sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Artigo: Conhecendo o Período Quaternário

 Período Quaternário - Imagem capturada na Internet (Fonte: Leandro)



CONHECENDO O PERÍODO QUATERNÁRIO
                                                         Antonio Carlos de Lima Canto

Denomina-se Quaternário o segundo período da era cenozóica que abrange duas épocas com dinâmicas ambientais distintas. As duas épocas que constituem esse período são: Pleistoceno, entre 2 milhões de anos e 10.000 anos antes do presente (AP), e Holoceno, entre 10.000 anos AP e os nossos dias.

Sendo assim, é importante analisar as causas que provocaram alguns dos fatores responsáveis por muitas das modificações e instabilidade climáticas que caracterizam o Quaternário, a partir de uma breve discussão sobre esse período.

Durante o Pleistoceno, as glaciações dominaram o clima e deixaram depósitos trazidos pelo gelo nos locais da sua ocorrência, permitindo que os pesquisadores identificassem a existência de quatro grandes estágios principais de glaciação, sendo: Günz (primeiro), Mindel (segundo), Riss (terceiro) e Würm (quarto). E dois menos expressivos conhecidos, como Donau e Biber.

É importante considerar que cada um desses estágios glaciais foi separado por um período interglacial, ou seja, por um intervalo de tempo mais quente entre duas fases glaciais.

Se considerássemos, por exemplo, a última glaciação ocorrida durante a transição do Pleistoceno para o Holoceno (glaciação Würm), poderíamos dizer que estamos atravessando, agora, um período interglacial.

As causas principais dessas glaciações podem estar associadas a fatores astronômicos, uma vez que não se conhece, na história geológica da Terra, outros grandes períodos glaciais anteriores ao Quaternário.

A atividade de manchas solares, produzindo um aumento de nevascas e de chuvas, e as variações da potência das radiações solares são algumas das características atribuídas para as modificações climáticas ocorridas durante o Quaternário.

As glaciações quaternárias corresponderam, em áreas tropicais e subtropicais, a condições climatológicas bastante diferenciadas, até gerar os aspectos climáticos atuais.

O final do Pleistoceno, em regiões tropicais, por exemplo, estaria associado ao clima seco acentuado, enquanto o Holoceno estaria associado ao semi-árido relacionado com o calor atenuado.

Durante as glaciações do Quaternário, quantidade considerável de água foi retida, em áreas litorâneas, sob a forma de gelo, na Europa e na América do Norte, resultando, daí, no abaixamento do nível do mar.

Dentre outros eventos naturais, ocorreram, principalmente, fatores, como plataformas expostas a processos subaéreos de erosão, sedimentação e formação de solos.

Os estudos de Geologia, sobre o Quaternário, levam a crer que durante o Pleistoceno o mar deveria se encontrar numa posição de aproximadamente 100 metros abaixo do atual, já que as camadas de gelo e as geleiras dos pólos bloquearam precipitações de chuvas e neve nas áreas de altas latitudes. Assim, estaríamos diante de um período de regressão.

Chama-se período de regressão, em Geologia, o processo de recuo ou abaixamento do nível do mar, e, período de transgressão, o processo de avanço do mar no continente.

Então, quando a água advinda do degelo, posteriormente ao período de regressão, fluiu para o mar, elevando o seu nível, ocorreu um período de transgressão.

Por essas razões, acontecimentos como a formação de praias elevadas, florestas submersas e vales inundados pela transgressão imediata da fusão dos gelos, fizeram com que os rios passassem a ser vagarosos, o que consequentemente gerou a formação de grandes deltas e amplos pantanais.

Posteriormente, quando o nível do mar desceu outra vez (período de regressão), houve a formação de terraços fluviais no leito dos rios.

O período Quaternário é marcado por fortes mudanças climáticas, com diversos períodos regressivos e transgressivos. A partir dessas considerações, é válido lembrar, também, que durante as fases glaciais do Quaternário, o gelo não formou relevos, apenas deformou os relevos já existentes.

Isso parece ser uma das causas das duas primeiras glaciações (Donau e Biber) apresentarem vestígios duvidosos, sendo comumente desprezadas e até mesmo negadas a sua existência, por alguns pesquisadores.

Cada glaciação acentua mais um pouco o relevo. Em áreas bem planas, por exemplo, quase nada se acentua, mas em áreas com relevo mais rigoroso, cada glaciação acentua mais esse relevo.

Somente a partir da glaciação Riss (até agora penúltima), os efeitos do clima frio e das mudanças do nível do mar tornaram-se mais evidentes, inclusive nas áreas intertropicais.

Assim, no Brasil, por exemplo, as flutuações climáticas do início do Pleistoceno quase não eram sentidas. Apenas a partir da glaciação Riss começam as evidentes diferenças entre climas mais ou menos secos.

Artigo publicado no Jornal do Commercio, 25/01/2003, Recife (PE).

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