 1852.

Outro elemento de forte influência sobre as ideias de Pierre de Freddy foram as experiências educativas do inglês e diretor, Thomas Arnold, da Escola de Rugby, na Inglaterra, que utilizava a prática esportiva como instrumento pedagógico, de grande importância para a Educação. Segundo o mesmo, a missão do educador perpassava por "Instruir, educar, mas sobretudo treinar corpo e espírito" (CARDOSO, 2000).


Na Grécia Antiga, periodicamente, eram realizados quatro festivais esportivos, chamados Jogos Pan-Helênicos, sendo cada um deles realizado em datas distintas e dedicado a um determinado deus da mitologia grega, a saber: Jogos Olímpicos (Zeus), em Olímpia e Élis; Jogos Píticos (Apolo), em Delfos; Jogos Nemeus (Zeus e Herácles/Hércules) em Nemeia e Corinto e, por fim, Jogos Ístmicos (Poseidon), em Istmia e Sicião. 

De acordo com as fontes de pesquisa, as Olimpíadas da Grécia Antiga eram realizadas durante cinco dias e de 4 em 4 anos. De acordo com os registros históricos, a primeira edição dos Jogos Olímpicos foi realizada no ano de 776 a.C


Estádio em Olímpia - Imagem capturada na Internet


 Pista de Corrida - Imagem capturada na Internet

Não há dúvidas quanto à origem das Olimpíadas na Grécia Antiga, mas como elas surgiram ainda é algo controverso, pois existem algumas lendas que discorrem sobre o surgimento dos jogos com base em três figuras distintas da mitologia grega, Zeus, Pélops e Héracles

Para saber mais sobre esses três mitos no contexto do surgimento das Olimpíadas e os outros dados, eu sugiro a leitura da matéria "Olímpia e os Jogos Olímpicos", no Blog Seguindo os Passos da História (clique AQUI).  

Os Jogos Olímpicos eram realizados em Olímpia, local sagrado (Santuário) dedicado a Zeus, principal Deus da mitologia grega, considerado o "deus dos deuses e dos Homens". Daí o mesmo ser um evento de ligação cultural (esportivo) e religioso, no qual se buscava a paz e a harmonia do povo grego. 


 Zeus - Deus Grego - Imagem capturada na Internet

Na Grécia Antiga, as modalidades esportivas eram menos numerosas, mas faziam parte o atletismo, a corrida de cavalos, lutas corporais, o pugilato, o Pancrácio (combinação de luta e pugilato) e o Pentatlo (lançamento de disco e dardo, salto em comprimento). Além do esporte haviam também competições musicais e poéticas.

Somente os homens que falassem o idioma grego, que fossem cidadãos livres e que nunca tivessem cometido assassinatos ou outros crimes podiam participar. A participação feminina não era permitida, uma vez que Olímpia era um Santuário voltado para ao Zeus, constando como uma área sagrada só para os homens.

A importância sagrada dos Jogos Olímpicos, na Grécia, era tão grande ao ponto de suspender as guerras entre as cidades-estados para que as competições pudessem ser realizadas. Sendo assim e, sob a chamada “trégua sagrada”, os Jogos ocorriam, atendendo tanto aos atletas competidores quanto aos espectadores.

Diferentemente das Olimpíadas da Grécia Antiga, algumas Edições dos Jogos modernos foram canceladas devido à I e II Guerra Mundial (1916, 1940 e 1944). Mas, vale ressaltar que, em razão da periodicidade Quadrienal (de 4 em 4 anos), mesmo não havendo essas Olimpíadas (acima citadas), a numeração de suas respectivas edições foi respeitada e considerada. 

Apesar da falta de dados quanto ao número de espectadores nos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, estima-se que o estádio olímpico tinha a capacidade para abrigar entre 45 mil e 50 mil espectadores.

Os treinos eram supervisionados por juízes e não eram apenas de caráter físico, mas também moral e espiritual. Sendo assim, os competidores chegavam à Olímpia um mês antes da abertura oficial do Jogos.

Tanto nos treinos quanto nas competições propriamente ditas, os atletas gregos estavam sempre nus. Essa condição de nudez é citada por muitos em relação à Artes, uma vez que o corpo dos atletas e seus movimentos durante as práticas esportivas serviam como modelos para escultores e pintores.

Facilmente identificados nos diversos achados arqueológicos, inclusive, em referência à modalidade esportiva praticada por eles. As imagens abaixo foram capturadas no Blog Seguindo os Passos da História.


  Pintura em um vaso retratando atletas 
carregando tochas olímpicas


  Pintura em vaso retratando atletas correndo


 Escultura: Arremesso de disco

Outros, no entanto, mencionam a lenda antiga que diz que, no início dos jogos olímpicos, todos os atletas homens (as mulheres não eram permitidas) participavam vestidos. Certa vez, a mãe de um dos atletas se disfarçou como homem na intenção de ver seu filho competir. Seu filho ganhou e ela correu para abraçá-lo.

Com a descoberta do seu disfarce estratégico e, no intuito de impedir outra ocorrência parecida, foi decidido que tanto os atletas quanto os treinadores deveriam ficar nus.

Este caso da relação da mãe travestida de homem, na condição de telespectadora, só para ver o seu filho competindo consta no livro De banquetes y batallas”, de autoria do filósofo Javier Ortuño (citado na matéria do Notícias/Educação Terra). Segundo o referido site, trata-se da grega Pherenice e o seu filho, lutador de boxe, Peisidouros. Ao ser descoberta, Pherenice foi condenada à morte.

Nos Jogos Pan-Helênicos só eram considerados apenas um vencedor, cujo prêmio consistia em uma coroa de folhas. Em cada um dos locais dos Jogos (Olímpicos, Píticos, Nemeus e Ístmicos), as coroas eram confeccionadas por diferentes tipos de folhas.

Esta diferenciação entre elas é, sem dúvida, a causa das controvérsias existentes em diversas fontes na Internet acerca do tipo de folha que era utilizada na confecção da coroa dos Jogos Olímpicos, tendo em vista que muitos alegam que elas eram de folhas de louro, enquanto outros afirmam que eram de oliveiras.


A premiação ao vencedor dos Jogos Olímpicos constava de uma simples coroa feita de ramos de oliveira. Contudo, além da coroação, os atletas vencedores se tornavam celebridades, em suas cidades, sendo comum o recebimento de benefícios, como a alimentação paga pelo resto da vida (pensão vitalícia) ou, ainda, ter uma cadeira reservada na primeira fileira dos teatros.

O declínio dos Jogos Olímpicos gregos teve início após a invasão e domínio dos romanos à Grécia. Inicialmente, os Jogos foram perdendo sua identidade em face a preferência dada aos jogos de gladiadores, que eram – na verdade - o grande espetáculo do "mundo romano". O seu espírito original foi, aos poucos, sendo deixado de lado e as disputas passaram a ser enfrentadas como combates.

Em 393 d.C. os Jogos Olímpicos foram abolidos de vez por decreto do Imperador romano Teodósio I, após converter-se para o cristianismo, como forma de limpar a sua influência considerada pagã, seja pelo fato destes e outros jogos serem realizados em honra de algum deus da mitologia grega, seja pela nudez exposta durante as competições, a qual era considerada como conduta insolente para os costumes romanos e à moral cristã.

Vale ressaltar, ainda, que sob o domínio e influência romana, os gregos começaram a serem cristianizados, deixando de adorar seus antigos deuses e a irem à Olímpia. Além disso, após a morte do imperador Teodósio I, os imperadores subsequentes não retomaram os Jogos, mantendo a referida lei.

Com isso, as Olimpíadas e a própria Olímpia ficaram esquecidas no tempo, as quais foram vivenciadas em 293 edições de Jogos ao longo da história da Grécia Antiga.

Mas, graças à descoberta arqueológica de Olímpia, no final do Século XIX e a proposta de retomada das Olimpíadas pelo professor francês Pierre de Freddy (Barão de Coubertin), os Jogos Olímpicos passaram a fazer parte do mundo esportivo moderno, não sendo mais restrito à Grécia, mas a outras cidades mundiais, bem como evoluiu em termos de modalidades esportivas, número de atletas (masculinos e femininos), premiação, associações comerciais, tecnologias modernas, marketing, entre outras inovações.

Fontes de Pesquisa


. CARDOSO, Maurício. Os Arquivos das Olimpíadas. 2000, São Paulo, Editora Panda Books

. Olímpia e os Jogos Olímpicos

. Olimpíadas: Uma Disputa Milenar

. Wikipedia (várias edições)

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