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domingo, 19 de março de 2017

Surto da Febre Amarela


Imagem capturada na Internet

Texto atualizado em 20/03/2017 às 7h50

Mais uma vez, a população brasileira se vê às voltas com um problema na área da saúde e, também, mais uma vez, o seu vetor é um mosquito. Estou me referindo ao surto de febre amarela silvestre que o país está enfrentando, desde o final do ano passado (2016).

Na verdade, a doença é uma só, a febre amarela, doença infecciosa febril aguda, causada por um arbovírus (vírus transmitido por um inseto), com ocorrências nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países africanos.
 
O nome da doença - febre amarela - deriva do fato de que tanto a pele quanto os olhos do doente adquirem uma tonalidade amarelada, próprio da icterícia.

De acordo com alguns especialistas, a distinção entre febre amarela silvestre e febre amarela urbana é um equívoco, pois o vírus é o mesmo, assim como os sintomas e sua evolução clínica. As diferenças existentes têm a ver com sua área de ocorrência (florestas, áreas rurais ou urbanas), com o mosquito transmissor infectado (os gêneros são distintos) e a forma de contagio (hospedeiro do vírus).
 
No entanto, contrariando alguns especialistas, vou fazer uso dos termos silvestre e urbano na intenção de facilitar a compreensão geográfica.
 
A febre amarela “silvestre é transmitida pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e o Sabethes, que vivem nas matas (florestas) e em matas ciliares (vegetações nas margens dos rios). Eles não vivem em áreas urbanas, sendo comum nas regiões Norte, Centro-Oeste e parte do estado de Maranhão. A reprodução do mosquito ocorre, somente, em buracos de árvores, onde os seus ovos são depositados, eclodindo em contato com as águas da chuva.
 
Mosquito dos gêneros Haemagogus e Sabethes
Imagem capturada na Internet
 
Em áreas urbanas (cidades), o vetor da febre amarela é o mesmo que transmite a Dengue, a Chicungunha e a Zica, ou seja, é o mosquito Aedes aegypti. Nos centros urbanos, a febre amarela foi erradicada desde o início da década de 40 (Século XX), daí a atual preocupação das autoridades da área de Saúde quanto à proliferação do vírus nas cidades, onde há uma maior incidência do mosquito Aedes aegypti, possibilitando o retorno da doença.
 
 
Mosquito Aedes aegypti
Imagem capturada na Internet
Fonte: FENABB
 
Os principais hospedeiros do vírus da febre amarela “silvestre” são os primatas (macacos), como os bugios, os micos (mico-leão e outros) e macacos-prego. O ciclo de transmissão do vírus tem início a partir do momento em que os mosquitos (gêneros Haemagogus e o Sabethes) picam macacos infectados, transmitindo o vírus, logo em seguida, a outro macaco ou ser humano.
 
 Bugio - Imagem capturada na Internet
 
Mico - Imagem capturada na Internet
 
Macaco Prego - Imagem capturada na Internet
 
De acordo com o Presidente da Sociedade Brasileira de Viriologia, o médico Maurício Lacerda Nogueira (Jornal O Globo, 20/01/2017/pag. 30),
 
“É um erro dizer que o macaco é o reservatório. Ele não é.
É o que chamamos de hospedeiro amplificador.
Ele não é o reservatório porque adoece e morre da doença,
como a gente”.
 
hospedeiro do vírus da febre amarela “urbana” é o homem e o ciclo de transmissão inicia quando este (infectado) é picado pelo mosquito (gêneros Aedes), que vai repassar o vírus a outro ser humano.
 
A febre amarela pode ser letal. A forma mais grave se dá por insuficiência hepática e renal, que podem levar ao óbito. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade pode variar de 15% a 45%.

Hoje, o risco da febre amarela silvestre e sua proliferação para as áreas urbanas no Brasil é eminente e preocupante, pois no período de 2000 a 2016, a média de mortes em consequência da febre amarela “silvestre”, no país, chegou a 48%, com registro de 346 casos confirmados e 166 óbitos.


O último Boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, abrangendo o período de dezembro de 2016 a 15 de março de 2017, já foram contabilizados - em relação ao surto da febre amarela - 259 óbitos notificados, sendo 112 em investigação e 137 confirmados. Deste total já diagnosticado (137), 111 mortes ocorreram no estado de Minas Gerais (Informe da Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde, Nº 32/2017 – disponível em PDF).
 
O primeiro estado brasileiro a apresentar febre amarela “silvestre” em humanos foi Minas Gerais, inclusive, este registra o maior número de casos e de óbitos. A doença se alastrou a outros estados brasileiros, como Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Tocantins, Rio Grande do Norte e, mais recentemente, em nosso estado, Rio de Janeiro. O que consiste em dizer que o Sudeste é, até o presente momento, a única região brasileira em que todos os estados (Minas Gerias, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo) apresentam casos suspeitos e/ou confirmados da febre amarela silvestre, com registros de óbitos em consequência da doença.
 
Tal situação é grave porque a doença está avançando para as áreas urbanas, inclusive, na direção Leste, na faixa litorânea, onde há maior concentração demográfica (população) e, como mencionei anteriormente, onde há uma incidência muito grande do mosquito Aedes aegypti.
 
E, para que isso possa ser evitado ou tenha efeitos menores, os especialistas destacam ações preventivas, como a vacinação, independente da área estar ou não estar incluída na área de recomendação. É preciso ampliar o programa de vacinação para todo o território nacional.
 
A confirmação de novos casos em áreas, até então, não consideradas de risco, mostra a vulnerabilidade e a suscetibilidade que o país se encontra diante ao surto da febre amarela. Condições favoráveis não faltaram e não faltam. Mas, houve falhas e atraso na ampliação do programa de vacinação, o que poderia ter evitado o surto e até o número de mortes.
 
Trata-se de mais uma tragédia anunciada mediante o número elevado de pessoas não vacinadas no país, o seu principal vetor ser um mosquito e, com ele, o rápido avanço do surto da febre amarela nos estados. Além disso, não podemos esquecer que algumas espécies de primatas transmissores são comuns em áreas urbanas, como os micos e macacos-prego.
 
Os sintomas da febre amarela variam muito, de leves (confundindo-se a uma virose) a graves, que podem levar ao óbito.  
 
Os sintomas mais comuns da doença são: febre com calafrios, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares muito fortes, cansaço, vômito e diarreia, que surgem no período de incubação do vírus (em geral, de 3 a 6 dias após a picada do mosquito infectado).
 
Nos casos mais graves da doença, os sintomas evoluem e podem ocorrer icterícia progressiva, hemorragias, anúria (comprometimento dos rins), hepatite e coma hepático (problemas no fígado), no pulmão, problemas cardíacos (miocardite), convulsões e delírios.

A vacina desenvolvida pelo Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é eficaz à imunização contra a febre amarela e, até 2014, acreditava-se que era preciso tomar uma dose da vacina de dez a dez anos, em um total de duas doses. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou que uma única dose – a partir dos cinco anos de idade – é suficiente para assegurar a imunização das pessoas à doença. Mas, apesar dessa orientação, o Ministério da Saúde mantém o programa com duas doses da vacina contra a febre amarela no calendário nacional, como medida de proteção.

O combate aos criadores do mosquito transmissor e as campanhas de vacinação são estratégias eficazes e preventivas.
 
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Imagem capturada na Internet
 
 Fontes de Consulta
 
. Febre AmarelaDr. Dráuzio Varella
 
. Febre amarela urbana e silvestre: qual a diferença?
 
. Febre amarela: sintomas, transmissão e prevenção Bio-Manguinhos/FIOCRUZ
. MARTINS & CASTIÑEIRAS. Febre amarela: áreas de risco no Brasil
. Perguntas e RepostasPortal da Saúde
 
. PIVETTA, Marcos.  A ameaça da febre amarela

sábado, 13 de fevereiro de 2016

13 de Fevereiro: O Dia D de Combate ao Mosquito Aedes aegypti

 Imagem capturada na Internet
Fonte: EBC Agência Brasil - Elza Fiúza
 
 
 Texto atualizado a0s 00:30 do dia 14/02/2016

Já começou, hoje, pela manhã, o Dia D, isto é, o Dia de Mobilização para Combate ao Aedes aegypti, em todo território nacional. Campanha esta, já mais do que tardia, mas necessária e imprescindível diante do número crescente de vítimas pelo Zica Vírus e sua correlação aos casos de bebês microcefálicos e à síndrome de Guillain-Barré, bem como a outras doenças transmitidas pelo referido mosquito, como a dengue e a febre Chicungunha (o mosquito também é o vetor da febre amarela).
 
O combate ao mosquito Aedes aegypti é um dever de toda a sociedade e autoridades competentes da área de saúde, bem como dos governantes, pois é um mosquito urbano, doméstico, que pode ser reproduzido em qualquer lugar onde haja água parada. No entanto, segundo o site do Dr. Drauzio Varella e outros, o mosquito já foi encontrado também em áreas rurais, possivelmente, levados em recipientes durante as fases de ovos e larvas.  
 
O mosquito Aedes aegypti, macho, ocasionalmente, também podem picar, mas este só se alimenta de néctar e das seivas de plantas. Apenas as fêmeas infectivas transmitem as doenças para os seres humanos, pois são espécies hematófagas, ou seja, se alimentam de sangue também. Elas apresentam hábitos predominantemente diurnos, atacando mais pela manhã e ao entardecer, preferencialmente, as pernas e os pés, pois os seus voos são baixos.
 
Segundo SILVA, MARIANO e SCOPEL (2007), a vida média do mosquito Aedes aegypti em torno de 30 dias e as fêmeas - quando férteis - chegam a depositar entre 150 a 200 ovos.
 
Em termos ambientais, os climas quentes e úmidos (chuvosos) – sobretudo - tropical e equatorial têm uma importância geográfica substancial, pois suas condições ambientais otimizam a sua reprodução e proliferação. Estes também são encontrados em regiões de clima subtropical.
 
Embora, a presença do mosquito Aedes aegypti já tenha sido verificada até a latitude 45°N (casos esporádicos), por ocasião de estação do ano mais quente, pode-se afirmar que sua ocorrência se limita, geograficamente, entre as latitudes 35°N e 35°S. Em outras palavras, em geral, o mosquito não sobrevive no inverno e nem em regiões de condições climáticas mais rigorosas.
 
Além da latitude, a altitude é outro fator importante e limitante a sua ocorrência. Estudos indicam que o mosquito Aedes aegypti é encontrado, sobretudo, em altitudes abaixo de 1.000 metros. Todavia, já houve registro de sua presença, na Índia (Ásia) e na Colômbia (América do Sul), a 2.200 metros acima do nível do mar.


Sendo assim, pode-se afirmar que o mosquito não se desenvolve em baixas temperaturas e nem em altitudes elevadas. As regiões tropicais e subtropicais são as que oferecem melhores condições para o desenvolvimento completo do ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti, o qual perpassa por quatro fases, a saber:  ovo, larva, pupa e adulto 

 
 Imagem capturada na Internet

Em razão do nível alarmante dos registros, sobretudo, de Zica Vírus e da dengue no país, a campanha nacional visa orientar e inspecionar casas, terrenos baldios e outros que possam apresentar locais criadouros do mosquito. São estes os alvos principais dos 220 mil militares das Forças Armadas (Aeronáutica, Exército e Marinha), 46 mil técnicos de combate às endemias e 266 mil agentes comunitários de saúde, aproximadamente, que, junto com outros, estarão distribuídos nos 353 municípios a serem vistoriados neste sábado.  
 
De acordo com as mídias, estas cidades foram escolhidas - pelo Ministério da Saúde – por apresentarem maior incidência de pessoas infectadas pelo mosquito. E, sendo assim, o foco é combater o principal vetor da Zica Vírus, da dengue e da febre Chicungunha à partir da eliminação dos seus criadouros.
 
Os criadouros podem ser encontrados em qualquer espaço, em casa, no quintal, em terrenos baldios, espaços públicos (praças), clubes, entre outros. Sendo assim, toda a atenção deve ser concentrada em recipientes artificiais, que possam acumular água da chuva, principalmente, como pneus, latas, garrafas, caixa d’ água descoberta, piscinas sem uso, fundo de garrafa vidro utilizados nos muros para segurança da casa, calhas, tampinha de garrafa de bebida, a água de regar e acumulada nos pratinhos de vasos de plantas etc.
 
Consideram-se, ainda, como criadouros naturais para o desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti, as bromélias, os bambus e os buracos existentes em árvores.

As bromélias, por exemplo, só para citar algo semelhante que ocorreu com esta espécie vegetal, mas com outro tipo de mosquito e doença associada, foram totalmente dizimadas no início da década de 40 (Século XX), em áreas florestais do litoral catarinense (SC), devido a descoberta da correlação da planta como criadouro natural dos mosquitos do subgênero Kerteszia, causador da malária (ou impaludismo) na região.
 
A área limítrofe do chamado “Complexo bromélia-malária”, no referido estado da região Sul do país, se estendia - no sentido norte-sul – entre a divisa do estado com o Paraná e com o Rio Grande do Sul, compreendendo a faixa entre as Serras Geral e do Mar até à costa oceânica (litoral).
 
Com a descoberta desta correlação, os métodos de combate, até então empregados, passaram a focar a eliminação dos criadouros dos ovos e larvas do mosquito, ou seja, a destruição das bromélias.
 
Quando eu estudei na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), eu ouvi esta história e há publicações a respeito disso. Na época, as pessoas apresentaram opiniões diversas sobre a radicalização do método de erradicação da doença. Alguns defendiam a prioridade articulada à saúde humana em detrimento à conservação da espécie vegetal, enquanto outros condenavam o extermínio das bromélias no contexto do equilíbrio do ecossistema.
 
Não vou colocar em discussão, aqui e, neste momento, estas questões. Só alerto que o problema do mosquito Aedes aegypti é de todos. Somos todos responsáveis pelos possíveis criadouros artificiais e/ou naturais constatados em nossas residências ou lojas comerciais, assim como os das áreas públicas e outras cabem às instâncias de governo, às autoridades competentes a fiscalização permanente.

O Governo, seja na instância federal, estadual e/ou municipal tem - por obrigação - proteger o povo contra estas epidemias através de campanhas preventivas, de fiscalizações constantes a criadouros do mosquito e da aplicação do Fumacê, preferencialmente, por duas vezes ao dia (manhã e final da tarde).

Eu lembro da passagem do carro do Fumacê na rua da minha mãe, na Penha (Rio de Janeiro) e a maioria dos vizinhos, totalmente sem o devido conhecimento de sua importância, fechavam as janelas, quando estes passavam aplicando o inseticida devido ao cheiro forte. E o pior, o mosquito Aedes aegypti tem hábitos domésticos, ou seja, ele fica no interior da casa.
 
Outra imagem absurda tirada por mim, no final do ano, próxima a uma Unidade Escolar em que trabalho. Observa-se bem a irresponsabilidade de vários agentes: os moradores, os catadores de lixo e a empresa de coleta de lixo. Mais próximo que a escola fica uma Unidade de Saúde.
 
 
 
 Fontes de Consulta
 
. Aedes aegyptiCombate a Dengue
 
. Aedes aegyptiDr. Drauzio Varella
 
. Conheça o Aedes aegypti: o Mosquito Transmissor da Dengue - MundoBit
. Dengue: Vírus e Vetor - Fiocruz
 
. SILVA, MARIANO e SCOPEL. A Influência do Clima Urbano na Proliferação do Mosquito Aedes aegypti em Jataí (GO) na Perspectiva da Geografia Médica. YGEIA, Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, 33-49 - Em PDF
 
. País terá neste sábado Dia de Mobilização para Combate ao Aedes aegypti - UOL - Notícias Ciência e Saúde
 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Início das Atividades no Blog e do Ano Letivo de 2016


 Mosquito Aedes aegypti

A bem dizer, 2016 só começou hoje, neste espaço, diante da minha ausência prolongada desde o final de dezembro do ano passado. Não foi intencional, mas estive sem tempo para sentar, escrever e atualizar as postagens. E, como muitos sabem, este Blog é mantido às mãos de uma pessoa, ou seja, eu!
 
Assuntos diversos não faltam, ainda mais, sob o contexto de análise geográfica, mesmo que alguns pareçam repetitivos em se tratando de publicação neste Blog: agravamento e os reflexos da crise econômica e política do país; em especial, a crise no estado do Rio de Janeiro; o drama familiar com a epidemia do Zika Vírus e sua relação com os casos de microcefalia; as discussões quanto ao Antropoceno, a nova idade geológica a ser considerada pelos cientistas; o desastre ambiental do Rio Doce;  a aprovação do Bloco Transpacífico de Cooperação Econômica; a grande dúvida mundial sobre o lançamento do foguete espacial para colocar um satélite norte-coreano em órbita; o início do ano letivo, entre tantos outros temas.
 
A começar, não posso deixar de comentar que o ano letivo (2016), embora tenha iniciado no dia 1˚ de fevereiro na rede pública do Rio de Janeiro, com alunos no segundo dia, só vai mesmo acontecer de fato após o carnaval, ou seja, a partir do dia 15.
 
Na rede estadual (Ensino Médio), onde trabalho, a infrequência foi muito alta e, em algumas turmas, nenhum aluno compareceu. Já na escola municipal, a frequência apesar de ter sido maior, se configurou atípica às registradas nos dias normais.
 
Isso já era de se esperar, não só em consequência do feriado prolongado com as viagens programadas por muitas famílias, mas que – também - por outros fatores fizeram com que muitos alunos não fossem à escola ou que muitos responsáveis acabassem optando por não encaminhar os filhos à mesma.
 
Ontem, tivemos um evento na E.M. Dilermando Cruz, com oficinas voltadas para a questão das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A frequência de alunos, embora baixa, não impediu a realização e a conclusão dos trabalhos e, muito menos, a perspectiva de darmos continuidade a algumas atividades durante o período regular das aulas.
 
Eu mesma, que fiquei junto com a professora Sidra Vasconcellos (Ciências) na oficina de levantamento estatístico dos membros da Comunidade Escolar, presentes (alunos, professores, pessoal de apoio e Gestão Escolar) que já tiveram alguma das doenças transmitidas pelo mosquito e que foram confirmadas pela rede pública de Saúde ou médico particular. Para efeito deste levantamento, consideramos as seguintes doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti: Dengue, Chicungunha e Zica.
 
Os dados (numéricos) obtidos foram transformados em porcentagem e destes foram elaborados, por meio do Excel, gráficos de barras para o estabelecimento e correlações entre as mesmas. Houve, ainda, oficinas voltadas para música, elaboração de faixas, de cartazes diversos etc.
 
Como é sabido por muitos, o Aedes aegypti não só transmite estas doenças, acima citadas, ele é também o vetor da febre amarela. Os pesquisadores estão empenhados em descobrir, ainda, a correlação destas doenças com sequelas no sistema neurológico das pessoas, associados a Dengue e o Zika Vírus, como a síndrome de Guillain-Barré e a microcefalia, respectivamente.     
 
A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica grave, associada a Dengue, se caracteriza pela inflamação dos nervos, intensa fraqueza muscular, palpitações no peito e alterações da pressão arterial (pressão alta ou baixa), podendo em alguns casos causar o óbito.
 
Quanto ao Zika Vírus, as atuais discussões e ocorrências reforçam a sua ligação com os casos de microcefalia em bebês recém-nascidos.
 
Já publiquei acerca destes últimos, mas devo elaborar outra matéria, divulgando as últimas notícias e boletins dos Órgãos competentes da área de Saúde acerca do Zica Vírus e dos casos de bebês encefálicos.
 





 







 








 

 

Dos 118 membros da Comunidade Escolar - entre alunos, professores, pessoal de apoio e da equipe da Gestão Escolar - presentes no 1˚ Turno do Diurno (manhã), os dados obtidos no levantamento estatístico acerca das três doenças avaliadas foram, a saber:
. Dengue: 19 (dezenove) pessoas contraíram a dengue, sendo 04 (quatro) pessoas por duas vezes (todos profissionais), 02 (dois) alunos tiveram uma vez só e 13 (treze) profissionais tiveram, também, uma única vez;
. Febre Chicungunha: Apenas 01 (uma) pessoa, que por sinal fui eu (em 2014);
. Zica: 12 (doze) pessoas, sendo 08 (oito) alunos


 

sábado, 5 de dezembro de 2015

Epidemia da Febre Zica versus Surto de Microcefalia em Fetos

 Mosquito Aedes aegypti
 Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
Fonte: BBC Brasil
 

Se já não bastasse as epidemias contínuas da dengue no país, o Brasil – no momento – enfrenta uma nova epidemia, a do Zica vírus (ZIKV), cujo principal vetor (agente transmissor) é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, a febre chikungunya e a febre amarela. Os seus hospedeiros, ou seja, os agentes ou organismos que abrigam o vírus, podem ser os macacos e o homem.

Embora, o principal modo de transmissão do vírus seja pelo mosquito Aedes aegypti, de acordo com a literatura científica, este pode ocorrer por transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal (antes ou depois do nascimento) e sexual, além das possibilidades por transfusão de sangue.
 
E é, justamente, a transmissão perinatal que está preocupando as autoridades da área de Saúde, como, também, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana de Saúde, que emitiram um alerta a nível mundial diante do surto da doença (Zica) e do aumento de casos de bebês nascidos com microcefalia.
 
Estudos realizados pelo Instituto Evandro Chagas, órgão do Ministério da Saúde, em Belém (Pará), comprovaram a relação entre o zica vírus e os casos de microcefalia, quando foi constatado a presença do vírus em um bebê microcéfalo.
 
"Há uma conexão entre as duas coisas,
mas causalidade é uma outra história.
Não podemos dizer 100% que é só o zika vírus
a causa da microcefalia,
ela pode ser atribuída a diversas questões.
Há uma conexão porque há um evidente aumento
nos casos de microcefalia no Brasil
ao mesmo tempo em que há um surto de zika no país."
 
Dr. Marcos Espinal
(Diretor do Departamento de Doenças Comunicáveis
da Organização Pan-Americana de Saúde)
 
Após a incidência dos casos na região Nordeste e de investigações sobre as possíveis causas para o aumento de recém-nascidos encefálicos, um levantamento entre os exames dos bebês e o histórico das mães revelou a associação do zica vírus com a microcefalia, pois as mães – no início da gravidez (entre o 1˚ e o 4˚ mês) – apresentaram erupções vermelhas na pele (relacionada à epidemia de Zica). Com isso, verificou-se que os casos de tinham uma vinculação com infecção congênita, quando o bebê é afetado por uma infecção da mãe.
 
Os exames realizados nos recém-nascidos, sempre deram resultados negativos quanto à presença do vírus da Zica ou o da Chikungunya, provavelmente, segundo os especialistas, porque ambas são doenças autolimitadas, ou seja, duram pouco tempo (de 3 a 7 dias) e a infecção ocorrida entre mãe e filho se deu no início da gestação.
 
A microcefalia é uma doença em que a cabeça e, ao mesmo tempo, o cérebro da criança se apresentam menores que o normal. Enquanto o bebê saudável apresenta o perímetro cefálico (circunferência da cabeça em sua parte maior), variando entre 33 cm a 37 cm, o bebê com microcefalia apresenta medida menor que 32 cm.

Antes, a medida considerada era de 33 cm, mas desde 6ª feira passada (04/12), o Ministério da Saúde mudou os critérios de avaliação, classificando o bebê como tendo microcefalia, quando este apresentar um perímetro igual ou menor que 32 cm.
 
 Imagem capturada na Internet
Fonte: O Dia
 
Com o perímetro cefálico menor, o crescimento máximo do cérebro também é afetado, pois não há o espaço suficiente para que ele se desenvolva normalmente. Com isso, suas funções ficam comprometidas e, dependendo da gravidade da microcefalia, esta pode causar como sequelasatraso mental, déficit intelectual, paralisia, convulsões, epilepsia, deficiência visual, autismo, rigidez dos músculos, entre outras.
 
Neste caso específico (doença associada à infecção por Zica vírus), a microcefalia é classificada como sendo primária, isto é, quando os ossos do crânio se fecham durante o período gestacional (até os 7 meses de gravidez). Em geral, as sequelas no bebê são mais graves.
 
A chamada microcefalia secundária ocorre quando os ossos do crânio se fecham no período final da gravidez ou após o nascimento do bebê.
 
Infelizmente, em razão de sua gravidade e por não ter cura, a criança com microcefalia pode necessitar de cuidados da família por toda a sua vida e, também, de profissionais específicos, como – por exemplo -  os fisioterapeutas e outros.
 
 Mãe e filho com microcefalia
Fonte: BBC Brasil
 
 Febre Zica
 
A doença é descrita como uma febre aguda, com sintomas similares aos da dengue, porém mais brandos. Com isso, além da febre, seus sintomas são dores de cabeça e no corpo, bem como manchas avermelhadas na pele.
 
Em geral, sua taxa de hospitalização é baixa e, tal como a dengue e a febre chikungunya, a febre Zica é autolimitada, podendo durar de 3 a 7 dias, quando – em geral – seus sintomas desaparecem naturalmente.
 
Em muitas situações, o paciente é diagnosticado com uma virose (embora seja provocada por um vírus), ficando sem saber que teve o zika vírus.  
 
O mosquito é infectado ao picar um indivíduo doente, ou seja, portador do vírus, seja este humano ou alguma espécie de macaco, durante os três primeiros dias de doença.
 
Seu nome se refere à floresta Zica, localizada na Uganda, no continente africano, onde o vírus surgiu e foi identificado pela primeira vez.
 
Ele já foi encontrado na Ásia, na Oceania e, neste ano, nove países latino-americanos confirmaram a doença. Além do Brasil, Chile (ilha de Páscoa), Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.
 
No Brasil, a epidemia de Zika (e, ao mesmo tempo, da microcefalia) começou na região Nordeste, mas como ele é um vírus novo em nosso país, seu alastramento é certo ocorrer em todo o território nacional, em caráter epidêmico, alertam os especialistas.
 
De acordo com os últimos dados oficiais, divulgados nas mídias, 18 estados brasileiros já têm registro da doença, como o Rio de Janeiro. E, com isso, a preocupação e medidas preventivas se tornam necessárias em decorrência não só quanto à epidemia da febre Zica, mas – sobretudo – às mulheres gestantes quanto aos riscos eminentes dos fetos desenvolverem microcefalia.

Até o final do mês de novembro foram registrados 1.248 casos de microcefalia em 14 Unidades Federativas do país, sendo em 13 estados e no Distrito Federal.

Não devemos esquecer que parte da responsabilidade a este quadro evolutivo da doença e da proliferação do mosquito Aedes aegypti se deve à população, uma vez que o mosquito, geralmente, se desenvolve em água parada e limpa, na maioria das vezes, localizadas no interior e/ou no quintal das residências.
 
Por isso, devemos cooperar, eliminando os possíveis focos das larvas do inseto, evitando o acúmulo de água em pratos de plantas, caixas de água destampadas, garrafas e pneus largados a céu aberto, sem proteção, entre outras medidas.

Mas, não restam dúvidas que o Governo brasileiro, em suas três instâncias, federal, estadual e municipal, falhou em termos de programas e campanhas de combate ao mosquito Aedes aegypti.

O país já sofre com a epidemia da dengue há anos, inclusive, com um número de óbitos altíssimo. Só para se ter uma ideia, os dados oficiais deste ano, até o final do mês de março, contabilizam cerca de 130 mil pessoas mortas em decorrência das complicações com a dengue. A febre chikungunya acometeu o país mais no ano passado (2014), mas seus sintomas são mais brandos, não levando o doente ao óbito (eu mesma fui vítima do seu vírus).

Por isso e, sobretudo, em razão do vetor transmissor de ambas ser o mesmo da Febre Zica, o governo tinha a obrigação de adotar medidas preventivas, antes, durante e depois, ou seja, de forma contínua, sem interrupções, de combate ao mosquito Aedes aegypti.

Quem mais sofre é a população que, por sua vez, precisa ser mais consciente quanto aos perigos de se criar ambientes propícios ao desenvolvimento do mosquito, a partir de suas larvas, eliminando os focos de água parada.

Os especialistas orientam às mulheres que estão tentando engravidar e que vivem em áreas consideradas endêmicas (Zica vírus), que o melhor é evitar, enquanto o número de ocorrências for elevado. E, também, até que medidas preventivas possam surtir efeitos, com a redução dos mosquitos e, consequentemente, da epidemia.
 
Agora, para as mulheres grávidas são indicadas medidas de proteção à picada do mosquito, como o uso de repelentes apropriados, mosquiteiro na cama, telas na janelas e outras ligadas à eliminação de focos das larvas do inseto, assim como seja evitada viagens a áreas com epidemia da Zica.
 
 
Fontes de Pesquisa

. Febre pelo vírus Zika: uma revisão narrativa sobre a doença. Boletim Epidemiológico, Volume 46 N° 26, 2015 - Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde – Brasil (disponível em PDF)
 
. O que se sabe (e o que falta saber) sobre relação entre zika vírus e microcefalia
 
. OMS emite alerta global sobre zika vírus e reconhece relação com microcefalia
. Perguntas e Respostas: Microcefalia - Portal da Saúde 
 
. Zica: Descrição da Doença - Portal da Saúde 
 
. Zika, o vírus da doença misteriosa – Dr. Drauzio
. Zika pode ser ameaça maior que a dengue; saiba como se proteger 
 
. Zika vírus já está em 9 países da América Latina e em 18 Estados brasileiros