Mostrando postagens com marcador Olimpíada Rio 2016. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Olimpíada Rio 2016. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A Redenção da Mídia Estrangeira a outros Sabores Brasileiros



Dando continuidade à postagem anterior, acerca dos biscoitos de polvilho Globo, outros artigos de jornais estadunidenses fizeram questão de enaltecer determinados produtos alimentícios brasileiros para remediar a polêmica criada com a matéria publicada no New York Times e assinada pelo repórter David Segal, que criticou duramente o sabor, a qualidade dos referidos biscoitos e até a própria culinária carioca.

O foco desta vez, de forma positiva, foi para o nosso famoso “pão de queijo” e para o “brigadeiro”, ambos brasileiríssimos.

A origem do pão de queijo é incerta, mas sabe-se que ele é de Minas Gerais. Especula-se que sua origem remonta à época da escravidão, Século XVIII, nas fazendas mineiras, quando eram servidos durante o café. Naquela época, a farinha de preparo dos pães não era de boa qualidade, a qual fora substituída - pelas cozinheiras escravas - por polvilho.

Pão de Queijo
Imagem capturada na Internet

Assados no fogão a lenha, o pão de queijo era preparado com polvilho e outros ingredientes, inclusive, o queijo, todos produzidos nas próprias fazendas.

De sabor agradável, a receita se espalhou por todo o território brasileiro, tornando-se efetivamente popular na década de 50 (século XX) e, ultrapassando as fronteiras do nosso país, sendo exportada para vários países, tais como: Portugal, EUA, Itália e Japão.

O brigadeiro, também genuinamente brasileiro, é um doce típico de festas infantis, sendo – hoje – vendido em vários estabelecimentos comerciais (confeitaria, padaria, delicatessen etc.).  

Docinho de Brigadeiro
Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipedia

Sua origem e, em especial, o seu nome se fundem sob um contexto político e de tietagem do eleitorado feminino a um determinado candidato às eleições presidenciais de 1945.

Em 1945, a disputa acirrada para Presidência da República, no processo sucessório do então presidente Getúlio Vargas, era entre o Marechal Eurico Gaspar Dutra (Partido Social Democrata - PSD) e o Brigadeiro Eduardo Gomes (União Democrática Nacional – UDN).

Marechal Eurico Gaspar Dutra
Imagem capturada na Internet

O primeiro tinha a seu favor o apoio do Presidente Getúlio Vargas e, com isso, a apreciação popular também. Já o Brigadeiro da Aeronáutica tinha a seu favor, sobretudo, o eleitorado feminino que o admirava pelos seus “atributos físicos”, pois ele era um militar do tipo galã (alto e bonito).

 Brigadeiro Eduardo Gomes
Imagem capturada na Internet
Fonte: Operacional

Eduardo Gomes tinha formação em aviação militar, com grande notoriedade, além de ter forte senso de justiça social e, posteriormente, se lançar na política. Foi ministro da Aeronáutica em dois períodos. E é o patrono da Força Aérea Brasileira (FAB).

A origem do doce de brigadeiro remonta à época de sua primeira campanha eleitoral à Presidência da República, em 1945. Solteiro, bonito, charmoso, alto e do tipo atlético, Eduardo Gomes – desde novo – era muito cortejado pelas garotas. No entanto, ele nunca se casou.

Na época, o seu partido político, recém-fundado, União Democrática Nacional (UDN) não dispunha de recursos suficientes para bancar a sua Campanha Eleitoral à Presidência da República. Sendo assim e, a fim de arrecadar fundos para a mesma, um grupo de eleitoras criou um doce feito com a mistura de chocolate em pó e leite condensado, o qual era vendido durante os comícios. O doce inventado por elas recebeu o nome de “Brigadeiro”. O doce fez maior sucesso e, ao mesmo tempo, se popularizou, mas não o suficiente para o eleger Presidente do Brasil.

Com forte apoio de Getúlio Vargas e da popularidade deste, o candidato Eurico Gaspar Dutra venceu a eleição, assumindo a Presidência em 1946.

Nascido em Petrópolis (RJ), em 20 de setembro de 1896, Eduardo Gomes faleceu em 13 de junho de 1981, aos 84 anos.

Brigadeiro Eduardo Gomes
Imagem capturada na Internet
Fonte: Operacional


Fontes de Consulta






Biscoito de Polvilho Globo: Críticas a um dos principais ícones das praias cariocas

´
 Biscoitos de Polvilho Globo
Imagem capturada na Internet - Fonte: Exame 

Durante a XXXI Olimpíada do Rio de Janeiro, alguns fatos que circularam nas mídias – fora do contexto esportivo – causaram polêmica à opinião pública, sobretudo, a carioca que foi diretamente afetada, bem como tentativas de converter a situação de configurada com elogios a outros produtos do mesmo gênero. Como se isso fosse apagar a primeira impressão...

Quem teve ou tem o hábito de frequentar as praias cariocas, ficar parado no meio de um engarrafamento nas principais vias expressas da cidade ou participar de algum evento cultural já deve ter experimentado o biscoito de polvilho Globo, vendido por muitos ambulantes.

Pois bem, o biscoito Globo - considerado um dos ícones das praias cariocas – foi citado e criticado em uma reportagem no jornal New York Times (EUA), sob a autoria do repórter americano David Segal, que o classificou como alimento "sem gosto e sem graça, assim como a culinária carioca".

Na respectiva reportagem, ele ainda descreve o biscoito de polvilho como "ar transformado em bolacha, em forma de anel" e, continua a sua crítica, expondo "coloque um na sua boca e será como se seus dentes estivessem em uma festa para a qual sua língua não foi convidada".

Se por um lado, o repórter criticou o biscoito por não corresponder ao seu paladar, por outro lado, este recebeu muitas críticas dos brasileiros que se sentiram ofendidos pela exposição da opinião pessoal do mesmo acerca do referido produto, o qual contradiz – histórico e até culturalmente – a apreciação do povo, sobretudo, carioca. Tendo em vista que, os biscoitos Globo juntamente com o mate, são considerados ícones das praias do Rio de Janeiro, que garantem o elevado consumo e comercialização dos mesmos.

As críticas ao repórter vieram de todas as partes, principalmente, pelos internautas brasileiros nas redes sociais.

Os biscoitos Globo – ao contrário do que se pensa - não são genuinamente cariocas, uma vez que sua origem se encontra ligada à capital paulista, no ano de 1953, com os irmãos Milton, Jaime e João Fernandes Ponce.

De acordo com o levantamento histórico do mesmo, em virtude da separação dos pais, os três irmãos foram morar com um tio que era dono de uma padaria no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Trabalhando com o tio, eles aprenderam a fazer biscoitos de polvilho.

Em 1955, por ocasião do 36º Congresso Eucarístico Internacional na cidade do Rio de Janeiro, os irmãos decidiram viajar para a capital carioca, na intenção de aproveitar o grande contingente de católicos na cidade para vender seus biscoitos.

Na época, a cidade do Rio se transformou na capital mundial do catolicismo, tamanha a importância do evento religioso e a quantidade de pessoas participantes. E, durante o Congresso Eucarístico, os biscoitos de polvilho não só agradaram como foram um sucesso de venda, indicando que o Rio de Janeiro seria o mercado ideal para a sua comercialização. Com base nisso, os irmãos Ponce decidiram ficar de vez na cidade do Rio.

E foi, justamente, no Rio que o biscoito recebeu o nome “Globo”, homônimo à padaria - localizada no bairro de Botafogo - para a qual os irmãos Ponces foram contratados para trabalhar. Os proprietários da padaria Globo tinham mais sete panificadoras e, em todas elas, os biscoitos eram vendidos. E o sucesso e a expansão dos negócios prosseguiram, fazendo com a produção dos biscoitos Globo não pare.

Hoje, o único ponto de distribuição é a fábrica, que funciona de domingo a domingo, das 6h às 20 horas, com uma produção diária de 150 mil pacotes. No verão, a produção aumenta devido a sua comercialização intensa por ambulantes nas praias.  

Tradicionalmente, a embalagem é a mesma e suas cores distintas servem para diferenciar os sabores e, também, serviam para orientar os ambulantes analfabetos: rótulos em cor vermelha para os biscoitos doces e rótulos em verde para os salgados.

Foi Milton Ponce, hoje com 80 anos, que recebeu o repórter americano do New York Times na fábrica do biscoito Globo e, segundo o filho do empresário, Marcelo Ponce, o seu pai ficou muito chateado com os comentários e críticas do repórter David Segal ao sabor do seu produto.

O que se pode dizer quanto a isso é que, não vai ser uma opinião pessoal, única de um estrangeiro, que vai alterar a história, o gosto e o consumo de um biscoito que representa mais que um produto do gênero alimentício... Representa um grande símbolo carioca. 


Fontes de Pesquisa: 






sábado, 6 de agosto de 2016

Olimpíadas Rio 2016: Quem merece medalha não vai participar

Imagem capturada na Internet

O título deste artigo é um tanto confuso, reconheço! Mas, diante de tantas polêmicas que cercaram a realização das Olimpíadas 2016, em nossa cidade (Rio de Janeiro), há de se pensar que, realmente, quem merece uma ou todas as medalhas neste megaevento não vai estar disputando, efetivamente, um ou mais esporte dentre as 42 modalidades olímpicas.  

Oficialmente, a abertura da Olimpíadas 2016 aconteceu ontem, à noite (sexta-feira) às 20h, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Falo oficialmente, porque alguns jogos de futebol – uma de suas modalidades – já haviam sido realizados desde quarta-feira.  

Cercada de polêmicas acerca tanto tanto ao Zica vírus quanto à situação política e econômica do país e, sobretudo, dos servidores do estado do Rio de Janeiro, várias manifestações populares marcaram o período que antecederam as Olimpíadas, intensificando-se neste ano em razão do agravamento da crise econômica e, principalmente, das medidas tomadas pelo Governo Estadual em prejuízo ao funcionalismo público, nas suas mais diversas áreas de atuação (Educação, Saúde, Segurança/polícia civil e militar etc.).

Ontem mesmo houve protesto na Tijuca, nos arredores da Praça Saens Peña, com integrantes do movimento de ocupação das escolas da rede estadual do Rio.

Com relação à epidemia do Zica Vírus, as autoridades da área de Saúde já haviam notificados em face da preocupação mundial, que a taxa de infecção se encontrava em declínio, apresentando menor probabilidade devido à época dos jogos, coincidente com a estação do inverno, caracterizada por condições climáticas mais secas (com menos chuvas).

Pelo que eu li nos últimos meses, muitos atletas estrangeiros desistiram da competição em razão desta preocupação, mas – realmente – a época de maior incidência do mosquito Aedes aegypti e do seu ciclo de reprodução é no verão. Não havendo, com isso, grandes riscos para a população local e os visitantes (atletas estrangeiros e turistas).

Por outro lado, as manifestações populares protagonizadas por diversas categorias dos servidores públicos tiveram razões pautadas na realidade de cada classe em face da má gestão do dinheiro público e dos efeitos sobre os mesmos.


Imagem capturada na Internet
Fonte: O Globo

 Imagem capturada na Internet
Fonte: Revista Veja


Imagem capturada na Internet
Fonte: Revista Veja


Imagem capturada na Internet

Questionar à realização dos Jogos Olímpicos foi muito tardio. A pressão efetiva deveria ter sido arrolada há, mais ou menos, 7 anos (2009), quando a cidade era candidata e foi escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), desbancando Madri, capital da Espanha.

Ela não deveria se candidatar mediante a situação de sua infraestrutura e de serviços que deixa a desejar, sobretudo, à população local. 

Tudo bem que não podemos esquecer que o legado olímpico é para a cidade-sede, mas a quem este vai beneficiar? E quais seriam as outras carências que tanto o povo necessita, que não perpassam a nível de esporte? Há outras prioridades... Não restam dúvidas!

Planejamentos ineficientes, desperdício de dinheiro, superfaturamento, desvio de recursos públicos e outros fatos marcam e sempre marcaram a administração pública em nosso país, seja esta a nível federal, estadual ou municipal. Somado a esse quadro, a crise econômica – que não foi surpresa para ninguém – acirrou mais ainda a precária situação do nosso estado.

É notório que os investimentos em termos de transportes e de malhas viárias foram os de grandes projeções e ganhos para a população, assim como a revitalização da região portuária da cidade, em termos cultural e de lazer. Mas, deixar de lado outros serviços vitais para a população ou até piorá-los é algo inadmissível.

E quando menciono “torná-lo pior” me refiro a escassez de materiais de consumo, dispensa de recursos humanos (principalmente terceirizados), suspensão ou parcelamento de salário do funcionalismo, de não pagamentos de contratos com empresas terceirizadas, entre outros fatos.

Daí, as razões – entre outras – aos diversos protestos espalhados e protagonizados pelo funcionalismo público, sobretudo, da rede estadual.

Retornando ao início deste artigo, onde menciono a questão do título ambíguo, fica em claro que o merecedor de medalha olímpica é o povo carioca, pois além da grande maioria não poder participar nos estádios como telespectador, em razão dos preços, ele vai assistir as disputas, em casa, sabendo que o dinheiro empregado na realização do megaevento em sua cidade poderia ser bem aplicado - pelo menos - nas áreas da Saúde e Educação, as quais já amargam – historicamente – a escassez de investimentos significativos.

 Imagem capturada na Internet

Não sou contra a Olimpíadas, mas a sua realização diante dessa situação caótica nas diferentes esferas de prestação de serviços e a própria incerteza quanto ao pagamento de salário integral do funcionalismo público estadual acaba tornando a Olimpíadas em um evento esportivo discordante com a realidade social e econômica do povo carioca, que sofre com as mazelas, sobretudo, nessas duas áreas fundamentais (Saúde e da Educação).

Só para se ter uma ideia, até aonde eu tomei conhecimento, os aposentados ainda não receberam o seu salário, como a maioria dos ativos. E isso me deixa indignada, pois - com certeza - muitos dos aposentados, devido a faixa etária elevada, além de terem suas contas a pagar, tomam medicamentos em razão de problemas de saúde, os quais não podem deixar de administrados. É triste ver essa situação em face dos gastos que paira na realização do megaevento esportivo como os Jogos Olímpicos, com investimentos federal, estadual e municipal.

Mas, torcer para que tudo dê errado, não faz o meu feitio e, muito menos, do espírito de acolhimento que o povo brasileiro e o próprio megaevento traduzem. Nada vai mudar! Os políticos e, sobretudo, os governantes é que devem mudar as suas metas de atuação, pensando mais no povo, na infraestrutura urbana e serviços da grande massa populacional. 

Por isso, espero que o sentimento esportivo e o espírito universal de união e paz entre os diversos povos que, aqui, conviverão durante os 19 dias de competições, seja mantido e assegurado com respeito e amizade.   

A cerimônia de abertura, no Maracanã, foi linda e bem organizada. A empolgação e energia emanada no estádio nos faz ter orgulho de ser brasileira e carioca de alma, da gema ou da clara.