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domingo, 29 de maio de 2016

Antropoceno na Escala Internacional do Tempo Geológico (Parte II)


Imagem capturada na Internet


O termo Antropoceno não é recente, tendo sido apresentado por Crutzen & Stoemer, em uma publicação do Programa Internacional da Geosfera-Biosfera, em 2000. No entanto, sua maior divulgação e notoriedade ocorreram após a publicação de um artigo do primeiro autor na Revista Nature, em 2002, intitulado “Geologia da Humanidade” (Crutzen, 2002 apud Filho et al, 2013).

 

Paul Crutzen foi o vencedor do Prêmio Nobel de Química de 1995, com a descoberta do mecanismo da destruição da camada de ozônio, e foi um dos cientistas que mais popularizou e difundiu o conceito de "Antropoceno".
 
De acordo com o mesmo, o termo Antropoceno se encontra mais adequado às efetivas alterações do homem na dinâmica da Terra, que aumentaram de forma acelerada em razão da evolução das ciências e das tecnologias modernas.
 
Para ele e muitos outros cientistas, a paisagem física já traz cicatrizes e marcas diretas e/ou indiretamente das ações antrópicas (feitas pelo homem), que fica difícil afirmar que haja, ainda, o chamado “espaço natural”.
 
Basta lembrarmos do fenômeno Aquecimento Global, mencionando na postagem anterior, o qual – além de ser um fenômeno cíclico, natural – tendo em vista que estamos atravessando uma fase interglacial, de temperaturas mais elevadas, a poluição com a emissão de gases de efeito estufa agravou e alterou a média da temperatura da Terra em escala global, atingindo tanto as áreas ecúmenas (de fácil fixação do homem) quanto às áreas anecúmenas (de difícil acesso e fixação do homem).
 
Isso significa dizer que não existe nenhum espaço ou paisagem na superfície terrestre de caráter exclusivamente natural, pois este ou esta já sofreu, direta e/ou indiretamente, os impactos das ações antrópicas.
 
Vários exemplos podem ser citados, como o degelo das zonas polares, do Monte Kilimanjaro, ponto culminante do continente africano, a concentração de gás carbônico na atmosfera, de metano e de dióxido de carbono retidos no gelo polar e etc.
 
Todas as intervenções antrópicas na superfície terrestre, independente do grau de seu impacto, implicam em uma maior ou menor ruptura ou alteração das funções ecológicas (funcionamento) dos ecossistemas. Sendo, com isso, capazes de interferir na estabilidade dos mesmos.
 
Existe, ainda, certa divergência na literatura especializada acerca do marco inicial da época Antropocênica. Alguns autores o consideram a partir da prática da agricultura extensiva, enquanto outros o assinalam com a I Revolução Industrial, ocorrida na segunda metade do Século XVIII, na Inglaterra.
 
No entanto, o maior consenso quanto ao seu início direciona-se à expansão industrial, ocorrida com e após a I Revolução Industrial, ou seja, a partir da segunda metade do século XVIII até hoje.
 
Crutzen & Steffen (2003, apud Filho et al, 2013), contudo, consideram o seu início bem antes da I Revolução Industrial, assinalando e dividindo o Antropoceno em quatro fases globais, a saber:
 
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Mas, enfatizam a aceleração das atividades antrópicas sobre o meio ambiente na Segunda Fase, que se estende da segunda metade do Século XVIII (1784) a meados do Século XX (1950), ou seja, início das atividades industriais, com a I Revolução Industrial, a Revolução Agrícola, a organização do espaço geográfico (êxodo rural, urbanização, destruição das florestas, poluição etc.), o desenvolvimento do transporte ferroviário e de embarcações movidas a vapor e tantas outras inovações tecnológicas ocorridas a partir desta fase.
 
A Terceira Fase sobrevém a partir dos efeitos do homem sobre a economia (modelo de desenvolvimento capitalista, exploratório e irracional) e culturais (sob a concepção de uma relação humana dissociada da natureza e do poder de domínio do homem sobre a mesma) com as consequências das atividades antrópicas, ao longo do tempo, sobre o meio ambiente, as quais já estamos sentindo.
 
A Quarta Fase, como se pode observar na tabela, constitui o período atual e sua projeção para o futuro, na qual os autores assinalam a importância da conservação e uso racional dos recursos ainda existentes, assim como o desenvolvimento e uso de tecnologias alternativas, limpas. Fase esta, que deve pautar em uma gestão ambiental responsável pelo Sistema Terra, segundo seus autores.
 
Os cientistas estão convictos que, no futuro, os materiais sedimentares apresentarão registros desses impactos a partir de resíduos deixados em seus depósitos. Em outras palavras, “os depósitos sedimentares exibirão a marca das atuais intervenções no meio ambiente, arqueólogos encontrarão restos de nossos animais domésticos, da mesma forma que resquícios de plantas cultivadas e partículas de plástico” (Terra).
 

Fontes de Pesquisa

. ALVES, José Eustáquio Diniz. Holoceno e Antropoceno. Disponível em:
EcoDebate: Cidadania & Meio Ambiente 

. FILHO, Luiz Saavedra et all. O Antropoceno da Baía de Guanabara: Características Sedimentares, Elementos-Traço e Razões Isotópicas de Chumbo em Testemunhos - Interações Homem-Meio nas Zonas Costeiras: Brasil/Portugal, Rio de Janeiro: Corbã, 2013, 15-40.

 
. Material Didático particular

Antropoceno na Escala Internacional do Tempo Geológico (Parte I)

 

 Escala do Tempo Geológico - Imagem capturada na Internet
 
 
Embora o termo Antropoceno não seja tão recente, datada desde 2000, percebe-se uma clara confusão acerca da sua contextualização no âmbito da Escala Internacional do Tempo Geológico. Alguns o chamam de nova Era geológica, outros de períodos ou de época geológica. A confusão é grande e merece esclarecimentos acerca das suas particularidades no contexto do Tempo Geológico da Terra.
 
É preciso, antes de mais nada, entender como o Tempo Geológico da Terra é dividido e, onde o Antropoceno se enquadraria nas subdivisões deste a partir dos seus diversos registros geológicos.
 
A história geológica da Terra teve início há aproximadamente 4,5 bilhões de anos e para relacionar os acontecimentos de sua evolução, a partir dos diversos registros geológicos e paleontológicos obtidos em pesquisas científicas, os cientistas elaboraram a Escala Internacional do Tempo Geológico.
 
A partir disso foi possível dividir o tempo geológico da Terra em Eras (unidades de tempo maiores), que são subdivididas em períodos. Os períodos, por sua vez, se dividem em épocas e outras subdivisões.
 
De forma mais simplificada e em ordem cronológica, da mais antiga a mais recente, o tempo geológico da Terra é dividido em 5 (cinco) Eras Geológicas, as quais são: Azoica, Pré-Cambriana, Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica. 
 
. Era Azoica: palavra de origem grega, que significa “sem vida”. É a mais antiga das eras geológicas, quando se deu a formação da Terra.
 
. Era Pré-Cambriana: registros das primeiras formas de vida (vestígios de bactérias, fungos, algas e crustáceos), assim como das rochas cristalinas e metamórficas (concentração de metais metálicos).
     Períodos (2): Arqueano (ou Arqueozoico) e Algonquiano (ou Proterozoico).
 
. Era Paleozoica: é caracterizada pela presença de vida na água, com o surgimento de peixes, entre outras espécies. Formação de rochas sedimentares antigas e de depósitos de carvão mineral. No final de sua Era surgiram os primeiros anfíbios e répteis. Há evidências de ocorrência de grandes florestas.
     Períodos (6): Cambriano, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano, Carbonífero e Permiano.
 
. Era Mesozoica: é marcada pela ocorrência de grandes répteis, como os dinossauros, que dominaram a Terra no período Jurássico e pela formação dos depósitos de petróleo. A vegetação na superfície terrestre, também, se desenvolveu bastante. No final desta Era, mais especificamente no período Cretáceo, os dinossauros foram extintos.
     Períodos (3): Triássico, Jurássico e Cretáceo.
 
. Era Cenozoica: significa vida moderna ou recente e tem uma grande importância para nós e para o estudo geográfico (Era do Gelo e do Homem).
Registros da ocorrência de grandes mamíferos, dos primatas, dos ascentrais do homem moderno e, posteriormente, do surgimento do homem moderno. Formação dos grandes dobramentos modernos (montanhas, cordilheiras) e das rochas sedimentares recentes. Havendo, ainda, registro de quatro grandes fases glaciais.
     Períodos (2): Terciário e Quaternário
 
Período Quaternário 
O período Quaternário da Era Cenozoica é que merece maior atenção, pois corresponde ao período do surgimento do homem e da ocorrência de quatro fases glaciais (temperaturas baixas), denominadas de Günz, Mindel, Riss e Würm, as quais foram intercaladas com fases de temperaturas mais elevadas (fases interglaciais/Aquecimento).
 
Em razão desses episódios glaciais e interglaciais, o Quaternário é caracterizado por fortes mudanças climáticas e por suas influências na dinâmica ambiental em escala global (regressão e transgressão marinha, abundância ou recessão de alimentos, da cobertura vegetal, entre outros aspectos).
 
O período Quaternário é subdividido em duas épocas distintas: Pleistoceno (entre 2 milhões de anos a cerca de 10.000 anos Antes do Presente) e o Holoceno (de aproximadamente 10.000 anos AP até os nossos dias).
 
O Holoceno teve início após o fim da última glaciação (Würm), a qual assinalou a transição do Pleistoceno para essa época (holocênica). Além de ser caracterizado por um período interglacial, de temperaturas mais elevadas, o Holoceno vai registrar a própria evolução da humanidade, desde os homens primitivos até hoje.
 
E, onde se enquadra este novo termo, o Antropoceno,
mencionado no início desta postagem?
Ele se enquadra, justamente, como uma época subsequente ao Holoceno, no âmbito do Período Quaternário da Era Cenozoica. Diferentemente das características do Holoceno, o Antropoceno se distingui pela evolução das ciências, das tecnologias e, consequentemente, das intervenções mais efetivas do homem sobre o meio físico (forte impacto na dinâmica de funcionamento da natureza e, também, na esfera social e econômica).
 
Por isso, o Antropoceno se enquadra como mais uma época do período Quaternário da Era Cenozoica.
 
Seguindo o mesmo sufixo empregado às épocas iniciais do Quaternário (Pleistoceno e Holoceno), o termo Antropoceno apresenta a combinação da palavra, de origem grega, “anthropo” (de antrópico, humano) com o “ceno”, que significa "novo".
 
 
Fontes de Pesquisa
 
. Material didático particular;
 
. Wikipédia.