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domingo, 30 de abril de 2023

30 de Abril: Dia Nacional da Mulher em Homenagem à Mineira Jerônima Mesquita

 

Jerônima Mesquita
Imagem capturada na Internet
Fonte: Geneall.net

Ontem, dia 30 de abril, comemorou-se o Dia Nacional da Mulher. Data criada no dia 09 de junho de 1980, pelo então Presidente da República, João Baptista de Oliveira Figueiredo, sob a Lei Nº 6.791 

Ela foi criada sob o contexto de uma personalidade brasileira de grande protagonismo no universo social e político feminino, Jerônima Mesquita, que muito contribuiu às causas femininas no Século XX.    

Sendo escolhido o dia e o mês de seu nascimento (30 de abril) como data-homenagem ao Dia Nacional da Mulher, em reconhecimento à sua importância no processo das conquistas das mulheres brasileiras, assim como por seu papel filantrópico aos mais necessitados e carentes. 

De família rica, Jerônima Mesquita nasceu na cidade de Leopoldina, em Minas Gerais, no dia 30 de abril de 1880

Imagem capturada na Internet
Fonte: Água Viva e São Martinho

Era filha de José Jerônimo de Mesquita e Maria José Villas Boas de Siqueira Mesquita, respectivamente, Segundo Barão e Baronesa do Bonfim.

Pais de Jerônima Mesquita
Imagem capturada na Internet
Fonte: Leopoldinense

Tendo residência também no Rio de Janeiro, então a capital do Brasil (segunda capital brasileira, do período de 1763 a 1960), todo ano, sua família alternava a sua estada entre a fazenda Paraíso, distante 11,5 Km do centro da cidade de Leopoldina (MG) com a Rua Haddock Lobo, n° 176, no bairro Tijuca, no município do Rio de Janeiro.   

Vale ressaltar aqui que há controversas - nas fontes bibliográficas - quanto ao bairro carioca de sua segunda residência. Alguns apontam o bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio e outros assinalam o Flamengo, na Zona Sul.  

Com apenas 15 anos de idade, no dia 23 de setembro de 1895, seu pai - José Jerônimo – falece. Por imposição de sua mãe, na condição de viúva, após um pouco mais de um ano da morte de seu pai, Jerônima Mesquita se casa no dia 10 de novembro de 1896, com o seu primo, Manoel Miguel Mesquita, no Rio de Janeiro.  

Este era filho do Barão de Itacuruçá e da Baronesa Francisca Eliza de Mesquita, que era sua tia por parte de pai. O casal passa a morar, também, no bairro da Tijuca. 

No ano seguinte, em 16 de agosto de 1897, nasce o único filho do casal, Mário Mesquita.  

Contudo, após 3 anos de casados e estando Jerônima Mesquita com menos de 20 anos, eles se separam de forma amigável, em 11 de janeiro de 1900 

A separação consensual deles é decretada, sob a denominação de “divórcio”, sendo confirmada pela Corte de Apelação no dia 16 de agosto do mesmo ano 

Com a separação, Mário Mesquita, filho do casal, estando com um pouco mais de 2 anos, fica sob a guarda da mãe. Jerônima Mesquita, após a separação, nunca mais se casou.

Segundo o memorialista Kenneth Lynch Light (sobrinho de Jerônima Mesquita) e citado por NOGUEIRA (2015),  

“o casamento fora arranjado com o objetivo de

preservar e ampliar o patrimônio da família.”

De acordo com as fontes de pesquisa, Mario Mesquita foi casado com a norte-americana Louise Hall, com quem teve uma única filha, Maria Luísa de Mesquita Hall, que nunca se casou e sempre viveu na Califórnia (EUA). Mario Mesquita, no entanto, faleceu em um acidente de trânsito, em razão da neve e do gelo, nos Estados Unidos. 

O divórcio do casal é reportado como uma das causas que levaram a Baronesa Maria José Villas Boas a deixar o Brasil para morar na Europa, por alguns anos, com todos os seus cinco filhos: Jerônima Mesquita; Francisca de Paula de Mesquita; Maria José de Mesquita e Bonfim (condessa Morcaldi); Jeronimo José de Mesquita e Antonio José de Mesquita e Bonfim.

Viveram na França por 10 anos até o início da I Guerra Mundial (1914). Dividida entre França e Suíça, Jerônima Mesquita ingressou como enfermeira voluntária na Cruz Vermelha de Paris, em 1918 e, depois, na respectiva Instituição na Suíça 

Ao regressar ao Brasil, com a experiência que viveu na Europa e, em particular, na França, Jerônima Mesquita não se conformou com a situação preconceituosa que a mulher brasileira era submetida, sob uma forte estrutura patriarcal e machista. 

Além de se tornar uma ativista na luta dos direitos da mulher, ela se engajou em diversas atividades de assistência social e beneficente, tendo em vista a situação caótica em que a população da capital do Brasil (cidade do Rio de Janeiro) enfrentava quanto às condições precárias de saneamento básico e às epidemias da época. 

Participou da fundação da Cruz Vermelha no Brasil (Rio de Janeiro), que oferecia assistência aos doentes e refugiados e, também, dos Pequenos Jornaleiros, instituição voltada para meninos órfãos e/ou carentes.  

Junto com sua mãe e sua amiga Stella Guerra Durval, Jerônima Mesquita participou da Associação das Damas da Cruz Verde, oferecendo assistência às vítimas das epidemias que atormentavam à população da cidade do Rio de Janeiro, na época, como a varíola, a febre amarela, a peste bubônica, a gripe espanhola, além da fome e de outras doenças agravadas pela subnutrição do povo 

Destacou-se, também, como uma das fundadoras da matriz do Hospital Pró-Matre, unidade hospitalar beneficente a gestantes carentes, pobres, localizada na zona portuária da cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente, na Praça XV, que – hoje – se encontra desativado. 

Imagem capturada na Internet
Fonte: Movimento Bandeirante - São Paulo

Foi também uma das fundadoras da Federação de Bandeirantes do Brasil, em 1919, cujo nome original era Associação das Girl Guides do Brasil, por qual dedicou sua vida. O Movimento Bandeirante visava oferecer uma educação pioneira, capaz de valorizar a importância do papel da mulher em promover nas mudanças na sociedade. Por seu trabalho e dedicação, Jerônima Mesquita recebeu o título de Chefe Fundadora do Movimento Bandeirante brasileiro. 

Direta e indiretamente, ela contribuiu para a implantação do Escotismo em nosso país, divulgando propaganda deste e incentivando a sua criação. Assim como, também, colaborou na Fundação de uma Associação de Escoteiros em São Paulo 

Sua importância ultrapassou às questões assistencialistas, uma vez que ela também colaborou, ativamente, em movimentos sufragistas e feministas, isto é, em movimentos reivindicatórios à participação ativa das mulheres na política, concedendo-as o direito de votação e de serem votadas (candidatas) 

Junto com suas amigas Bertha Lutz e Stela Guerra Duval, ela foi agente ativa na luta pelos direitos da mulher. Foi uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) em 1922. 

Jerônima Mesquita foi uma das pioneiras na luta pelo direito ao voto feminino, participando ativamente do movimento sufragista de 1932 e presenciando a legalização do direito ao voto feminino, que foi assegurado através do Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro de 1932.  

Apesar desta vitória na política, esta não era completa, pois o referido Código Eleitoral só permitia o direito ao voto às mulheres casadas (com autorização do marido), às viúvas e às solteiras, maiores de 18 anos e com renda própria.  Somente em 1946, o voto feminino passou a ser obrigatório e sem restrições 

Em 14 de agosto de 1934, ela, Bertha Lutz e Maria Eugênia lançaram um manifesto à nação, chamado de Manifesto feminista. 

Em 1947, ela fundou - ao lado de um grupo de companheiras - o Conselho Nacional das Mulheres (Rio de Janeiro). 

Em 1962, com a promulgação da Lei N° 4.121, vários artigos do Código Civil Brasileiro foram alterados e, entre estes têm-se: a concessão, às mulheres, do direito de trabalhar fora do lar, sem a necessidade de haver a autorização do marido ou do pai (às solteiras); em caso de separação do casal, o direito à guarda do filho à mãe; o usufruto e o direito real de habitação à mulher, entre outros direitos. Esta Lei ficou conhecida como o “Estatuto da Mulher Casada”. 

Jerônima Mesquita, em entrevista concedida, antes de falecer, confessou a sua felicidade diante da referida lei e de outras mudanças em termos de conquistas e da importância do papel da mulher na sociedade e no mercado de trabalho.  

Ela faleceu no dia 11 de dezembro de 1972, aos 92 anos, na cidade do Rio de Janeiro, em consequência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de cardiopatia hipertensiva.

Pelos seus feitos em prol da situação política e social da mulher brasileira em meio a uma sociedade predominantemente machista, oito anos após o seu falecimento (1972), o então Presidente da República, João Figueiredo, sancionou a Lei n.º 6.791/80 que instituiu a data 30 de abril como Dia Nacional da Mulher em sua homenagem.  

“Jerônima destacou-se por sua atuação como feminista, sufragista e assistente social. Foi uma mulher de fibra que não se deixou intimidar pelas regras sociais elaboradas e impostas pelos homens. De família rica, dedicou sua vida a ajudar mulheres que tinham muito menos que ela. Andou entre doentes e ajudou a aplacar a dor dos feridos durante a I Guerra Mundial. Buscou justiça através da igualdade de homens e mulheres perante a lei. Sua luta e de suas companheiras, como Bertha Lutz possibilitaram que muitos avanços sociais e políticos fossem conquistados pelas mulheres brasileiras. ” (Natania Nogueira)


Fontes de Consulta:

 . Diversos artigos meus, publicados Blog;

 . Jerônima Mesquita – Geni

 . Jerônima Mesquita. (2010) -  Água Viva e São Martinho, Estadode Minas Gerais

 . Jerônima Mesquita - Wikipédia

 . NOGUEIRA, Natania: Jerônima Mesquita e o Voto Feminino – História Hoje

 . NOGUEIRA, Natania: Jerônima Mesquita: uma leopoldinense na luta pelos direitos da mulher no Brasil (2015) - Leopoldinense

sexta-feira, 30 de abril de 2010

30 de Abril: Dia Nacional da Mulher


Jerônima Mesquita - Imagem capturada na Internet (Fonte: GeneAll.net)

Texto atualizado em 30/04/2012 às 9h33
O Dia Nacional da Mulher é comemorado hoje, dia 30 de abril, data de nascimento de uma grande brasileira, que poucos conhecem. Estou falando de Jerônima Mesquita.

Esta data foi instituída durante o governo do Presidente da República, João Batista Figueiredo, através da Lei n.º 6.791/80.

Jerônima Mesquita nasceu em Leopoldina, no estado de Minas Gerais, no dia 30 de abril de 1880. Em sua mocidade foi para a Europa concluir os seus estudos (secundário) e ao retornar ao Brasil, não se conformou com a situação e a posição da mulher na sociedade brasileira.

Jerônima Mesquita casou-se, aos 17 anos, com seu primo Manoel Miguel Martins, do qual se separou dois anos depois. Eles tiveram apenas um filho.

Inteligente, dinâmica, altruísta, observadora e de uma personalidade forte, ela se destacou em diversas áreas sociais e políticas, sempre, voltada para o atendimento e valorização da mulher.

Só para se ter uma ideia sobre a sua postura decidida e complacente, quando eclodiu a I Guerra Mundial (1914-1918), Jerônima Mesquita se apresentou como voluntária da Cruz Vermelha de Paris e depois à Cruz Vermelha da Suíça.

Segundo as fontes de pesquisa, tanto o seu pai, José Jerônimo de Mesquita, quanto a sua mãe, Maria José Vilas Boas de Siqueira Mesquita, eram conhecidos por serem justos e benevolentes, inclusive, com os escravos de sua fazenda.

Quando seu pai morreu, em 1895, sua mãe tinha a idade de 34 anos. Esta acompanhou os estudos dos filhos na Europa e, depois, acabou participando junto com Jerônima Mesquita de muitas atividades de assistência social, bem como em movimentos feministas.

Jerônima Mesquita foi sufragista e lutou junto com outras personalidades femininas, da época, como Bertha Lutz e Maria Eugênia, para que as mulheres tivessem direito a voto. Elas lançaram um manifesto à nação, chamado de Manifesto Feminista. Resultado, a partir de 1932, todas as mulheres, acima de 18 anos, passaram a ter direito ao voto.

Foi uma das fundadoras do hospital beneficente Pró-Matre, voltado para atendimento às gestantes pobres, carentes. A matriz do hospital foi construída no Rio de Janeiro, mas hoje, há diversas unidades - com esse mesmo nome - em outras cidades brasileiras. Ela também fundou a Associação Cruz Verde.

Jerônima Mesquita foi responsável pela fundação do Movimento Bandeirante no Brasil, em 1919. Assim como, também, uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), em 1922.

Juntamente com um grupo de companheiras, em 1947, fundaram o Conselho Nacional das Mulheres do Brasil (CNMB), no Rio de Janeiro, cujo princípio de atuação visava à defesa da condição da mulher.

A situação sócio-econômica do Brasil, no início do século XX, foi marcada pela fome, a febre amarela, a peste bubônica, a varíola, que se agravaram com a subnutrição do povo. Mas, nada disso, impediu ou representou obstáculo para a atuação de Jerônima Mesquita.

Numa das raras entrevistas que concedeu, antes de falecer, ela afirmou que estava feliz com a promulgação da Lei n° 4.121/62, que alterou o “arcaico” Código Civil Brasileiro (1916). A referida Lei ficou conhecida como Estatuto da Mulher Casada.

Segundo Jerônima Mesquita, na entrevista concedida, uma das alterações que mais lhe alegrou foi o direito assegurado às mulheres de trabalhar fora, sem a autorização do pai ou do esposo.

Jerônima Mesquita faleceu no Rio de Janeiro, em 1972 e, sem dúvida nenhuma, ela foi uma das poucas mulheres ativistas - da época (final do século XIX e início do século XX), que buscou incessantemente a justiça através da igualdade de gêneros (homens e mulheres) na sociedade.



Imagem capturada na Internet ( Fonte: Água Viva e São Martinho)



 Avô de Jerônima Mesquita
Imagem capturada na Internet (Fonte: Água Viva e Sào Martinho)




Sede da fazenda, propriedade da família de Jerônima Mesquita
Imagem capturada na Internet (Fonte: Água Viva e São Martinho)




Imagem capturada na Internet (Fonte: Água Viva e São Martinho)


Fontes: