domingo, 21 de janeiro de 2018

Febre Amarela: Novo ou Efeito Sazonal do Surto de 2017?

 Imagem capturada na Internet
Fonte: Doenças



Atualmente o Brasil enfrenta epidemia decorrente do
ciclo de transmissão silvestre de febre amarela.
No entanto, temos de estar vigilantes sobre o potencial
de disseminação do vírus por espécies urbanas de mosquitos.
(Ricardo Lourenço de Oliveira,
chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores
de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz))

Essa não vai ser a primeira vez que publico algo sobre a febre amarela silvestre, tendo em vista que no ano passado – em razão do surto do 1° Semestre de 2017 (iniciado em dezembro de 2016) - eu usei o espaço para tratar do assunto.

Embora, o Ministério da Saúde tinha anunciado o fim do surto da doença no país, em setembro do ano passado, alguns especialistas afirmam que o que está acontecendo agora não é um novo surto e, sim, a continuidade do mesmo, tendo em vista que o seu ápice se dá sempre no verão (sazonalidade da doença). 

Em 2017, por duas vezes, eu não pude ser vacinada, pois me encontrava super gripada, sendo desaconselhada a sua aplicação devido as minhas condições de saúde (baixa imunidade). Só consegui ser vacinada no dia 26 de dezembro de 2017, no Posto de Saúde, próximo a minha residência.

No entanto, agora, com as últimas notícias acerca da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) em incluir todo o estado de São Paulo na categoria de área de risco de febre amarela, o temor entre as pessoas aumentou muito em busca de vacinação, não só no referido estado, como em outras cidades espalhadas por outros estados brasileiros, como o Rio de Janeiro e Minas Gerais, por exemplo.

De acordo com a OMS, a medida tomada em relação ao estado de São Paulo é de cunho preventivo mediante o aumento dos casos de febre amarela em vários municípios do estado (listados anteriormente pelo Ministério da Saúde) e pelo fato de não haver condições de prever os deslocamentos internos das pessoas (viajantes ou os próprios habitantes) entre as áreas eminentes de risco. Daí ser mais uma medida de cautela.

Eu tenho acompanhado os noticiários tanto impresso, televisivo e on line, pois considero importante mantermos informados, ainda mais sobre uma doença transmitida por mosquito, que consiste em um vetor muito comum em áreas tropicais e equatoriais, o que reforça a nossa preocupação e justifica a das Entidades de Saúde.

Embora já tenha mencionado em outra postagem acerca da mesma, publicada neste espaço, em 19/03/2017, não custa nada mencionarmos mais uma vez, as várias razões, quer sejam:

- Os riscos dos viajantes e moradores ao se deslocarem entre diferentes municípios diante do nível elevado da atividade do vírus da febre amarela em algumas cidades do estado de São Paulo;

- Além de São Paulo, os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, assim como o Distrito Federal têm registro da doença e de óbitos associados à doença;
- Nem todas as pessoas podem ser vacinadas contra a febre amarela. É preciso ter atenção sobre isso, pois a melhor medida de prevenção é a vacina, mas nem todos podem ser vacinados;

- O governo adotou a vacinação fracionada pela urgência que se faz necessária em termos de prevenção e objetivando atingir o maior número de pessoas;

- Os riscos eminentes da febre amarela silvestre ser convertida em febre amarela urbana, o que agravaria muito a situação da população. Além do quantitativo humano a ser afetado ser maior, não podemos esquecer as implicações quanto à proliferação do vírus, tendo em vista a grande incidência do mosquito Aedes aegypti, que é o vetor urbano da febre amarela. Essa situação tende a possibilitar o retorno da doença à cidade, erradicada desde o início da década de 40 (Século XX);

- O surto se restringe à febre amarela silvestre, daí - geograficamente - a sua ameaça fica limitada às áreas rurais, com matas ou florestas. Já na cidade, no caso dela se proliferar sob a modalidade de “febre amarela urbana”, a situação – sobretudo – das pessoas que se encontram em situação de não poderem ser vacinadas se agrava consideravelmente. E, até mesmo, para aquelas que constam em condições de serem vacinadas, mas que -  por algum motivo qualquer – ainda não tomaram a vacina.

Antigamente, a febre amarela era mais ocorrente na região Norte (principal área endêmica da doença). Quando eu morei no Tocantins era comum os ônibus interestaduais serem parados nas estradas e os passageiros descerem para serem vacinados pelos Agentes de Saúde em "postos" pontuais (não fixos) nas rodovias. Não era obrigatório, mas sabendo que iríamos para uma região com grande incidência da doença e do vetor, transmissor do vírus, a maioria dos passageiros aceitava e descia do ônibus para a aplicação da vacina.
No entanto, desde 2016, a doença vem se expandindo para as demais regiões do país, sobretudo, o Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo), onde desde o ano passado, concentrou a maioria dos casos de febre amarela. 
Vale ressaltar, novamente, que se trata da febre amarela silvestre, cuja ocorrência se dá em áreas rurais, com matas ou florestas. Por isso, os registros de casos em macacos e em humanos, também. Os macacos são os principais hospedeiros do vírus, mas  não reservatórios da doença. Quem transmite o vírus é o mosquito e os vírus ficam vivos neles por um período de tempo muito curto, segundo a informações coletadas no site da Fiocruz.

A única forma de transmissão da febre amarela silvestre ou na versão urbana é pela picada de mosquitos infectados.
 
 
“É um erro dizer que o macaco é o reservatório. Ele não é.
É o que chamamos de hospedeiro amplificador.
Ele não é o reservatório
porque adoece e morre da doença, como a gente”.
Dr. Maurício Lacerda Nogueira
(Presidente da Sociedade Brasileira de Viriologia
Jornal O Globo, 20/01/2017/pag. 30)
FEBRE AMARELA: A DOENÇA

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um arbovírus (vírus transmitido por um inseto), com ocorrências nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países africanos.
A febre amarela pode ser letal. A forma mais grave se dá por insuficiência hepática e renal, que podem levar ao óbito.
Os sintomas da febre amarela são similares aos de um resfriado, a pessoa pode sentir dor de cabeça, febre, perda de apetite, calafrios, náuseas, vômito, dores musculares, três dias após a picada do mosquito. Além desses sintomas ocorre a icterícia, comprovada pela pele e olhos amarelados.
 Imagem capturada na Internet

A origem de seu nome “febre amarela deriva justamente deste fato da pele e os olhos do doente adquirirem a tonalidade amarelada (própria da icterícia).
  
Imagem capturada na Internet
Fonte: Difusora


FEBRE AMARELA SILVESTRE e URBANA
Segundo especialistas da área de Saúde, o vírus, assim como os sintomas e sua evolução clínica são os mesmos tanto em termos da febre amarela “silvestre quanto em termos da febre amarela “urbana. A doença é uma só, mas o que as difere são:

- A área geográfica de ocorrência (áreas rurais com matas x áreas urbanas);

- O vetor, o mosquito transmissor infectado (os gêneros são distintos em ambas versões: silvestre e urbana);

- O hospedeiro do vírus.
A febre amarela “silvestre é transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e o Sabethes, que vivem nas matas (florestas) e em matas ciliares (vegetações nas margens dos rios). Eles não vivem em áreas urbanas. A reprodução do mosquito ocorre, somente, em buracos de árvores, onde os seus ovos são depositados, eclodindo em contato com as águas da chuva.
Principais vetores da febre amarela silvestre
Foto: Genílton Vieira (Instituto Oswaldo Cruz)


 Em áreas urbanas, o vetor da febre amarela é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a Dengue, a Chicungunha e a Zica.
Mosquito Aedes aegypti
Fonte: FENABB
Os principais hospedeiros do vírus da febre amarela “silvestre” são os primatas (macacos), como os bugios, os micos (mico-leão e outros) e macacos-prego. A febre amarela silvestre só ocorre em humanos ocasionalmente, quando estes se locomovem ou habitam em áreas de matas ou próximas a essas.

O macaco além de atuar como principal hospedeiro e, ao mesmo tempo, vítima da febre amarela silvestre, ele age como também sentinela, sinalizando que o vírus está em atividade na região.
O ciclo de transmissão do vírus tem início a partir do momento em que os mosquitos (gêneros Haemagogus e o Sabethes) picam macacos infectados, transmitindo o vírus, logo em seguida, a outro macaco ou ser humano.

O Centro de Informação em Saúde Silvestre (Ciss/Fiocruz) orienta que as pessoas, ao encontrarem um macaco com comportamento estranho ou morto, deve comunicar o fato à Secretaria Municipal de Saúde de seu município.

No caso específico da cidade do Rio de Janeiro, as pessoas podem informar pelo telefone 1746.

Recomenda-se também notificar por meio do aplicativo Siss-Geo, o qual possibilita indicar a localização exata do animal encontrado, pois este utiliza o sistema de GPS do celular, além de permitir enviar fotos.
 
principal hospedeiro do vírus da febre amarela “urbana” é o homem. E o ciclo de transmissão inicia quando este (infectado) é picado pelo mosquito (gênero Aedes), que vai repassar o vírus a outro ser humano.
Imagem capturada na Internet

 
OS NÚMEROS DA DOENÇA

De acordo com os Boletins divulgados pelo Ministério da Saúde e publicados na Agência Fiocruz de Notícias, a situação da doença e óbitos no país ocorreu da seguinte forma:
- Período entre dezembro de 2016 a junho de 2017: 777 casos de febre amarela diagnosticados e 261 óbitos, representando - até então - a maior transmissão da doença das últimas décadas no país. A Região Sudeste concentrou a grande maioria dos casos confirmados (764), seguida pelas regiões Norte (10) e Centro-Oeste (03). Nenhum caso da doença ou morte em consequência desta foi confirmada nas regiões Sul e Nordeste.
- Período entre julho de 2017 a 14 de janeiro de 2018: 35 casos de febre amarela confirmados e 20 óbitos. No total foram notificados 470 casos suspeitos, sendo que 290 foram descartados e 145 se encontram sob investigação.
No Rio de Janeiro, segundo boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde, divulgado na 6ª feira passada (19/01), só este ano (2018), cinco mortes foram confirmadas da doença no estado. Todas as pessoas contraíram o vírus da febre amarela silvestre e as mortes foram registradas nos municípios de Valença, Teresópolis e Miguel Pereira.
Atualização dos Casos de Febre Amarela
(Ministério da Saúde - Janeiro de 2018)
Disponível em Pdf

Percebe-se por esses dados e por diversas opiniões de especialistas em Infectologia, que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e sua atribuição como área de risco à febre amarela ao estado de São Paulo, demanda direta e/ou indiretamente a urgência de iniciativas quanto ao aumento na produção de vacinas, às formas de vigilância e de diagnóstico, além de um amplo preparo dos profissionais da área de Saúde.
Medidas estas que não devem ficar restritas somente ao referido estado, mas serem expandido a todo território nacional, a fim de se evitar a versão da febre amarela urbana e, também, prevenir aquelas que ainda não tiveram nenhum registro da doença.

Fontes de Pesquisa


. AgênciaFiocruz de Notícias (vários artigos)


. Febre amarela: sintomas, transmissão e prevenção Bio-Manguinhos/FIOCRUZ
. MARTINS & CASTIÑEIRAS. Febre amarela: áreas de risco no Brasil
. Perguntas e RepostasRevista Veja


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