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domingo, 25 de setembro de 2022

Setembro Amarelo e a Campanha de Prevenção ao Suicídio Anual

 

Imagem capturada na Internet
Fonte: FlatOut

O mês está acabando e eu, assoberbada com tantas tarefas de escola e, ainda por problemas de saúde da minha filha e meus, também, acabei deixando de publicar novas postagens e de comentar a respeito do “Setembro Amarelo” 

Como muitos sabem, o dia 10 de setembro ficou estabelecido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, daí a escolha do respectivo mês para a Campanha de prevenção a este ato de provocar, intencionalmente, a própria morte.  

A ideia da criação da Campanha Setembro Amarelo visa mobilizar as pessoas a fim de se enfrentar este problema social como maior transparência superando-o como tabu, capaz de oferecer oportunidades de levarmos o tema à discussão e à conscientização da população quanto a importância à vida e, ao mesmo tempo, alertar a todos, que estejam envolvidos direta e/ou indiretamente com uma pessoa de comportamento suicida, quanto à prevenção e aos sinais de comportamentos que indicam alguma pretensão de cometê-lo.  

Levando-se em consideração que o suicídio é uma triste realidade em nossa sociedade, assim como no mundo inteiro, cometido por diferentes pessoas, sem distinção de classe social, de idade, de grupo étnico, de identidade de gênero, entre outros aspectos, objetivando conscientizar a população quanto à prevenção e a importância à vida durante os 365 dias do ano.

A Campanha Setembro Amarelo surgiu nos Estados Unidos em razão da morte do jovem Mike Emme, de 17 anos, que cometeu suicídio, no dia 08 de setembro de 1994, na cidade de Westminster, no Colorado. 

Michael Emme tirou a sua própria vida, com uma arma de fogo, dentro do seu carro antigo, um Ford Mustang (1968), restaurado por ele mesmo e que foi pintado de amarelo, ou seja, a sua paixão (o veículo) serviu de cenário para a consumação do seu ato suicida. 

A referência da cor amarela ao mês de setembro tem a ver com a cor do seu Mustang, assim como a ideia da “fita amarela”, pelos pais e amigos do jovem Michael Emme, que acabou tornando-se símbolo da Campanha.

No dia do seu velório, vários cartões foram confeccionados, contendo fitas amarelas, para serem dados às pessoas que ali estavam para se despedir do jovem. Dentro dos cartões havia a seguinte mensagem: "Se você precisar, peça ajuda". 

A partir daí a ideia ganhou grande dimensão, fazendo com que outros cartões com laços amarelos passassem a ser confeccionados, chegando às mãos de diferentes pessoas que necessitavam de apoio. 

Assim surgiu o movimento de prevenção ao suicídio, tendo o laço amarelo como símbolo da luta contra o suicídio.

Apesar da grande maioria não demonstrar que estão pensando em suicídio, muitas pessoas dão sinais de que estão passando por momentos de crise existencial e que necessitam de ajuda urgente.   

Além da família e dos amigos, torna-se de grande valia a ajuda de um profissional (psicólogo e/ou psiquiatra), afim de que o mesmo consiga falar, dialogar sobre o que está sentindo.  

Para saber mais sobre este tema e do caso do jovem Michael Emme (ou Mike), acesse os links abaixo, neste mesmo espaço:

Setembro Amarelo, Ano Inteiro Amarelo (Parte I)

Setembro Amarelo, Ano Inteiro Amarelo (Parte II)


Não hesite em pedir ajuda se você estiver necessitando de apoio emocional e/ou conversar com alguém.  

Procure ajuda no Centro de Valorização à Vida (CVV). O serviço é totalmente sigiloso, seja por meio de telefone, e-mail e chat. O atendimento é 24 horas, todos os dias da semana e é gratuito. O site do CVV é www.cvv.org.br.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Setembro Amarelo, Ano Inteiro Amarelo (Parte II)

Imagem capturada na Internet

Mas, afinal, por que “Setembro” foi escolhido para ser o mês da Campanha de conscientização e de prevenção do suicídio? E, por que esta Campanha ficou conhecida por “Setembro Amarelo”?

Tudo tem a ver com uma tragédia vivenciada pela família Emme, em 1994, nos Estados Unidos, a qual está completando 26 anosHOJE (08/09)!

No dia 08 de setembro de 1994, um jovem de apenas 17 anos de idade, da cidade de Westminster, no Colorado (EUA), Michael Emme, cometeu suicídio, tirando a sua própria vida com uma arma de fogo. 

Imagem capturada na Internet
Fonte: FlatOut

A sua morte trágica teve grande repercussão ao ponto de mobilizar e iniciar uma das mais importantes campanhas pela vida e de prevenção ao suicídio.

cor amarela tem a ver também com o mesmo fato, no entanto, esta envolve a existência e a paixão por um carro antigo e também da “fita amarela” que virou o seu símbolo.

Campanha original, que deu origem ao Setembro Amarelo, compete ao Programa Yellow Ribbon, que em português significa “Fita Amarela”. Este foi criado em 1994, pelos pais e amigos do jovem Michael Emme (ou Mike), no mesmo ano em que ele se suicidou com um tiro.

Sete minutos depois (11:52 pm ou 23h52), seus pais, Dale e Darlene Emme, chegaram em casa e o encontraram já morto dentro do carro. Estes desconheciam as razões de sua atitude extrema. Algumas fontes de pesquisa mencionam que ele e a namorada haviam rompido, de modo recente, o namoro e que este poderia ser a causa do suicídio do jovem rapaz. Mas, não encontrei nada a respeito no site do Programa de ajuda da família (Yellow Ribbon) que confirmasse tal informação.


Imagem extraída da Internet
Fonte: Paulo Alencar

Michael Emme era muito querido por todos e um grande admirador do carro de marca Mustang. Ele comprou um velho Ford Mustang (1968) e o restaurou totalmente, sozinho, graças as suas grandes habilidades mecânicas. Em seguida, ele o pintou de amarelo. Por esta razão, ele ficou conhecido por seu apelido Mustang Mike.

Segundo as fontes de pesquisa, Mike era um bom rapazamoroso, generoso, humorado e que adorava ajudar as pessoas. Mas, apesar de todos esses predicados, no momento mais crítico de sua vida e de tomada de decisão infortuna, sem ninguém saber de suas reais intenções, o seu Mustang serviu de cenário para a consumação do seu ato suicida.  

Sendo assim, no dia 08 de setembro de 1994, às 11:45 pm (23h45), no interior do seu Mustang amarelo, parado na frente da garagem de sua casa e ao terminar de escrever um bilhete, destinado aos seus pais, o jovem Michael Emme se matou com uma arma de fogo, atirando contra si mesmo.  

O bilhete mencionado foi encontrado próximo ao seu corpo e o texto dizia “Não se culpem, mamãe e papai, eu amo vocês. Com amor, Mike 11:45 pm.

Se os seus pais e amigos tivessem percebidos e/ou soubessem dos problemas por quais o jovem estava passando, com certeza, a sua morte teria sido evitada. Em um momento de desespero, por não se abrir e pedir ajuda, Mike Emme perdeu a vida, abalando a todos e não só à família.

De acordo com alguns estudos, os casos de suicídio impactam diretamente, pelo menos, sessenta pessoas, próximas à vítima (PENSO e SENA, 2020).

Mas, se por um lado, o suicídio de Michael Emme foi algo de difícil aceitação e muito triste, por outro lado, serviu de “instrumento” para engendrar o Programa Yellow Ribbon (Programa Fita Amarela), iniciativa de seus pais e amigos, voltado para prevenção ao suicídio entre jovens.

Tudo começou, quando os seus amigos - reunidos para consolar a família e também uns aos outros - discutiam acerca do suicídio de Michael e a mãe deste, Srª Darlene Emme sugeriu a criação de lembranças que pudessem reavivar o seu filho para serem entregues durante o funeral. Os amigos escolheram a cor amarela em referência, justamente, à cor daquilo que Mike mais adorava, o seu velho Mustang amarelo.

E quando os amigos perguntaram, à mãe de Mike, o que eles poderiam fazer, ela respondeu: “não façam isso, não tentem o suicídio. Se você está neste ponto de dor/desespero, por favor, peça ajuda!

Essas frases foram anotadas por eles e serviram para serem transcritas em cartões, como mensagens de ajuda.

Na noite anterior aos serviços fúnebres de Mike, os amigos confeccionaram 500 cartões, nos quais adicionaram fitas amarelas.

Durante as celebrações do funeral, todos cartões ficaram acondicionados em um cesto e, no final dos cultos, eles perceberam que não sobrou nenhum. Os cartões foram levados pelas pessoas, se espalharam pela comunidade e, também, para outros estados do país.

Em poucas semanas, os resultados desta iniciativa em prol dos jovens que estão precisando de ajuda, começaram a aparecer. Os cartões fizeram com que muitos – até então nas sombras da depressão e do silêncio – tomassem coragem para expor a sua necessidade de ajuda. Até um professor de outro estado relatou ter recebido um cartão de uma aluna, solicitando o mesmo. Diversos adolescentes se manifestaram, através dos cartões e, também, de cartas, buscando socorro aos pais do Michael Emme.

Sob um efeito multiplicador, outras pessoas ligaram para saber como poderiam ajudar os adolescentes de sua região ou como poderiam dar continuidade à Campanha.

A partir disso, a Yellow Ribbon se tornou um programa de prevenção ao suicídio pautado no pedido de ajuda através dos cartões e das fitas amarelas.

Além de símbolo do programa/campanha, a fita amarela passou a ser usada, também, pelos adolescentes para amarrar os cabelos e/ou prendê-las às roupas no dia de aniversário de morte de Mike Emme (08 de setembro).

Esta imagem, abaixo, é do cartão original do Programa Yellow Ribbon (extraída de Revista FlatOut)


(Tradução feita por mim através do serviço de tradução on line)

 Esta fita é uma linha de vida! Traz a mensagem de que existem aqueles que se importam e ajudarão! Se você está precisando e não sabe como pedir ajuda, leve este cartão a um conselheiro, professor, clero, médico, pais ou amigo e diga:
“Eu preciso usar minha fita amarela”
O programa da fita amarela é em memória amorosa de Michael Emme.

Segundo consta nas fontes de pesquisa, o coração existente no meio da fita simboliza os sobreviventes que continuam ativos, mesmo com os corações partidos, eles se encontram nutridos e rodeados pela família Fita Amarela para ajudar os outros, salvar vidas e trabalhar em memória dos entes queridos. Sendo as vozes daqueles não podem falar.

Até hoje, os pais de Michael Emme – através do Programa Yellow Ribbon – dão palestras, oferecem treinamentos e apresentações. 

Não se esqueçam de fazer a sua parte também neste Setembro Amarelo e ano inteiro. Alguém está precisando falar e ser ouvido. Não importa a idade e a relação estabelecida entre vocês dois. Ele só precisa falar e ter com quem conversar.

Muitas das vezes, o filho “pede” socorro – através até mesmo por seu comportamento – e, nós, pais, acabamos deixando de lado, ignorando os seus “apelos”. Muitos alegam não ter tempo, que estão ocupados, mas arrumam este quando o interesse é ver novela, jogo de futebol ou outro programa na TV.

É importante ficar atento aos sinais, às linguagens não verbais. Nem sempre tristeza é depressão, mas é preciso verificar a sua constância. Faça a sua parte!

Como ouvi uma vez e gostei, pois é a pura verdade...

“A vida é algo que passa, enquanto estamos ocupados 
com outras coisas”.
  
Fontes de Consulta

. ALENCAR, Paulo. Movimento mundial setembro amarelo estimula prevenção do suicídio – Paulo Alencar

. Setembro Amarelo: como um Ford Mustang 1968 inspirou a campanha de prevenção ao suicídio - Revista FlatOut

Setembro Amarelo, Ano Inteiro Amarelo (Parte I)


Imagem capturada na Internet

A palavra suicídio (...) 
não é um ato de coragem e nem de covardia,
é um ato de desespero.

E por ser um ato de desespero, precisamos ficar atentos à situação e aos possíveis sinais comportamentais, pois a pessoa necessita de ajuda, de apoio da família, dos amigos e, dependendo de sua gravidade, precisará do auxílio de um profissional especializado, um psicólogo ou psiquiatra. O ideal seria que ele tomasse a iniciativa e falasse, conseguindo expor os seus sentimentos e os problemas que o atormentam...

Ao mesmo tempo, tocar no assunto ou estimular as discussões acerca do mesmo é algo muito complicado, pois além deste ainda ser considerado um grande tabu em muitos países, inclusive, no nosso, a sua explanação pode surtir efeito contrário e acabar incitando a sua prática. O que está longe das minhas intenções!

Não vou negar que, por conta disso, eu demorei muito para decidir acerca da publicação deste artigo... Além disso, tive muitas dificuldades em encontrar levantamentos mais atualizados, o que me fez descobrir que isso faz parte da abrangência restrita que envolve o seu universo.

Na próxima 5ª feira, dia 10 de setembro, comemora-se o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, o qual foi constatado, em 2019, como a segunda causa de morte no mundo, entre os adolescentes e jovens (15 a 29 anos), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), só perdendo para as mortes por acidente de trânsito.

Considerado um problema de saúde pública e um fenômeno social mundial, a prática do suicídio – embora, com certa variação - ocorre em todas as faixas de idades e classes sociais, podendo ser motivadas por diferentes razões (depressão, dificuldades financeiras, solidão, Bullying, drogas, perdas afetivas, histórico familiar de suicídio, entre outros). 

De acordo com o Boletim Epidemiológico sobre Suicídio, publicado em 2017, pelo Ministério da Saúde, no período compreendido entre 2011 e 2016, em nosso país, 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas, sendo a maior parte do sexo masculino (79%), enquanto as mulheres perfizeram os 21% do geral.

Nas tentativas de cometer o suicídio, sem haver a sua consumação, as mulheres são a maioria. Das 48.204 pessoas que tentaram tirar a própria vida, no período levantado (2011 a 2016), 69% eram mulheres e 31% homens. A proporção de tentativas de caráter recorrente, mais de uma vez, também foi maior entre o sexo feminino

Neste universo, os idosos, na faixa de 70 anos a mais, foram os que apresentaram as maiores taxas, contabilizando 8,9 suicídios para cada 100 mil habitantes. 

Imagem capturada na Internet
Fonte: Agenda Estratégica de Prevenção do Suicídio 

De acordo com a Sra Fátima Marinho, Diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis e Promoção da Saúde, as taxas entre os idosos vêm aumentando, pois é o grupo que mais sofre com doenças crônicas, com a depressão e, também, com o abandono familiar. Segundo a mesma, esse quadro entre os idosos vem sendo observado no mundo todo.

Outro aspecto a ser apontado, em relação aos dados do referido Boletim, é a questão do aumento dos registros de casos entre os povos indígenas.

Eu já tinha certa noção destas ocorrências, pois fui responsável por uma turma do Ensino Médio que apresentou o tema “Os Desafios dos Índios Brasileiros na Contemporaneidade”, no âmbito do Projeto Étnico-Cultural do Colégio Estadual Profa Sonia Regina Scudese, no ano passado (2019).  

E um dos Grupos da mesma turma, junto a outras questões pertinentes aos desafios enfrentados por estas populações, explanou acerca dos casos de suicídios entre os índios brasileiros.

Em comparação a média nacional que foi de 5,7 óbitos para 100 mil habitantes, os casos de mortes provocadas (suicídios) nas aldeias indígenas foram quase três vezes maiores, isto é, registrou-se 15,2 óbitos para 100 mil habitantes




Imagem capturada na Internet
Fonte: Agenda Estratégica de Prevenção do Suicídio 

Destes registros, a proporção de óbitos de crianças e adolescentes indígenas (10 a 19 anos) foi na ordem de 44,8%, o que equivale aproximadamente 6,8 óbitos.

Isso, na verdade, é muito grave e preocupante, pois – conforme afirma a Sra Fátima Marinho, “o alto risco de suicídio entre jovens indígenas compromete o futuro dessas populações, já que elas também há um alto risco de mortalidade infantil”.

Além dessa realidade dos grupos indígenas, o número crescente de suicídios infantis nas áreas urbanas vem preocupando as autoridades e, principalmente, os especialistas. Embora, estas ocorrências sejam mais raras, elas estão acontecendo e, por isso, aumentam as preocupações quanto a não percepção prévia do problema e a imediata intervenção de um adulto na prevenção, seja por meio de diálogos abertos e/ou por meio de tratamento com um profissional capacitado (psicólogos ou psiquiatras).  

Diferente do que o senso comum da maioria das pessoas imagina,
o suicídio não está ligado à gravidade ou quantidade de problemas,
mas, sim, à intensidade do sofrimento
e os recursos emocionais para lidar com a dor.
Neste sentido, conseguimos entender a razão
de crianças e adolescentes estarem mais
propensos e vulneráveis a recorrerem ao suicídio.”

Embora, as crianças e adolescentes sejam considerados mais vulneráveis, assim como os da Terceira Idade (idosos), os casos de suicídios atingem todas as faixas de idades e, como sabemos, as pessoas propensas a cometer suicídio, em geral, se encontram em um quadro de estado depressivo.  

Dita como doença silenciosa, o indivíduo com depressão não é de falar abertamente, ao ponto de expor os seus problemas, nem mesmo, às pessoas mais próximas (familiares, amigos e outros) e, por isso, mergulha cada vez mais no seu mundo interior, oculto e solitário.

Contudo, mediante a essas dificuldades de comunicação verbal, os especialistas advertem que os responsáveis, amigos e outros adultos mais próximos devem ficar atentos à linguagem e sinais não verbais (músicas, desenhos, poemas, tipo de roupa etc.), bem como a alguns sintomas indicativos de um possível quadro depressivo, como por exemplo, isolamento, tristeza profunda, alteração no humor e no apetite.

Como fenômeno social mundial, o Brasil também figura no ranking dos países com taxas de suicídios, mas a falta de levantamentos mais recentes não me permite assegurar a sua atual posição do país nesta relação. O que encontrei, até de publicação mais atuais, fazem referências a números de anos anteriores (no máximo, de 2016).

Até mesmo, o ranking dos países com os maiores índices de suicídios no mundo, apresentado no Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2018, no qual o Brasil aparece em oitavo lugar, atrás da Índia, China, EUA, Rússia, Japão e Paquistão, os números são referentes a um levantamento realizado em 2014, assim como outros de 2016.

Junto a esta falta destes dados mais atualizados, não devemos desconsiderar que a tendência, na conjuntura atual, é que o número de casos deve ter aumentado devido à pandemia do Novo Coronavírus. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que bilhões de pessoas, no mundo todo, que foram afetadas direta e/ou indiretamente pela Covid-19 sofrerão um impacto negativo em sua saúde mental e que, isso, poderá acarretar um aumento do número de suicídios.

Essa baixa disponibilidade e qualidade dos dados tanto de suicídio quanto de tentativas de cometê-lo implicam na falta de dados mais atualizados. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/Brasil) isso se deve, sobretudo, a sensibilidade do assunto e a ilegalidade do comportamento em alguns países. Daí ser plausível haver a subnotificação e, também, a sua má classificação dos casos.

A OPAS destaca que a melhoria na vigilância e no monitoramento tanto do suicídio quanto das tentativas são fundamentais como medidas estratégicas de prevenção. Cabendo a cada país, com suas diferenças peculiares em termos de padrões de suicídios e características, melhorar a sua a abrangência, qualidade e resposta precoce quanto às taxas pertinentes ao suicídio e acrescenta:
                                                                                                   “Isso inclui o registro vital do suicídio,
registros hospitalares de tentativas de suicídio e
inquéritos nacionalmente representativos
que coletem informações das tentativas de suicídio auto relatadas.”
  
Independente de termos acesso ou não aos números de casos tanto de suicídios quanto de tentativas de cometê-los é preciso fazermos algo na direção de sua abordagem preventiva. Daí a importância de tocarmos no assunto, em especial, neste mês de setembro, como meio de conscientização e de prevenção à chamada “ideação suicida” (pensamentos suicidas), sobretudo, em pessoas já com quadro depressivo.

No entanto, vale ressaltar que, embora a campanha Setembro Amarelo esteja em curso, neste mês, o assunto por ser sério e grave, torna-se de fundamental importância discorrer sobre a prevenção do suicídio durante todos os doze meses do ano, ou melhor dizendo, “Setembro Amarelo, Ano Inteiro Amarelo”.

Segundo estudo realizado pela UNICAMP, em algum momento da vida, 17% dos brasileiros cogitaram em acabar com à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a planejar como o fariam. Daí a importância de não ficarmos calados e de braços cruzados!

De acordo SAMPAIO & TELLES-CORREA (2013 apud PEREIRA, 2020), o comportamento suicida envolve três momentos, isto é, a ideação suicida (pensamentos e desejos suicidas), a tentativa de suicídio (considerá-lo) e suicídio (consumação do ato).

E, como mencionei anteriormente, a tendência da situação é piorar em face aos efeitos da pandemia da Covid-19, quando bilhões de pessoas, no mundo todo, foram afetadas direta e/ou indiretamente pela doença, seja pelo confinamento em casa mediante as medidas protetivas de isolamento social e de quarentena, seja pela perda afetiva de um ente querido pela doença, seja pela perda de emprego, entre outros fatores.

Não restam dúvidas que esse período, atual, acarretou e acarretará um impacto negativo na saúde mental das pessoas, sobretudo, em termos de quadros de ansiedade e de depressão.

Isso pode ser comprovado, estatisticamente, através de um levantamento junto aos profissionais ligados à área de Saúde Mental, como os psicólogos e psiquiatras. A procura para tais serviços especializados aumentou muito, sendo realizados, majoritariamente, on line por “vídeo chamadas”.

“Se a pessoa já tinha tendências depressivas,
vai piorar. O medo do desconhecido desse vírus,
a perda de pessoas queridas, economia e
outros fatores precipitam um número maior
de pessoas depressivas e ansiosas”
(Psicólogo Sérgio Fonseca – Diário do Rio Doce)

O Brasil é signatário do Plano de Ação em Saúde Mental, lançado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2013, que tem como meta a redução em 10% da taxa de suicídio até este ano (2013-2020).

Sob a esta mesma direção em termos de prevenção, o governo brasileiro assinou o Plano de Ação em Saúde Mental 2015-2020, apresentado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), com o objetivo de acompanhar o número anual de mortes e o desenvolvimento de programas preventivos.

Entre as ações do Ministério da Saúde, objetivando proteger e reduzir os riscos de suicídio, está a criação de Centro de Atenção Psicossocial (Caps), que oferece assistência a pessoas com necessidade de tratamento em Saúde Mental, com quadro de depressão, ansiedade, transtorno afetivo bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, esquizofrenia, além daquelas com necessidades decorrentes do uso e abuso de drogas (álcool, crack e outras).

Outra iniciativa em prol deste Plano de prevenção e redução do suicídio foi firmar, em 2015, uma parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece serviço gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem conversar. Realizado sob total sigilo e anonimato, os serviços são oferecidos por telefonepresencialmente e on line (via Internet).

E foi por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV) em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)No Brasil, que a Campanha Setembro Amarelo teve início no Brasil, em 2015, visando promover não só o diálogo sobre o suicídio com a sociedade, como também a conscientização (quebrar o tabu sobre o assunto) e a sua prevenção.

Brasília, capital do país e do Distrito Federal, foi a primeira cidade a promover a campanha Setembro Amarelo. No ano seguinte (2016), outros estados também passaram a aderir ao movimento no sentido de reforçar a importância do diálogo e a prevenção do suicídio.

Por isso, se você apresenta algum sintoma de depressão e/ou pensamentos suicidas ou, ainda, se conhece alguém nesta situação, não hesite, busque ajuda ou o oriente a procurar.

O mais importante é falar e expor os seus sentimentos e problemas a uma pessoa amiga ou próxima a você.

Por telefone, basta ligara para o número 188 (24 horas e sem custo de ligação). Pessoalmente, o CVV dispõe de mais de 120 postos de atendimento (para achá-los, clique AQUI!). Mas, como estamos em plena Pandemia da Covid-19, os serviços presenciais se encontram suspensos. Pela Internet através do seu site - www.cvv.org.br - por chat ou por e-mail.

Ou ainda melhor, buscar ajuda a um profissional especializado na área de saúde mental (psicólogo ou psiquiatra). Como mencionei anteriormente, devido a conjuntura atual de Pandemia, a maioria está trabalhando em Home Office, ou seja, on line por “vídeo chamadas”.

Escolha a melhor opção para você, mas não deixe de lado ou ignore aquele que se encontra depressivo, triste e isolado. Ele precisa de ajuda!

Ah, já ia me esquecendo... Não se esqueçam de fazer a sua parte também nesta Campanha Setembro Amarelo, ou seja, mesmo em isolamento social, em casa, exponha algo na tonalidade amarela, seja uma lâmpada amarela acesa à noite, seja um tecido desta cor pendurado na janela ou, quando sair na rua, você pode variar com uma fita presa na roupauma das peças da vestimenta ou até a própria máscara. O importante é que a cor seja amarela para enfatizar o sentido da Campanha Setembro Amarelo, que é conscientização e a prevenção do suicídio!  

Fontes de Consulta

. Campanha Setembro Amarelo - Centro de Valorização da Vida (CVV)

. Folha informativa: Suicídio, 2018 - Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/Brasil)

. LIMA, Eduardo. Psicólogos explicam como isolamento e pandemia podem causar depressão, 2020 – Diário do Vale do Rio Doce

Mortes por Suicídio/Brasil 2011-2016 – Agência Brasil,2017

. Pandemia por Covid-19 e o risco de suicídio – Portal PEBMED

. PENSO, Maria Aparecida e SENA, Denise Pereira Alves de: A desesperança do jovem e o suicídio como solução - Revista Sociedade e Estado – Volume 35, N° 1, Janeiro/Abril 2020

. PEREIRA, Edileide da Silva. A Ideação Suicida no Paciente Depressivo: Uma Intervenção Preventiva na Perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental, 2020 - MultidisciplinaryScientific Journal – Núcleo do Conhecimento

. Suicídio entre crianças e adolescentes: um drama constante - MundoPsicologo