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domingo, 6 de dezembro de 2015

Epidemia da Febre Zica versus Surto de Microcefalia em Fetos

 Mosquito Aedes aegypti
 Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
Fonte: BBC Brasil
 

Se já não bastasse as epidemias contínuas da dengue no país, o Brasil – no momento – enfrenta uma nova epidemia, a do Zica vírus (ZIKV), cujo principal vetor (agente transmissor) é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, a febre chikungunya e a febre amarela. Os seus hospedeiros, ou seja, os agentes ou organismos que abrigam o vírus, podem ser os macacos e o homem.

Embora, o principal modo de transmissão do vírus seja pelo mosquito Aedes aegypti, de acordo com a literatura científica, este pode ocorrer por transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal (antes ou depois do nascimento) e sexual, além das possibilidades por transfusão de sangue.
 
E é, justamente, a transmissão perinatal que está preocupando as autoridades da área de Saúde, como, também, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana de Saúde, que emitiram um alerta a nível mundial diante do surto da doença (Zica) e do aumento de casos de bebês nascidos com microcefalia.
 
Estudos realizados pelo Instituto Evandro Chagas, órgão do Ministério da Saúde, em Belém (Pará), comprovaram a relação entre o zica vírus e os casos de microcefalia, quando foi constatado a presença do vírus em um bebê microcéfalo.
 
"Há uma conexão entre as duas coisas,
mas causalidade é uma outra história.
Não podemos dizer 100% que é só o zika vírus
a causa da microcefalia,
ela pode ser atribuída a diversas questões.
Há uma conexão porque há um evidente aumento
nos casos de microcefalia no Brasil
ao mesmo tempo em que há um surto de zika no país."
 
Dr. Marcos Espinal
(Diretor do Departamento de Doenças Comunicáveis
da Organização Pan-Americana de Saúde)
 
Após a incidência dos casos na região Nordeste e de investigações sobre as possíveis causas para o aumento de recém-nascidos encefálicos, um levantamento entre os exames dos bebês e o histórico das mães revelou a associação do zica vírus com a microcefalia, pois as mães – no início da gravidez (entre o 1˚ e o 4˚ mês) – apresentaram erupções vermelhas na pele (relacionada à epidemia de Zica). Com isso, verificou-se que os casos de tinham uma vinculação com infecção congênita, quando o bebê é afetado por uma infecção da mãe.
 
Os exames realizados nos recém-nascidos, sempre deram resultados negativos quanto à presença do vírus da Zica ou o da Chikungunya, provavelmente, segundo os especialistas, porque ambas são doenças autolimitadas, ou seja, duram pouco tempo (de 3 a 7 dias) e a infecção ocorrida entre mãe e filho se deu no início da gestação.
 
A microcefalia é uma doença em que a cabeça e, ao mesmo tempo, o cérebro da criança se apresentam menores que o normal. Enquanto o bebê saudável apresenta o perímetro cefálico (circunferência da cabeça em sua parte maior), variando entre 33 cm a 37 cm, o bebê com microcefalia apresenta medida menor que 32 cm.

Antes, a medida considerada era de 33 cm, mas desde 6ª feira passada (04/12), o Ministério da Saúde mudou os critérios de avaliação, classificando o bebê como tendo microcefalia, quando este apresentar um perímetro igual ou menor que 32 cm.
 
 Imagem capturada na Internet
Fonte: O Dia
 
Com o perímetro cefálico menor, o crescimento máximo do cérebro também é afetado, pois não há o espaço suficiente para que ele se desenvolva normalmente. Com isso, suas funções ficam comprometidas e, dependendo da gravidade da microcefalia, esta pode causar como sequelasatraso mental, déficit intelectual, paralisia, convulsões, epilepsia, deficiência visual, autismo, rigidez dos músculos, entre outras.
 
Neste caso específico (doença associada à infecção por Zica vírus), a microcefalia é classificada como sendo primária, isto é, quando os ossos do crânio se fecham durante o período gestacional (até os 7 meses de gravidez). Em geral, as sequelas no bebê são mais graves.
 
A chamada microcefalia secundária ocorre quando os ossos do crânio se fecham no período final da gravidez ou após o nascimento do bebê.
 
Infelizmente, em razão de sua gravidade e por não ter cura, a criança com microcefalia pode necessitar de cuidados da família por toda a sua vida e, também, de profissionais específicos, como – por exemplo -  os fisioterapeutas e outros.
 
 Mãe e filho com microcefalia
Fonte: BBC Brasil
 
 Febre Zica
 
A doença é descrita como uma febre aguda, com sintomas similares aos da dengue, porém mais brandos. Com isso, além da febre, seus sintomas são dores de cabeça e no corpo, bem como manchas avermelhadas na pele.
 
Em geral, sua taxa de hospitalização é baixa e, tal como a dengue e a febre chikungunya, a febre Zica é autolimitada, podendo durar de 3 a 7 dias, quando – em geral – seus sintomas desaparecem naturalmente.
 
Em muitas situações, o paciente é diagnosticado com uma virose (embora seja provocada por um vírus), ficando sem saber que teve o zika vírus.  
 
O mosquito é infectado ao picar um indivíduo doente, ou seja, portador do vírus, seja este humano ou alguma espécie de macaco, durante os três primeiros dias de doença.
 
Seu nome se refere à floresta Zica, localizada na Uganda, no continente africano, onde o vírus surgiu e foi identificado pela primeira vez.
 
Ele já foi encontrado na Ásia, na Oceania e, neste ano, nove países latino-americanos confirmaram a doença. Além do Brasil, Chile (ilha de Páscoa), Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.
 
No Brasil, a epidemia de Zika (e, ao mesmo tempo, da microcefalia) começou na região Nordeste, mas como ele é um vírus novo em nosso país, seu alastramento é certo ocorrer em todo o território nacional, em caráter epidêmico, alertam os especialistas.
 
De acordo com os últimos dados oficiais, divulgados nas mídias, 18 estados brasileiros já têm registro da doença, como o Rio de Janeiro. E, com isso, a preocupação e medidas preventivas se tornam necessárias em decorrência não só quanto à epidemia da febre Zica, mas – sobretudo – às mulheres gestantes quanto aos riscos eminentes dos fetos desenvolverem microcefalia.

Até o final do mês de novembro foram registrados 1.248 casos de microcefalia em 14 Unidades Federativas do país, sendo em 13 estados e no Distrito Federal.

Não devemos esquecer que parte da responsabilidade a este quadro evolutivo da doença e da proliferação do mosquito Aedes aegypti se deve à população, uma vez que o mosquito, geralmente, se desenvolve em água parada e limpa, na maioria das vezes, localizadas no interior e/ou no quintal das residências.
 
Por isso, devemos cooperar, eliminando os possíveis focos das larvas do inseto, evitando o acúmulo de água em pratos de plantas, caixas de água destampadas, garrafas e pneus largados a céu aberto, sem proteção, entre outras medidas.

Mas, não restam dúvidas que o Governo brasileiro, em suas três instâncias, federal, estadual e municipal, falhou em termos de programas e campanhas de combate ao mosquito Aedes aegypti.

O país já sofre com a epidemia da dengue há anos, inclusive, com um número de óbitos altíssimo. Só para se ter uma ideia, os dados oficiais deste ano, até o final do mês de março, contabilizam cerca de 130 mil pessoas mortas em decorrência das complicações com a dengue. A febre chikungunya acometeu o país mais no ano passado (2014), mas seus sintomas são mais brandos, não levando o doente ao óbito (eu mesma fui vítima do seu vírus).

Por isso e, sobretudo, em razão do vetor transmissor de ambas ser o mesmo da Febre Zica, o governo tinha a obrigação de adotar medidas preventivas, antes, durante e depois, ou seja, de forma contínua, sem interrupções, de combate ao mosquito Aedes aegypti.

Quem mais sofre é a população que, por sua vez, precisa ser mais consciente quanto aos perigos de se criar ambientes propícios ao desenvolvimento do mosquito, a partir de suas larvas, eliminando os focos de água parada.

Os especialistas orientam às mulheres que estão tentando engravidar e que vivem em áreas consideradas endêmicas (Zica vírus), que o melhor é evitar, enquanto o número de ocorrências for elevado. E, também, até que medidas preventivas possam surtir efeitos, com a redução dos mosquitos e, consequentemente, da epidemia.
 
Agora, para as mulheres grávidas são indicadas medidas de proteção à picada do mosquito, como o uso de repelentes apropriados, mosquiteiro na cama, telas na janelas e outras ligadas à eliminação de focos das larvas do inseto, assim como seja evitada viagens a áreas com epidemia da Zica.
 
 
Fontes de Pesquisa

. Febre pelo vírus Zika: uma revisão narrativa sobre a doença. Boletim Epidemiológico, Volume 46 N° 26, 2015 - Secretaria de Vigilância em Saúde − Ministério da Saúde – Brasil (disponível em PDF)
 
. O que se sabe (e o que falta saber) sobre relação entre zika vírus e microcefalia
 
. OMS emite alerta global sobre zika vírus e reconhece relação com microcefalia
. Perguntas e Respostas: Microcefalia - Portal da Saúde 
 
. Zica: Descrição da Doença - Portal da Saúde 
 
. Zika, o vírus da doença misteriosa – Dr. Drauzio
. Zika pode ser ameaça maior que a dengue; saiba como se proteger 
 
. Zika vírus já está em 9 países da América Latina e em 18 Estados brasileiros 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Última Contagem da Organização Mundial da Saúde (OMS): Epidemia da Febre Hemorrágica Ebola


Imagem capturada na Internet (Fonte: Sobral 24 horas)



De acordo com o último balanço realizado e divulgado, no dia 26 do mês passado (setembro), pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a epidemia do ebola já contabiliza 6.574 pessoas contaminadas pelo vírus, tendo registrado 3.091 óbitos desde o início da epidemia, no começo do ano.
 
Esses números, porém, já devem ter aumentado diante do avanço e agravamento da epidemia.
 
O número de países com registros da doença também aumentou, mas todos restritos à região Ocidental do continente africano. São eles: Guiné, Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Senegal.
 
Libéria e Serra Leoa são os países que apresentam os maiores índices de pessoas infectadas e número de vítimas fatais. Já no Senegal só foi confirmado um caso.
 
Outro lado obscuro da situação caótica destes países, que já sofrem com a epidemia, bem como outras mazelas socioeconômicas, tem a ver com os profissionais de saúde, cuja atuação mescla com a precariedade de materiais e equipamentos com os riscos eminentes de contrair o vírus ebola em contato com os doentes.
 
Só para se ter uma ideia, até o dia 23 de setembro, 375 profissionais da Saúde foram infectados e, desse total, 211 morreram.
 
A República Democrática do Congo que, também, passou pelo surto de ebola, registrou 42 óbitos entre as 70 pessoas infetadas e, desse total, oito eram trabalhadores da saúde.
 

Imagem capturada e trabalhada no Adobe Photoshop (Fonte: G1)


Fonte: G1

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Haiti: a luta de um povo pela sobrevivência




Campos de refugiados no Haiti - Imagem capturada na Internet (Fonte: Terra Notícias)


Por falar da contribuição ímpar do negro africano e seus descendentes em nossa sociedade e, ao mesmo tempo, do sentimento de solidariedade de nossa Campanha na escola (postagens anteriores), os dois temas se unem e nos remetem à situação caótica por qual está passando o Haiti, o mais pobre país do continente americano.

País caribenho, primeiro ponto de desembarque de Cristóvão Colombo, em 1492. Sua história mescla a cobiça dos colonizadores europeus, primeiramente os espanhóis e depois os franceses. Este despontou como maior produtor mundial de açúcar, cuja produção era baseada no sistema escravagista. Foi uma das mais ricas colônias do continente americano, recebendo o título de "Pérola do Caribe".

Em sua história, ele ainda traz o marco de ter sido o primeiro país latino-americano a se tornar independente, em 1 de janeiro de 1804, graças aos diversos movimentos insurrecionais da população escrava.

Todavia, sua trajetória política, econômica e social se caracterizou instável, perdurando até hoje. Trajetória similar a muitos países latino-americanos, mas outros aspectos agravaram mais ainda a sua situação como país insular da América Central, inclusive de risco de catástrofes naturais.

Se já não bastassem os efeitos trágicos do terremoto que sofreu, em janeiro deste ano, o país agoniza - desde meados de outubro passado - com os avanços da epidemia de cólera.

De acordo com os últimos dados divulgados, hoje, no Terra Notícias, a epidemia de cólera no país já matou mais de 1.250 pessoas. O número de internações contabilizado até o momento é de 20.687 pacientes infectados desde o início da epidemia (meados de outubro).

Mais recentemente, outro situação está preocupando as autoridades locais e até a Organização das Nações Unidas, a violência. A violência instigada por alguns grupos de manifestantes, revoltados, que responsabilizam às tropas de Paz da ONU pela epidemia de cólera que atinge o país.

Manifestações violentas que chegam a interromper o trabalho das autoridades na área da Saúde com os infectados pela cólera. Eles arremessaram pedras contra as tropas de paz da ONU, atacaram carros de estrangeiros, atearam fogo em pneus e usaram estes para bloquear as ruas, assim como derrubaram postes de luz e montaram barricadas para confrontos com a polícia e com os soldados das tropas da paz. Na maioria das vezes, a polícia os enfrenta com bombas de gás lacrimogêneo a fim de dispersá-los.

A Organização das Nações Unidas está investigando se realmente a origem da epidemia de cólera no Haiti foi causada por soldados de procedência nepalesa da Minustah, isto é, da missão de paz da ONU no país.

As suspeitas procedem em razão do tipo da doença que surgiu no Haiti ser o mesmo do existente no Nepal, mas alega não ter encontrado provas suficientes de que seus soldados sejam os portadores da doença.

A cólera é uma infecção intestinal aguda causada pelo vibrião colérico (Vibrio cholerae), que é uma bactéria em forma de vírgula ou bastonete. Esta bactéria, vencendo a acidez do estômago, alcança o intestino delgado (meio alcalino), onde se multiplica intensamente, principalmente, no duodeno e jejuno, produzindo uma entetoxina que provoca intensa diarreia.

O indivíduo infectado elimina o vibrião colérico (Vibrio cholerae) através dos dejetos fecais (cistos). A precariedade na infraestrutura de saneamento básico é a condição propícia para a contaminação e a transmissão fecal-oral do vibrião colérico através de água e/ou alimentos contaminados.

De acordo com o Centro de Informação em Saúde para Viajantes (Cives), na maioria das vezes (mais de 90%), a infecção pelo vibrião colérico é assintomática ou produz diarreia de baixa intensidade.

Por outro lado, em outras pessoas (menos de 10% dos infectados) pode ocorrer uma diarreia aquosa profusa e súbita, de evolução rápida (em questão de horas), que pode ocasionar desidratação grave e uma diminuição acentuada da pressão sanguínea, provocando o óbito.

Como as condições socioeconômicas do Haiti são as mais precárias do continente americano (país mais pobre da América), tendo sido agravadas após o terremoto de 12 de janeiro deste ano, o ambiente estava favorável para a contaminação que se deu de forma rápida e epidêmica.








Comunidades mais carentes - Imagem capturada na Internet





Criança haitiana _ Imagem capturada na Internet (Fonte: Cultura do controle)




Criança com sintomas do cólera - Imagem capturada na Internet (Fonte: Último Segundo)








Haitianos contaminados aguardam atendimento no Hospital em Saint Marc, no Haiti
Imagem capturada na Internet (Fonte: Último Segundo)




E os riscos da epidemia já ultrapassam o território haitiano, localizado na ilha Hispaniola, atingindo a porção leste da mesma ilha, onde se localiza o seu país vizinho, a República Dominicana, que já registrou três casos de cólera.

Em consequência disso e do temor do avanço da mesma, o governo da República Dominicana aumentou o controle de entrada e saída de pessoas e de mercadorias (comércio bilateral) em seus 376 Km de fronteira com o Haiti.

Ilha Hispaniola: o Haiti, a Oeste e a República Dominicana, a Leste




Segundo fontes jornalísticas, além destes registros na vizinha República Dominicana, os EUA também registraram um caso de infecção de cólera na Flórida. De acordo com o jornal "The Miami Herald", o referido caso foi de uma moradora do condado de Collier (Flórida), que regressou do Haiti após ter visitado a família que mora por lá.


Pacientes repousam enquanto homem espalha desinfetante em volta das macas
Imagem capturada na Internet (Fonte: Último Segundo)


Fontes:

. Centro de Informação em Saúde para Viajantes

. Terra Notícias

. Último Segundo (e outros)

. Wikipedia

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Gripe H1N1: Número de mortes no mundo todo

A última notícia que tive a respeito da Gripe H1N1 foi na Folha OnLine, no dia 06 do mês em curso. E os dados são alarmantes.

Desde o seu aparecimento até o início de novembro, os números de mortes em consequência do vírus Influenza A, em 199 países e territórios, é da ordem de mais de 6 mil pessoas.

O continente com maior registro de óbitos pela Gripe H1N1 continua sendo a América (4.399), seguido da Ásia (1.160) e Europa (300).

É evidente que estão números já não correspondem a realidade, mas só por estes dados podemos ter a noção de sua gravidade e da continuidade de sua transmissão.

Se vocês lembram, em postagens anteriores, no final do mês de agosto, os números apontavam 1.799 pessoas mortas no mundo todo e, no início de outubro, este número subiu para 4.525 óbitos pela nova Gripe.

É muito preocupante, não só porque a doença continua persistente, mas sobretudo, porque muitas pessoas estão deixando de tomar as medidas preventivas, achando que a pandemia acabou. Além do inverno não ter chegado no hemisfério Norte.

Também usar como parâmetro a história das epidemias que se alastraram no mundo, tal como a Peste Negra e Gripe Espanhola, por exemplo é um grande equívoco, visto que não há como comparar as épocas em que estas e outras ocorreram com os dias atuais, visto os avanços das ciências, da medicina e das tecnologias voltadas para a área biomédica, bem como as condições de infra-estrutura urbana e de serviços.

Gostaria de obter dados mais concretos a respeito da posição do Brasil no ranking dos países com registro de mortes associadas à Gripe Suína, mas não achei nada a respeito. Quem souber de alguma fonte de notícias, segura, que tenha divulgado números mais recentes, eu agradeceria a indicação.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A História das Epidemias no Mundo

Imagem capturada do G1/Globo.com
 
Em função da Gripe H1N1 e das diferentes situações em que foram citadas a peste bubônica, a gripe aviária, entre outras, achei oportuno tratar - aqui - as principais epidemias já ocorridas na história da humanidade.
 
Em uma postagem anterior (Curiosidades), eu expliquei a diferença entre endemia, epidemia e pandemia. Vale a pena conferir, novamente.
 
Abaixo segue a transcrição, na íntegra, do Artigo sobre as principais epidemias do mundo.

NA HISTÓRIA DAS EPIDEMIAS, ATÉ SALMONELA JÁ FOI GRANDE VILÃ
 
Peste negra devastou um terço da população europeia na Idade Média.Conheça algumas das principais epidemias já enfrentadas pelo homem.
 
Giovana Sanchez


Epidemias, como a recente gripe suína causam pânico, preocupação e mortes. Sempre foi assim, desde que o homem começou a conviver com as bactérias, as formas de vida mais antigas do planeta. As doenças têm formas variadas, e as mortes podem ser provocadas tanto por uma enfermidade antiga quanto por um novo vírus.Uma definição de epidemia é dada pelo infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e autor de "A Historia e Suas Epidemias", Stefan Cunha Ujvari: " são ocorrências de casos de uma doença em número superior ao esperado – esperado com base em cálculos, não em adivinhação."

Em muitos momentos da história, populações foram arrasadas por mortes em grande escala. A diferença em relação às epidemias atuais é que, antigamente, não eram conhecidas as causas de muitas doenças e não era possível, como hoje, fazer um trabalho preventivo.
"Hoje, com um mundo globalizado e grande acesso a informação e tecnologia, podemos controlar mais facilmente o desenvolvimento dos casos", explicou Ujvari em entrevista ao G1 por telefone.

Doenças como cólera, varíola, sarampo e gripe mataram milhões de pessoas em diferentes épocas e lugares. Confira algumas das piores epidemias da história:

Praga de AtenasNo verão de 430 AC, uma epidemia assolou a cidade grega de Atenas. O historiador Tucidides, que sofreu ele próprio da doença, descreveu na época os sintomas como 'calores na cabeça, inflamação nos olhos, dores na garganta e na língua'. A epidemia ocorreu durante o começo da guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta, e afetou o exército ateniense. De 25% a 35% da população de Atenas morreu vítima da doença.
 
Segundo o infectologista Stefan Ujvari, o que favoreceu as mortes foi a aglomeração de pessoas nos muros de Atenas por causa da guerra. "Isso funcionou como um caldeirão para a epidemia." Ele conta que a doença que provocou a praga ficou por muitos anos sendo um mistério. "Até que, há cinco anos mais ou menos, uma cova com corpos dessa época foi descoberta e, dentro dos dentes dos cadáveres, foi encontrado o material genético da salmonela."
 
Peste dos AntôniosUma grande epidemia começou em 165 e no ano seguinte atingiu Roma, durando 15 anos. O nome era uma alusão à família que governava o império na época. Cerca de um terço da população morreu. No auge da epidemia, eram registradas quase duas mil mortes diárias em Roma.

Em 180, o próprio imperador Marco Aurélio foi morto pela doença. O médico Claudio Galeno descreveu na época a peste como tendo sintomas de febre, diarréia e erupções cutâneas.

Lepra na Europa medieval
 
Entre os anos 1000 e 1350, a lepra se desenvolveu na Europa. As vítimas sofriam lesões na pele, deformações e perda das extremidades. As pessoas eram isoladas e sofriam muito preconceito. Nessa época, muitos centros para leprosos foram criados, e a Igreja Católica controlava os doentes, sustentando que as lesões eram sinais de impureza religiosa. O doente identificado recebia uma cerimônia religiosa, a ‘missa dos leprosos’, em que ganhava trajes especiais e um instrumento sonoro para anunciar sua chegada a lugares públicos.

"Uma verdadeira perseguição aos leprosos ocorreu na época. Como a lepra não é uma doença altamente contagiosa, achamos que muita gente que tinha doenças de pele foi rotulada como tendo lepra", explicou Stefan Ujvari.

A pior de todos os tempos: a peste negra

Pior epidemia da história da humanidade segundo o infectologista, a peste bubônica matou um terço da população europeia. Com início em 1347, a doença se espalhou rapidamente, seguindo as rotas marítimas.

Em 1348, a doença já havia atingido as áreas mais densas dos mundos cristão e muçulmano. A peste chegou num momento de crise agrária e fome. Por volta de 1350, toda a Europa central e ocidental tinha sido afetada. Após essa grande epidemia, a doença não desapareceu e continuou provocando surtos de tempos em tempos.

Os sintomas da peste bubônica são mal-estar, febre, dores no corpo e inchaços do tamanho de um ovo, conhecidos como bubões. A coloração azulada que dá o nome à doença, ocorre pela falta de oxigenação da pele, pela insuficiência pulmonar.

Ratos com pulgas contaminadas pelo bacilo foram um grande fator de disseminação da peste na época. Segundo escreveu Ujvari em seu livro "A História e suas epidemias", "as epidemias encontram terreno propício nas regiões com aglomerações populacionais e condições precárias de higiene, em que ocorre grande proliferação de ratos dividindo espaço com os homens.”

Suor inglês: a doença misteriosa
 
 
 
 
A cidade de Londres foi alvo de uma epidemia no século XV. As características da doença eram febre intensa e calafrios. Em poucas horas, o paciente podia ter convulsões, entrar em coma e morrer. De cada três pessoas que apresentavam o sintoma, uma morria. A doença teve grandes surtos e chegou a atingir boa parte da corte de Henrique VIII. Cidades perderam quase a metade da população.

O ultimo surto da doença, em 1529, atingiu outros países, como Holanda, Rússia e Alemanha. Depois de um quinto surto, em 1551, quando matou 900 pessoas nos primeiros dias, a doença desapareceu completamente e permanece como um mistério ate hoje.

Cólera na era das máquinasEm 1817, a cólera começou a se espalhar por áreas da Índia, onde já era endêmica. Alguns anos depois, atingiu o leste da Ásia e o Japão. Em 1820, Bangcoc, capital da Tailândia, reportou 30 mil mortes (numa população de 150 mil habitantes).

Dez anos mais tarde, em 1831, a doença chegou à Europa pela Inglaterra e atingiu os principais centros industriais e locais de moradia lotados, como cortiços. Durante a epidemia, quase 30 mil pessoas morreram no Reino Unido, a maioria pessoas pobres.
 
Gripe espanholaOs soldados que lutavam nas trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial em 1918 enfrentavam não apenas o frio, a chuva, a lama e o inimigo. Nessa época, uma gripe mortal acometeu tropas inteiras e logo se espalhou para a população civil, matando de 40 milhões a 50 milhões de pessoas, primeiro na Europa e nos EUA, depois na Ásia e nas Américas Central e do Sul. Há relatos de pessoas que acordavam bem e, no final da noite, estavam morrendo – tão rápido era o avanço da doença.
 
No Brasil, a gripe espanhola, como ficou conhecida, apareceu no final do ano, quando marinheiros desembarcaram doentes após uma ida à África. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, 65% da população adoeceu. “Só no Rio de Janeiro, foram registradas 14.348 mortes. Em São Paulo, outras 2.000 pessoas morreram”, diz o site da Fiocruz.

Gripe asiáticaA doença atingiu a China nos anos de 1957 e 58 e chegou aos EUA matando mais de 70 mil pessoas. Diferente do tipo de vírus que causou a epidemia de 1918, esse era rapidamente identificado principalmente devido aos avanços da tecnologia médica. A Organização Mundial da Saúde estima que até 50% da população foi afetada, e a taxa de mortalidade era de uma pessoa a cada 4 mil. O numero de mortes no mundo passou de um milhão.
 
Gripe de Hong Kong
Nos anos de 1968 e 69, um outro tipo de gripe matou de 1 milhão a 3 milhões de pessoas - quase 34 mil só nos EUA e 30 mil na Inglaterra. Transmitida por aves, a doença matou em muito pouco tempo. Meio milhão de casos foram reportados em Hong Kong apenas nas duas primeiras semanas. A doença chegou nos EUA em setembro de 1968, por meio de soldados vindos do Vietnã. A vacina começou a ser fabricada dois meses após o surto.

Sars
A doença respiratória viral Sars (sigla em inglês para Síndrome Respiratória Aguda Grave) foi detectada pela primeira vez em fevereiro de 2003, na Ásia. Nos meses seguintes, se espalhou para mais de 12 países na América do Norte, na América do Sul, na Europa e na Ásia. A doença começa com uma febre alta e pode ter dores de cabeça, no corpo e mal-estar. A transmissão ocorre por contato próximo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, um total de 8.098 pessoas ficaram doentes no mundo, das quais 774 morreram. No mesmo ano a epidemia foi controlada.

Fonte: G1 Especiais