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segunda-feira, 16 de abril de 2018

2018: Registros de Terremotos no Brasil


 Imagem capturada na Internet


Aproveitando o conteúdo abordado em sala de aula com os últimos acontecimentos no Brasil...
 
Como já expliquei em sala de aula e, também aqui, neste espaço, o Brasil se encontra localizado em uma zona de estabilidade tectônica, tendo em vista que o nosso território está situado, mais ou menos, no meio da placa Sul-americana, ou seja, está numa região “intraplaca, distante de ambas as bordas da placa tectônica. Daí não termos abalos sísmicos (terremotos) de grandes intensidades e nem vulcões ativos.
 
 Localização do nosso país na Placa Sul-americana
Imagem capturada na Internet
Fonte: UOL Notícias 

No entanto, somos submetidos esporadicamente a tremores de terra (sismos) devido aos efeitos das acomodações das camadas internas da Terra e/ou da movimentação convergente de placas tectônicas, próximas, que podem repercutir em nosso território. Mas, estes tremores são sempre de baixa intensidade e magnitude.
 
A placa Sul-americana está em movimentação no sentido divergente da placa Africana, ou seja, caminhando para o Oeste. Contudo, na porção Oeste da América do Sul, esta vai de encontro à placa Nazca, em movimento convergente, o que imprimi à região uma dinâmica de grande instabilidade tectônica, marcada por abalos sísmicos, atividades vulcânicas e ocorrência de dobramento moderno.
 
 Contato por subducção da Placa Nazca
com a Sul-americana, que deu origem
à Cordilheira dos Andes, na porção Oeste da América do Sul
Imagem capturada na Internet
Fonte: IFECT - RN

Nas bordas das placas tectônicas que se convergem ocorrem os maiores e mais violentos terremotos. O movimento convergente entre as placas tectônicas pode ocorrer de três formas: por colisão, subducção e deslizamento lateral.
 
No caso do encontro da nossa placa tectônica com a placa Nazca, ocorre a subducção desta última que, por ser mais pesada, mergulha abaixo da placa Sul-americana que, por ser mais leve, sofre dobramento. Esse movimento convergente das placas Nazca e Sul-americana, por subducção, deu origem à Cordilheira dos Andes.
 
Vale ressaltar, ainda, que a movimentação das placas tectônicas continua. Elas estão permanentemente em movimento, algumas no sentido divergente, outras, convergentes. A placa Nazca, por exemplo, mergulha abaixo da placa sul-americana a uma velocidade de 70 mm por ano, segundo Apolo 11.
 
Isso explica, também, o fato do nosso país não ter – hoje – vulcões ativos e nem a ocorrência desta estrutura geológica em seu território, isto é, os dobramentos modernos (montanhas dobradas recentes).
 
Mas, o Brasil não está livre de ocorrência de terremotos. Tanto é que vários ocorrem naturalmente, seja por efeitos das acomodações das camadas internas da Terra seja pela ocorrência de sismos em áreas próximas, cujas propagações das ondas sísmicas chegam até ao nosso território, com baixa intensidade.
 
Já tivemos uma vítima de terremoto... Isso aconteceu, em novembro de 2007, na cidade de Itacarambi (Minas Gerais), quando a parede de um quarto caiu em cima de uma criança, de 5 anos, que dormia na cama, no exato momento. Segundo reportagem na época, o material de construção era de baixa qualidade.
 
O referido terremoto foi de 4,9 graus na escala Richter. Além dessa perda humana, outras vítimas ficaram feridas, sem e com gravidade, causando também muitas perdas materiais, como 6 casas, em um total de 76 residências afetadas, que foram destruídas.
 
Neste início de ano (2018), pelo que eu tomei conhecimento, já foram cinco terremotos registrados em nosso país.
 
O primeiro tremor de terra foi sentido no estado de Mato Grosso, no dia 31 de janeiro, entre os municípios de Rondonópolis e o de Pedra Preta, a 243 km da capital, Cuiabá. O terremoto de magnitude 3,5 graus na escala Richter, não causou danos materiais ou vítimas.
 
De acordo com especialistas na área de Sismologia, a causa do abalo sísmico foi uma falha geológica.
 
 Localização das principais falhas geológicas do Brasil
Imagem capturada na Internet
Fonte: Apolo 11
 
 
O segundo foi sentido no Nordeste, em alguns bairros de Maceió, capital do estado de Alagoas, no dia 03 de março. O tremor de terra foi de 2,5 graus na escala Richter, considerado também de baixa magnitude.
 
Apesar desta magnitude não ser perceptível pela população e não causar danos ou perdas materiais, em diversos bairros de Maceió houve registro de rachaduras em imóveis e em ruas, causando pânico na população.
 
O terceiro terremoto deste ano, considerado moderado, ocorreu no dia 15 de março, a 89 km da cidade de Tarauacá, no Acre, a 587 km de profundidade. Sua magnitude foi de 4,5 graus na escala Richter.
 
De acordo com o site Apolo 11, as causas seriam a proximidade da região de subducção da placa Nazca com a placa sul-americana.
 
Neste mês de abril, o país já sofreu mais dois tremores de terra. O primeiro, no início do mês (02/04), foi em consequência do terremoto ocorrido na Bolívia, país sul-americano que faz fronteira com o Brasil, o qual foi sentido em diferentes estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul.
 
 Imagem capturada na Internet
 
O terremoto de magnitude 6,8 graus na escala Richter teve o seu epicentro no Sul da Bolívia, a uma profundidade de 557 km, a 13 km da região de região de Carandayti. O sismo também foi sentido em regiões mais ao norte do país. Não houve registro de danos materiais e nem vítimas neste episódio tectônico.
 
O segundo tremor de terra deste mês e, até o momento, o quinto do ano, ocorreu na última 6ª feira (13/04), em Santa Catarina, na região Sul do país. A diferença deste é que o sismo ocorreu na plataforma continental do estado de Santa Catarina, a cerca de 65 Km da capital, Florianópolis, que é uma ilha.
 
Os tremores foram sentidos tanto nas regiões Norte e Sul da ilha quanto em São João Batista, município localizado no continente e que faz parte da Grande Florianópolis.
 
Como podemos constatar, apesar do nosso país estar localizado numa zona de estabilidade tectônica, eventos desta natureza não são raros, pelo contrário! Mas, devido a sua localização geográfica em uma região intraplaca, os tremores de terra são de baixa magnitude, o que nos deixa - de certa forma - mais aliviados.
 
Fontes de Pesquisa
 
. Terremoto com epicentro na Bolívia é sentido em diversas cidades do Brasil
   Portal G1
 
. Terremoto de 4.5 pontos é registrado a 89 km de Tarauacá, AC - Apolo 11
 
. Tremor de terra de magnitude 3,5 é registrado em Rondonópolis (MT)
   Portal G1
 
. Tremor de terra derruba casas e mata criança em MG -  Portal G1
 
. Tremor de terra de 2,5 graus atinge Maceió, diz UFRN - Exame
 
. Tremor de 3,6 pontos na escala Richter atinge costa de Florianópolis, confirma USP  -  DC

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Terremoto no México: o Maior em um Século no País

Hotel parcialmente desmoronado
em Matias Romero (Oaxaca)
 Imagem capturada na Internet
Fonte: Portal G1 (Foto de Félix Marques/AP)

 
Como se não bastassem as tempestades tropicais e os furacões que vêm afligindo a região do mar do Caribe (América Central Insular) e o Sul e Sudeste dos EUA, na chamada “Temporada de Furacões”, em termos de desastres naturais, um outro fenômeno natural aconteceu, na ontem (07/09), no México (América do Norte), mas de origem totalmente diferente.
 
Ontem à noite (07/09), o sul da costa pacífica do México sofreu um forte terremoto, o maior em um século (100 anos).
 
Evidentemente que estou falando de duas dinâmicas antagônicas, isto é, os furacões que estão associados à dinâmica externa (agentes exógenos) e dos abalos sísmicos (terremotos) que têm a ver com a dinâmica interna (agentes endógenos).
 
Ao contrário, dos primeiros, o terremoto não há como se precaver, apenas ter conhecimentos das áreas onde estes são mais ativos, sobretudo, em áreas de movimentos convergentes (encontros) de placas tectônicas.
 
O terremoto do México, de magnitude 8,2 graus na escala Richter, é um dos mais fortes já registrados em toda a América Latina e o maior no país em um século (100 anos).
 
Ele só não causou maiores danos materiais e, também, em termos de perdas humanas porque o seu hipocentro foi a 58 km de profundidade, enquanto o seu epicentro foi a 133 Km a sudoeste de Pijijiapan, em Chiapas  
 
A nível de esclarecimento... Hipocentro corresponde ao ponto, no interior da crosta terrestre, onde se tem o foco do terremoto (de onde se origina os abalos sísmicos), já o Epicentro é o ponto da superfície terrestre atingido pelo terremoto.
 
Vale ressaltar, aqui, que há certa divergência quanto às informações sobre a magnitude e profundidade do hipocentro do mesmo, entre o Serviço Sismológico Nacional (SSN) do México e a Agência Geológica Americana (USGS). Enquanto o primeiro indicou magnitude de 8,2 e profundidade de 58 Km, a Agência estadunidense confirma sendo o tremor de magnitude 8,1 e profundidade de 70 km. Daí a confusão acerca das informações divulgadas nas mídias.
 
 Imagem capturada na Internet
Fonte: BBC Brasil
 
 
Información sobre sismo 2017-09-07 23:49:18
Retirado diretamente do SSN
 
  Magnitud: 8.2 (actualizada)
Ocurrido el 2017-09-07 a las 23:49:18 horas (tiempo del Centro de México)
Localización del epicentro: 133 km al suroeste de Pijijiapan, Chiapas
Latitud: 14.85°, longitud: -94.11°
Profundidad: 58 km
Réplicas: 337 hasta la 1:00 pm (la mayor de M 6.1)


 
De acordo com o que foi divulgado nas mídias, o sismo foi sentido em quase todo o território do  México (o centro e sul do país), além de vários países da América Central, o que gerou também alertas de formação de tsunami em oito países (México, Guatemala, El Salvador, Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Honduras e Equador). No entanto, no início da manhã de hoje (08/09), esse alerta foi suspenso.
 
Vários abalos secundários, com magnitudes variando entre 4,3 e 5,7, foram registrados no mar, próximos à costa litorânea do México. A preocupação agora é de haver algumas dessas réplicas de magnitudes elevadas e intensas, capazes de causar danos tão severos e agravar, mais ainda, a situação caótica em que as principais cidades afetadas se encontram (cidades de Oaxaca, Chiapas e Tabasco).
 
Até o presente momento, já foram confirmadas 64 mortes (dados atualizados em 09/09 às 18h00), mas o número tende a aumentar em decorrência do horário do terremoto (quase meia noite, hora local) e desmoronamento de vários  prédios, onde famílias já se encontravam dormindo. 
 
 
 
 Imagem capturada na Internet

Fonte: Portal G1 (Foto de Félix Marques/AP)
 
 
Imagem capturada na Internet
Fonte: Portal G1 - Foto Luís Alberto Cruz/AP
 

  Aeroporto Internacional Benito Juárez
(Cidade do México)
Imagem capturada na Internet
Fonte: El País - Foto de Edgard Garrido/Reuters
 

Imagem capturada na Internet

Fonte: El País
 

 
 Fontes de Consulta
 
 
 
 
 
 

 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Haiti no Meio das Forças Antagônicas da Dinâmica da Natureza

Furacão Matthew no Mar do Caribe
Imagem de satélite registrada pela Nasa
Imagem capturada na Internet


Aproveitando os últimos fatos ocorridos no continente americano, sob contexto da dinâmica ambiental ou, como alguns preferem dizer a “Fúria ou Ira da Natureza”, eu chamei a atenção dos alunos sobre a situação e localização geográfica do Haiti e demais países da América Central Insular.

Enfatizei mais o Haiti em razão das correlações de dois eventos ocorridos em seu território à dinâmica ambiental da região, onde o país se encontra localizado e que agravaram diretamente as suas condições socioeconômicas, precárias, as quais o colocam como o mantém como o país mais pobre de todo o continente americano.


Se já não bastasse a pobreza por qual perpassa a grande maioria de sua população, vivendo com cerca de US$ 2 por dia, a sua localização geográfica o torna, constantemente, sujeito às instabilidades da dinâmica natural da região, tanto no que se refere a ação dos agentes endógenos (ligados ao tectonismo) quanto dos agentes exógenos (ligados ao clima), os quais contribuem de forma bastante negativa para aumentar o caos econômico e social da sua população.

Segundo um Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado no dia 13 passado (quinta-feira passada), o Haiti é o país com o maior número de vítimas fatais por catástrofes naturais.

O relatório ainda destaca que os países que apresentam elevados números de mortes por desastres naturais são, em geral, subdesenvolvidos e/ou em desenvolvimento, levando à conclusão que as estatísticas relacionadas a esses números de mortos estão diretamente associadas ao nível de desenvolvimento do país e de renda da população.

Isso é inquestionável, pois a quase totalidade ou todos os países subdesenvolvidos (e até, muitos em desenvolvimento) não possuem equipamentos de monitoramento permanente acerca do acompanhamento e observações (prevenção) a esses eventos, sobretudo, os de caráter tectônico, muitas vezes não apresentam infraestrutura adequada e com material de qualidade em termos de construções (habitações, escolas, hospitais etc.) e nem logística eficiente para abrigar e proteger as vítimas desses eventos naturais. Daí o número elevado de vítimas fatais, seja em fenômenos ligados à dinâmica interna e/ou externa da Terra.

Não é à toa que os especialistas sempre ratificaram que quem mais sofrerá os efeitos do Aquecimento Global são as populações pobres.

O referido relatório ainda assinala que, em geral, os terremotos e tsunamis (ondas gigantes formada após um abalo sísmico no fundo do mar/maremoto) são os que causam mais vítimas fatais, seguidos pelos fenômenos relacionados ao clima.

Em janeiro de 2010, o país sofreu um forte terremoto, de magnitude 7,0 graus na escala Richter, com epicentro a 16 Km ao sudoeste de sua capital, Porto Príncipe, o que foi mais agravante, pois atingiu uma área bastante populosa e pobre. Este sismo foi considerado o mais mortal dos últimos 20 anos, que resultou na morte de mais de 220 mil pessoas no Haiti.


O Haiti se encontra localizado na porção oeste da ilha Hispaniola, do outro lado, em sua porção leste, se localiza a República Dominicana. A referida ilha está situada em um ponto de convergência (encontro) entre as placas tectônicas (placas do Caribe e a Norte-Americana), cujo movimento se faz por deslizamento lateral (a placa Norte-Americana se movimenta em direção leste-oeste, enquanto a placa do Caribe se movimenta em direção oposta). O ritmo médio do deslizamento lateral entre as placas tem sido na ordem de 8 milímetros por ano.

Ilha Hispaniola (Haiti e Rep. Dominicana)
Imagem capturada na Internet


Detalhe da Placa do Caribe, sobre a qual se encontra o Haiti
Imagem reproduzida no Adobe Photoshop


Além deste movimento entre as placas, há um sistema de falhas no país, composto pela falha Setentrional, ao norte, e pela falha Enriquillo-Plaintain Cargen, ao sul do Haiti. Esta última se estende da República Dominicana à Jamaica e foi a responsável direta pelo terremoto no Haiti, ocorrido no dia 12 de janeiro de 2010.


Movimento das Placas por deslizamento lateral
Imagem capturada na Internet
Fonte: Apolo11.com

De acordo, com as notícias vinculadas, na época, logo depois do grande tremor de terra, dois fortes abalos ocorreram, cujas magnitudes foram de 5,9 e 5,5 graus na escala Richter, respectivamente. Depois, mais de 30 abalos ocorreram no período das 10 horas subsequentes.

Além das perdas humanas, mais de 220 mil pessoas, as perdas materiais (construções) e econômicas foram bastante significativas. A epidemia de cólera, após o terremoto, foi outro problema no país, pois provocou a morte de mais de 9.000 pessoas.  

Após esse episódio tectônico, em 2010, o Haiti também presenciou a redução de sua população, visto que uma grande onda de emigração foi desencadeada após o terremoto. Além dos vários haitianos deslocados, internamente, isto é, aqueles que migraram para outras cidades do próprio país (deslocados internos) houve um elevado número de emigrantes, que buscaram melhores condições de vida em outros países, inclusive, no Brasil.  

Estima-se que mais 45 mil haitianos vieram para o nosso país desde 2010, após o forte terremoto no Haiti. No entanto, muitos estão deixando o Brasil diante das dificuldades encontradas em razão da crise econômica por qual passa o país. 


Imagem capturada na Internet
Fonte: Pressenza 
(Crédito da Imagem: http://bit.ly/1qceOv4)

Apesar de já ter passado seis anos, o país ainda sofre sequelas deste forte terremoto, pois a reconstrução efetiva das áreas arruinadas direta e/ou indiretamente pelo episódio tectônico não foi concluída.

E, se não bastasse isso e o temor de outros abalos sísmicos, dos quais o Haiti está sujeito por sua localização geográfica entre placas tectônicas – assim como outros países da América Central (Continental e Insular), o país tem mais um agravante de conotação natural proveniente da dinâmica externa, ou seja, ligada às intempéries climáticas (agentes exógenos), pois ele está situado também na rota dos ciclones tropicais e dos furacões.

Imagem capturada na Internet


Com isso, mais uma vez, o Haiti ficou sucumbido às forças da natureza e sofreu uma nova catástrofe em consequência de um fenômeno exógeno, isto é, a passagem de um furacão.

No dia 04 de outubro, o furacão Matthew, de categoria 4 (em uma escala que vai até 5), com ventos de cerca de 230 km/h chegou ao país, trazendo - mais uma vez - um rastro de destruição, dor e sofrimento

Árvores, postes, marquises e pontes foram derrubados, assim como foram destruídas inúmeras construções (casas, hospitais, escolas etc.) e plantações. E, para piorar a situação, o número de mortos foi bem elevado, calcula-se que cerca de mil pessoas morreram e 175 mil ficaram desabrigados.

De acordo com as informações publicadas nas mídias, estes números podem aumentar, pois nem todas as áreas afetadas diretamente pelo furacão Matthew foram contabilizadas.

São mais de 2 milhões de habitantes afetados pelo furacão Matthew e necessitando de ajuda humanitária. Em muitas localidades, além da destruição das lavouras e da perda de gado, os estoques de água também foram danificados, o que aumenta consideravelmente os riscos de novas epidemias de cólera, malária e da incidência de desnutrição.

O Haiti está enfrentando seu maior desastre humanitário 
desde o terremoto de 2010” 
(Mourad Wahba, coordenador humanitário da ONU).


Danos causados pela passagem do Furacão Matthew 
Imagem capturada na Internet
Foto: MINUSTAH / Logan Abassi


Cidade de Jeremie, no Haiti
 Imagem capturada na Internet
Fonte: Revista Veja -  Foto: Nicolas Garcia/AFP 


Menina carrega galão de água após a passagem do furacão Matthew.
 Surto de cólera é mais uma ameaça à vida da população haitiana.
Imagem capturada na Internet
Fonte: Revista Veja


Resumindo a formação do Furacão

Imagem capturada na Internet


Fontes de Consulta

. Agência Brasil

. El País

. Jornal O Globo impresso (várias edições)

. Nações Unidas no Brasil

. Portal G1

. Revista Veja

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Entendendo os Reflexos do Terremoto no Chile em Terras Brasileiras



Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
Fonte: UOL Notícias Internacional (Foto: Ivan Alvarado/Reuters)

A melhor sensação que um professor pode ter é quando um aluno demonstra, por iniciativa própria, que aprendeu a matéria ou quando ele consegue fazer - no caso da minha disciplina (Geografia) - a correlação entre o tópico abordado em sala de aula com a reportagem do telejornal, por exemplo. E isso aconteceu...

Alguns alunos, tanto do Ensino Fundamental II quanto do Ensino Médio, assistiram os noticiários na TV e, no dia seguinte, me procuraram para comentar sobre o forte terremoto ocorrido no Chile, no dia 16/09, o qual foi sentido em São Paulo e em outras cidades brasileiras.
 
Como já havíamos visto este conteúdo em sala de aula, o que mais foi enfatizado por eles foi o fato dos tremores terem sido sentidos aqui, no Brasil.

O terremoto no Chile, de magnitude 8,3 graus, foi no mar e ocorreu à noite, próximo à região de Valparaíso, a 232 km de Santiago (capital do país) e a 55 km a oeste da cidade de Illapel.

 Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
 
Logo depois, um alerta de tsunami obrigou que um milhão de pessoas deixasse suas residências na área costeira (Pacífico), onde as ondas atingiram 4,5 metros de altura. O mesmo alerta foi transmitido ao Peru, ao Havaí (EUA), Califórnia (EUA) e até à Nova Zelândia.
 
De acordo com os dados divulgados nas mídias, o terremoto causou a morte de oito pessoas. Após o forte terremoto foram registradas, pelo menos, 20 réplicas, sendo algumas de magnitude 6 graus.
 
Tremores foram sentidos em alguns estados brasileiros, como em São Paulo, os quais foram registrados na capital e, também, nas cidades de Guarulhos, Osasco, Campinas e Santos. Além destas cidades houve registro nas cidades de São José (Santa Catarina), Fortaleza (Ceará), Belém (Pará), Porto Alegre e Santa Maria (Rio Grande do Sul), bem como em municípios dos estados de Minas Gerais e do Maranhão.
 
Os tremores foram de baixa intensidade e, por isso, não houve registro – em nenhuma das cidades brasileiras atingidas - de danos materiais e nem de pessoas feridas.
 
Em geral, o termo terremoto é empregado quando o abalo sísmico é de grande magnitude. Já a expressão sismo é usada para qualquer vibração ou tremor de terra. 
O Hipocentro ou foco do terremoto se localiza no interior da crosta terrestre e este consiste na fonte de onde partem e se propagam as ondas sísmicas. Já o Epicentro é o ponto da superfície terrestre, onde os efeitos do mesmo vão ser sentidos e desencadeados. O Epicentro se localiza diretamente sobre o Hipocentro.
O epicentro do terremoto que ocorreu no Chile foi localizado a 71 Km da cidade de Illapel, na Província de Choapa, ao norte de Santiago, capital do país.
 

Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo
 
Outros conceitos que devemos distinguir são: magnitude e intensidade dos terremotos, pois ambos possuem concepções distintas.

A magnitude é uma medida quantitativa do tamanho do terremoto, estando relacionada à energia sísmica liberada no foco (Hipocentro) e a amplitude das ondas vibratórias, que se deslocam do Hipocentro ao Epicentro.

O aparelho usado para medir a magnitude dos sismos é denominado de sismógrafo. Este tem por base as ondas sísmicas que se propagam a partir do ponto de origem (Hipocentro).

A escala utilizada para quantificar a magnitude local é a Escala Richter. No seu início, a Escala era graduada de 0 a 9, mas após a ocorrência de terremotos de magnitude superior a este grau, a mesma passou a ser considerada "Escala aberta" de Richter.

Já a intensidade sísmica é uma medida qualitativa dos efeitos do terremoto na superfície terrestre. Esses efeitos são avaliados a partir da observação "in loco" tanto em termos de danos ambientais quanto de perdas humanas e materiais (construções).

Na classificação da intensidade dos terremotos, ou seja, dos seus efeitos na superfície terrestre, é utilizado a Escala de Mercalli Modificada, sobretudo no Ocidente, a qual possui 12 graus (em algarismos romanos).
Ainda, vale ressaltar que a intensidade sísmica nem sempre tem correlação direta com a magnitude do abalo sísmico, pois um forte terremoto pode ter - tanto uma alta intensidade quanto baixa, assim como um terremoto de menor magnitude, também.
 
Na verdade, o grau da intensidade dos sismos vai depender da ocorrência de outros fatores (internos e/ou externos), a saber:
 
- Profundidade Focal (distância entre o Epicentro e o Hipocentro);
 
- Distância Epicentral (distância angular entre o foco e a estação sismológica que registrou o sismo);

- Estrutura geológica da área afetada, com disposição ou não de relevo na região (podendo haver deslizamento de terra e soterramento de áreas habitáveis);
 
- Qualidade das construções civis (edificação com material de baixa qualidade é mais susceptível a desmoronar).
 
A falta de planejamento por parte das autoridades competentes, a inexistência de uma Estação Sismológica local ou próxima (monitora os sismos) e, até mesmo, as condições socioeconômicas agravam a situação nestas áreas de maior instabilidade tectônica, sujeitas a abalos sísmicos e vulcanismo constantes.
 
Para ilustrar bem esta situação, basta comparar a intensidade (os efeitos) do terremoto que ocorreu em dois países distintos, o quais se caracterizam por condições socioeconômicas desiguais: o Haiti (país latino-americano, subdesenvolvido) e o Japão (país asiático, desenvolvido), vejamos:

HAITI
. Data do Terremoto: 12/01/2010
. Magnitude: 7,0 (Escala Richter)
. N˚ de Mortos: 200 mil
 
JAPÃO
. Data do Terremoto: 10/03/2011
. Magnitude: 8,9 (Escala Richter)
. N˚ de Mortos: 13 mil
 
Os que eles têm em comum é a localização próxima à borda da placa tectônica de limite convergente com outra placa, configurando-se assim em áreas de grande instabilidade tectônica. E um dos aspectos que eles têm em incomum, já mencionado acima, é a condição socioeconômica discrepantes de ambos.

O Haiti, considerado o país mais pobre do continente americano, não investe em medidas preventivas e/ou mitigadores aos efeitos de um terremoto. E para piorar, por ocasião do terremoto de 2010, o seu Epicentro foi em uma área populosa e pobre (construções precárias) e nada mudou, praticamente, em termos de sua reconstrução e melhorias.
 
Já o Japão, que faz parte do Grupo dos 7 países mais ricos do mundo (G7), investe em prevenção aos abalos sísmicos naturais. E, embora, os investimentos sejam altos em termos infraestrutura, como sistema de molas (espécie de amortecedor) nas fundações dos prédios mais modernos para absorver o abalo por ocasião dos sismos, os fenômenos tectônicos e seus efeitos são sempre imprevisíveis e sinalizam perigo.
 
Desde 1981, a legislação japonesa determina que toda e qualquer construção a ser erguida precisa ter uma fundação resistente a fortes terremotos. As edificações mais antigas, anteriores à publicação da referida Lei, são aconselhados a reforçar as suas estruturas. O Governo contribui diretamente com parte das reformas.
 
Mapa-Múndi com a disposição das Placas Tectônicas
Imagem capturada na Internet (Fonte: Eco4u)

Para entender a origem dos terremotos e outros fenômenos tectônicos associados é preciso compreender a dinâmica interna da Terra e os movimentos das placas tectônicas.
 
Como é possível verificar na imagem acima (mapa), a superfície terrestre se encontra fragmentada em “pedaços”, de diferentes tamanhos. Na verdade, esses “pedaços” são as chamadas placas tectônicas. Estima-se que sejam 15 placas tectônicas, ao todo, as quais se encontram em constante movimento. 
 
Sob este contexto, vale relembrar a diferença entre crosta terrestre e litosfera, uma vez que as placas tectônicas são fragmentos da litosfera e não da crosta, apenas.
 
A crosta terrestre é a camada sólida da Terra, constituída por rochas e minerais. Ela é subdividida em crosta continental e crosta oceânica. Já a litosfera é constituída da crosta terrestre juntamente com a parte superior do manto.
 
Abaixo desta tem-se o manto inferior, que é bem mais quente (com temperaturas chegando até 870º C), o qual é chamado de astenosfera (esfera sem força, de baixa velocidade). É sobre a astenosfera que as placas tectônicas se movimentam 
 
As responsáveis pela movimentação das placas tectônicas são as correntes de convecção do magma. O magma ao extravasar na superfície afasta uma placa da outra, as quais vão ser direcionadas em sentidos contrários. Se de um lado, as placas se afastam, no outro lado, elas se encontram com outra placa.
 
Com isso, o movimento das placas tectônicas pode ser divergente, quando uma placa se afasta da outra (como foi o caso da placa Sul-Americana em relação à placa Africana) e convergente, quando o contato da placa com a outra se faz por colisão, subducção e deslizamento lateral.
 
Movimento divergente das placa Sul-Americana e a Africana
Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo
  (Em nota, a fonte explica que as cores vermelhas
assinalam as áreas onde foram encontrados 
os mesmos tipos de rochas e fósseis)  
 
 
As áreas de convergência de placas tectônicas caracterizam-se por maior instabilidade tectônica, onde se verifica a grande ocorrência de vulcanismo, abalos sísmicos (terremotos e maremotos), formação de cadeia de montanhas dobradas, fossas submarinas etc. 

Nesse movimento divergente, a placa Sul-Americana se move, em média, três centímetros para o oeste, enquanto a placa Africana se movimenta no sentido leste, sob a mesma medida. Com isso, verifica-se um maior distanciamento entre os continentes, a expansão do fundo oceânico e do oceano Atlântico. Este, por sinal, se expande cerca de seis centímetros por ano.

Enquanto, a placa Sul-Americana se afasta da placa Africana, a sua borda a oeste se encontra em movimento convergente à placa Nazca. O contato entre ambas é por subducção. E é, justamente, nesta borda (oeste) que se encontra localizado o Chile (assim como outros países sul-americanos).

Por ser uma área de convergência de placas (encontro), toda a costa pacífica da América do Sul é caracterizada por uma grande instabilidade tectônica, sujeita a terremotos de magnitude elevada, cuja intensidade também pode ser alta e, por isso, ter um efeito devastador na superfície (perdas materiais e humanas, entre outros aspectos).
 
Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo


Daí, a ocorrência – em seu território – de atividades vulcânicas e abalos sísmicos (terremotos e maremotos), sem esquecer da disposição da Cordilheira dos Andes, que é um exemplo de Dobramento Moderno, gerado pelo contato de ambas placas tectônicas.

 Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo
Fonte: Wikipédia
 

No caso de movimento convergente ser do tipo colisão, o exemplo a ser destacado é o encontro das placas Indo-Australiana e a Euroasiática, que causou a formação da Cordilheira do Himalaia, onde está localizado o pico culminante da Terra, o Monte Everest (8.848 m).


Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo
Fonte:
(Imagem modificada no Adobe Photoshop)

 
No caso do contato por deslizamento lateral, as duas placas tectônicas se movimentam em direções opostas, ao longo de um sistema de falhas, denominadas de "falhas transformantes".
O exemplo clássico de deslizamento lateral é o que ocorre ao longo da Falha San Andreas, na região costeira da Califórnia (EUA), envolvendo a placa Pacífica (a oeste) e a placa Norte Americana (a leste).
Imagem capturada na Internet e modificada (Adobe Photoshop)
  para efeito ilustrativo. Fonte: Geografalando
 
No caso do nosso país, o movimento vinculado à borda leste da mesma (porção junto ao oceano Atlântico) é divergente, ou seja, a placa Sul-americana está em movimento de afastamento da placa Africana. Daí, estarmos em uma situação de estabilidade tectônica.
 
Mas, ao contrário do que muitos pensam, as ocorrências de terremotos em nosso país não são raras. Eles ocorrem, sim, mas são de baixa magnitude e intensidade. Na maioria das vezes, os efeitos (intensidade) na superfície são imperceptíveis ao homem.
 
A não ocorrência de terremotos de grande magnitude e intensidade devido a dois fatores, que lhe imprime esta certa estabilidade tectônica, a saber:

- A localização geográfica do nosso território, mais ou menos, no meio da placa Sul-Americana, isto é, em região intraplaca, distante das bordas da mesma;
-  O movimento divergente (afastamento) da placa Sul-Americana em relação à placa Africana.
Como já comentei com as turmas, o Brasil teve um único caso de morte provocada por efeito de um terremoto. Isso aconteceu, em novembro de 2007, na cidade de Itacarambi (Minas Gerais), quando a parede de um quarto caiu em cima de uma cama, matando uma criança de 5 anos, que dormia naquele momento. De acordo com o que foi publicado na ocasião, o material de construção era de baixa qualidade.

Segundo o pesquisador Marcelo Bianchi, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), os tremores sentidos em nosso país foram reflexos da movimentação das placas tectônicas ocorrida no território chileno.

 

Fontes de  Pesquisa
 

. DOURADO, Carlos: Introdução à Sismologia. UNESP

 
 
. Material didático (particular)