Pai segurando a mão de sua filha de 15 anos, morta,
nos escombros (cidade de Kahramanmaras, Turquia)
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Foto: Adem Altan/AFP
Quando iniciei a minha primeira aula na rede
municipal de ensino, no dia 06/02 (2ª feira), neste ano, eu nem
imaginava a dimensão
do desastre natural que estava
para ser revelada com o passar das horas daquele dia...
E que ainda continuou e continua, com o passar dos
dias...
Como sempre faço no primeiro dia de aula,
inicialmente, fiz a minha apresentação à turma 1705
(e, depois, às demais, também). Em seguindo passei para os Informes Gerais (Regras de
Convivência Escolar, Método de Ensino, Uso de Celular, Caderno, Apostila do Rio
Educa, Avaliações, entre outros aspectos pertinentes a minha prática de
ensino).
Ao discorrer sobre os Instrumentos de Avaliação
(Teste; Trabalho de Pesquisa ou Atividade Dirigida e Prova), chamei atenção do Teste Relâmpago
que, junto com a frequência integral bimestral, faz parte dos chamados “Pontos Extras”.
Citando exemplos de perguntas que poderiam cair entre as 10
questões do respectivo Teste (conteúdo de Geografia do 7° Ano e do 6°
Ano; Atualidade e uma pergunta banal/boba), eu mencionei sobre o terremoto noticiado,
naquela manhã, como opção de atualidade.
Eu não citei o nome do país, pois a questão era
justamente esta, isto é, identificar o país euroasiático (com território tanto na
Europa quanto na Ásia), que havia sofrido um forte terremoto na madrugada do dia
06 de fevereiro, o qual ocasionou 600 vítimas fatais e 3.000 feridos. Eu havia ouvido a
notícia no telejornal
da manhã, antes de sair de casa rumo à respectiva Unidade Escolar.
Contudo, eu desconhecia a magnitude deste (Escala
Richter) e que a Síria, em sua região fronteiriça com a Turquia, havia sido
afetada também pelo mesmo sismo.
Como era esperado, nenhum aluno soube responder,
naquele momento, pois a notícia havia sido divulgada bem cedo, mas – mesmo
assim – fiz uso desta como exemplo de questão de atualidade.
Pois bem, conforme as horas foram passando, o
número de mortos só aumentou e, ao longo da semana, tive que retificar a
resposta com todas as turmas acerca tanto da dimensão do desastre natural quanto
do aumento de vítimas fatais.
Na última 4ª feira (08 de fevereiro), os boletins
oficiais dos dois países já contabilizavam mais de 15 mil mortes (informação obtida
às 20h58), sendo a maior parte na Turquia.
Como eu já previa, os números aumentaram mais
ainda, alcançando um número, indiscutivelmente, assustador...
Segundo as mais recentes contagens oficiais e publicadas, hoje, no Portal G1 (10/02),
o número de mortos nos dois países superou a marca das 21 mil vítimas fatais, de acordo
com os seguintes registros:
. Turquia: 18.342 mortos;
. Síria: 3.162 mortos.
Infelizmente, a tendência é desses números
aumentarem ainda mais...
O primeiro terremoto, de magnitude 7,8 na escala Richter,
teve o seu epicentro
na província de
Gaziantep, no Sul da Turquia, na fronteira com a Síria e, segundo
o Serviço
Geológico dos Estados Unidos (USGS), o seu hipocentro ocorreu a uma profundidade de
24,1 Km.
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Só a nível de esclarecimento...
Hipocentro corresponde
ao ponto, no interior da crosta terrestre,
onde se tem o foco do terremoto (de
onde se origina os abalos sísmicos), já o Epicentro é
o ponto da superfície
terrestre atingido pelo terremoto.
Este tremor aconteceu quando a maioria da
população ainda estava dormindo, ou seja, pegou as pessoas de surpresa
(desorientação inicial e pouco tempo para tomar as devidas providências) e, como
agravante do quadro, muitos edifícios desabaram após terem suas estruturas colapsadas,
soterrando milhares de pessoas. Tremores secundários foram sentidos,
posteriormente, em toda a região.
De acordo com o que foi noticiado a este respeito,
até a última
4ª feira (08/02), mais de 3.700 prédios
desabaram no país e, em consequência disso, as buscas por sobreviventes iriam continuar,
uma vez que muitas pessoas ainda se encontravam soterradas, nos escombros.
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Foto: BBC
Quanto ao número elevado de edifícios colapsados
após os terremotos, uma grande parte deles, sobretudo, os mais recentes, apresentavam
problemas
quanto aos regulamentos de segurança contra terremotos, ou seja,
deveriam ser à prova de abalos sísmicos e não eram. Assim como, a Turquia
concedeu anistia a muitas edificações que não cumpriram o que determina as
normas de segurança.
Como é de conhecimento da grande maioria, toda área de grande
susceptilidade e vulnerabilidade a eventos tectônicos,
sobretudo, abalos
sísmicos, tem que seguir certos regulamentos de engenharia anti-sísmica, capazes
de prevenir
ou mitigar os efeitos do terremoto, tais como estruturas internas de
aço, amortecedores eletrônicos ou de molas que dissipam os tremores de terra,
entre outras tecnologias modernas.
Como há muito tempo não ocorria um forte terremoto
na Turquia, em parte porque a falha tectônica, onde o terremoto ocorreu, se
mantinha mais ou menos estável, as construções mais recentes não seguiram as
normas de segurança à risca, ignorando a necessidade do cumprimento dos
regulamentos correspondentes a uma área de alta sismicidade.
As consequências destas “brechas” e falhas na legislação e fiscalizações
acabaram dando no que deu: o desabamento de milhares de construções e um número
elevado de mortos.
“As
normas mais recentes exigem
que
estruturas em regiões sísmicas
usem
concreto de alta qualidade reforçado com aço.
As
colunas e vigas também devem ser distribuídas
de forma
que absorvam efetivamente
o impacto dos terremotos. ” (BBC/Portal G1)
Este tremor do último dia 06/02 durou cerca um
minuto e meio e foi seguido por mais de 90 réplicas, cujas magnitudes
variaram entre 4,3 e 5,7 na Escala Richter, tendo algumas
com magnitudes próximas
ao primeiro e principal tremor.
O tremor foi sentido em um raio de alcance de 250 Km,
atingindo centenas de municípios. Sendo sentido, também, em Israel, Chipre
e no
Líbano, sem registro de vítimas.
O segundo terremoto, de magnitude 7,5 na Escala Richter, é um tremor secundário do principal terremoto, ou
seja, o anterior de magnitude 7,8.
Considera-se tremores secundários todos os terremotos
individuais, que não sejam mais fortes que o terremoto original.
Este segundo teve o seu epicentro
na cidade turca de Kahramanmaras e o
seu hipocentro se deu a 10 Km da superfície, profundidade esta considerada
muito baixa. Por ter sido muito rasa, o impacto na superfície é pior, mais
forte.
Ao contrário de que muitos pensam, esses eventos
tectônicos não são raros na Turquia, pelo contrário!
A Turquia está localizada em uma área de grande
instabilidade tectônica do Mediterrâneo. Isso se dá por ser uma área de
encontro de placas tectônicas (placas convergentes). Daí os abalos sísmicos
serem mais constantes.
Até a presente data, o terremoto principal da última 2ª feira
(06/02/2023) é
o segundo maior registrado na Turquia, tendo o pior ocorrido em 1939. Embora,
este tenha registrado a mesma magnitude (7,8 na Escala Richter), o número de
mortos foi bem superior, na ordem de 32 mil pessoas.
Maiores terremotos registrados na Turquia
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E as buscas por sobreviventes não param...
Para piorar
as condições de buscas e dos próprios sobreviventes nos escombros, o inverno
rigoroso, com precipitação de neve e
chuvas só dificulta a ação dos
socorristas e agrava a situação dos
sobreviventes, que estão em risco com a demora da remoção dos
mesmos.
Se só isso não bastasse, não podemos esquecer que a referida região, no lado sírio, vive em uma situação de guerra, com o controle territorial dividido entre oposição e governo e,
também, de crise humanitária com a migração de refugiados.
A energia do
terremoto que arrasou o sudeste da
Turquia e o norte da Síria foi abordada, pelos sismólogos, como análoga
a cerca de 32 bombas atômicas lançadas na cidade de Hiroshima, no Japão (no final da II Guerra
Mundial).
De acordo com o Instituto
Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) da Itália, responsável
pelo monitoramento geológico da região, e publicado no Portal G1, este terremoto foi desencadeado por
um deslocamento de três metros da placa
tectônica Arábica - na direção nordeste-sudoeste - em relação à placa da Anatólia.
Na área de encontro
das placas tectônicas (Arábica e Anatólia) há uma fenda
no subsolo. Submetendo-se que o tipo
de encontro de placas foi o de deslizamento
lateral. Como deixa claro o pronunciamento do chefe do INGV, Carlo
Doglioni,
“O
movimento tectônico resultou
em um
terremoto de magnitude 7,8,
com as
placas "escorregando"
de 30 a
40 segundos”.
Diversos países, Organizações Internacionais e outras entidades enviaram, além de ajuda humanitária, equipes
de resgate, incluindo, médicos, bombeiros e cães farejadores para ajudar nas buscas de sobreviventes nos dois países
afetados pelo terremoto (Turquia e Síria). Mas, o pouco tempo e as
condições da estação do ano (inverno) poderão comprometer o trabalho dos
agentes.
Com esta mesma finalidade
solidária, o governo de São Paulo
comanda uma missão nacional e enviou,
ontem (09 de fevereiro), uma equipe composta de 22 bombeiros, dois médicos militares,
dois integrantes da Defesa Civil e três pastores belgas malinois e uma
labradora.
Além de São Paulo, agentes de Minas Gerais, Espírito Santo e Brasília também
foram para Turquia para dar assistência nas buscas.
As imagens, abaixo, foram capturadas da Internet

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Foto: Umit Bektas/ Reuters
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Fontes de Consulta
. BEZERRA, Antônio Luiz Moreira: Por que o
terremoto na Turquia e Síria foi tão devastador? (2023) – Assembleia Legislativa do Estado do Piauí
. Bombeiros, médicos e cães farejadores de SP
embarcam para a Turquia para ajudar no resgate de vítimas do terremoto (2023) –
G1/São Paulo
. Frio e crise política contínua dificultam
resgates após terremoto na Turquia e na Síria (2023) – MSN/Folha de São Paulo
. HORTON, Jake e ARMSTRONG, William: Turquia
anistiou prédios que não cumpriam normas de segurança contra terremotos (2023)
– BBC (publicado no Portal G1)
. MILLER, Brandon:
Turquia registra segundo forte terremoto; número de mortos passa de 2,7
mil (2023) - CNN
. Mortes no terremoto na Turquia e na Síria passam
de 20 mil; ACOMPANHE AO VIVO (2023) – PortalG1
. O Japão e a incrível Engenharia Anti-Sísmica
(terremoto) – (2021) – Constru360°
. Terremoto na Síria e Turquia: número de mortes
passa de 19 mil (2023) – UOL Internacional
. Terremoto na Turquia: a imagem de pai segurando mão de filha morta que mostra desespero de sobreviventes (2023) – BBC News Brasil
. . Terremoto na Turquia e Síria: especialista
estima que 180 mil pessoas possam estar soterradas (2023) – O Globo/Época
. Veja infográficos com os dados sobre o terremoto
na Turquia (2023) – Poder360