domingo, 18 de setembro de 2011

14 de Setembro (Tarde): “Sustentabilidade e a Sala de Aula: valores Éticos e Formação Cidadã”



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A Mesa Redonda da parte da tarde, intitulada “Sustentabilidade e a Sala de Aula: valores Éticos e Formação Cidadã”, contou com os seguintes palestrantes: Profª Anice Esteves (UERJ/FFP), Prof. Dr. José Carlos Milléo (UFF), Mathew Shirts (redator-chefe da Revista National Geographic Brasil e Coordenador do Planeta Sustentável) e do Prof. Dr. Luiz Felipe Guanaes Rego (PUC-Rio e diretor do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente – NIMA). O papel de mediador da mesma permaneceu sob o comando do Prof. Carlos Fernando Galvão.


 Da esquerda para direita, Mathew Shirts,  Prof. José Carlos Milléo,
Prof. Carlos Fernando Galvão,  Prof. Luiz Felipe Guanaes Rego e
Profª Anice Esteves

Entre os palestrantes, eu gostei muito da apresentação do Prof. Dr. Luiz Felipe Guanaes Rego (PUC-Rio), pois o mesmo enfatizou que a crise ambiental por qual é discutida, há décadas (ela é antiga), é, antes de tudo, uma questão paradigmática, isto é, da necessidade de substituição do paradigma tradicional, cartesiano-mecanicista, para o de visão holística-sistêmica.

Enquanto o primeiro se caracteriza por uma abordagem fragmentada e estanques dos fatos nos seus múltiplos níveis de abrangência, inclusive, na visão dicotômica da relação homem x natureza (visão dissociativa e oposta), o segundo – embora reconheça as partes – as considera no contexto de totalidade (integrado), isto é, sob o efeito de uma rede sistêmica.

No entanto, alguns palestrantes apresentaram visões um tanto distorcidas, a meu ver.

A primeira a apresentar no período da tarde foi a Prof.ª Anice Esteves. Ela destacou a integração das diversas sustentabilidades e a importância da participação ativa de todos, governantes, empresas e cidadãos.

Achei oportuno e pertinente a questão, colocada pela referida professora, acerca da necessidade de reuniões, encontros locais com os representantes da coletividade considerada com o intento de construção do conhecimento e, por consenso, o levantamento dos principais problemas sociais. Realmente, se não houver encontros ou reuniões, o processo de mudança pára, emperra... perde credibilidade. Esta questão foi até discutida com os Grupos de Tabalho (GT), no dia seguinte (15/09).

Ela falou sobre correntes metodológicas de Educação Ambiental sob a a perspectiva Comportamental, com ênfase em atividades práticas e sob a perspectiva Atitudinal, cuja ênfase se dá na construção de uma ética. A meu ver, à luz de uma Educação Ambiental e no tratamento de suas questões, ambas se integram. Não há como dissociá-las.

Outro aspecto que merece menção, aqui, foi acerca da sua proposta pedagógica com a finalidade de sensibilização dos alunos. Ela sugeriu o uso de “imagens e informações perturbadoras”, em um primeiro momento e, no segundo momento, “imagens e informações encantadoras”.

Em ambos os momentos, as imagens sugeridas, pela referida professora, constam de uma ótica naturalista do meio ambiente (sem o social). Esta mesma visão, a escola produziu e reproduziu, tradicionalmente, nas salas de aula. Daí, muitas vezes, o aluno achar que a queimada na região Norte do Brasil, contribuindo para as emissões de gases de efeito estufa é uma questão de meio ambiente e, não consegue perceber e conceber que o lixo, que ele joga no chão, também é uma questão ambiental.

Não há como dissociar o homem da natureza e, muito mesmo, o espaço construído e modificado por ele, pois este é o seu meio ambiente, enquanto que - por exemplo - para os índios matis é a floresta Amazônica.

Quero deixar claro que não tenho nada contra as imagens sugeridas, mas devemos ter cuidado para não sublinhar a visão estritamente naturalista em detrimento a uma abordagem mais integrativa de meio ambiente.


 Prof.ª Anice Esteves


O segundo palestrante, Prof. Dr. José Carlos Milléo, foi incisivo em ratificar que a questão ambiental é um tema de exigência política e que tem a ver, sobretudo, com o crescimento demográfico. Embora, o mesmo tenha mostrado dados (gráfico) que evidenciam a redução da taxa de fecundidade (média de filhos que a mulher tem em idade de reprodução).

Este colocou que a população, ou seja, a questão demográfica atua como par antiético, ora não auxiliando na preservação da natureza ora prejudicando mais ainda.

Sob esta mesma perspectiva, o referido professor ressaltou a Teoria de Malthus, a qual preconiza que o crescimento da população é infinitamente maior que a capacidade de produção de alimentos. Ao mesmo tempo, suas ideias perpassam também pela Teoria Neomalthusiana, pois este propõe políticas de planejamento familiar.

Como podemos ver, em termos de Teorias Demográficas, suas ideias se opõem à Teoria Reformista (ou marxista), a qual contextualiza que a população é crescente devido às desigualdades sociais e econômicas com restrições a investimentos nas áreas básicas, como na educação, saúde, cultura e lazer. Para os seguidores desta teoria, com investimentos destinados a estas áreas, o controle da natalidade acaba se tornando espontâneo.

Acredito muito mais nestas premissas e, principalmente, sob a questão de modelo de desenvolvimento econômico e social desigual.

Aí, voltamos para aquele terceiro desafio enunciado pelo Prof. Haroldo Mattos, na parte da manhã, isto é, implementar políticas para redução da pobreza.


 Prof. José Carlos Milléo


O terceiro palestrante foi Mathew Shirts, que é o redator-chefe da Revista National Geographic Brasil e, também, coordenador do Planeta Sustentável. Foi engraçado a sua explanação inicial, ao colocar como se sentiu ao ser convidado para trabalhar com questões ambientais. Foi a mesma sensação e opinião - de acordo com o seu relato – de pessoas que consideram esta temática sob um discurso ecológico, vazio e de expressividade baseada no modismo (ou seja, assunto bastante chato, mas está em voga).
Sua opinião mudou e este passou a adorar o assunto. À partir disso, sua exposição passou a tratar sobre o Aquecimento Global, tema a ser abordado na Revista National Geographic do mês que vem (“CO2: O Gás que vai escrever a História do Século XXI”).
Ele destacou a posição da China que é, hoje, o país que mais investe em energias alternativas, mas em contrapartida utiliza bastante o carvão mineral. Para quem não sabe, entre os três combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e o gás natural), o mais abundante e o que mais acarreta impactos ambientais é o carvão mineral.
 Sr. Mathew Shirts

O último palestrante, Prof. Dr. Luiz Felipe Guanaes Rego (PUC-Rio), a meu ver - como já mencionei anteriormente, fez uma apresentação bastante interessante. Além de explanar sobre a crise paradigmática, ressaltando a importância da substituição do paradigma tradicional, cartesiano-mecanicista, pelo Holismo, sob uma ótica sistêmica, ele falou da dificuldade de tratar a questão ambiental nos meios acadêmicas sob uma linguagem interdisciplinar. Até mesmo porque, a visão cartesiana, tão enraizada em nossa cultura e na nossa formação disciplinar, gerou, um pensamento segmentado, cujas especialidades “estanques” faz com que hajam linguagens distintas e não uma conexão entre os diferentes conhecimentos.

Ele, ainda destacou a importância das tecnologias e das Ciências, sem as quais não teríamos ideia do nível de gravidade por qual perpassam as questões ambientais, em escala global. Só seria possível, ter alguma noção, a nível local.

Ele indicou o home page do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA), onde podemos encontrar artigos e projetos desenvolvidos – na área Ambiental e outras – pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). De acordo com o Portal, os projetos são realizados em parceria com escolas, empresas, municípios e instituições nacionais e internacionais.



 Prof. Dr. Luiz Felipe Guanaes Rego








Após o encerramento da palestra do referido professor, o debate foi aberto e mediado pelo Prof. Carlos Fernando Galvão.





Embora, eu tenha discordado de algumas posições, colocadas pelos palestrantes tanto nas palestras quanto na seção do debate, com perguntas por escrito, eu gostei muito deste primeiro dia do Fórum.

Cabe a nós, professores, dar continuidade e/ou iniciarmos um processo de mudanças no âmbito da sala de aula e, à partir disso, a difusão pode ser feita espontaneamente através dos alunos em seus locais de vivências, como orientada, com a co-participação dos demais membros da Comunidde Escolar. 


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