quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Novas Fronteiras Agrícolas da Soja: MAPITOBA



Imagem capturada na Internet (Fonte: Vozes do Verbo) 

Ao tratarmos da questão agrária em nosso país, envolvendo a agricultura moderna, não podemos esquecer de mencionar região que vem sendo apontada como a nova fronteira agrícola do Brasil, que é a MAPITOBA (iniciais dos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), com destaque para o cultivo da soja e a produtividade alcançada pelo estado do Piauí.
 
Além da soja, nesta região se desenvolve as culturas de algodão e milho, entre outras.

Inicialmente, a região era conhecida como MAPITO, pois só abrangia os três primeiros estados, mas com o avanço da fronteira agrícola e a inserção de novas áreas do oeste da Bahia, a região passou a ser denominada MAPITOBA.

 
Na verdade e, como pode ser visto na imagem acima, a região engloba toda área fronteiriça entre os estados citados e que, em razão de sua expansão aumentou a degradação do cerrado, bioma que junto com a Mata Atlântica corresponde aos dois Hotspots brasileiros (vide matéria AQUI!).
 
Imagem capturada na Internet
 
Com uma extensão calculada em torno de 414 mil Km2, quase atingindo o dobro da área do estado de São Paulo, esta região é considerada por muitos produtores como “terras de ouro”, uma vez que os preços relativamente baixos mais a combinação dos fatores naturais com a agricultura moderna tem favorecido a compra e a expansão das terras cultiváveis na região, sobretudo, do agronegócio da soja.
 
A superfície plana, mais ou menos, homogênea quanto às condições climáticas, o tipo de solo e a vegetação original agregados às modernas tecnologias agrícolas proporcionou que os solos se tornassem, potencialmente, produtivos e alvo de procura por muitos migrantes, sobretudo, da região Sul do país, desde o início de sua ocupação.
 
Em contrapartida, a partir da expansão das fronteiras agrícolas para esta região, o aumento da degradação do Cerrado foi imediato e irreversível.
 
Em termos de logística, a região ainda apresenta diversos entraves devido as péssimas condições de serviços, tais como sistemas de comunicação, de transportes terrestre, entre outros.
 
De acordo com o que se tem de matéria jornalística e por outras fontes, sabe-se que entre os estados considerados na região da MAPITOBA, o Piauí é que vem apresentando destaque em termos de produtividade, tendo sido registrado - no período de 2000 a 2012 - a maior produção anual de grãos.

 
 Imagem capturada na Internet (Fonte: Vozes do Verbo)
 

Só para se ter uma ideia, o aumento da área plantada no Piauí de 2013 para este ano (2014) foi na ordem de 23%, passando de 1,118 milhão de hectares plantados para 1,383 milhão de hectares no ano em curso.

De acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), citados no site Agro Link, o referido estado é o 11º maior produtor agrícola do Brasil, com 2,5% na área plantada do território nacional e com uma participação de 1,9% na produção agrária do país.

A produção agrícola do Piauí cresceu 135,3% em relação ao ano passado (2013).

Fontes:

. Agro Link

. Estadão

. Vozes do Verbo
  

Agricultura - Parte II


PRINCIPAIS MODOS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

O modo de como a agricultura é desenvolvida difere muito de um país e/ou região para outra, seja em função da topografia, das condições naturais do solo e do clima, por questões socioeconômicas, das técnicas empregadas, entre outros aspectos.

Em linhas gerais, podemos agrupa-los da seguinte maneira:

 . AGRICULTURA NOS EUA

Caracteriza-se por uma das mais modernas e produtivas formas de produção do mundo.  Trata-se de um zoneamento agrícola (os Green Belts do Nordeste, o Central Belt, o Sul e o Oeste), delimitado por grandes faixas, zonas ou cinturões agrícolas (Belts), escolhido conforme o histórico de povoamento (colonial), as condições climáticas, o tipo de solo e o acesso ao mercado.

- Predomínio da agricultura intensiva e comercial;

- Grandes propriedades rurais (latifúndios altamente produtivos);

- Técnica agrícola: Policultura com elevada mecanização e Agropecuária;

- Produtividade e rentabilidade elevadas;

- Prioridade: Mercado interno;

- Agressiva política de subsídios agrícolas, por parte dos Governos,

- A agroindústria e o agronegócio: mais extensos e desenvolvidos do mundo;

- Inovações Tecnológicas: incorporação dos mais avançados conhecimentos técnicos e científicos às práticas agrícolas;

- Fatores favoráveis: grande extensão territorial, solos férteis, uso de técnicas modernas, subsídios do governo, barreiras comerciais, condições climáticas variadas etc. (um dos maiores exportadores de produtos agrícolas).


 Imagem extraída e trabalhada no Adobe Photoshop
Livro Novíssimo Curso Vestibular - Geografia Geral I e II 
AZZI, Ricardo Gurgel - Nova Cultural  - SP - 1991


De acordo com este Zoneamento Agrícola, podemos observar a seguinte especialização de cultivos no território estadunidense contíguo (com exceção dos estados Alasca e o Havaí):
 
. Oeste (clima semiárido): Citrus Belt ou Dry Farming (frutas e agricultura irrigada), como laranjas, uvas vinícolas, morangos, legumes e verduras. Cria-se o gado leiteiro. Nos planaltos de Colúmbia e Colorado se encontram as maiores propriedades rurais do país, com predomínio da pecuária bovina de corte e a ovina (ovelhas, carneiros, cordeiros);
 
. Leste (clima mais úmido): destacam-se a Dairy Belt (leite), a avicultura e legumes;
 
. Centro-Oeste ou Meio- Oeste (clima úmido): desenvolvem-se o Wheat Belt (trigo), o Corn Belt (milho), o Cotton Belt (algodão) e, também, o Dairy Belt (leite);
 
. Sul (clima subtropical): destacam-se o Fruit Belt (culturas subtropicais), com importantes cultivos de laranja, cana-de-açúcar, tabaco e arroz, além do Cotton Belt (algodão) e da pecuária extensiva.
 
 

OBSERVAÇÃO: Nos cinturões agrícolas, além do cultivo principal, existem também cultivos secundários. Daí, estes não serem monocultores.
 
 
. AGRICULTURA NA EUROPA OCIDENTAL
 
- Predomínio da agricultura intensiva e comercial;
 
- Predomínio das pequenas propriedades, os minifúndios (territórios pequenos e altamente urbanizados);
 
- Técnica agrícola: Policultura;
 
-  A mecanização no campo não é excessiva, embora muito utilizada;
 
- Produtividade e rentabilidade: elevadas;


- O setor agropecuário, em padrão industrial, com alta tecnologia responde pela grande produtividade;

- Prioridade: Mercado interno;
  
- Agressiva política de subsídios agrícolas, por parte dos Governos, favorecendo a formação de excedentes de alguns produtos (exportação);
 
- Emprego de sistema tradicional de cultivo: Rotação Trienal:
 
 
1º Ano
 
Trigo e Beterraba
 
Centeio e Batatinha
 
Forrageira
 
2º Ano
 
Centeio e Girassol
 
Forrageira
 
Trigo e Beterraba
 
3º Ano
 
Forrageira
 
Trigo e Beterraba
 
Centeio e Batatinha
 
 
. AGRICULTURA NA AMÉRICA LATINA E NA ÁFRICA
 
- Os sistemas mais desenvolvidos são a agricultura itinerante e a plantation.
 
. Agricultura itinerante:
 
- Prioridade: subsistência, ou seja, para o próprio sustento do agricultor e de sua família;
 
- Consiste na roça propriamente dita;
 
- Praticada, majoritariamente, pelos membros da família (agricultura familiar);
 
- Técnica agrícola: Policultura;
 
- Pequenas e médias propriedades rurais;
 
- Mão de obra não qualificada;
 
- Emprego de técnicas e instrumentos rudimentares, sob o sistema de derrubada da mata, queimada, plantio e colheita (lavoura sobre queimada), com o uso de enxada, machado, foice e arado;
 
- Emprega poucos recursos para correção e melhorias do solo, em geral, faz-se a prática das queimadas. Quando há o esgotamento do solo, abandona-se em busca de uma outra área para cultivar;
 
- Principais produtos: mandioca, milho, inhame, batata, feijão, arroz de sequeiro, hortaliças etc.;
 
- Baixa produtividade e rentabilidade (quando há a troca do excedente por outros produtos).
 
 Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo de roça
(Fonte: Vozes do Verbo)
 
. Plantation:
 
- Herança de modo de produção colonial, introduzida pelo colonizador europeu (colonização de exploração) e praticada até hoje;
 
- Monocultura;
 
- Prioridade: comercial, voltada para o mercado externo (exportação);
 
- Grandes propriedades rurais (latifúndios);
 
- Emprego de mão-de-obra barata (desqualificada);
 
- Dependendo do tipo de cultura e das condições de trabalho vigentes há uma maior absorção de mão-de-obra, capaz de garantir a produção em larga escala, pautada – na maioria das vezes – na exploração e, até, no chamado trabalho escravo contemporâneo (moderno);
 
- Sob o desenvolvimento de um agronegócio, cada vez mais predominante, a mão de obra é pequena e especializada devido a elevada mecanização do campo;
 
- Os produtores ficam na dependência das oscilações do preço de mercado.
 
Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo de monocultura
 
. AGRICULTURA NA ÁSIA DAS MONÇÕES
 
- Principais áreas de cultivos: Sul e Sudeste Asiático, com destaque para a China, Japão e Tailândia;
 
- Técnica: Policultura;
 
- Pequenas e médias propriedades;
 
- Agricultura tradicional e intensiva, com uso de técnicas mais ou menos aprimoradas, como o terraceamento (em áreas montanhosas), adubação e irrigação;
 
- Prioridade: Mercado interno, contudo a produção da Tailândia é voltada para o mercado externo, sendo o país considerado um dos maiores exportadores mundiais de arroz;
 
- Formas de cultivo: jardinagem (rizicultura em planícies inundáveis) e terraceamento (construção de terraços) em áreas montanhosas;
 
- Principal produto: Arroz (rizicultura). Apesar do arroz ser dominante, há outros cultivos associados (policultura);
 
- Mão de obra abundante: intenso trabalho manual (braçal) em todas as fases (adubação, plantio e colheita), bem como na construção de canais de irrigação, dos terraços e diques;
 
- Boa produtividade (otimização do espaço);
 
- Dependência das condições naturais, sendo semeado durante as monções de verão ou marítimas (época chuvosa).
 
Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo de jardinagem
(Fonte: Vozes do Verbo)


Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo de terraceamento
(Fonte: Wikipédia - Ficheiro: LongjiTerracesCC BY-SA 3.0)
 
 
 Fontes:
 
. AZZI, Ricardo Gurgel - Novíssimo Curso Vestibular: Geografia Geral I e II, Editora Nova Cultura Ltda, SP, 1991.
 
 
. Material Didático particular
 
 
. Wikipédia


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Agricultura - Parte I



Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo (Fonte: Pitimbu Click)

 
A agricultura é uma atividade econômica do Setor Primário. Setor este, desenvolvido – em geral – no espaço rural, onde se obtêm a matéria prima à partir da atividade extrativista e/ou onde a mesma é produzida por meio de cultivos (agricultura) ou na criação de animais.

A agricultura foi uma das mais antigas atividades econômicas dos homens pré-históricos, não esquecendo que antes do desenvolvimento dela, os meios de subsistência deles eram apenas a coleta (extrativismo vegetal), a caça e a pesca (ambas, extrativismo animal).
 
Ele viviam em grupo e eram nômades, isto é, migravam conforme a necessidade de novas áreas com alimentos.  

O período da História correspondente a estes grupos pré-históricos, coletores-pescadores e caçadores e de domínio técnico (confecção de artefatos em pedra lascada, madeira, ossos etc.) é chamado de Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada.

O período subsequente, quando estes aprimoram as técnicas e começam a produzir o machado de pedra, a agricultura passa a ser praticada, assim como a domesticação de animais.
 
Ainda que as atividades anteriores não tenham sido abandonadas em face à técnica de cultivo de alimentos e de criação animais, os grupos passaram a se fixar no local de assentamento, isto é, eles se tornaram sedentários, entre outas características.
Este período ficou conhecido como Neolítico ou Idade da Pedra Polida.
 
Embora, de forma bem sucinta, esta abordagem histórica se ateve, sobretudo, à análise da evolução do homem e do seu aprimoramento técnico junto à natureza, os quais – ao longo do tempo – o capacitaram a desenvolver tecnologias modernas conforme os interesses políticos, econômicos e sociais vigentes.
 
TIPOS DE AGRICULTURA

. Agricultura de Subsistência: consiste no cultivo de produtos agrícolas para o seu próprio consumo, ou seja, para o sustento do próprio agricultor e de sua família.
 
Em geral, esta se caracteriza pela produção em pequenas propriedades rurais, os chamados minifúndios, dispondo de pouca ou nenhuma tecnologia. Os recursos utilizados, como instrumentos agrícolas, são na maioria dos casos, a enxada, o machado, a foice e, em alguns casos, o arado. A produção, em geral, é bem inferior quando comparada à agricultura mecanizada.

Os principais produtos compõem a cesta básica: arroz, feijão, mandioca, batata, milho, frutas, hortaliças em geral, entre outros.

Havendo excedente, este - geralmente -  é vendido ou trocado.
 
 Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo
(Fonte: Wikipédia - Ficheiro:Horta 150706 REFONCC BY 2.)
 

. Agricultura Comercial: consiste no cultivo de produtos agrícolas destinados à venda, ou seja, à comercialização, podendo a produção ser destinada ao mercado interno e/ou externo (exportação).

Esta se caracteriza pelos cultivos em grandes propriedades rurais, os chamados latifúndios, nos quais - em geral - há o emprego de tecnologias modernas que asseguram a alta produtividade.

Imagem capturada na Internet para efeito ilustrativo
(Fonte: Wikipédia - Ficheiro: Laranjal Cutrale 050806 REFON 3CC BY 2.5)

. TIPOS DE CULTIVO

. Policultura: trata-se do cultivo de vários produtos. Essa técnica evita o esgotamento do solo, bem como a propagação de pragas, que poderia dizimar a lavoura toda.

. Monocultura: consiste no cultivo de um só produto. Esta técnica, além de provocar o esgotamento do solo, oferece grandes riscos de infestação de pragas, com perda total da lavoura. Ademais, deixa o produtor na dependência de um só produto para vender.
 
OBSERVAÇÃO: Antes mesmo da colonização portuguesa, os índios praticavam agricultura de subsistência, com a policultura. O plantio era feito através da lavoura sobre queimada, isto é, o plantio após a derrubada e a queimada da mata.
Foram os colonizadores portugueses que introduziram a agricultura comercial e a monocultura em nosso país com a prioridade de atender o mercado externo, isto é, a Europa.
 
Eles introduziram o sistema de PLANTATION, que consiste no sistema agrário baseado na monocultura, praticada em grandes propriedades rurais (latifúndios), cuja produção é voltada para o mercado externo (exportação).

E assim, veremos ao longo dos séculos, a economia agrária do Brasil ser pautada em vários Ciclos Econômicos, como o Ciclo da cana-de-açúcar; o Ciclo da borracha, Ciclo do café, Ciclo da soja, sem mencionar os da atividades extrativistas.
 
Ainda hoje, a agricultura em nosso país conserva estes traços do passado, do período colonial. Vamos ver um quadro contrastante, no planalto Meridional do Brasil, justamente em áreas colonizadas por imigrantes alemães e italianos (a partir do século XIX), com a média e pequena propriedade rural, policultora juntamente ou não com a criação de animais.


SISTEMAS AGRÍCOLAS


Agricultura Intensiva

Agricultura Extensiva

- Típica dos países desenvolvidos

- Típica dos países subdesenvolvidos

- Principal fator de produção: capital/tecnologia

- Principal fator de produção: terra/condições naturais
  (clima, solo, chuvas etc.)

- Superação do tempo atmosférico da natureza, não havendo estação específica para a safra

- Dependência direta do tempo atmosférico e da natureza, havendo estação específica para a safra

- Emprego de técnicas modernas
 de produção

- Emprego de técnicas rudimentares
de produção

- Menor absorção de 
mão de obra humana,
enquanto a existente é especializada

- Maior absorção de número de
mão de obra humana

- Maior produtividade

- Menor produtividade

- Menor preço final

- Maior preço final



Fontes:

. Material didático particular

. Mundo Educação

. Wikipedia