terça-feira, 13 de novembro de 2018

25 Anos: I Encontro de Geografia do Tocantins

 
Imagem do meu acervo particular

Há 25 anos, eu participei da organização do I Encontro de Geografia do Tocantins (1º ENGETO), realizado pelo Centro Universitário de Araguaína (CENUAR), da antiga Universidade do Tocantins - UNITINS (hoje, Universidade Federal do Tocantins). No âmbito da Programação, no penúltimo dia (15/11), eu coordenei a Mesa Redonda sobre “O Zoneamento Econômico Ecológico do Estado do Tocantins”.
 
Na época, eu era Professora Assistente II da Faculdade de Educação, do Centro Universitário de Araguaína, no qual ministrava as seguintes disciplinas: Geomorfologia e Geografia Física.
 
Foi uma experiência enriquecedora na minha vida profissional e pessoal. Sinto por não ter quase nenhum registro fotográfico da época. Mas, tenho muito a agradecer por ter tido o meu Currículo Vitae aceito e, com isso, ter tido, também, a oportunidade em dar aula no Curso de Licenciatura em Geografia.
 
Foi no âmbito do CENUAR que conheci o Prof. Ivan Francisco da Silva (Geógrafo), hoje, meu esposo.

 



sábado, 10 de novembro de 2018

Fuga de Cérebros ou Fuga de Capital Humano

Fuga de Cérebros ou Fuga de Capital Humano (brain drain)
Imagem capturada na Internet


Aproveitando o tópico da última postagem sobre migrantes...
 
Vários podem ser os motivos, mas não restam dúvidas que a instabilidade econômica (crise financeira e econômica) do país e, consequentemente, a falta de investimentos em diversas áreas de produção científica e tecnológica se constitui em um dos mais principais fatores de emigração (saída) de indivíduos com alto grau de conhecimento técnico e científico, como pesquisadores e cientistas, para os países desenvolvidos.
 
O movimento migratório desse emigrante, com esse perfil – altamente habilitado (diplomado) e detentor de nível de conhecimento elevado - é chamado de “fuga de cérebro” ou “fuga de capital humano” (em inglês, “brain drain”).

Outros fatores também justificam a migração internacional, sob esse contexto de “fuga de cérebros”, tais como: instabilidade política, guerras civis, conflitos armados, conflitos étnicos, epidemias, entre outros.

De acordo com artigo do colunista do Leiaja, DINIZ, Janguiê, publicado em 04/04/2018, o termo “brain drain (“fuga de cérebro”) foi criado pela Royal Society of London for the improvement of natural knowledge (Real Sociedade de Londres para o melhoramento do conhecimento natural). O ano não foi citado, só o da fundação da respectiva Instituição, que é datada de 1660.

Embora, a “fuga de cérebros” seja um fenômeno bem documentado nas migrações externas ou internacionais (entre países), ela também ocorre no âmbito do território nacional, podendo ser uma migração inter-regional (de uma região para outra) ou intra-regional (dentro da mesma região, de um estado para outro).
 
Em geral, os fatores de atração perpassam pelas melhores oportunidades e condições de desenvolver o seu trabalho científico, pelo reconhecimento de sua atuação na área, pela obtenção de uma remuneração mais compatível com a sua produção, entre outros fatores.

Não restam dúvidas que o fluxo migratório que mais chama a atenção e incide em uma discussão maior é a internacional, mesmo sabendo que nos países de destinação (países receptores como os os da Europa e os EUA) há um quantitativo amplo de pesquisadores e cientistas de alto nível, tal como afirma DINIZ quanto a este último,

É importante registrar que os EUA,
mesmo tendo o maior número de cientistas em seu território,
são o maior receptador dos melhores cérebros do mundo,
visando desenvolver novas tecnologias de ponta
para que possam ser patenteadas naquele país.
Não é à toa que a maioria das inovações tecnológicas
tiveram origem naquele país, principalmente
no Vale do Silício e Califórnia,
embora tenham sido criadas por estrangeiros,
principalmente de nacionalidades indianas,
árabes, europeus, latinos, inclusive brasileiros,
residentes naquele país.”
 
Daí a “fuga de cérebros” ter efeitos sobre os dois lados, isto é, em ambas as partes, a de saída (emigração) e a de entrada (imigração). Efeitos antagônicos, por sinal!

Por um lado, a emigração desses profissionais - altamente especializados - deixa o país carente de recursos humanos deste nível, comprometendo e prejudicando o desenvolvimento das linhas de pesquisa e de tecnologia nas respectivas nações de origem. Por outro lado, a imigração acaba sendo benéfica para os países que os recebem (países receptores) em virtude da atuação dos mesmos nestas áreas de desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias de ponta.

Contudo, há alguns especialistas que apontam que para o país dispersor (emigrante) há também a possibilidade da “fuga de cérebros” trazer benefícios no futuro, isto é, a partir do momento que os emigrantes retornem para os seus respectivos países de origem, nos quais poderão trabalhar e aplicar toda a bagagem adquirida em termos de experiências e de aprimoramento técnico-científico.

Mas, para que isso ocorra, é necessário que o país de origem, o mesmo que o afugentou a migrar, esteja passando por um período de estabilidade econômica, com a verificação de investimentos – tanto público quanto privado – em projetos científicos, capazes de os reconhecer e valorizar como importante “capital humano”.

Como se sabe, a crise econômica e financeira em nosso país tem relação direta com esses fluxos migratórios, cuja situação se agravou – nos últimos anos - mediante os cortes drásticos do Governo – nas três instâncias do poder (Federal, Estadual e Municipal) - no orçamento das áreas da Ciência e da Tecnologia.

Sob esse contexto, DINIZ afirma,


 As fugas de cérebros são extremamente comuns
entre os países mais pobres do planeta,
e também entre as nações em desenvolvimento,
como países africanos, ilhas do Caribe, países da América latina,
além do Brasil, onde existe carência de investimento em pesquisa da ciência e tecnologia,
e por via de consequência as habilidades e competências
não são valorizadas e recompensadas monetariamente.” 
E ele acrescenta ainda que,
Primeiramente, é importante asseverar que gastos
com inovação e pesquisa da ciência e tecnologia
não são gastos, são investimentos,
pois ajudam o país a se desenvolver.”
 
Com isso, há anos, vários pesquisadores brasileiros deixaram e estão deixando o nosso país, na intenção de assegurar a continuidade de seus projetos de pesquisa em um país desenvolvido, seja os EUA ou na Europa.

O caso que ganhou maior repercussão no meio acadêmico, científico e nas mídias, em 2016, foi o da pesquisadora e neurocientista brasileira, Suzana Herculano-Houzel, que trabalhava no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 
Pesquisadora Suzana Herculano-Houzel
Imagem capturada na Internet
 
A referida pesquisadora deixou o Brasil para trabalhar nos Departamentos de Psicologia e Ciências Biológicas da Universidade Vanderbilt, situada em Nashville (Tennessee – EUA), justamente, por esse mesmo motivo, ou seja, devido aos cortes de investimentos do Governo Federal nas áreas de pesquisas e a situação caótica criada em consequência da falta de recursos financeiros nas Universidades e Instituições de Pesquisa.

Além desse problema em termos de cortes e de baixos investimentos, por parte do Governo, Janguiê Diniz aponta, também, a falta de conexão entre as Universidades e as Empresas, sob o sistema de parcerias, faz com que tais pesquisas não sejam efetivamente poupadas de cortes ou de interrupções em seus desenvolvimentos.

Fontes de Pesquisa

. DINIZ, Janguiê. Como evitar a evasão de nossos cientistas (brain drain ou fuga de cérebros) - Leiajá

. Material Didático particular