sábado, 21 de novembro de 2015

20 de Novembro: Dia da Consciência Negra (Atividade Dirigida) - Parte II

 Imagem capturada na Internet
 
Dando continuidade à publicação anterior, acerca da Atividade Dirigida desenvolvida no C.E. Profª Sonia Regina Scudese no âmbito do Projeto Étnico-Racial, trago a letra da música e as fotos das etapas seguidas.
 

O MEU GURI
                                                                                      Chico Buarque

 
Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar.
 
Como fui levando não sei lhe explicar.
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá, olha aí, olha aí,
Olha aí, ai o meu guri, olha aí,
Olha aí, é o meu guri e ele chega.
 
Chega suado e veloz do batente e
Traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço, que haja pescoço para enfiar.
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí,
Olha aí, ai o meu guri, olha aí,
Olha aí, é o meu guri e ele chega.
 
Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador.
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos está um horror.
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí,
Olha aí, aí o meu guri, olha aí,
Olha aí, é o meu guri e ele chega.
 
Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo,
Acho que tá lindo de papo pro ar
desde o começo eu não disse, seu moço?
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí,
Olha aí, ai o meu guri, olha aí,
Olha aí, é o meu guri.


 
. Descrição do Perfil do “O Meu Guri”
. Nome:
. Idade:
. Cor:
. Altura:
. Estilo (roupa e calçado):
. Acessórios:
 
 































 
 

20 de Novembro: Dia da Consciência Negra (Atividade Dirigida) - Parte I

 Imagem capturada na Internet
 
 
Para não cair na mesmice de sempre e, também, por encontrar-me na elaboração de outros artigos, inclusive, cobrados por alguns alunos, eu não poderia deixar de mencionar acerca da data de ontem, na qual se comemorou o Dia da Consciência Negra.

Data esta que não deveria ser uma específica, mas de reflexão todos os dias. Assim como, não deveria ser chamada “Consciência Negra”, pois o seu sentido é dúbio, podendo ser interpretada como um direcionamento ao negro quanto ao conhecimento de seu papel e importância na sociedade brasileira. E antes do que qualquer outro grupo de cor distinta (branca, indígena, parda e amarela), acredito que eles sabem muito mais do que estes acerca de sua importância na sociedade.

O que falta mesmo é o tripé a ser estabelecido com base no reconhecimento, na valorização e no fim do preconceito.

Como professora regente, eu repudio todas as formas de preconceito e de discriminação, onde quer que ela seja vivenciada e demonstrada. E, a escola – enquanto espaço de grande diversidade cultural – é o ambiente onde mais se manifestam estes tipos de comportamento e, ao mesmo tempo, torna-se o lugar comum para discuti-los.

O preconceito tem várias facetas, baseado em uma relação humana, desigual, marcada por um indivíduo que se acha superior em detrimento a outro que, em geral, faz parte de um grupo minoritário, isto é, em menor número.

Já a discriminação consiste na ação, isto é, na atitude movida pelo preconceito. E é justamente sob estes dois conceitos (preconceito e discriminação racial) que gostaria de tratar a data comemorativa, em questão, compartilhando uma atividade que realizei no C.E. Profª Sonia Regina Scudese, no âmbito do Projeto Étnico-Racial da Unidade Escolar, em um dia de “Sábado Letivo”.

A referida atividade teve por base trabalhar uma letra de música contextualizada, visando não só a leitura e a interpretação da mesma, como também ascender discussões acerca do preconceito racial, sobretudo, aquele que se configura velado e, não, explícito.

Vale ressaltar, ainda, que a mesma fez parte do Projeto “Canto o que não Silencia”, o qual desenvolvi na E.M. Dilermando Cruz e que consistia em trabalhar letras de músicas contextualizadas a questões políticas, sociais, econômicas, ambientais e culturais (leitura e interpretação).
 
Sendo assim, no contexto do Projeto Étnico-Racial do C.E. Profª Sonia Regina Scudese, a música selecionada foi “O Meu Guri”, composta por Chico Buarque (lançada em 1976).

 
A riqueza de sua letra nos leva a traçar detalhes acerca das condições de vida da mãe, antes e após o nascimento do “Meu Guri” e, sobretudo, as atividades que ele pratica no papel de provedor da família. E, ainda, por meio da representação em desenho e descrição do perfil do “Meu Guri”, por cada aluno, é possível traçar a linha de debate para as questões raciais e para o preconceito racial. Mesmo para aqueles que afirmam que não são preconceituosos.
 
A diversidade étnico-racial do nosso país é algo incontestável, tendo em vista a grande miscigenação na formação da sociedade brasileira, com a união entre diversos grupos humanos, como os indígenas (nativos do nosso país), os brancos (colonizadores europeus), os negros (africanos que foram traficados na condição de mão de obra escrava), os amarelos (imigrantes) e tantos outros povos imigrantes que para o nosso país vieram e fixaram residência definitiva.  
 
Em razão disso, a temática em si é de uma riqueza ímpar na compreensão da formação histórica do povo brasileiro. Todavia, entre estes grupos citados e, dentre as diversas facetas do preconceito racial, o grupo negro é – sem dúvida nenhuma – um dos que mais sofre preconceito e discriminação em nossa sociedade.
 
E, levando em conta que o ambiente escolar, por ser um espaço de grande diversidade cultural, social e étnico, reproduz comportamentos desiguais, sob um falso conceito de relação de superioridade x inferioridade, marcada sobretudo pela intolerância ao grupo de alunos negros (cor preta e parda), discutir estas atitudes discriminatórias e, ao mesmo tempo, promover debates acerca da importância de cada um na constituição e no retrato fiel do nosso povo (e de sua cultura) ganham dimensões concretas, capazes de atenuar ou, pelo menos inibir, tais comportamentos inconcebíveis nos dias de hoje.
 
Ainda, neste contexto, não devemos esquecer que há mais de 12 anos, o Governo Federal tornou – através da Lei 10.639/2003 - a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira no currículo escolar do Ensino Fundamental e Médio.
 
Apesar de seu reconhecimento tardio, a legislação em questão assinalou um grande avanço nas discussões acerca da contribuição e do papel do negro na história e na pluralidade cultural do nosso país. E, mais do que nunca, que estas discussões necessitam perpassar pelo combate à discriminação racial, agressiva, escancarada e/ou velada.
 
Sendo assim, a escolha da atividade – em questão - foi mais que uma proposta pedagógica, voltada para leitura e interpretação de letra de música, foi uma tomada de decisão para trabalhar efetivamente a cidadania, o respeito à pluralidade étnico-racial do país e, também, debater o racismo, sobretudo, o velado. 
 
Os Procedimentos Metodológicos adotados perpassaram pelas seguintes etapas:
 
. 1ª Etapa: Leitura da letra da música selecionada (cópia reproduzida para cada aluno e leitura individual);
 
. 2ª Etapa:  Audição e canto da música (acompanhando a mesma a partir do uso de equipamento eletrônico, por duas vezes);
 
. 3ª Etapa:  Análise e reflexão crítica da letra da música por meio da realização de Atividade Dirigida (questões pertinentes à interpretação da música em folha reproduzida para cada aluno);
 
. 4ª Etapa: Reprodução do agente principal da música por meio de desenho e descrição do seu perfil (desenho do "O Meu Guri" em folha de Papela A4 e colorido com lápis de cor, tal como cada aluno o imaginou, assim como a descrição de seu perfil);
 
. 5ª Etapa:  Apresentação individual dos resultados (desenho e perfil) para a turma;
 
. 6ª Etapa:  Análise final e discussões em grupo, contextualizando a letra da música de acordo com a sua significância real e, posteriormente, com as interpretações feitas pelos alunos;
 
. 7ª Etapa: Exposição dos trabalhos no Mural da Unidade Escolar, tendo a atenção de agrupar os diferentes desenhos do “O Meu Guri” de acordo com a cor definida por eles, ou seja, no caso desta atividade, foram as seguintes: preta, parda e branca.
 
A minha contribuição no Mural foi apresentar a letra da música, destacando a análise dos fatos conexos a esta.
 
Quanto aos resultados, como era de se esperar, a grande maioria concebeu “O Meu Guri” de cor preta, embora a música – em nenhum trecho de sua letra – deixa esta característica de forma explícita. A cor parda apontou como segunda opção e, apenas quatro alunos, desenharam “O Meu Guribranco.
 
Vale lembrar, ainda, um outro aspecto direta e/ou indiretamente associado à determinação da cor do perfil do “Meu Guri”, que foi a sua condição social, família em situação de vulnerabilidade social (pobreza e extrema pobreza).
 
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Observação: Em razão da extensão do presente texto, continuarei o mesmo em outra publicação (Parte II).

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Desastre Ambiental em Minas Gerais: Barragem se rompe e provoca grande devastação


Imagem capturada na Internet (Facebook - autoria desconhecida)


No dia 5 de novembro, o estado de Minas Gerais vivenciou um acontecimento que foi classificado como o pior desastre ambiental de sua história. Episódio este protagonizado por uma enxurrada de lama, rejeitos das atividades de extração e beneficiamento da mineradora Samarco (minério de ferro), os quais foram liberados após o rompimento de uma de suas barragens.

A enxurrada de lama arrasou e causou mortes no distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, cidade histórica do estado, que foi o primeiro a ser atingido pelo fluxo intenso dos rejeitos.
 
 Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
e modificada no Adobe Photoshop
Fonte: G1
 
Misturado às águas fluviais que serviram como agente de transporte dos mesmos, o rio Doce seguiu o seu curso e, por conseguinte, os efeitos destrutivos deste acidente se estenderam a mais de um distrito de Mariana e em outros municípios mineiros, bem como em cidades do Espirito Santo, indo em direção a sua foz, no litoral espírito-santense (ou capixaba), junto ao oceano Atlântico.


 Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
 
O mar ou “tsunami” de lama, como muitos se referiram, se deve ao fato de sua força ter tido um poder de destruição tanto quanto de um tsunami, arrasando tudo que estava no seu percurso. Até o presente momento, no distrito de Bento Rodrigues (o mais devastado e o primeiro a ser atingido), sete mortes foram confirmadas, há cerca de quinze pessoas desaparecidas e 500 desabrigadas.
 
Veja a força da enxurrada em vídeo, AQUI!
 
A cor marrom se deve à composição dos rejeitos de atividades de extração e beneficiamento de minério de ferro, da mineradora Samarco, os quais, em sua maior parte, é constituído por areia e óxido de ferro. De acordo com especialistas, o material não é tóxico e, por isso, não apresenta riscos à saúde. No entanto, para o ecossistema e para a população que depende direta e/ou indiretamente do rio, os problemas são grande e graves. 
 
A mineradora Samarco é controlada pelas empresas Vale S.A. e da anglo-australiana BHP Billiton Brasil Ltda, sendo considerada a 10ª maior exportadora do país, operando em Minas Gerais e no Espírito Santo. Na localidade do acidente, a mineradora mantinha um sistema de rejeitos constituído por três barragens, a Germano, Fundão e Santarém.
 
 Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
 
Embora, as mídias tenham publicados que as duas últimas barragens, citadas acima, tivessem sido rompidas na ocasião do acidente, a mineradora em questão retificou, segundo o Portal G1, no último dia 16 do mês corrente, divulgando que foi só a barragem do Fundão, localizada a montante do distrito Bento Rodrigues e a 893 metros de altitude.
 
 Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
e modificada no Adobe Photoshop
Fonte: G1
 
No entanto, eu – no meu conhecimento ínfimo – não consegui entender muito bem esta nova informação, tendo em vista que a barragem rompida se encontra localizada à montante da barragem de Santarém. E, com o rompimento da primeira, a estrutura da segunda represa (Santarém), fatalmente, seria abalada mediante o fluxo intenso e turbulento da lama, como é bastante visível no vídeo acima, compartilhado e, em outros, disponíveis na Internet.
 
Contrariamente, ao referido Portal de notícias, a quase totalidade dos meios de comunicação, confirmam o rompimento de duas barragens, a do Fundão e de Santarém.
 
Considerando estes novos dados, o volume de rejeitos de mineração liberados no acidente passou de 62 milhões para 55 milhões de metros cúbicos, o que equivale a 55 bilhões de litros ou mais de 20 mil piscinas olímpicas cheias.
 
De acordo com as últimas notícias, tanto a barragem de Germano quanto a de Santarém apresentam riscos de rompimento e, por isso, ambas estão sendo monitoradas e as empresas responsáveis confirmaram intervenções emergenciais para assegurar a estabilidade das mesmas, a fim de se evitar novo desastre ambiental na área.
 
Com o rompimento da barragem, a força do material de rejeito destruiu não só o distrito de Bento Rodrigues, como afetou outros da cidade de Mariana (Paracatu, Pedras, Ponte do Gama, Bicas e Campinas), os distritos de Barretos e Gesteiras, em Barra Longa, assim como as cidades do Rio Doce e Santa Cruz do Descalvado e outros, levado pelo curso do rio Doce.
 
Escoada e misturada às águas do referido rio, a lama já chegou ao Espírito Santo, atingindo as cidades de Regência, Linhares, Baixo Gandu e Colatina.
 
Segundo, especialistas na área ambiental, os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo devem se transformar em desertos de lama.
 
Ainda não há informações precisas quanto às causas do rompimento da barragem. Sabe-se, no entanto, que houve registro de, pelo menos, dois tremores de terra (sismos) de baixa magnitude na área, no mesmo dia, cerca de duas horas antes do rompimento.
 
Tais tremores foram confirmados tanto pelo Observatório Sismológico da Universidade de São Paulo (USP) quanto pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), mas até o presente momento, não se sabe se estes foram de ordem natural ou de ordem antrópica (em razão do próprio peso e/ou desestruturação dos reservatórios de rejeitos).
 
O problema maior é o rastro de devastação que a enxurrada de lama provocou em centenas de quilômetros, por onde passou, desde o ponto da barragem que se rompeu (distrito de Bento Rodrigues) até a foz do rio Doce. Cenário desolador que implica em danos nas esferas ambiental, social e econômica, na maioria dos casos, irreversíveis.
 
Só para se ter uma ideia dos impactos ambientais que este acidente causou e ainda poderá causar, eu listei alguns que foram mencionados pelos especialistas na área:

- Perdas materiais (residências, igrejas, escolas, postos de saúde, cemitérios, veículos etc.) e humanas (óbitos);

- Remoção total da população (desabrigados) do distrito de Bento Rodrigues, que foi varrido do mapa e que, de acordo com os especialistas, não deve voltar a ser ocupado pelo homem;

- Poluição intensa da água fluvial (águas de vários rios);

- Comprometimento da Bacia Hidrográfica do rio Doce (a quinta mais importante do Brasil);

- Alteração do pH da água dos rios;

- Interrupção do fornecimento da água às cidades das áreas atingidas, que aproveitam a água do rio Doce;

- Perda das áreas agricultáveis e de pastagem;

- Assoreamento do leito do rio Doce e outros cursos d’água (afluentes) da mesma bacia hidrográfica submetidos ao excesso de sedimentos (rejeitos);

- Mudanças (desvio) dos cursos dos rios;

- Colmatagem dos rios (entulhamento do leito e o rio seca);

-  Morte de espécies da fauna (peixes, gado, capivara, entre outros) e da flora (mata ciliar, vegetação em geral);

- Interrupção da atividade pesqueira;

- Ameaça e riscos à fauna marinha após o deságue no oceano Atlântico, em razão da natureza dos sedimentos.

 
"A perda de habitat é enorme, e
o dano provocado no ecossistema é irreversível."
Ambientalista Marcus Vinicius Polignano
(coordenador do Projeto Manuelzão)

 
 
Distrito de Bento Rodrigues:
o antes e o depois do rompimento da barragem
Reprodução/Digital Globe First Look
 
 
 
 
Devastação geral:
o antes e o depois do rompimento da barragem
Reprodução/Digital Globe First Look
 
 
Imagem capturada na Internet

 
  Imagem capturada na Internet
Fonte: BOL Fotos
 
 
Imagem capturada na Internet

 
Imagem capturada na Internet

 
 Fontes de Consulta
 
 
. G1 (várias edições)
 
. Jornal O GLOBO (impresso - várias edições)
 
 

Esclarecendo alguns aspectos acerca da atividade de Blogueira...

 Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
Fonte: Culturamix


Antes de tratar do tema em si, gostaria de esclarecer dois fatos pertinentes a minha atuação como professora e blogueira...
 
Primeiro, os temas - aqui abordados - são sempre tratados (ou, ao menos, mencionados) com os meus alunos, tanto do Ensino Fundamental II quanto do Ensino Médio, em sala de aula, antes mesmo da publicação das matérias neste espaço. Até porque, muitas vezes, parte dos mesmos a intervenção para comentar sobre as reportagens vistas na TV e/ou na Internet e, sobretudo, eu preciso conciliar ambas atividades diárias, além dos afazeres domésticos e outros, para iniciar e concluir a matéria a ser publicada.
 
Segundo, eu sempre pesquiso a fim de focar o assunto de forma condizente com os fatos. Com isso, aprofundo a matéria e consigo perceber as inter-relações existentes que explicam a situação configurada.
 
Apesar dos atrasos nas postagens em razão destes dois aspectos, muitas das vezes, as circunstâncias acabam me favorecendo, pois estas permitem que determinados equívocos sejam corrigidos e não sejam publicados.
 
Por que estou falando disso? Porque há dias preparei o texto acerca do rompimento da barragem da mineradora de Samarco, no município de Mariana, no estado de Minas Gerais e, para minha surpresa, informações mais recentes retificaram dados publicados, anteriormente, nas mídias, das quais fiz uso como fontes de pesquisa.
 
São informações relevantes e de erros grosseiros em termos de localização geográfica e dos fatos ocorrentes (número de barragens rompidas, por exemplo).
 
Como a maioria da matéria tem por base fatos ocorridos e publicados nos principais meios de comunicação, on line e impresso, as fontes de pesquisa perpassam pelas mesmas e outras, complementares. Daí a necessidade de pesquisarmos em mais de uma fonte primária e, também, secundárias.  

domingo, 8 de novembro de 2015

Crise Econômica e Política no país: Só não vê, quem não quer


Imagem escaneada e trabalhada no Adobe Photoshop
Fonte: Revista O Globo, de 08/11/2015 (Autor Cláudio Paiva)

Não há como ignorar ou dizer que não está acontecendo, pois estamos vendo, diariamente, os efeitos da crise econômica no Brasil. Segundo os especialistas, estes efeitos vão piorar.

Não precisa ser um especialista no assunto para verificar as mudanças que estão ocorrendo em vários setores da economia, seja no comércio, nas indústrias ou nos serviços. 

Inflação, altas taxas de juros (cheque especial, crédito pessoal, cartões etc.), falência, redução do quadro de funcionários (demissões), redução na oferta de serviços, corte de gastos e de Programas por parte do Governo, aumento das taxas de desemprego e da inadimplência do consumidor são destaques nos principais meios de comunicação (mídias).


  Imagens capturadas na Internet e trabalhadas no Adobe Photoshop

Eu mesma posso citar diversas evidências concretas da crise, como por exemplo, a redução de funcionários em uma rede de lojas de departamento famosa, a qual, além de apresentar um número incipiente de pessoal (escassos no interior da loja), acabou com o setor de troca, autorizando que a mesma seja efetuada diretamente nos Caixas.

Minha filha já havia me dito que as Lojas Marisa iria fechar e eu, a princípio, não acreditei. Depois, fui pesquisar na Internet e descobri que era verdade. Em setembro passado, a empresa afirmou que das 409 lojas existentes, 1uatro foram fechadas, mas que a estimativa era de encerrar as atividades em mais nove lojas, totalizando 15 unidades.

Além destas, outras unidades de famosas redes varejistas fecharam, como Casas Bahia e Ponto Frio, que pertencem à empresa Via Varejo, do Grupo Pão de Açúcar. De acordo com o mesmo, o fechamento de 28 lojas do Ponto Frio e 3 das Casas Bahia, entre julho e setembro do ano em curso, fez parte de um plano de restruturação do Grupo, visando às unidades com faturamento muito fraco.

Assim aconteceu com outras unidades do comércio varejista, em lojas, livrarias de renome etc. São os sinais da crise, por todos os lados...

Crise esta que não está sustentada só pela crise mundial, que teve início em 2008, nos EUA, mas – sobretudo - pelo fraco desempenho econômico brasileiro e os escândalos embalados pela corrupção, que afeta a credibilidade do país e a confiança dos investidores.

Hyago de Souza Otto, em seu artigo, sintetiza - de forma bastante clara - os graves erros do Governo que justificam a atual situação do nosso país, mergulhado em uma crise sem precedentes em sua história:

“Por anos o Brasil foi saqueado sem que soubéssemos. Pensava-se que o “mensalão” havia sido o pior escândalo de corrupção da história do país, mas nos mostraram o quanto estávamos errados. Veio o "petrolão". O Governo escondeu, por um bom tempo, não só esses escândalos de corrupção. Escondeu a crise e a postergou.

Com a alta arrecadação federal, injetou-se dinheiro público na iniciativa privada para que houvesse giro de dinheiro e a economia não estagnasse. Redução de IPI, programas habitacionais, crédito público ilimitado – BNDES chegou a investir bilhões em países estrangeiros -.

Ah, sem falar da copa. Foram bilhões de reais investidos em estádios que, agora, estão abandonados e sem serventia alguma, como, por exemplo, a Arena Amazônia e o Mané Garrincha.

Enquanto isso, a economia interna era destruída, como se viu pelo déficit do ano de 2014, apesar de todas as manobras governamentais que não contabilizaram nem mesmo os juros no enorme rombo.

O dinheiro injetado na iniciativa privada faz com que o capital circule no âmbito privado. Isto gera uma falsa percepção da realidade, fica mais fácil ganhar dinheiro e, assim, as pessoas gastam mais. Só que, se o país não aumenta a produção no mesmo ritmo, a lei da oferta e da procura causa aquilo que é denominado de inflação. A procura é maior que a oferta, logo, os preços aumentam. O poder aquisitivo da moeda cai e vai sendo corroído conforme o índice da inflação. Com o poder de compra, o consumo cai junto com ele, a arrecadação, e, por fim, o desemprego vem. É um efeito cascata.

Como já era de se imaginar, a fonte secou. O governo não tem mais de onde tirar dinheiro e a crise agora é iminente e inevitável. Descobriu-se da pior forma que não era só ‘uma marolinha’".

Por mais que a crise mundial tenha influenciado, sob o efeito dominó em muitos países e, inclusive, no Brasil, a chamada “marolinha”, tal como se expressou em relação a mesma, o nosso ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela chegou e tomou grandes proporções em razão a má gestão das contas públicas pelo governo. Enquanto em outras nações, a crise sob a forma de  “marolina” ou de uma “tsunami” se dissipou... Até mesmo, nos EUA, onde os indicadores econômicos mostram números positivos, sinalizando sua recuperação e futura estabilização.

Isso vem ocorrendo em muitos países, menos no Brasil...

 Imagem capturada na Internet
Fonte: Spotniks

No âmbito da América do Sul, as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que, em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) do nosso país cresceu 0,3%, estando à frente apenas da Argentina (-1,7%) e da Venezuela (-3,0%). Constando, ainda, que a nossa inflação é uma das maiores do continente, com 7% a.a. Sendo que o aumento dos preços no Brasil só não é maior que o da Argentina, da Venezuela e do Uruguai.

 Imagem capturada na Internet
Fonte: Spotniks
 
 
 E as previsões de seu fim não são nada animadoras.

  Imagem capturada na Internet
Fonte: G1 Economia

De acordo com os especialistas, o investimento é a mola para iniciar um processo de retomada da economia, no entanto, o país perdeu muito em termos de confiança no mercado internacional, seja por sua péssima gestão seja pela série de escândalos envolvendo desvio de recursos públicos para bens privados.

Sendo assim, devemos considerá-la como uma crise econômica e política.

  Imagem capturada na Internet

 
Fontes de Consulta

. Casas Bahia e Ponto Frio fecham 31 lojas no 3º trimestre
  G1 Economia

. Crise no Brasil vai piorar antes de melhorar, diz 'Financial Times' – BBC/Brasil
 . Economia brasileira vai demorar para se recuperar, apontam analistas - G1 Economia

 . Jornal O Globo (várias edições)

. Lojas Marisa anunciam fim de vendas diretas devido à crise no Brasil – Blasting News
 
. OTTO, Hyago de Souza. Brasil: o Retrato de uma Crise - JusBrasil