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sábado, 5 de março de 2011

Líbia: A Crise no Mundo Árabe Continua

Muammar al-Gaddafi

Ditador Muammar Kadafi
Imagem capturada na Internet (Fonte: Wikipedia)



Apesar de a violência ser algo abominável, a crise no mundo árabe (países de língua e política árabe) parece ser algo inevitável.

Um embate entre duas posições totalmente contraditórias, no qual o processo histórico e repressivo instituído faz pressão, se sobrepondo às tentativas de uma maior abertura política e de liberdade exaltadas por gerações mais novas e outras não tão novas assim, mas descontentes.

É um caminho sem volta para muitos países da África do Norte e do Oriente Médio, os quais sob o efeito dominó, iniciado pela Tunísia e seguido pelo Egito, vem demonstrando para o mundo, a força e a insatisfação do povo subjugado a regimes repressivos e autoritários de seus governantes, que estão no poder há décadas. É o movimento chamado "Primavera Árabe".

Os protestos e as manifestações populares se espalham e ganham mais adeptos. E tal como se caracteriza a sociedade moderna, a chamada sociedade do conhecimento, a tecnologia foi lizada como principal ferramenta ou recurso de mobilização popular, sobretudo, no Egito.

Tanto a queda do presidente da Tunísia, Zine Al-Abidine Ben Ali, ocorrida em 14 de janeiro deste ano, quanto a renúncia do presidente egípcio, Muhammad Hosni Sayyid Mubarak (82 anos) no dia 11 de fevereiro, encerrou – nos respectivos países - décadas de poder de governos autoritários.

O presidente da Tunísia estava no poder desde 1987, ou seja, cerca de 24 anos, enquanto Hosni Mubarak, que assumiu o governo em 1981, oito dias após o assassinato do então presidente do Egito, Anwar Sadat, em 1981, por militantes islâmicos, iria completar 30 anos de governo em outubro deste ano.

Apesar de manifestações populares sob os mesmos argumentos (contrários ao regime autoritário e luta por uma abertura política) já terem iniciado em outros países, como por exemplo, Marrocos, Irã, Argélia e Bahrein, nenhum destes está tendo tanto destaque quanto ao confronto entre o ditador Muammar Kadafi, no poder há cerca de 42 anos (desde 1969) e a população da Líbia (Grande República Socialista Popular Árabe da Líbia), localizada também ao Norte da África.

Kadafi já declarou diversas vezes, desde o início das manifestações populares no dia 14 de fevereiro, que não vai deixar impune os líderes de oposição, bem como vai defender seu regime e reprimir com armas todos os manifestantes antigoverno, os quais denomina de "ratos e drogados".

Muammar Kadafi afirma ser mais do que um presidente, mas sim, um líder revolucionário. E é, com este argumento, que ele se apoia para justificar que não pode renunciar.

A posição firme de Kadafi está apoiada, sobretudo, em seu aparato de segurança, o qual reunindo as Forças Armadas, a polícia, o serviço de segurança e o serviço secreto contabilizam, segundo fontes de pesquisa, aproximadamente 140 mil pessoas (a população da Líbia é de cerca de 6,3 milhões habitantes).

Contudo, a perda do controle da cidade de Bengasi (segunda maior cidade do país) e da região de Cirenaica, localizada no nordeste do país, já demonstrou que esta base não é tão segura assim. Muitos militares estão se posicionando contrários à política repressiva de Kadafi aos manifestantes.

Ao que se sabe (depoimentos de jornalistas e moradores), outras cidades, como Minsratah e Zawiya, localizadas mais próximas à capital (Trípoli), já estariam também sob controle dos rebeldes.

As cidades de Tobruk e Derna também já foram tomadas pelos oposicionistas ao governo de Kadafi.

O comando destas cidades está na mão dos chamados "conselhos populares".

De acordo com alguns analistas, os militares que recusaram a cumprir às ordens ou se uniram aos rebeldes (manifestantes) fazem parte de unidades militares do exército marginalizadas e precariamente armadas.

As melhores unidades, no entanto, permanecem leais ao governo, inclusive, a Brigada 32 – do setor da aviação – liderada pelo quinto filho do ditador líbio (Khamis Al-Kadafi).

Os rebeldes fazem uso de lançadores de granadas e fuzis Kalashnikov, enquanto as forças de segurança da Líbia utilizam equipamentos pesados, como tanques e a maioria dos dispositivos aéreos.

Na 3ª feira passada (01/03), a Organização das Nações Unidas (ONU) suspendeu a posição da Líbia no Conselho de Direitos Humanos da Entidade, no qual ingressou no ano passado (2010), em razão da repressão violenta aos protestos antigoverno no país. Segundo a ONU, mais de 1.000 pessoas já morreram em consequência dos conflitos.

O impasse parece não ter fim. Não só na Líbia...

A crise que se espalha no Norte da África e no Oriente Médio é fato, não há o quê contestar! Os motivos são vários e justificáveis, independentes da posição de análise dos argumentos.

Nesta conjuntura podemos afirmar que os resultados dos embates entre o governo x populares são previsíveis e, infelizmente, nada pacíficos. Ao mesmo tempo, podemos afirmar que, nesta conjuntura, nenhum líder árabe está se sentido seguro.

Incerto é o futuro destas nações em termos de início de um processo democrático. Sabemos que as intenções são estas, mas o processo é por demais lento e cheio de entraves.


Fontes de Consulta

. G1.com - Revolta Árabe

. Jornal O Globo (diversas edições)

. Último Segundo

sábado, 3 de abril de 2010

Conflito Rússia x Chechênia: Ataques Suicidas no Metrô de Moscou




Imagem capturada na Internet (Folha On Line) e reproduzida no Adobe Photoshop
 
Outro assunto pertinente aos tópicos abordados neste início de ano letivo, sobretudo, no 9° ano, diz respeito ao fato recente ocorrido na 2ª feira passada (29/03) em Moscou (Rússia), onde dois ataques suicidas foram cometidos, pela manhã, em duas estações do metrô.
 
A temática... Movimentos separatistas, isto é, povos reivindicando a emancipação da região onde vivem. Neste caso em questão, eles almejam o reconhecimento do seu país, do seu território. Infelizmente, os conflitos gerados pelo impasse entre ambas as parte se dá de forma armada, sob ações terroristas ou de guerrilhas.
 
No episódio recente, o cenário foi o território russo, os protagonistas eram e são de origem chechena (Chechênia, região do Cáucaso, ainda não reconhecida - internacionalmente - como República) e os atores coadjuvantes, infelizmente, as pessoas afetadas, civis – inocentes – que circulavam nos trens do metrô da capital da Rússia.
 
Conflito antigo entre a Rússia e a região da Chechênia...
 
Os ataques foram provocados por duas mulheres-bombas, cada qual em uma estação do metrô, com intervalo de tempo entre a primeira e a segunda explosão em cerca de 40 minutos.
 
Segundo fontes de pesquisa, os artefatos usados pelas duas mulheres tinham alto poder de destruição. As bombas, a base de hexogênio (RDX), também foram recheadas com pedaços de metal com o propósito de intensificar o seu efeito destrutivo.
 
A primeira mulher-bomba detonou os explosivos, às 07:56h (hora local), na estação de Lubyanka, que fica próximo aos escritórios do Serviço Federal de Segurança (FSB). De acordo com o que foi publicado nas mídias, a força de destruição dos artefatos utilizados, neste primeiro ataque, foi equivalente a até 4 Kg de TNT. No exato momento, vinte e quatro pessoas morreram em consequência da explosão.
 
O segundo ataque suicida ocorreu na estação de Park Kultury e os artefatos tinham a potência equivalente a 1,5 a 2 Kg de TNT. Nesta segunda explosão, morreram 14 pessoas.
 
Em ambas as ocorrências, as mulheres-bombas detonaram os artefatos, que estavam junto aos seus corpos, quando os trens chegaram nas estações e as suas respectivas portas abriram para o embarque e desembarque das pessoas.
 
O número de mortos em consequência destes ataques suicidas aumentou (39) e deve aumentar em virtude do número de vítimas em estado grave (72 feridos continuam hospitalizados, sendo 5 em estado grave).
 
Segundo os serviços de segurança do metrô, as mulheres-bombas não estavam sozinhas. Cada uma delas teve a companhia de uma outra mulher até chegarem às respectivas estações do metrô (estações de Lubyanka e de Park Kultury). Há, ainda, a suspeita de uma terceira pessoa envolvida junto que estas mulheres. Este seria um homem, de idade presumível de 30 anos, cuja presença e suposto envolvimento foi registrado pelas câmeras de segurança.
 
Tanto o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, quanto o Primeiro-Ministro (e ex-presidente russo), Vladimir Putin, declararam “guerra” ao terrorismo, ou seja, aos responsáveis pelos ataques terroristas.
 
Apesar das suspeitas, inicialmente, terem caído sobre os rebeldes chechenos, nenhum grupo terrorista – até então - havia assumido a responsabilidade pelos referidos ataques.
 
Contudo, no último dia 31 de março (4ª feira), um vídeo foi divulgado em um site islâmico (não-oficial), no qual o líder rebelde checheno Doku Umarov, que se autodenomina "Emir dos Emirados do Cáucaso", assume a responsabilidade quanto aos ataques suicidas no metrô de Moscou.


Imagem capturada na Internet (UOL Notícias)
 

Localização da Chechênia - Imagem capturada na Internet
Além de assumir os ataques, Doku Umarov os justifica como forma de vingança ao massacre de habitantes chechenos e inguches cometido pelas forças russas. Em sua mensagem, ele ainda alerta que os atentados vão prosseguir.
 
A notícia só foi divulgada após averiguação da autenticidade do vídeo, que foi feita e confirmada pelo Centro Americano de Vigilância de Páginas Islâmicas (Site).
 
As autoridades russas asseguraram que entre os rebeldes há pessoas ligadas ao grupo terrorista islâmico Al Qaeda.
 
Nos dias 31 de março e 01 de abril, outros ataques terroristas marcaram o país. Ambos ocorreram no Daguestão, república autônoma russa localizada, também, no Norte do Cáucaso e que faz fronteira com a Chechênia e com Azerbaijão.
 
Na 4ª feira (31/03), o ataque foi na cidade de Kizlyar, onde um homem-bomba detonou os artefatos, matando - pelo menos - 12 pessoas. No dia seguinte, duas pessoas morreram em consequência da explosão do carro, onde elas estavam. Até o momento, tudo leva a crer que a detonação foi espontânea, ou seja, acidental. Uma terceira pessoa se encontra hospitalizada em estado grave.
 
O líder rebelde checheno Doku Umarov, contudo, não assumiu a responsabilidade quanto a estes últimos ataques, no Daguestão.
 
Na próxima postagem, aprofundarei o tópico sobre a Chechênia, região de conflito entre os russos e os chechenos, desde os anos 90 (Século XX), cujas dimensões perpassam às esferas política, econômica, geográfica e religiosa.
 
Inclusive, neste contexto, uma das cenas que mais me marcou foi o ataque dos separatistas chechenos a uma escola primária de Beslan (Odisséia do Norte), em setembro de 2004. As imagens chocaram o mundo. A ação terrorista matou 339 pessoas, sendo a maioria crianças. Foram cenas de grande terror. Horrível!


Mulheres suspeitas dos ataques suicidas no metrô de Moscou
Imagem capturada na Internet (Folha OnLine)




Fontes: