domingo, 19 de março de 2017

Surto da Febre Amarela


Imagem capturada na Internet

Texto atualizado em 20/03/2017 às 7h50

Mais uma vez, a população brasileira se vê às voltas com um problema na área da saúde e, também, mais uma vez, o seu vetor é um mosquito. Estou me referindo ao surto de febre amarela silvestre que o país está enfrentando, desde o final do ano passado (2016).

Na verdade, a doença é uma só, a febre amarela, doença infecciosa febril aguda, causada por um arbovírus (vírus transmitido por um inseto), com ocorrências nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países africanos.
 
O nome da doença - febre amarela - deriva do fato de que tanto a pele quanto os olhos do doente adquirem uma tonalidade amarelada, próprio da icterícia.

De acordo com alguns especialistas, a distinção entre febre amarela silvestre e febre amarela urbana é um equívoco, pois o vírus é o mesmo, assim como os sintomas e sua evolução clínica. As diferenças existentes têm a ver com sua área de ocorrência (florestas, áreas rurais ou urbanas), com o mosquito transmissor infectado (os gêneros são distintos) e a forma de contagio (hospedeiro do vírus).
 
No entanto, contrariando alguns especialistas, vou fazer uso dos termos silvestre e urbano na intenção de facilitar a compreensão geográfica.
 
A febre amarela “silvestre é transmitida pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e o Sabethes, que vivem nas matas (florestas) e em matas ciliares (vegetações nas margens dos rios). Eles não vivem em áreas urbanas, sendo comum nas regiões Norte, Centro-Oeste e parte do estado de Maranhão. A reprodução do mosquito ocorre, somente, em buracos de árvores, onde os seus ovos são depositados, eclodindo em contato com as águas da chuva.
 
Mosquito dos gêneros Haemagogus e Sabethes
Imagem capturada na Internet
 
Em áreas urbanas (cidades), o vetor da febre amarela é o mesmo que transmite a Dengue, a Chicungunha e a Zica, ou seja, é o mosquito Aedes aegypti. Nos centros urbanos, a febre amarela foi erradicada desde o início da década de 40 (Século XX), daí a atual preocupação das autoridades da área de Saúde quanto à proliferação do vírus nas cidades, onde há uma maior incidência do mosquito Aedes aegypti, possibilitando o retorno da doença.
 
 
Mosquito Aedes aegypti
Imagem capturada na Internet
Fonte: FENABB
 
Os principais hospedeiros do vírus da febre amarela “silvestre” são os primatas (macacos), como os bugios, os micos (mico-leão e outros) e macacos-prego. O ciclo de transmissão do vírus tem início a partir do momento em que os mosquitos (gêneros Haemagogus e o Sabethes) picam macacos infectados, transmitindo o vírus, logo em seguida, a outro macaco ou ser humano.
 
 Bugio - Imagem capturada na Internet
 
Mico - Imagem capturada na Internet
 
Macaco Prego - Imagem capturada na Internet
 
De acordo com o Presidente da Sociedade Brasileira de Viriologia, o médico Maurício Lacerda Nogueira (Jornal O Globo, 20/01/2017/pag. 30),
 
“É um erro dizer que o macaco é o reservatório. Ele não é.
É o que chamamos de hospedeiro amplificador.
Ele não é o reservatório porque adoece e morre da doença,
como a gente”.
 
hospedeiro do vírus da febre amarela “urbana” é o homem e o ciclo de transmissão inicia quando este (infectado) é picado pelo mosquito (gêneros Aedes), que vai repassar o vírus a outro ser humano.
 
A febre amarela pode ser letal. A forma mais grave se dá por insuficiência hepática e renal, que podem levar ao óbito. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade pode variar de 15% a 45%.

Hoje, o risco da febre amarela silvestre e sua proliferação para as áreas urbanas no Brasil é eminente e preocupante, pois no período de 2000 a 2016, a média de mortes em consequência da febre amarela “silvestre”, no país, chegou a 48%, com registro de 346 casos confirmados e 166 óbitos.


O último Boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, abrangendo o período de dezembro de 2016 a 15 de março de 2017, já foram contabilizados - em relação ao surto da febre amarela - 259 óbitos notificados, sendo 112 em investigação e 137 confirmados. Deste total já diagnosticado (137), 111 mortes ocorreram no estado de Minas Gerais (Informe da Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde, Nº 32/2017 – disponível em PDF).
 
O primeiro estado brasileiro a apresentar febre amarela “silvestre” em humanos foi Minas Gerais, inclusive, este registra o maior número de casos e de óbitos. A doença se alastrou a outros estados brasileiros, como Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Tocantins, Rio Grande do Norte e, mais recentemente, em nosso estado, Rio de Janeiro. O que consiste em dizer que o Sudeste é, até o presente momento, a única região brasileira em que todos os estados (Minas Gerias, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo) apresentam casos suspeitos e/ou confirmados da febre amarela silvestre, com registros de óbitos em consequência da doença.
 
Tal situação é grave porque a doença está avançando para as áreas urbanas, inclusive, na direção Leste, na faixa litorânea, onde há maior concentração demográfica (população) e, como mencionei anteriormente, onde há uma incidência muito grande do mosquito Aedes aegypti.
 
E, para que isso possa ser evitado ou tenha efeitos menores, os especialistas destacam ações preventivas, como a vacinação, independente da área estar ou não estar incluída na área de recomendação. É preciso ampliar o programa de vacinação para todo o território nacional.
 
A confirmação de novos casos em áreas, até então, não consideradas de risco, mostra a vulnerabilidade e a suscetibilidade que o país se encontra diante ao surto da febre amarela. Condições favoráveis não faltaram e não faltam. Mas, houve falhas e atraso na ampliação do programa de vacinação, o que poderia ter evitado o surto e até o número de mortes.
 
Trata-se de mais uma tragédia anunciada mediante o número elevado de pessoas não vacinadas no país, o seu principal vetor ser um mosquito e, com ele, o rápido avanço do surto da febre amarela nos estados. Além disso, não podemos esquecer que algumas espécies de primatas transmissores são comuns em áreas urbanas, como os micos e macacos-prego.
 
Os sintomas da febre amarela variam muito, de leves (confundindo-se a uma virose) a graves, que podem levar ao óbito.  
 
Os sintomas mais comuns da doença são: febre com calafrios, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares muito fortes, cansaço, vômito e diarreia, que surgem no período de incubação do vírus (em geral, de 3 a 6 dias após a picada do mosquito infectado).
 
Nos casos mais graves da doença, os sintomas evoluem e podem ocorrer icterícia progressiva, hemorragias, anúria (comprometimento dos rins), hepatite e coma hepático (problemas no fígado), no pulmão, problemas cardíacos (miocardite), convulsões e delírios.

A vacina desenvolvida pelo Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é eficaz à imunização contra a febre amarela e, até 2014, acreditava-se que era preciso tomar uma dose da vacina de dez a dez anos, em um total de duas doses. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou que uma única dose – a partir dos cinco anos de idade – é suficiente para assegurar a imunização das pessoas à doença. Mas, apesar dessa orientação, o Ministério da Saúde mantém o programa com duas doses da vacina contra a febre amarela no calendário nacional, como medida de proteção.

O combate aos criadores do mosquito transmissor e as campanhas de vacinação são estratégias eficazes e preventivas.
 
Clique na Imagem para AMPLIAR
Imagem capturada na Internet
 
 Fontes de Consulta
 
. Febre AmarelaDr. Dráuzio Varella
 
. Febre amarela urbana e silvestre: qual a diferença?
 
. Febre amarela: sintomas, transmissão e prevenção Bio-Manguinhos/FIOCRUZ
. MARTINS & CASTIÑEIRAS. Febre amarela: áreas de risco no Brasil
. Perguntas e RepostasPortal da Saúde
 
. PIVETTA, Marcos.  A ameaça da febre amarela

2 comentários:

Gabriel Gamer disse...

Nossa. . . não sabia q o macaco também passava o virus, :/ tomara q n mate mais ninguem depois da vacina




-Gabriel Leal, Turma:1701

Caio Augusto Santos Siqueira disse...

Mais professora é só o macaco e o ser humano que tramitem essa doença ????

Caio Augusto Santos Siqueira Turma: 1901 N°8