Mostrando postagens com marcador Desastres Naturais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desastres Naturais. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Desastres Naturais que Marcaram Setembro de 2023 - Parte IV

Trecho do leito do rio Negro 
Imagem capturada na Internet
Fonte: Agência Brasil
Foto: Alex Pazuello (SECOM)

 

Outro tópico referente a desastres naturais que marcou muito o mês de setembro e, que ainda, se encontra em curso na região Norte do nosso país é a estiagem severa (seca) que atinge, principalmente, os estados da Amazônia Ocidental (Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre). Notadamente, a estiagem deste ano está sendo mais seca e mais longa que os episódios anteriores, causando impactos ambientais negativos na região.   

Não resta dúvida que este evento, em si, não é novidade nenhuma no Norte do Brasil, tendo em vista que em outros anos (2005, 2010, 2015 e 2016), também, houve períodos de estiagens severas, com registros de graves problemas ambientais e socioeconômicos.  

Além de afetar a dinâmica ambiental da região, a forte estiagem atinge direta e/ou indiretamente a população local, seja esta ribeirinha ou não, tanto em termos de abastecimento de água quanto à questão econômica, prejudicando o transporte de cargas nas principais hidrovias e as atividades produtivas, sobretudo, do setor Primário (agricultura, criação de animais, extrativismo) 

Várias imagens que circularam e que, ainda, circulam em diferentes reportagens acerca este respeito, mostram as consequências desta estiagem severa na região Norte do Brasil, as quais destaco, entre outros efeitos:

- Baixos níveis das águas dos rios e lagos;

Comunidade de Catalão, Iranduba
Imagem capturada na Internet
Fonte: G1/Globo
Foto: Gato Júnior (Rede Amazônica)

Imagem capturada na Internet
Fonte: Forbes


- Trechos do leito fluvial secos e lagos secos;

Trecho do leito do rio Madeira seco
Greta de contração causada pela perda de água (desidratação)
Imagem capturada na Internet
Fonte: G1/Globo
Foto: Emily Costa (RO)


Imagem capturada na Internet
Fonte: Globo Rural
Foto: Yan Boechat

- Formação de bancos de areias ao longo do leito fluvial (rio); 

Bancos de areia
Imagem capturada na Internet
Fonte: Tribuna Popular


Município de Benjamin Constant (AM)
Imagem capturada na Internet
Fonte: G1/Globo
Foto: Rôney Elias (Rede Amazônica)


- Mortandade de diversos botos vermelhos, de tucuxis (espécie de golfinho de água doce) e, também, de outras espécies da fauna dos rios (peixes, filhotes de jacarés etc.); 

Com exceção dos peixes, estima-se que foram mais de 150 animais mortos em meio a esse período de estiagem severa na região e de aquecimento da água; 

Boto morto encontrado no Lago Tefé, no médio Solimões (AM)
Imagem capturada na Internet
Fonte: Agência Brasil


Tucuxi morto no Lago Tefé (AM)
Imagem capturada na Internet
Fonte: Conexão Planeta
Foto: Miguel Monteiro (Instituto Mamirauá)



Diferenças entre o Boto e o Tucuxi
Imagem capturada na Internet
Fonte: Facebook
Página: Comunidade Espaço Paraense


Peixes mortos no rio Amazonas
Imagem capturada na Internet
Fonte: Brasil Amazônia Agora


Animais mortos no rio Solimões, em Manacapuru (AM)
Imagem capturada na Internte
Fonte: Jornal do Brasil
Foto: Edmar Barros (Agência Pública)


- Interrupção da produção de energia elétrica, mediante o baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas locais. 

No caso da suspensão, por duas semanas,  das operações da hidrelétrica de Santo Antônio (RO), no rio Madeira, por duas semanas, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidiu pelo acionamento de duas usinas termelétricas, a Termonorte I Termonorte II, ambas localizadas em Porto Velho, a fim de garantir o fornecimento de energia para os estados de Rondônia e do Acre; 

Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira,
a quarta maior em produção de energia no país,
teve que interromper suas operações
Imagem capturada na Internet
Fonte: G1/Globo
Foto: Beethoven Delano


- Escassez e/ou falta de água potável para a população local;

Lago Mauá, Zona Leste de Manaus (AM)
Imagem capturada na Internet
Fonte: G1/Globo
Foto: Maurício Martins (Rede Amazônica)

Imagem capturada na Internet
Fonte: Brasil Amazônia Agora
Foto: Edmar Barros (Futura Press/Estadão)


- Aumento expressivo de doenças associadas ao consumo de água imprópria (diarreia, dor de estômago, vômito e febre);


- Dificuldades em cultivar (agricultura familiar) e de abastecimento de alimentos no comércio;


Mantimentos sendo levados para moradores
Imagens capturada na Internet
Fonte: Agência Brasil


- Migração forçada da população para locais mais seguros;


- Ocorrência do fenômeno “terra caída” nas margens dos rios (desmoronamento do barranco junto à margem dos mesmos), que pode provocar a queda e o arraste de construções;


Fenômeno "Terras caídas"
Imagem capturada na Internet
Fonte: G1/Globo

Imagem capturada na Internet
Fonte: Correio do Povo


- Problemas quanto ao uso do transporte fluvial (muito utilizado para passageiro e para cargas, na região), devido aos níveis baixos da água e da ocorrência de bancos de areia;

 

Imagem capturada na Internet
Fonte: Amazônia


Embarcações encalhadas em rio seco no Amazonas
Imagem capturada na Internet
Fonte: Poder 360

Embarcações encalhadas
Imagem capturada na Internet
Fonte: Portal Mulher Amazônica


- Isolamento de comunidades

Trecho do rio Negro, no Distrito de Cacau Pirera,
em Iranduba (AM)
Imagem capturada na Internet
Fonte: Outras Mídias (por BBC Brasil)
Foto: Michael Dantas (AFP)


- Aumento das queimadas ilegais e descontroladas.  


Imagem capturada na Internet
Fonte: SelesNafes


Fumaça proveniente das queimadas encobriram Manaus.
no dia 28/09/2023
Imagem capturada na Internet
Fonte: G1/Globo
Foto: William Duarte (Rede Amazônica)


Imagem capturada na Internet
Fonte: Conexão Planeta


De acordo com os especialistas, os fatores responsáveis por este quadro consistem na combinação de dois fenômenos: o El Niño (aquecimento acima da média do oceano Pacífico, próximo à linha do Equador) e o aquecimento do Atlântico Tropical Norte.  

Ambos estão causando essa forte estiagem, o calor intenso e o aquecimento da água. E não podemos esquecer, também, do Aquecimento Global (causado, sobretudo, por ações antrópicas com a emissão de gases de efeito estufa), que deve estar contribuindo, também, para esta situação climática crítica, embora não haja confirmação concreta dos especialistas. Havendo apenas conjecturas...

Como eu mencionei, anteriormente, esses eventos de seca extrema já foram registrados outras vezes na referida região, todavia, a deste ano está sendo considerada como uma anomalia, justamente, por causa desta combinação dos fatores, acima, reportados. E, de acordo com os especialistas, elas ainda continuarão ocorrendo, na referida região, até o ano que vem (2024). 


Imagem capturada na Internet
Fonte: Agência Brasil

Em consequência disso, trechos dos rios Negro, Solimões, Amazonas e Madeira apresentaram níveis mínimos históricos, segundo dados divulgados pelo Porto de Manaus, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e pela Defesa Civil do estado do Amazonas. 

O rio Negro, em Manaus, por exemplo, bateu o recorde negativo no último dia 16/10, com registro assinalado pela régua do Porto de Manaus na altura de 13,59 m (a mínima registrada, até então, era de 13,63 m, em 24 de outubro de 2010). E, ao longo da semana, o seu nível continuou a baixar, chegando a marca de 13,29 m no dia 19/10. 

Segundo este levantamento, em 120 anos de medição do nível do rio Negro, nunca houve indicadores tão baixos quanto esses, registrados neste mês de outubro (2023).  

Na 5ª feira passada (19/10), segundo Serviço Geológico do Brasil (SGB), outros rios da bacia Amazônica também bateram recordes históricos negativos 

Na estação de medição, localizada no município de Manacapuru (AM), no baixo rio Solimões, o nível atingido foi de 3,61 m, quando a última mínima registrada foi de 3,92 m, em 26 de outubro de 2010. 

O rio Solimões, praticamente, virou uma superfície desértica, com enormes bancos de areia dispostos em seu leito, nas imediações das Terras Indígenas Porto Praia de Baixo e Boará/Boarazinho, em Tefé. E, com isso, os indígenas ficaram isolados.  

Com o consumo de água imprópria há comunidades que estão apresentando um aumento expressivo de nativos com diarreia, vômito, dor de estômago e febre 

A perspectiva é que ocorra uma subida lenta do nível das águas do rio Solimões, pois choveu no Peru e no alto Solimões, em cidades como Tabatinga (AM) e Benjamin Constant (AM). 

Já, na estação de medição da cidade de Itacoatiara (AM), o nível do rio Amazonas, marcou 90 cm, abaixo de 1 metro, cujo recorde negativo anterior foi de 91 cm, em 24 de outubro de 2010. 

O rio Madeira apresentou registros de níveis mínimos históricos em Nova Olinda do Norte (AM) e Humaitá (AM), ambos batendo os últimos recordes negativos de 1995 e 1969, respectivamente, segundo o controle feito pela Defesa Civil do estado do Amazonas. 

No rio Madeira, em Porto Velho (Rondônia), a mínima histórica registrada este ano (8 de outubro), foi de 1,10 m. A última mínima foi registrada em 2022. 

Com o baixo nível de suas águas, a usina hidrelétrica Santo Antônio, a quarta maior do Brasil, localizada no rio Madeira, precisou paralisar suas operações por duas semanas. Ela só voltou a operar após a subida do seu nível hídrico, no dia 16 do mês vigente.

Vale ressaltar, ainda, que essa forte estiagem e o calor intenso por efeito do El Niño facilitaram, ainda, a prática de queimadas (ilegais) e, também, que a propagação do fogo ocorresse de forma mais rápida na região (queimada descontrolada). Em geral, as queimadas são empregadas para limpeza de terreno para posterior cultivo (agricultura) ou pastagem (pecuária).

Com o período de estiagem mais forte e duradouro, essa recorrência da prática das queimadas dificulta ou torna inviável a recuperação das áreas já degradadas, tornando irreversível a recomposição das mesmas.

Além disso, eles afetam a geração de umidade na floresta Amazônica, o que – decisivamente - interveem na dinâmica dos chamados “rios voadores” amazônicos. 

Toda essa situação é muito grave e preocupante, pois atinge toda a população (ribeirinha, da floresta, rural, urbana e indígena), tanto na esfera social quanto na área econômica, política e ambiental.  

A vida aquática amazônica se encontra seriamente ameaçada, contudo a causa da morte de botos e de tucuxis ainda não foi identificada. O que se sabe é que a grande mortandade de ambas as espécies, bem como de outros animais da fauna aquática (rios e lagos) ocorreu neste período de estiagem severa na região Norte do país. 

Segundo os pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, as medições realizadas na água Lago Tefé (AM) registraram 40°C de temperatura, em uma profundidade de três metros, enquanto a temperatura média histórica mais alta, registrada, era de 32°C. 

Para agravar, a população de vários municípios já está sofrendo com a falta de alimentos e de água potável, assim como do desabastecimento de combustíveis e da falta de acesso ao transporte fluvial, que impedem diretamente a locomoção das pessoas a outras áreas.



Imagem capturada na Internet
Fonte: Amazônia Real


“A seca severa na Amazônia, em 2023, destaca a interconexão 

dos fenômenos climáticos globais e regionais.

É um lembrete contundente da importância

de abordar o tema das emissões de gases de efeito estufa

e a proteção ambiental.

Para evitar cenários mais desastrosos,

ações coordenadas são necessárias para mitigar

os impactos da crise climática na região e 

em todo o mundo.”

(Jesuítas Brasil, 2023)


Fontes de Consulta

 . Amazonas tem recorde de queimadas nesse começo de outubro (2023) – Conexão Planeta

. Amazônia: na seca histórica, o suplício das famílias (2023) – Outras Mídias

. CARVALHO, Rosiene: ‘Aqui não chega socorro na seca’, relatam comunidades em lago no Amazonas (2023) - Pública

. CASEMIRO, Poliana: Seca extrema pode ter agravado desmoronamento que engoliu vila no interior do Amazonas; entenda – G1/Globo

 . Com seca extrema, rio Amazonas deve baixar históricos 8 metros em setembro (2023) – Pará Terra Boa

 . COSTA, Francisco e PONTES, Fábio: Seca extrema impacta e ameaça modo de vida tradicional das populações da floresta (2023) - Varadouro

. CRUZ, Jaíne Quele: Seca histórica do rio Madeira paralisa operações em uma das maiores hidrelétricas do Brasil (2023) - G1/Globo

. Em meio à seca na Amazônia, 110 botos são achados mortos no Lago Tefé (AM), aponta Instituto Mamirauá (2023) – G1/Globo

. Estiagem assola a região amazônica em 2023: impactos globais e o fenômeno das ‘terras caídas’ (2023) – Jesuítas Brasil

. FARIAS, Elaíze: Seca no Amazonas deixa cidades isoladas e com escassez de alimento (2023) – Amazônia Real

. FERRARI, Hamilton e NAPOLI, Eric Napoli: Seca no Norte reduz atividade econômica e pode impactar a inflação (2023) - Poder 360

. GARCIA, Mariana e CALGARO, Fernanda: Seca fora do normal em rios da Amazônia tem relação com El Niño e aquecimento do Atlântico Norte; entenda (2023) – G1/Globo

. GIRARDI, Giovana: Aquecimento anormal do Atlântico agrava seca na Amazônia e traz riscos ‘imprevisíveis’ (2023) - Pública

. LIMA, Leanderson: Os sem água e sem peixe (2023) – Amazônia Real

. Mais da metade das cidades do AM entram em situação de emergência devido à seca severa (2023) – G1/Globo

. MONTEIRO, Eliena e PAIVA, Jucélio: Com mais um lago de Manaus totalmente seco, quase 50 famílias têm dificuldade de locomoção e de acesso a água potável (2023) - G1/Globo

 . MOURA, Bruno de Freitas: Estiagem se agrava no Amazonas e Rio Negro tem nova mínima histórica (2023) – Agência Brasil

 . NASCIMENTO, Luciano: Análises sobre mortes de botos no AM devem sair em até uma semana (2023) – Agência Brasil

. NASCIMENTO, Luciano: Sobe para 23 total de cidades em situação de emergência no Amazonas (2023) – Agência Brasil

. O aquecimento do Pacífico e do Atlântico está intensificando a seca na Amazônia (2023) – Brasil Amazônia Agora

. PUTINI, Júlia: Em meio à seca na Amazônia, 110 botos são achados mortos no Lago Tefé (AM), aponta Instituto Mamirauá (2023) – G1/Globo

. Relato de uma certa Amazônia: a pior seca em mais de dez anos (2023) – Portal Mulher Amazônica

. Rio Amazonas enfrenta baixa histórica de 8 metros com seca extrema (2023) - Brasil Amazônia Agora

. Seca do Madeira: operações da Usina de Santo Antônio são retomadas após duas semanas de paralisação em RO (2023) – G1/Globo

. Seca do Rio Madeira: Comitê autoriza governo a acionar termelétricas para garantir energia em Rondônia e no Acre (2023) – Tribuna Top

. Seca extrema faz rios Negro, Solimões, Amazonas e Madeira atingirem mínimas históricas (2023) – Tribuna Popular

. Seca extrema na Amazônia deve durar até dezembro de 2023, afirmam pesquisadores do MCTI (2023) – Amazônia

. Seca extrema na Amazônia pode se agravar e bater recorde histórico (2023) - WWF

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Desastres Naturais que Marcaram Setembro de 2023 - Parte III

 

Cidade de Derna
Imagem capturada na Internet
Fonte: Vatican News
Foto: The Press Office of Libyan Prime Minister/AFP

Outro tópico referente a desastres naturais que marcou muito o mês passado (setembro) aconteceu na Líbia, país localizado no Norte da África, o qual sofreu uma forte tempestade, na região leste do país, no dia 10 de setembro. 

Cidades afetadas pela Tempestade Daniel
Imagem capturada na Internet
Fonte: BBC News Brasil

As chuvas extremas, consideradas dentro de um sistema de tempestades denominado de “Tempestade Daniel”, atingiram e inundaram países como a Grécia, a Turquia e a Bulgária, matando mais de 20 pessoas. 

Ao alcançar partes do Mediterrâneo Central e Oriental, esta se transformou em um “medicane”, ou seja, um ciclone tropical mediterrâneo. Trata-se de um tipo de tempestade relativamente rara, cujas características se assemelham às dos furacões e tufões. 

Imagem capturada na Internet
Fonte: Tempo Agora


Em território líbio, as inundações - causadas pela tempestade Daniel - foram devastadoras, sobretudo, na cidade portuária de Derna, na porção Leste do país, tendo em vista o rompimento de duas barragens do rio Wadi Derna.

Essas barragens eram antigas e não passavam por manutenção desde 2002, apresentando – com isso – um alto potencial de risco de rompimento e de inundação.

Com o rompimento das barragens, um grande volume de água desceu pelas montanhas em direção à zona costeira, atingindo a respectiva cidade, inundando e destruindo bairros inteiros, tal como um tsunami. De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a onda foi de 7 metros.

Rompimento das barragens
e o trajeto das águas 
Imagem capturada na Internet
Fonte: G1/Globo


Embora, divergentes quanto aos números oficiais de vítimas fatais, fornecidos pelo ministro da Saúde do governo líbio, os dados do Crescente Vermelho Líbio (FIRC) assinalam que a tragédia em Derna provocou a morte de cerca de 11,3 mil pessoas, sendo estimado 10,1 mil desaparecidos. Enquanto, em outras cidades do Leste da Líbia, pelo menos 170 pessoas morreram em consequência das enchentes.

Antes de atingir o território líbio, o sistema medicane foi fortalecido com a evaporação das águas do Mar Mediterrâneo, que se encontravam - excepcionalmente - quentes 

Especialistas afirmam que a atmosfera estando mais quente, ela retém mais umidade, o que implica em chuvas mais extremas. Daí o aumento da intensidade de fenômenos meteorológicos extremos estar associado, provavelmente, à crise climática da Terra.

Mas, neste caso da tragédia na Líbia, devemos considerar não só a tempestade de caráter raro (extrema) e as mudanças climáticas, como também o rompimento das duas barragens (velhas) do rio Wadi Derna.  

Em Derna choveu 250 mm, mas o recorde ficou para Al-Bayda, cidade localizada a oeste da primeira, cujo registro foi de mais de 414 mm em 24 horas.   

Além desses fatores, o país é marcado por uma grande instabilidade política, dividida em dois governos sob duas faixas territoriais internas (faixas Oeste e Leste), o que agrava mais ainda o cenário caótico da Líbia pós-tragédia (chuvas torrenciais e inundações). 

Detentora das maiores reservas de petróleo e de gás natural da África, o país foi dividido entre grupos adversários após a queda do ex-Líder Muammar Khadafi, que governou o país – por 42 anos - de forma autocrática (ditatorial). Ele foi deposto e morto durante o movimento chamado “Primavera Árabe”, em 2011, que tinha o apoio das potências ocidentais. Processo este, que levou a uma guerra civil na Líbia (2014-2020), agravando o cenário de devastação do país, causando amplos prejuízos à pouca infraestrutura básica que possuía, na época.


Ex-ditador da Líbia, Muamar Kadafi
Imagem capturada na Internet
Fonte: Veja

Em 2020 foi assinado um cessar-fogo por ambos os lados, no entanto, as disputas políticas continuaram.  

Em 2021 foi constituído um Governo de Unidade Nacional, na faixa Oeste, com sede na capital Trípoli, cujo governo foi reconhecido internacionalmente (ONU). No ano seguinte, o Parlamento do Leste compôs um governo concorrente, denominado de Governo de Estabilidade Nacional, sob a cidade portuária de Tobruk. 

Ambos se autoproclamaram governantes legítimos da Líbia, o que acarreta – até hoje - grandes dificuldades quanto aos esforços internacionais de paz. A princípio, mesmo sob pressão internacional e, mediante às disputas e conflitos violentos internos, pouca ou nenhuma perspectiva de solução mitigadora à sua unificação existe. 

Sob este contexto de instabilidade política e, no caso da recente tragédia ocorrida no país, essa polarização de dois governos dificultou os esforços de resgate, uma vez que ambos não conseguiram responder com a devida agilidade à catástrofe natural, ocorrida justamente na porção Leste do país. 

Melhor dizendo... Com a tempestade Daniel, os serviços públicos do país colapsaram. O fato de não ter tido, por anos, investimentos em obras públicas de grande relevância à evacuação e deslocamento da população e, sobretudo, em sistemas efetivos (comunicação, equipamentos apropriados e recursos humanos treinados) quanto à prevenção a desastres naturais e/ou de origem antrópica, fez com a situação do país se agravasse mais ainda, causando um elevado número de desaparecidos e de vítimas fatais, muitas das quais carregadas para o mar. 

Muitos corpos se encontravam espalhados pelas ruas e/ou nas praias. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) enviou sacos para os corpos das vítimas mediante às dificuldades da Líbia. E, mais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros grupos de ajuda humanitária solicitaram às autoridades líbias que parassem de enterrar os corpos das vítimas em valas comuns. 

Segundo Petteri Taalas, Secretário-Geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM):

“Se houvesse um serviço meteorológico 

operando normalmente,

eles teriam emitido os avisos 

e também a gestão de emergência deste

teria sido capaz de realizar a evacuação das pessoas

e teríamos evitado a maioria das vítimas humanas”.

(CNN Brasil, 2023)

 

Imagem capturada na Internet
Fonte: Organização Meteorológica Mundial





Imagem capturada na Internet
Fonte: CNN Brasil




















Imagens capturadas na Internet
Fonte: Vatican News















Imagens capturadas na Internet






Imagens capturadas na Internet
Fonte: Metsul











Imagens capturadas na Internet







Imagens capturadas na Internet
Fonte: G1/Globo


















 As condições meteorológicas não foram bem estudadas,

nem os níveis da água do mar e das chuvas,

nem as velocidades do vento.

Famílias que poderiam estar no caminho

da tempestade e nos vales não foram retiradas a tempo.

A Líbia não estava preparada 

para uma catástrofe como esta.

Nunca testemunhamos esse nível de catástrofe antes.

(OSAMA ALY, 

chefe da autoridade de Emergência e Ambulâncias da Líbia)


Fontes de Consulta 

. ALKHADI, Celine e HAQDA, Sana Noor (2023): Maioria das mortes causadas por tempestade na Líbia poderia ter sido evitada, diz ONU – CNN Brasil

Autoridades da Líbia abrem inquérito para investigar colapso de duas represas durante tempestade (2023) – Jornal Nacional

. CARDOSO, Derla: Como o caos político da Líbia agravou a tragédia das enchentes (2023) – CNN Brasil

. Catástrofe Épica pela Chuva na Líbia pode ter mais de 10 mil mortos (2023) - Metsul 

. Chuva extrema na Líbia se tornou até 50 vezes mais provável (2023) – Tempo Agora 

. Enchente catastrófica na Líbia ocorreu em 90 minutos, dizem autoridades (2023) – CNN Brasil 

. Enchentes na Líbia: a cidade que parece ter sido varrida por tsunami (2023) – G1/Globo 

. Enchentes na Líbia podem ter deixado mais de 20 mil corpos: ‘O mar continua trazendo corpos” (2023) – G1/Globo 

. Justiça da Líbia ordena detenção oito funcionários do governo após inundações (2023) – G1/Globo 

. Líbia: quatro perguntas e respostas sobre a situação após as enchentes (2023) – Médicos Sem Fronteiras 

. Mortes na Líbia sobem para 11,3 mil, diz Crescente Vermelho (2023) - G1/Globo 

. 'Parece o apocalipse': enchentes na Líbia podem causar mais de 20 mil mortes (2023) – BBC NewsBrasil 

. Tempestade Daniel deixa rastro de morte e destruição na Líbia (2023) – Vatican News 

. Tempestade Daniel provoca chuvas extremas e inundações no Mediterrâneo, pesadas perdas de vidas na Líbia (2023) – Organização Meteorológica Mundial 

. VIGGIANO, Giuliana, PUTINI, Júlia e BISCHOFF, Wesley : Rompimento de duas barragens agravou situação na Líbia; MAPA mostra percurso da água (2023) – G1/Globo