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domingo, 10 de outubro de 2010

França: Conselho Constituicional aprova lei que proíbe o véu islâmico

Imagem capturada na Internet (Fonte: Notícias UOL)

No último dia 07 (5ª feira), o Conselho Constitucional da França aprovou a lei que proíbe o uso de véus islâmicos integrais ou parciais, pelas mulheres muçulmanas, em lugares públicos do país.

A referida lei já havia sido aprovada no Parlamento francês. Com a aprovação desta lei, a França passa a ser o primeiro país da Europa a proibir o uso do niqab e da burca aos imigrantes e descendentes destes. Outros países, no entanto, como a Bélgica, Espanha e Países Baixos (Holanda) também estão discutindo medidas proibitivas semelhantes.

Nas escolas francesas, o uso de véus, crucifixos, quipás (solidéu usado pelos judeus) e outros símbolos religiosos, já eram proibidos.

De acordo com o discurso antigo do presidente francês, Nicolas Sarkozy, a proibição do véu islâmico em lugares públicos não tem nada a ver com a questão religiosa. Este justifica a imposição, que mesmo sob grande polêmica acabou sendo aprovada e se tornando lei, que é uma questão de liberdade e de dignidade às mulheres mulçumanas.

Já que estas são obrigadas a usar tais vestimentas por conta da religião.

A multa para quem usar o niqba (vestimenta que deixa apenas os olhos à mostra) e/ou a burca (vestimenta em que os olhos são visíveis apenas através de uma tela/rede) em locais públicos é de € 150 (euros), o que equivale - mais ou menos - a R$ 348,00 e, ainda, poderá ser obrigada a participar de um curso de cidadania francesa.

Já a multa para quem obriga uma mulher a usar o véu é na ordem de € 30 mil (cerca de R$ 76 mil) 7, além de pegar um ano de prisão.

A lei também será aplicada às turistas e as mulheres que forem flagradas, desrespeitando a referida lei (turista ou residente), serão encaminhadas a uma delegacia para serem identificadas.

Os opositores à lei ameaçam levar o caso à Corte Europeia de Direitos Humanosem, em Estrasburgo (leste da França). Será o último recurso contra à vigência desta à partir do ano que vem.

O fato é bastante polêmico, pois o mesmo envolve vários aspectos ligados à realidade de muitos países europeus: imigração, pluralidade cultural, movimentos nacionalistas, xenofobia, falta de liberdade e até de cidadania, embora o discurso oficial da França, neste caso, se afirme seguidor dos princípios da democracia.

Por outro lado, muitos opositores afirmam que tal lei escamotea o propósito principal e estratégico do presidente Sarkozy, que é tentar conquistar mais votos da direita do país. Pode até ser, mas uma coisa é certa, a proibição tem amplo apoio da população francesa.

O Conselho Constitucional, por sua vez, afirmou que a lei "não deve restringir o exercício da liberdade religiosa em locais de culto abertos ao público".

Diferentes tipos de véus usados pelas mulheres muçulmanas:

um hidjab (topo esquerdo); um niqab (topo direito);

um xador (inferior esquerdo) e a burca (inferior direito).

Imagem capturada na Internet (Fonte: G1 Globo.com)


Fontes:

. Jornal O GLOBO (08/10/2010 - página 39);

. O Globo

sábado, 4 de setembro de 2010

França: Protesto contra à política xenófoba de Sarkozy

Imagem capturada na Internet (Fonte: Estadão)


Mais uma vez, a França e, em especial, o seu presidente Nicolas Sarkozy, são manchetes nos jornais e outros tipos de mídias.

Desta vez, o alvo principal tem a ver com as últimas medidas adotadas pelo referido presidente quanto aos ciganos romenos e búlgaros, que estão sendo repatriados sob a alegação de segurança pública e do cumprindo das normas da União Europeia quanto à repatriação de estrangeiros da própria Comunidade (UE), desempregados, ao fim de três meses de entrada no país.

Embora, cerca de 2/3 dos franceses apoiem a decisão de Sarkozy em repatriação dos ciganos, hoje, em diversas cidades do país, a milhares de pessoas se manisfestaram contrárias à política repressiva do presidente em relação aos ciganos.

As manifestações ocorreram em mais de 130 cidades francesas. Na capital (Paris), onde se registrou a maior concentração de pessoas, segundo DN Globo, o presidente Sarkozy foi comparado ao general Pétain, o presidente-fantoche tolerado por Hitler, na França ocupada de 1940.

Como o apoio de diversas ONGs (Organizações Não-Governamentais), os protestos contaram com a participação de estudantes, sindicalistas, ativistas de direitos humanos, dirigentes de associações representantivas das comunidades imigrantes e militantes de todos os partidos de esquerda, sobretudo do Partido Socialista, que é a principal força da oposição ao governo atual.

Foi a primeira vez que a população francesa expressou seu descontentamento quanto à política de repatriação dos ciganos, medida esta, já contestada pela Organização das Nações Unidads (ONU) e pelo Vaticano, entre outras entidades.

O presidente Sarkozy tem associado os ciganos à crescente onda de violência no país, alegando que seus acampamentos são fontes de prostituição e de exploração infantil.

Discurso xenófobo, tal como é apregoado em relação à maior parte dos imigrantes na Europa.

Além de ser acusado por preconceito contra a minoria estrangeira, Sarkozy tem sido alvo de críticas por buscar ganhos políticos com estas medidas.

Reportando-me à postagem do último dia 30 de agosto, as últimas medidas repressivas do presidente da França, contra os imigrantes, perpassam não só pelo apoio à proibição do uso de vários tipos de véus e a burca por mulheres muçulmanas em locais públicos, como também a retirada da nacionalidade dos estrangeiros, naturalizados, sob situação de condenação penal e, mais recentemente, a deportação dos ciganos romenos e búlgaros.

As duas primeiras medidas (do uso de burca em locais públicos e da perda da cidadania francesa de imigrantes naturalizados) são projetos de lei, os quais serão votados no Senado, neste mês.

Fontes:

. DN Globo

. Estadão



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Migração Internacional em Manchete (II)


Imagem capturada na Internet (Fonte: Plano Brasil)
 
 
A outra reportagem relacionada à migração (externa ou internacional) aconteceu no México. Contudo, diferentemente dos fatos que vêm se sucedendo na França, com os imigrantes mulçumanos, ciganos e outros, o fato ocorrido em território mexicano teve um desfecho bem mais trágico para 73 imigrantes latino-americanos (de diferentes nacionalidades, El Salvador, Honduras, Equador e Brasil), que almejavam entrar ilegalmente, nos EUA, através do estado do Texas.
 
No caminho destes, tal como já vem ocorrendo no país, um grupo de homens fortemente armados, integrantes do Cartel de drogas Los Zetas, os interceptou e os sequestrou, conduzindo-os para um rancho nos arredores de San Fernando, no estado de Tamaulipas (nordeste do México), a 180 Km da fronteira com o Texas.
 
Após oferecerem o pagamento quinzenal de US$ 1 mil para que os imigrantes clandestinos trabalhassem para a organização e, destes, receberem uma recusa, os imigrantes latino-americanos foram executados. Apenas um imigrante equatoriano sobreviveu, Luis Fredy Lala Pomavilla, que mesmo baleado na garganta, se fingiu de morto. Este conseguiu se arrastar e pedir socorro a um Posto de Controle da Marinha próximo do local.
 
Com a chegada dos fuzileiros ao rancho houve um novo confronto, no qual – segundo informações da própria Marinha - resultou em mais quatro mortes (3 bandidos e 1 oficial).

Esta notícia causou forte indignação mundial, não só pela barbárie em si, diante do assassinato de 72 imigrantes (58 homens e 14 mulheres), como também pelo poder paralelo do narcotráfico no país.

Entre os imigrantes foi cogitada a existência de quatro brasileiros, mas - até o momento presente - apenas o corpo de um brasileiro foi identificado, o de Juliard Aires Fernandes (20 anos), de Minas Gerais. Todavia, os documentos de outro brasileiro, Hermínio Cardoso dos Santos (24 anos), também de Minas Gerais, foram encontrados, mas o seu corpo ainda não foi identificado.

O Brasil acredita que somente estes dois brasileiros estavam no grupo.
 
Ocupando a 53ª posição (0,854) no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), isto é, na categoria de países de nível elevado, o México vive uma situação bastante distinta em termos de qualidade de vida alta, sobretudo, em relação à segurança pública.
 
O crime organizado, os cartéis do narcotráfico e as guerras travadas entre estes na disputa por territórios e de rotas para os EUA não são fatos recentes e atingem várias regiões dentro do país.
 
Só para se ter uma ideia, do final de 2006 até hoje, a violência do narcotráfico já causou mais de 28.000 mortos.
 
Vítima de críticas quanto a sua política de segurança, o presidente do México, Felipe Calderón, reprime com força os cartéis do narcotráfico no país, bem como as demais atividades ilegais que estes se encontram associados (prostituição, tráfico de pessoas, de armas, imigrantes ilegais etc.).
 
O que aconteceu com os 72 imigrantes ilegais, na semana passada, já virou uma atividade criminosa - rotineira - por parte do narcotráfico. Eles capturam os imigrantes com vários objetivos, os quais podem ser para roubar o dinheiro dos mesmos, pedir resgate às famílias após o sequestro, obrigá-los a se passarem como “mulas” para levar cocaína para o outro lado da fronteira (EUA) ou, ainda, recrutá-los como “capangas” para a organização criminosa.
 
Desde o início deste ano, o estado de Tamaulipas, na região nordeste do país, onde os 72 imigrantes ilegais foram executados, se tornou um campo de guerra entre os cartéis Los Zetas e do Golfo, pela disputa de território, que constitui uma das rotas para a entrada nos EUA.
 
Os Zetas eram membros das forças de elite do Exército do México, treinados para combater os zapatistas no estado de Chiapas, ao Sul, um dos mais pobres do México.
 
Estes passaram para o outro lado e caíram no crime organizado, nos anos 90, unindo-se ao cartel do Golfo, com o qual - hoje - disputam.
 
O grupo, formado por 40 soldados desertores, foram recrutados pelo então tenente Arturo Guzmán para criar os anéis de segurança de Osiel Cárdenas, o chefão do cartel do Golfo.
 
Osiel Cárdenas foi preso e extraditado, em 2007, para os EUA, onde permanece preso, até hoje. Na época da captura de Cárdenas, os membros os "zetas" entraram na disputa pelo controle do cartel do Golfo.
 
Apesar dos cartéis do narcotráfico estarem espalhados nas diversas regiões do país, hoje, a região nordeste é a que apresenta os mais fortes conflitos entre as organizações criminosas que disputam o poder sobre os territórios.
 
Além de Tamaulipas, os estados de Nuevo León e Coahuila fazem fronteira com os EUA, formando um grande corredor que se estende por todo o litoral do golfo do México. Esta região junto com a península de Yucatán e a faixa da fronteira do país com a Guatemala e Belize consiste na zona de domínio do cartel Los Zetas, considerado um dos mais temidos no país.
 
A cidade mexicana considerada a mais violenta do país, em decorrência dos cartéis dos narcotráfico, é a Ciudad Juarez. Localizada no estado de Chihuahua (região norte), esta também faz fronteira com o Texas e é disputada pelos cartéis de Juárez e de Sinaloa.
 
No ano de 2009, na referida cidade, foram registrados mais de 2.660 homicídios e, neste ano, já são foram contabilizados 1860, A grande maioria associada à disputa pelo controle da região por ambos os cartéis (Juárez e Sinaloa).
 
Embora a cidade El Paso, no Texas, fronteira com Ciudad Juárez (México), seja considerada a segunda mais segura dos EUA, o governo estadunidense já enviou 1.500 oficiais para a fronteira, a fim de garantir a segurança.
 
O governo do México, por sua vez, acusa os EUA por contribuir e favorecer o narcotráfico no país, uma vez que não há uma política rigorosa - por parte destes - no combate ao tráfico ilegal de armas que ocorre entre os EUA e o México.



Imagem capturada na Internet (Fonte: R7 - Notícias)


Imagem capturada na Internet (Fonte: R7 - Notícias)


Fontes:

. Equatoriano se finge de morto para escapar de chacina no México - G1/Mundo;
 
. Ex-militares formaram grupo suspeito de chacina no México - Último Segundo;
 
. México: 72 cadáveres encontrados seriam de imigrantes clandestinos - G1/Mundo;
 
. Jornal O GLOBO (26/08/2010 - Seção O Mundo - página 35);
 
. Jornal O GLOBO (27/08/2010 - Seção O Mundo - página 41);
 
 

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Migração Internacional em Manchete (I)




Imagem capturada na Internet (Fonte: Geografia Geral e do Brasil - Paratodos)


Outras notícias que merecem destaque, neste espaço, tratam sobre a mesma questão, a migração, porém o enfoque de cada uma é diferente.
 
Uma delas se refere à França, cujo governo vem intensificando uma política repressiva à imigração (tal como ocorre em outros países europeus) e, a outra, reporta-se ao México e a ação de grupos ligados ao narcotráfico contra 73 imigrantes que tentavam entrar nos EUA (72 foram assassinados e apenas um sobreviveu).
 
Com relação à França, as reportagens estão voltadas para as medidas repressivas do governo à política de imigração, seja quanto à questão da retirada da nacionalidade francesa dos imigrantes, naturalizados, seja pela situação dos ciganos no país, que perpassa a nível do chamado Programa de Retorno Voluntário ou por deportação (expulsão do país).
 
Como muitos sabem, inicialmente, os fluxos de imigrantes para Europa eram tolerados e até incentivados por parte dos governos, tanto após a II Guerra Mundial (1945), com o intuito de reconstrução econômica dos países arrasados pela guerra quanto, posteriormente, como mão de obra para suprir o mercado de trabalho, em decorrência do fenômeno de envelhecimento demográfico no continente, verificado pelas baixas taxas de natalidade e a expectativa de vida elevada.

Após a II Guerra Mundial (1945), além da Grã-Bretanha, países como a Alemanha, França, Itália e Bélgica foram os que mais receberam imigrantes, sendo a Alemanha o país recordista.

Com o crescimento das diferenças sócio-econômicas, no mundo, assinalando o distanciamento cada vez maior entre os países subdesenvolvidos e desenvolvidos, bem como do desemprego a nível mundial, os fluxos de imigrantes ao continente, sobretudo, provenientes do Norte da África, da América Latina e da Ásia, aumentaram muito.

Além destes, grandes contingentes de imigrantes do próprio continente passaram a fazer parte, também, desta estatística, sendo a maioria proveniente dos países do Sul, cujo nível de vida sempre foi mais baixo e, do Leste Europeu, após o fim da Guerra Fria e o desmantelamento do sistema socialista no continente.

Em consequência disso, os fluxos de imigrantes aumentaram muito e a política de imigração incentivada pelos governos, anteriormente, passou a ser mais controlada ou reprimida, os quais se apoiaram na legislação, como instrumento legal, para diminuir ou suspender a entrada de imigrantes nos países.

No entanto, mesmo sob esta nova conjuntura, as imigrações continuaram, só que de maneira clandestina, isto é, de forma ilegal..

Em decorrência do aumento dos imigrantes e dos problemas sócio-econômicos vigentes na Europa, bem como no restante dos continentes, no final dos anos 80, as hostilidades contra os estrangeiros cresceram em muitos países europeus. E, junto a estas, a exaltação ao nacionalismo, emergindo assim, a Xenofobia, o chamado novo racismo, ou seja, a aversão ao imigrante.

Durante os anos 90 e até hoje, diversos grupos que se autodenominam de neonazistas (pois idolatram a imagem de Hitler) perseguiram e perseguem os imigrantes de forma violenta, inclusive, com agressões físicas extremas.

Muitos governos e partidos políticos de extrema direita difundem e exaltam o sentimento de nacionalismo, atribuindo aos imigrantes a responsabilidade pelos principais problemas sócio-econômicos dos seus respectivos países (desemprego, aumento da criminalidade, do tráfico de drogas, da prostituição etc.).

Embora, estas questões sejam bastantes polêmicas é preciso, em primeiro lugar, não generalizar e atribuir aos imigrantes todas estas mazelas sócio-econômicas e, em segundo lugar, torna-se mister avaliar a importância do papel do imigrante na economia e no quadro populacional do continente, que se caracteriza por uma situação crítica, pois o que se verifica no continente é um decréscimo demográfico, que só não é pior por conta da imigração.

Aqueles que defendem, amplamente, restrições aos direitos dos imigrantes levam o seu discurso para além mais da responsabilidade quanto aos problemas atuais da Europa, ou seja, este perpassa também no nível de temeridade tanto à perda da soberania quanto em defesa de uma identidade nacional étnico, política e religiosa.

Mas, como ressalta dois trechos do artigo “Uma Nova Europa”, de Tahar Ben Jelloun, publicada no L’Expresso, sobre es situação atual do continente europeu face à imigração:
 
“Houve algo de bom que se perdeu. A Europa solidária e fraterna transformou-se numa Europa dos egoísmos de Estado e do cidadão. Alguns políticos, sobretudo de direita, apostaram no medo e criaram uma indústria eleitoral. A economia europeia desenvolveu-se, em parte, graças à mão-de-obra estrangeira, ou seja, à imigração. São raros os dirigentes políticos que o reconhecem e prestam homenagem a esta gente vinda de todo o mundo. Hoje, o problema são os filhos destes milhões de imigrantes. O que havemos de fazer com estes europeus de pele escura, negros e mestiços? Como haveremos de viver com uma outra cultura, uma outra religião?

A Europa tem de aprender a ver-se ao espelho: a sua imagem, a sua paisagem humana deixou de ser completamente branca, completamente cristã. É o resultado de misturas, é o conjunto de muitas contribuições. Cruzamo-nos com aquelas pessoas na rua, mas pensamos que estão de passagem pela Europa e que vão regressar ao seu país, à sua terra natal. Estamos enganados! Estas pessoas são europeias, o país delas é a Europa, têm nacionalidade europeia e duas ou três culturas. E ilustram a globalização do aspecto humano, não apenas industrial e financeiro. O Homem é o capital do mundo, não a técnica”.
(Publicado no PressEurop)

Realmente, quem pensa que - ao chegar à Alemanha (origem germânica) – vai encontrar uma população predominantemente branca, de cabelos e olhos claros, vai se surpreender, em razão da influência dos imigrantes, provenientes, sobretudo, da Turquia.

Na França, os principais fluxos de imigrantes são provenientes do Norte da África, sobretudo, da Argélia, Marrocos e Tunísia. Outros grupos também se destacam em território francês, como os espanhóis, os portugueses, os turcos, os ciganos etc.

Não é de hoje, que a França é manchete de jornais a respeito da imigração. Desde a década de 90 (Século XX), ela já estabeleceu relações de apoio e de desafeto com os estrangeiros, seja regularizando a situação de muitos imigrantes seja deportando tantos outros. A hostilidade aumentou e chegou, inclusive, ao ponto de agressão física a um grupo de imigrantes africanos no ano de 2000.

A intolerância perpassa não apenas a nível étnico, mas, também, religioso, uma vez que há um percentual muito grande de imigrantes de Marrocos, Argélia e Tunísia, que são países mulçumanos do Norte da África.

Neste aspecto e sob o discurso de que na França não há lugar para a submissão feminina, o presidente Nicolas Sarkozy sempre se mostrou contrário ao uso de alguns tipos de véus e a burca por mulheres muçulmanas no país. De acordo com o mesmo, "A cidadania deve ser vivida com a face descoberta". Esta declaração foi feita em maio deste ano, durante uma reunião do Conselho de Ministros da França, na qual foi apresentado o projeto de lei que proíbe às mulheres muçulmanas de usarem o véu em locais públicos.

Imagem capturada na Internet (Fonte: Revista Veja)




Imagem capturada na Internet (Fonte: eBand Jornalismo)


O referido projeto de lei foi aprovado pelo Parlamento francês, em julho passado, devendo ser votado no Senado, no próximo mês (setembro), para poder virar lei.
 
Ainda, em consonância com o discurso anti-imigração, utilizados por governantes e partidos políticos de muitos países da Europa, mais uma vez, a França foi manchete nos jornais.
 
"A nacionalidade francesa precisa ser merecida e tratada com dignidade” (Último Segundo). Tal argumento empregado pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi acerca de outro projeto de lei, apresentado pelo Ministro da Imigração da França, Eric Besson, sobre a retirada da nacionalidade dos estrangeiros, naturalizados, sob duas situações distintas, a saber:
 
- daqueles que forem condenado a mais de 5 de anos de prisão durante o período de até 10 anos após a obtenção da nacionalidade;
 
- de jovens delinquentes reincidentes, nascidos na França, mas de origem estrangeira.
 
Este projeto de lei será discutido no Parlamento no próximo mês (setembro).
 
Segundo o próprio, Frédéric Lefebvre, porta-voz do partido do presidente francês Nicolas Sarkozy (UMP), “ (...) Todos sabem que há uma relação entre delinquência e imigração. Não é correto dizer isso, mas é uma realidade que todos conhecem".
 
Não é correto dizer, é claro, pois o sentimento xenófobo está explícito em sua frase...

De acordo com uma pesquisa, realizada pelo Instituto de Estatística da França (INSEE), no início deste ano, 3 milhões e 100 mil pessoas nascidas na França, entre 18 e 50 anos, tem pelo menos um pai de origem estrangeira.
 
A pesquisa também revelou que metade dessa população é fruto da imigração do próprio continente, são portugueses, italianos, espanhóis, alemães e poloneses. Contudo, entre os jovens de 15 a 18 anos, aumenta a proporção dos filhos de imigrantes argelinos, marroquinos e tunisianos (África do Norte).
 
De acordo, ainda, com a pesquisa, o número de filhos de imigrantes que vieram do Camboja, Vietnam e Laos, entre os anos 70 e 80, também aumentou.
 
Em termos de retirada da nacionalidade, atualmente, a legislação francesa prevê apenas quatro situações, em que esta pode incorrer: atos de terrorismo, crimes de espionagem, recusa em cumprir o serviço militar e traição contra o país, quando há a realização de atos incompatíveis aos interesses fundamentais da França, em benefício de um país estrangeiro.

A aplicação de crimes comuns de direito penal, a este processo de perda da cidadania francesa (retirada da nacionalidade), tal como intenta o governo francês, não consta na lista dos demais países europeus. E mais, a retirada da nacionalidade francesa só é viável, se a pessoa julgada tiver outra nacionalidade. Ela não pode ficar sem nenhuma outra nacionalidade.

Esta questão tem sido bastante criticada por pessoas civis dentro e fora do país, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e até pelo Vaticano. Assim como, também, o caso da deportação dos ciganos na França.

Neste caso, os números não escondem a relação hostil entre o governo francês e os imigrantes ciganos.

De acordo com O GLOBO, só este ano já foram expulsos 8.131 ciganos da França, enquanto no ano passado foram 9.875 imigrantes do mesmo grupo.
 
Estima-se que, na França, existam 15 mil ciganos, a grande maioria de procedência romena e búlgara.
 
Ambos os países também fazem parte da União Européia (desde 2007), mas seus cidadãos ainda devem cumprir determinadas regras impostas pelo bloco, previstos no regime transitório, por qual ainda se configuram.
 
O cidadão romeno e/ou búlgaro pode entrar sem formalidade e permanecer na França por 3 meses, sem a necessidade de justificar alguma atividade.
 
Terminado esse prazo, ele deve estar empregado, estar matriculado em escola ou curso ou, ainda, comprovar que possui renda suficiente para viver na França.
 
Situação igualmente polêmica e alvo de críticas quanto aos direitos humanos, o ministro do Interior, Brice Hortefeux, justifica as medidas do governo, alegando o aumento da delinquência entre ciganos romenos na região de Paris, cujas estatísticas apontaram um crescimento em torno de 138% em 2009 (3.151 delitos frente aos 1.323 ocorridos em 2008).
 
Apesar de tantas críticas acerca de sua política repressiva aos imigrantes, neste caso, segundo uma pesquisa do jornal "Le Parisien", a política de deportação de ciganos da França tem o apoio de 48% dos franceses (42% se opõem e 10% não responderam).
 
O chamado Programa de Retorno Voluntário, além de oferecer vôo fretado ao país de origem dos ciganos, oferece 300 € (euros) para quem deixar o país e mais 100 € por cada filho.




Imagem capturada na Internet (Fonte: R7 Notícias)
 
E é baseado nestas premissas e na exaltação ao sentimento nacionalista, atual (por interesses políticos e eleitorais, talvez!), que o governo francês justifica a necessidade de um “ajustamento” na legislação vigente e a implantação de medidas repressivas aos imigrantes.
 
 
Fontes:
. Filhos de imigrantes representam 12% da população (RFI - Português)
 
. França expulsa mais 283 ciganos para a Romênia (O GLOBO)
 
. França vai começar a deportar ciganos (Revista Época)
 
. Ministro diz que França não precisa aprender lições sobre como tratar imigrantes (R7 Notícias)
 
. Proposta de retirar nacionalidade de imigrantes condenados gera polêmica na França (Último Segundo)