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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quadro diagnóstico do Ensino Público Municipal


68% dos Alunos da Rede Municipal precisam de Reforço Escolar
 
A prefeitura do Rio através da Secretaria de Educação divulgou nesta terça-feira o resultado da avaliação feita com alunos da rede municipal neste mês. Segundo o prefeito Eduardo Paes e a secretária Claudia Costin, dos 460 mil alunos avaliados, 315 mil precisam de algum reforço escolar, o que representa 68% do total.
 
Em seu discurso durante a cerimônia, o Prefeito informou que na primeira prova, aplicada no dia 10 de março a 211 mil alunos do 4º, 5º e 6º anos do Ensino Fundamental, ficou constatado que 28 mil alunos são analfabetos funcionais, e terão que ser realfabetizados. Já a segunda prova, aplicada no dia 19 também a 211 mil estudantes, identificou que 109 mil desse total precisam de reforço escolar em Português e 205 mil, de reforço em Matemática.
 
"Se é tudo culpa da aprovação automática, não posso afirmar. O que eu sei é que contribuiu muito para o desânimo na rede municipal, e seria o caminho para que tais números aumentassem. A realidade que nós vivemos durante dois anos foi essa, em que mesmo os bons alunos deixaram de estudar porque iriam passar de ano do mesmo jeito. Isso fez muito mal à nossa rede de ensino", declarou o Prefeito. Ele considerou “apavorante” a constatação do número de alunos da Rede de Ensino que precisam de reforço, mas lembrou que, a partir de agora, serão aplicadas as medidas necessárias para reverter esse quadro.
 
Uma dessas medidas é justamente a contratação dos professores aprovados em concurso público. Com a convocação dos novos aprovados, além dos 645 chamados em janeiro, a Prefeitura do Rio contratou ao todo quase dois mil educadores somente nos três primeiros meses deste ano, reduzindo em 25% o déficit da rede. Neste segundo grupo, serão 230 professores de Língua Portuguesa, 200 de Matemática, 100 de Geografia, 100 de História, 200 de Ciências e ainda 315 professores II (para turmas de Educação Infantil).
 
Fonte: O Dia OnLine

terça-feira, 17 de março de 2009

Analfabetismo Funcional (II)

ANALFABETISMO FUNCIONAL


Caio acabou de completar dez anos. “Já está completamente alfabetizado!” Garante orgulhoso, seu pai. Um dia, resolvo aferir. Chamo-o a minha sala onde sobre a mesa quatro revistas de atualidades se esparramam. Passo então a tarefa: - Caio, por favor, leia em voz alta para mim o nome das revistas!

- Ah, isso é fácil.

Olha atentamente para cada capa e depois de algum tempo, soletra: VE-JÁ, É-PO-CA, CA-R-TA, ISTO E. Esquece o acento na última, mas olha orgulhoso para mim.

- Parabéns, Cássio. Vejo que você já sabe ler o nome dessas revistas. Diga, agora, o que significam esses nomes?

Não entendeu a pergunta. Insisti:

- Por quê são nomes de revistas? Não poderiam, por exemplo, serem nomes de uma borracharia, uma lanchonete, um salão de barbeiros? Achou que sim, sua alfabetização não permitia atribuir significação ao nome. Sempre brincando, provoquei:

- Caio, faça de contas que esses nomes ficam proibidos de serem usados, mas os redatores querem um nome semelhante! Que nomes dariam? Não entendeu a pergunta, não sabia o que era “redator”, não imaginava que “semelhante” seria o mesmo que “igual”.

Reformulei a questão, já sem esperança. Meu pessimismo se confirmou ainda que eu não o demonstrasse. Para Caio, aglutinar sílabas era possível, mas representava tarefa irreal associar a palavra ao seu significado, quanto mais a possíveis sinônimos. Insisti:

- Vamos fazer uma brincadeira, Caio. Vou apresentar vários nomes e gostaria que você escolhesse o que melhor poderia ser utilizado, caso a palavra “Época” fosse um palavrão. Vamos lá: “Olhe”, “Fase”, “Perceba”, “Portanto”, “Período”, “Tempo”...

- Já escolhi. Achei legal “Perceba”...

- Bem, Caio. Gosto não se discute, mas porque “Perceba”? Essa palavra não ficaria melhor como nome de uma das outras duas revistas?

- Claro. É um nome legal...

- Caio, se por acaso você tivesse um são de beleza, acha que o nome “Perceba”, ficaria bem?

Caio não entendeu minha pergunta e, ao sentir que já começava a se chatear mudei de assunto. Perguntei sobre as coisas que gosta e indaguei sobre sua escola. Respondeu sorrindo:

- Já estou no quarto ano. Sabia que sou o melhor aluno da classe. A menor nota que eu já tirei foi um oito, em História!

Analfabetismo Funcional

Imagem capturada da Internet


Antes de comentar a respeito dos diferentes instrumentos que a atual Secretaria Municipal de Educação, Claudia Costin, planejou e está utilizando a fim de diagnosticar a situação dos alunos e do ensino da rede pública municipal, gostaria de postar e compartilhar textos sobre o Analfabetismo Funcional.

O primeiro Artigo é de autoria de Andréa Cristina Sória Prieto, Consultora Pedagógica em Matemática na Futurekids do Brasil, Pós-Graduada em Psicopedagogia e Direito Educacional com Graduação em Pedagogia.

Seu Artigo foi publicado no Planeta Educação


ANALFABETISMO FUNCIONAL

Uma triste realidade de nosso país...

A UNESCO define analfabeto funcional como toda pessoa que sabe escrever seu próprio nome, assim como lê e escreve frases simples, efetua cálculos básicos, porém é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas, impossibilitando seu desenvolvimento pessoal e profissional. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair o sentido das palavras, colocar ideias no papel por meio da escrita, nem fazer operações matemáticas mais elaboradas.

No Brasil, o índice de analfabetismo funcional é medido entre as pessoas com mais de 20 anos que não completaram quatro anos de estudo formal. O conceito, porém, varia de acordo com o país. Na Polônia e no Canadá, por exemplo, é considerado analfabeto funcional a pessoa que possui menos de 8 anos de escolaridade.

Segundo a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, mais de 960 milhões de adultos são analfabetos, sendo que mais de 1/3 dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso e às novas tecnologias que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a adaptar-se às mudanças sociais e culturais.

De acordo com esta declaração, o analfabetismo funcional é um problema significativo em todos os países industrializados e em desenvolvimento. No Brasil, 75% das pessoas entre 15 e 64 anos não conseguem ler, escrever e calcular plenamente. Esse número inclui os 68% considerados analfabetos funcionais e os 7% considerados analfabetos absolutos, sem qualquer habilidade de leitura ou escrita. Apenas 1 entre 4 brasileiros consegue ler, escrever e utilizar essas habilidades para continuar aprendendo.

Mas como resolver essa situação? Como baixar esses números alarmantes? Sem dúvida nenhuma que a educação é o caminho. Alfabetizar mais crianças com melhor qualidade. Essa é a questão: qualidade e não quantidade.

Infelizmente, hoje vemos que o Brasil optou pela quantidade a qualquer custo.E o resultado disso é a enorme quantidade de analfabetos funcionais com diploma. O nosso país deveria se esforçar em alfabetizar com qualidade. Não é aumentando para 9 anos o Ensino Fundamental que a qualidade do ensino irá melhorar.

Também não é ampliando o horário escolar que teremos o problema resolvido. Se os alunos não forem incentivados à leitura, a atividades que trabalhem com inteligência, pensamento lógico e capacidade de relacionar temas diferentes, nenhum esforço do governo será válido.

Também não devemos nos esquecer dos professores. Melhoria nos cursos de formação dos docentes, remuneração adequada, capacitação continuada, etc. Dá trabalho, é verdade, mas o investimento na qualidade da educação é a única forma capaz de reverter esse quadro educacional brasileiro tão triste!!