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domingo, 12 de fevereiro de 2023

Atualizando... Número de Mortos em consequência dos Terremotos na Turquia já ultrapassa os 30 mil

Imagem capturada na Internet
Fonte: G1 Mundo
Foto: Sertac Kayar/Reuters


Como já era previsto, infelizmente, o número de mortos em consequência dos terremotos que ocorreram na região fronteiriça entre a Turquia e a Síria não para de crescer.  

O último boletim oficial, anunciado – hoje - nos telejornais (televisão) e em outras mídias, confirma que este desastre natural se configura como uma tragédia catastrófica.  

O número de vítimas fatais já ultrapassa 33 mil, sendo o maior quantitativo no lado turco, onde já somam 29.605 mortos, enquanto na Síria estimam-se mais de 3.500 vítimas fatais. 

Isso significa dizer que, no caso da Turquia, falta pouco para que este evento se torne o pior registrado nos últimos 84 anos, em seu território.  

Como mencionei e mostrei em uma tabela, publicada no Poder 360, o pior até então registrado na Turquia aconteceu em 1939. E, embora, de igual magnitude (7,8), este matou 33 mil pessoas.   

O triste é saber que, seguramente, esse número não vai parar de crescer. Não vai por causa do alto índice de edificações que desabaram, havendo, consequentemente, muitos corpos ainda soterrados. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) fez esta predição.

 

Imagem capturada na Internet
Foto: Ilyas Akengin/AFP

Imagem capturada na Internet
Foto (reprodução reportagem TV Globo)


Imagem capturada na Internet

Fonte: DW

A meio tanta desolação e tristeza, notícias de retiradas de sobreviventes dos escombros aliviam um pouco a dor em meio ao cenário de grande devastação


Imagens capturadas na Internet

Daí as buscas prosseguirem... Contudo, estes casos não se igualam em termos proporcionais às vítimas fatais. 

Segundo as mídias, milhares de pessoas estão desaparecidas e, quanto aos feridos, estimam-se que esses sejam mais de 70 mil 

A Turquia e a Síria contam com a solidariedade de mais de 70 países, inclusive, o Brasil, que enviaram ajuda humanitária e equipes de resgate.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Devastação na Turquia e na Síria: Terremoto de Magnitude 7,8 na Escala Richter

 

Pai segurando a mão de sua filha de 15 anos, morta,
nos escombros (cidade de Kahramanmaras, Turquia)
Imagem capturada na Internet
Fonte: Portal G1
Foto: Adem Altan/AFP


Quando iniciei a minha primeira aula na rede municipal de ensino, no dia 06/02 (2ª feira), neste ano, eu nem imaginava a dimensão do desastre natural que estava para ser revelada com o passar das horas daquele dia...  

E que ainda continuou e continua, com o passar dos dias...  

Como sempre faço no primeiro dia de aula, inicialmente, fiz a minha apresentação à turma 1705 (e, depois, às demais, também). Em seguindo passei para os Informes Gerais (Regras de Convivência Escolar, Método de Ensino, Uso de Celular, Caderno, Apostila do Rio Educa, Avaliações, entre outros aspectos pertinentes a minha prática de ensino).  

Ao discorrer sobre os Instrumentos de Avaliação (Teste; Trabalho de Pesquisa ou Atividade Dirigida e Prova), chamei atenção do Teste Relâmpago que, junto com a frequência integral bimestral, faz parte dos chamados “Pontos Extras”.  

Citando exemplos de perguntas que poderiam cair entre as 10 questões do respectivo Teste (conteúdo de Geografia do 7° Ano e do 6° Ano; Atualidade e uma pergunta banal/boba), eu mencionei sobre o terremoto noticiado, naquela manhã, como opção de atualidade.  

Eu não citei o nome do país, pois a questão era justamente esta, isto é, identificar o país euroasiático (com território tanto na Europa quanto na Ásia), que havia sofrido um forte terremoto na madrugada do dia 06 de fevereiro, o qual ocasionou 600 vítimas fatais e 3.000 feridos. Eu havia ouvido a notícia no telejornal da manhã, antes de sair de casa rumo à respectiva Unidade Escolar.  

Contudo, eu desconhecia a magnitude deste (Escala Richter) e que a Síria, em sua região fronteiriça com a Turquia, havia sido afetada também pelo mesmo sismo.  

Como era esperado, nenhum aluno soube responder, naquele momento, pois a notícia havia sido divulgada bem cedo, mas – mesmo assim – fiz uso desta como exemplo de questão de atualidade 

Pois bem, conforme as horas foram passando, o número de mortos só aumentou e, ao longo da semana, tive que retificar a resposta com todas as turmas acerca tanto da dimensão do desastre natural quanto do aumento de vítimas fatais.  

Na última 4ª feira (08 de fevereiro), os boletins oficiais dos dois países já contabilizavam mais de 15 mil mortes (informação obtida às 20h58), sendo a maior parte na Turquia.  

Como eu já previa, os números aumentaram mais ainda, alcançando um número, indiscutivelmente, assustador... 

Segundo as mais recentes contagens oficiais e publicadas, hoje,  no Portal G1 (10/02), o número de mortos nos dois países superou a marca das 21 mil vítimas fatais, de acordo com os seguintes registros:    

. Turquia: 18.342 mortos;

. Síria: 3.162 mortos. 

Infelizmente, a tendência é desses números aumentarem ainda mais...  

O primeiro terremoto, de magnitude 7,8 na escala Richter, teve o seu epicentro na província de Gaziantep, no Sul da Turquia, na fronteira com a Síria e, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o seu hipocentro ocorreu a uma profundidade de 24,1 Km.  

Imagem capturada na Internet

Só a nível de esclarecimento...  

Hipocentro corresponde ao ponto, no interior da crosta terrestre, onde se tem o foco do terremoto (de onde se origina os abalos sísmicos), já o Epicentro é o ponto da superfície terrestre atingido pelo terremoto.  

Este tremor aconteceu quando a maioria da população ainda estava dormindo, ou seja, pegou as pessoas de surpresa (desorientação inicial e pouco tempo para tomar as devidas providências) e, como agravante do quadro, muitos edifícios desabaram após terem suas estruturas colapsadas, soterrando milhares de pessoas. Tremores secundários foram sentidos, posteriormente, em toda a região.  

De acordo com o que foi noticiado a este respeito, até a última 4ª feira (08/02), mais de 3.700 prédios desabaram no país e, em consequência disso, as buscas por sobreviventes iriam continuar, uma vez que muitas pessoas ainda se encontravam soterradas, nos escombros.  

Imagem capturada na Internet
Foto: BBC

Quanto ao número elevado de edifícios colapsados após os terremotos, uma grande parte deles, sobretudo, os mais recentes, apresentavam problemas quanto aos regulamentos de segurança contra terremotos, ou seja, deveriam ser à prova de abalos sísmicos e não eram. Assim como, a Turquia concedeu anistia a muitas edificações que não cumpriram o que determina as normas de segurança.  

Como é de conhecimento da grande maioria, toda área de grande susceptilidade e vulnerabilidade a eventos tectônicos, sobretudo, abalos sísmicos, tem que seguir certos regulamentos de engenharia anti-sísmica, capazes de prevenir ou mitigar os efeitos do terremoto, tais como estruturas internas de aço, amortecedores eletrônicos ou de molas que dissipam os tremores de terra, entre outras tecnologias modernas.  

Como há muito tempo não ocorria um forte terremoto na Turquia, em parte porque a falha tectônica, onde o terremoto ocorreu, se mantinha mais ou menos estável, as construções mais recentes não seguiram as normas de segurança à risca, ignorando a necessidade do cumprimento dos regulamentos correspondentes a uma área de alta sismicidade.  

As consequências destas “brechas” e falhas na legislação e fiscalizações acabaram dando no que deu: o desabamento de milhares de construções e um número elevado de mortos.  

“As normas mais recentes exigem

que estruturas em regiões sísmicas

usem concreto de alta qualidade reforçado com aço.

As colunas e vigas também devem ser distribuídas

de forma que absorvam efetivamente

o impacto dos terremotos. (BBC/Portal G1)


Este tremor do último dia 06/02 durou cerca um minuto e meio e foi seguido por mais de 90 réplicas, cujas magnitudes variaram entre 4,3 e 5,7 na Escala Richter, tendo algumas com magnitudes próximas ao primeiro e principal tremor.  

O tremor foi sentido em um raio de alcance de 250 Km, atingindo centenas de municípios. Sendo sentido, também, em Israel, Chipre e no Líbano, sem registro de vítimas.  

O segundo terremoto, de magnitude 7,5 na Escala Richter, é um tremor secundário do principal terremoto, ou seja, o anterior de magnitude 7,8.  

Considera-se tremores secundários todos os terremotos individuais, que não sejam mais fortes que o terremoto original.

Este segundo teve o seu epicentro na cidade turca de Kahramanmaras e o seu hipocentro se deu a 10 Km da superfície, profundidade esta considerada muito baixa. Por ter sido muito rasa, o impacto na superfície é pior, mais forte.  

Ao contrário de que muitos pensam, esses eventos tectônicos não são raros na Turquia, pelo contrário!  

A Turquia está localizada em uma área de grande instabilidade tectônica do Mediterrâneo. Isso se dá por ser uma área de encontro de placas tectônicas (placas convergentes). Daí os abalos sísmicos serem mais constantes 

Até a presente data, o terremoto principal da última 2ª feira (06/02/2023) é o segundo maior registrado na Turquia, tendo o pior ocorrido em 1939. Embora, este tenha registrado a mesma magnitude (7,8 na Escala Richter), o número de mortos foi bem superior, na ordem de 32 mil pessoas.  

Maiores terremotos registrados na Turquia


Imagem capturada na Internet
Fonte: Poder 360

E as buscas por sobreviventes não param...  

Para piorar as condições de buscas e dos próprios sobreviventes nos escombros, o inverno rigoroso, com precipitação de neve e chuvasdificulta a ação dos socorristas e agrava a situação dos sobreviventes, que estão em risco com a demora da remoção dos mesmos.  

Se só isso não bastasse, não podemos esquecer que a referida região, no lado sírio, vive em uma situação de guerra, com o controle territorial dividido entre oposição e governo e, também, de crise humanitária com a migração de refugiados.  

A energia do terremoto que arrasou o sudeste da Turquia e o norte da Síria foi abordada, pelos sismólogos, como análoga a cerca de 32 bombas atômicas lançadas na cidade de Hiroshima, no Japão (no final da II Guerra Mundial).  

De acordo com o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) da Itália, responsável pelo monitoramento geológico da região, e publicado no Portal G1, este terremoto foi desencadeado por um deslocamento de três metros da placa tectônica Arábica -  na direção nordeste-sudoeste - em relação à placa da Anatólia.  

Na área de encontro das placas tectônicas (Arábica e Anatólia) há uma fenda no subsolo. Submetendo-se que o tipo de encontro de placas foi o de deslizamento lateral. Como deixa claro o pronunciamento do chefe do INGV, Carlo Doglioni,

“O movimento tectônico resultou

em um terremoto de magnitude 7,8,

com as placas "escorregando"

de 30 a 40 segundos”.  

Diversos países, Organizações Internacionais e outras entidades enviaram, além de ajuda humanitária, equipes de resgate, incluindo, médicos, bombeiros e cães farejadores para ajudar nas buscas de sobreviventes nos dois países afetados pelo terremoto (Turquia e Síria). Mas, o pouco tempo e as condições da estação do ano (inverno) poderão comprometer o trabalho dos agentes.  

Com esta mesma finalidade solidária, o governo de São Paulo comanda uma missão nacional e enviou, ontem (09 de fevereiro), uma equipe composta de 22 bombeiros, dois médicos militares, dois integrantes da Defesa Civil e três pastores belgas malinois e uma labradora.  

Além de São Paulo, agentes de Minas Gerais, Espírito Santo e Brasília também foram para Turquia para dar assistência nas buscas.  

As imagens, abaixo, foram capturadas da Internet


Imagem capturada da Internet
Foto: Umit Bektas/ Reuters


Todas as 8 Imagens abaixo foram capturadas da Internet
Fonte: CNN


















Todas as 04 Imagens abaixo foram capturadas da Internet






Fontes de Consulta  

. BEZERRA, Antônio Luiz Moreira: Por que o terremoto na Turquia e Síria foi tão devastador? (2023) – Assembleia Legislativa do Estado do Piauí  

. Bombeiros, médicos e cães farejadores de SP embarcam para a Turquia para ajudar no resgate de vítimas do terremoto (2023) – G1/São Paulo  

. Frio e crise política contínua dificultam resgates após terremoto na Turquia e na Síria (2023) – MSN/Folha de São Paulo  

. HORTON, Jake e ARMSTRONG, William: Turquia anistiou prédios que não cumpriam normas de segurança contra terremotos (2023) – BBC (publicado no Portal G1)  

. MILLER, Brandon:  Turquia registra segundo forte terremoto; número de mortos passa de 2,7 mil (2023) - CNN  

. Mortes no terremoto na Turquia e na Síria passam de 20 mil; ACOMPANHE AO VIVO (2023) – PortalG1  

. O Japão e a incrível Engenharia Anti-Sísmica (terremoto) – (2021) – Constru360°  

. Terremoto na Síria e Turquia: número de mortes passa de 19 mil (2023) – UOL Internacional  

. Terremoto na Turquia: a imagem de pai segurando mão de filha morta que mostra desespero de sobreviventes (2023) – BBC News Brasil  

. Terremoto na Turquia e Síria: especialista estima que 180 mil pessoas possam estar soterradas (2023) – O Globo/Época

. Veja infográficos com os dados sobre o terremoto na Turquia (2023) – Poder360

domingo, 25 de outubro de 2015

Crise Humanitária Internacional: O Drama dos Refugiados Sírios


Imagem capturada na Internet para fins ilustrativo
Fonte: BBC Brasil

Não resta dúvida que o drama dos refugiados sírios é um fato grave - de grande impacto internacional - que não deve ser ignorado nem por conta de sua origem e nem por seus efeitos sobre milhões de famílias, as quais continuam migrando para diversos países, de diferentes continentes, inclusive o Brasil, vítimas da guerra civil e, também, da violência e atrocidades praticadas pelo grupo terrorista Estado Islâmico” (EI) em seu país.

O Estado Islâmico foi criado, em 2013, de uma ramificação da organização terrorista al-Qaeda (fundada por Osama Bin Laden, morto em 2011), da qual desmembrou-se e passou a atuar de acordo com os seus próprios princípios. Ele é considerado o grupo terrorista mais radical e violento da atualidade (até mais que a própria Al-Qaeda). 

A Síria, nome oficial República Árabe da Síria, está localizada na Ásia, mais especificamente, no Oriente Médio.
 

 Imagem capturada na Internet e modificada

com marcação na Síria

Para entender a origem da guerra civil por qual o país enfrenta e que responde pela crise migratória devemos voltar ao tempo...  

Em março de 2011, a população síria, a exemplo de outros países do Norte da África e do Oriente Médio, iniciou um levante contra o governo ditatorial do seu presidente, Bashar Assad, movida pelo desencadeamento da Primavera Árabe (movimento de revoltas populares contra os governos ditatoriais, autoritários, iniciado na Tunísia, em 2011 e que se estendeu a outros países árabes).

O presidente Bashar al-Assad, que está no poder há 15 anos, desde julho de 2000, prometeu mudanças no país e, ainda, ressaltou que seria diferente do seu pai, Hafez Assad, que governou a Síria por 29 anos (1971-2000) sob um regime também autoritário. Mas, apesar dele ter-se mostrado mais aberto e a favor da democracia, este - com o passar do tempo - acabou se revelando mais um Chefe de Estado autoritário, submetendo a população civil à total falta de liberdade e outras políticas estratégicas, severas, de total controle sobre o país e o seu povo. 

  Presidente da Síria - Bashar al-Assad
Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipédia

Inicialmente, as manifestações populares na Síria ocorreram de forma pacífica, no entanto, com o aumento da repressão das tropas do governo, a violência aumentou igualmente dos ambos, os lados e, com isso, os manifestantes recorreram à luta armada, dando início, assim, à guerra civil no país, em 2012, quando a ONU reconheceu a gravidade do conflito interno como tal. 
 
Um dos pontos mais críticos da guerra civil foi o ataque com arma química letal, o sarin, por parte do governo de  Bashar al-Assad, no dia 21 de agosto de 2013, que resultou na morte de mais de 1.400 pessoas. O ataque químico foi confirmado depois da análise de amostras de sangue das vítimas e a constatação que 85% delas tiveram resultado positivo para o gás sarin.

 Corpos das vítimas pelo ataque químico na Síria.
Imagem capturada na Internet (Fonte: Último Segundo) 

Embora, as mídias destaquem a chegada de muitos refugiados no continente europeu, os países que mais receberam os fluxos migratórios de sírios foram, justamente, aqueles que estão mais próximos da Síria, ou seja, aqueles que fazem fronteira com o país, como a Turquia (ao norte), a Jordânia (ao sul), o Líbano (a oeste) e o Iraque (a leste).

De acordo com as informações publicadas no site BBC Brasil, entre estes, o que mais recebeu os refugiados sírios até 06 de setembro de 2015 foi a Turquia (1.938.999), seguido pelo Líbano (1.113.941), Jordânia (629.266) e Iraque (249.463), totalizando em 4.088.099 de registros de refugiados sírios.

Diferentemente das expectativas de obter refúgio em um país da União Europeia, muitos que se encontram nestes países asiáticos, fronteiriços, estão passando muitas dificuldades.

No Líbano, por exemplo, 70% das famílias de refugiados vivem abaixo da linha da pobreza (vivendo com menos de US$ 1 por dia). Na Jordânia, a situação não difere, pois dos 629.266 sírios que vivem no país – 520 mil deles fora dos campos de refugiados – 86% em áreas urbanas e rurais se encontram, também, vivendo abaixo da linha da pobreza.
 
Por isso, segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), a maioria dos refugiados se encontra endividada, sendo obrigada a praticar a mendicância (pedir esmolas), a retirar os filhos das escolas e, até mesmo, reduzir o consumo de alimentos. Esta situação se agravou com o corte de financiamento dos programas de ajuda humanitária (corte de verbas).

Os países do Golfo (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Catar, Bahrein e Omã), por sua vez, preferiram doar dinheiro ao invés de abrir suas fronteiras e abrigar os refugiados sírios. Esses países, além de temerem pela segurança e estabilidade de seus territórios, não reconhecem a condição de refugiados, eles não assinaram a Convenção de Refugiados de 1951 ou Estatuto dos Refugiados, que foi elaborado durante a Conferência de Plenipotenciários das Nações Unidas, em Genebra (Suíça), em julho de 1951 e que entrou em vigor em 22 de abril de 1954. 
 
A referida Convenção consolida instrumentos legais, internacionais, de reconhecimento e proteção aos refugiados, instituindo os direitos dos mesmos a nível mundial, desde os padrões básicos para o tratamento dos mesmos a ser seguido pelos Estados (sem impor limites), assim como outros procedimentos que implicam na não discriminação por raça, religião, sexo e país de origem.

Entre suas cláusulas principais, tem-se a definição do termo “refugiado” e o chamado Princípio de “non-refoulement (“não-devolução”), que institui que nenhum país deve expulsar ou “devolver” um refugiado, contra a vontade do mesmo, em qualquer período, para um território onde ele sofra perseguição e, com isso, a sua vida e liberdade corram perigo. Além destes, a mesma determina que providências devem ser tomadas para a disponibilização de documentos aos refugiados, incluindo documentos de viagem específicos, na forma de passaporte. 
 
Para os fins da referida Convenção, o termo “refugiado” é aplicado à pessoa que:

temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país, ou que, se não tem nacionalidade e se encontra fora do país no qual tinha a sua residência habitual em consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não quer voltar a ele. (Manual de Procedimentos e Critérios para a Determinação da Condição de Refugiado, ACNUR, 2011: pag.11)

O destaque midiático sobre os refugiados sírios no continente europeu, inclusive correlacionando-os comocrise humanitária na Europa” justifica-se - entre outros - pelos seguintes aspectos:
 
- As duas rotas principais que os sírios utilizam para entrar no continente europeu são por terra ou por mar, melhor dizendo, muitos preferem cruzar a Turquia por terra até chegar à Grécia e depois prosseguir até ao seu destino final ou partir para a Líbia, no Norte da África e, de lá, atravessar o Mar Mediterrâneo para desembarcar na Itália.

 

- A rota principal deles, o Mar Mediterrâneo (porção oriental), são expressivas as incidências de embarcações precárias, superlotadas de famílias sírias, com muitas crianças e jovens, tendo diversos registros de naufrágios e vítimas fatais (mortes).

Muitas das imagens publicadas nas mídias são fortes e impactantes, como estas - abaixo - que comoveram o mundo todo;
 
Refugiado sírio, chorando, com seus filhos
ao chegar na ilha Kos, na Grécia
Imagem capturada na Internet (Fonte: UOL Notícias)
 
O menino Alyan Kurdi, 3 anos, morto em uma praia na Turquia. Sua mãe e seu irmão (5 anos),
 também, morreram afogados, só o pai sobreviveu 
Imagem capturada na Internet (Fonte: G1 Mundo)
 
 - A políticas de fechamento de fronteiras por parte de determinados governos europeus aos refugiados sírios, os quais temem pela segurança e estabilidade do seu país ou, ainda, outros por apresentar uma economia mais vulnerável em face da crise da Zona do Euro.
 
A Hungria, por exemplo, fechou as fronteiras com cercas para impedir a entrada dos mesmos, enviando, inclusive, soldados a fim de garantir a ordem e a segurança.

 
Cerca na fronteira da Hungria com a Sérvia
Imagem capturada na Internet (Fonte: Revista Exame)
 
A Grécia, diante de sua situação econômica frágil, pediu ajuda emergencial à União Europeia para acolher os refugiados. Por sua localização geográfica estratégica é um dos países de entrada à Europa, de maior acesso dos refugiados, à partir da rota pela Turquia;

- As altas expectativas para o refúgio em território europeu devido o nível de desenvolvimento dos países, mesmo estando a União Europeia mergulhada em uma crise econômica e financeira (sobretudo, a chamada Zona do Euro). Como a maioria dos refugiados tem nível de escolaridade básico e médio, estes podem suprir a falta de mão de obra no mercado de trabalho em muitos países, alavancando a economia dos mesmos, como é o caso da Alemanha e do Reino Unido.
 
Na verdade, estas mediações consistem em um jogo de interesses políticos e econômicos. O próprio governo da Alemanha, país que está mais aberto a acolher os sírios, deixou de acatar a chamada “Regulação de Dublin” (Lei da União Europeia), que determina que o refugiado deve requisitar asilo político no primeiro país da União Europeia ao qual entrou ao chegar no continente, em agosto deste ano, abriu uma exceção quanto a isso, permitindo que os refugiados se registrassem direto em seu país, independente de outras nações que os mesmos já tivessem entrado antes.
 
Imagem capturada na Internet (Fonte: BBC Brasil)
 
Embora, a Alemanha tenha um histórico de movimentos nacionalistas, xenófobos, de atuação de grupos neonazistas simpatizantes à imagem e às ideias de Adolf Hitler e, com isso, de aversão e violência aos imigrantes (estrangeiros), o país tem muito a ganhar com a vinda dos refugiados sírios mediante não só à crise econômica mundial, mas também em termos de seus indicadores sociais, como a baixa taxa de natalidade e a expectativa de vida elevada de sua população.
 
Melhor dizendo, o Estado se mostra preocupado com os rumos do país tanto em termos da economia em face da crise mundial quanto pelo fato de haver um menor número de jovens para o mercado de trabalho (População Economicamente Ativa - PEA), enquanto se verifica um aumento da população idosa e pensionista, o que representa um comprometimento ao sistema de Previdência Social do país.
 
Com a abertura de suas fronteiras e abrigo aos refugiados sírios, a Alemanha só tem a se beneficiar economicamente. Com esta política de acolhimento, o país acabou se tornando o destino mais procurado pelos imigrantes que chegam ao continente, tornando o país europeu com o maior número de pedidos de asilo.
 
Só neste ano (2015) até o final do mês de julho, foram mais de 188 mil pedidos de asilo (15.416 a mais do ano de 2014).
 
Refugiado com a imagem da Chanceler alemã,
Angela Merkel, deixando Budapeste (Hungria).  
Imagem capturada na Internet (Fonte: UOL Notícias)
 
Contudo, na opinião de muitos, as respostas concretas dos governos sobre o drama dos refugiados sírios ainda se mostram muito incipientes em face de sua extensão, que vai além do deslocamento físico, internacional, remetendo a violações dos direitos humanos tanto no contexto da situação de sua terra natal (guerra civil e atuação do grupo terrorista Estado Islâmico) quanto na travessia - via terra e/ou mar - a outro país e, em muitos casos, no âmbito do próprio território a qual foi acolhido como refugiado
 
Devemos refletir não só pela questão socioeconômica como também a psicológica por meio das perdas materiais (abandono de seus lares, perda do emprego, mudanças drásticas do padrão de vida, fugindo somente com a roupa do corpo) e, sobretudo, as perdas humanas (mortes de familiares tanto em consequência dos conflitos internos quanto pela travessia arriscada até à Europa).
 
Os problemas não acabam com o registro e acolhimento em um país estrangeiro, pois além de ter que se adaptar e reconstruir a vida à nova realidade política, econômica, social e cultural, estes passam por muitas dificuldades, antes nem imagináveis (abrigos provisórios e precários, material de consumo insuficiente, roupas, alimentos, entre outros recursos necessários para assegurar condições razoáveis de sobrevivência).
 
Talvez o medo de muitos países, diante do grande fluxo migratório da população síria, seja o grande empecilho a um comprometimento maior dos mesmos às suas causas. Na verdade, espera-se que o conflito na Síria, embora de difícil mediação até hoje, tenha um fim satisfatório, possibilitando que as famílias sírias retornem e retomem as suas vidas em sua terra natal.
 
O vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel e o ex-chanceler britânico David Miliband, em artigo publicado no DW (clique no link para ler o artigo na íntegra) afirmam que a adesão dos governos da União Europeia e de outros continentes, neste momento, torna-se imprescindível na amenização da realidade crítica dos refugiados sírios.
 

Nenhum país pode resolver sozinho uma crise desta magnitude. Mesmo a Europa não pode fazer isso, com a melhor boa vontade do mundo. Uma crise global requer uma resposta global. Mas a Europa vai se tornar muito mais capaz de convencer os Estados Unidos, os Estados do Golfo e outros governos – que ainda não se comprometeram com o problema – a também contribuírem, se adaptar suas próprias ações à dimensão do problema”.

Mesmo com toda a distância geográfica, o governo brasileiro vem facilitando e mantendo uma política de concessão aos refugiados sírios, a partir de uma Resolução, em 2013. Esta política fez com que o Brasil se destacasse, em termos de solidariedade e acolhimento, no contexto da atual crise humanitária internacional. 

De acordo com os dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, o número de refugiados sírios que o Brasil acolheu é maior que o número dos EUA, de outros países da América Latina e de muitos do continente europeu.

Só para se ter uma ideia, entre os muitos povos que receberam status de refugiados em nosso país, a população síria é a maior, seguida pela angolana, colombiana e congolesa. No período de 2011 até agosto de 2015, o governo brasileiro atendeu pedidos de 2.077 sírios.

No continente americano, ele só perde para o Canadá que, no período de janeiro de 2014 a janeiro de 2015, recebeu 2.374 refugiados. 

No entanto, assim como nos demais países, as famílias sírias refugiadas têm encontrado dificuldades em reconstruir suas vidas, em nosso país, em razão – sobretudo - da falta de emprego e de uma moradia definitiva. Não esquecendo que o país, também, está passando por momentos difíceis diante da crise econômica mundial.

Para piorar, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Agência da ONU, que fornece abrigo, água potável, saneamento e assistência médica aos refugiados, necessitam da ajuda da população civil e/ou entidades privadas através de doações a fim de assegurar o atendimento aos mesmos.

Como era de se esperar, ao mesmo tempo em que os partidos anti-imigração avançam, sentimentos nacionalistas e xenófobos (aversão ao imigrante) tem ressurgido em vários países da Europa, configurando-se mais um problema a ser enfrentado pelos refugiados, como vítimas em potencial e, as autoridades locais, com vistas a impedir a violência.
 

É preciso fazer mais! Muito mais...
 
“Mas além de abrir suas portas, se faz importante que o país implemente uma política de acolhimento e atenção às necessidades específicas dos refugiados, pautada pela reintegração. É preciso garantir que estas pessoas explorem ou continuem a explorar seus potenciais como seres humanos, enriquecendo a cultura local e contribuindo para o desenvolvimento nacional. (...) isolar, excluir e ignorar minorias apenas presta um desserviço à população, fomenta intolerâncias, preconceitos, discriminação e violência, minando mesmo a segurança pública”.  (Adus - Instituto de Reintegração do Refugiado).
 
Fontes de Consulta
 
. CUKIER, Heni Ozi. O Dilema dos Refugiados na Europa - Revista Exame
 
. ELSAYED-ALI, Sherif. Abrir os Corações à Crise de Refugiados da Síria - Público
 
. Estado Islâmico: Grupo Terrorista – História do Mundo
 
. Hostilidade contra migrantes e estrangeiros cresce na Europa – Revista Exame
 
. Hungria inicia construção de quarta cerca contra imigrantes, diz TV oficial – G1
 
. Jornal O Globo (impresso - várias edições)
 
. O que é a Convenção de 1951? ACNUR
 
. Opinião: Europa tem que fazer mais pelos refugiados - DW –Made for Minds
 
. Para os refugiados, as dificuldades não acabam após a travessia de fronteiras – nem se encerram os sofrimentos e lutas - Adus -Instituto de Reintegração do Refugiado.
 
. Político corta cerca anti-imigrantes na Hungria em protesto – Revista Exame
 
. Por que os refugiados querem ir à Alemanha? BBC Brasil