domingo, 20 de novembro de 2011

20 de Novembro: Dia Nacional da Consciência Negra

Imagem capturada na Internet (Google)

Na história do nosso país, não há como negar a presença (e as condições desta), a sua influência e, sobretudo, o “produto” de sua miscigenação... Os “índios” eram os povos nativos, os portugueses foram os nossos colonizadores e os negros africanos, imigrantes forçados e submetidos ao trabalho escravo imposto pelo branco.
A miscigenação destes três grupos étnicos deu origem a nossa sociedade. Daí, ser hipocrisia da nossa parte, a negação desta mistura e que o povo brasileiro é fruto da história do nosso país.
E, mesmo que alguém queira negar, os dados estáticos, oficiais (Censo 2010), ratificam o perfil da nossa sociedade, de grande diversidade cultural, baseada nesta trajetória histórica marcada, sobretudo, pela imposição de poder e de domínio sobre as suas terras e os povos já existentes (relação do colonizador europeu x os povos indígenas no Século XVI); a imposição de poder (mais uma vez), o tráfico e trabalho escravo no Brasil, dos quais os africanos foram submetidos em um período de tempo que durou de 1530 a 1888. Em 1850, a Lei Eusébio de Queiroz extinguiu o tráfico negreiro, mas, somente, no dia 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, abolindo a escravatura no Brasil.  
Sendo assim é inegável que a população brasileira, estimada em 190, 75 milhões de habitantes, é muito diversa por esta miscigenação de povos distintos, assim como também pela contribuição dos fluxos de imigrantes que ocorreram no país desde o Século XIX.
Para efeito do levantamento demográfico, baseado na raça e cor de pele, o IBGE considera 5 categorias no Brasil, a saber: branco, indígenas, preto, pardo e amarelo. E os resultados do Censo 2010 comprovam que a população brasileira tem a seguinte composição:
. Brancos (91 milhões de habitantes);
. Preto (14,5 milhões de habitantes);
. Pardos (82,2 milhões de habitantes);
. Amarelos (2 milhões de habitantes);
. Indígenas (817,9 mil habitantes).

Trocando em miúdos...
A soma entre pretos, pardos, amarelos e indígenas (cerca de 99,5 milhões) supera a população branca (91 milhões) em nosso país, sendo o pardo, o segundo maior grupo (raça/cor) que compõe a nossa sociedade, com 82, 2 milhões de pessoas declarantes (atrás da população branca).  
Para quem desconhece a terminologia “parda” é utilizada para definir o segmento da população multirracial, ou seja, fruto da miscigenação (mistura) entre os povos de origem indígena, branco e negro, tais como eram denominados, antigamente, os descendentes de brancos e negros (mulatos), de brancos e indígenas (caboclos e mamelucos) e de pretos e indígenas (cafuzos).
Neste sentido e, em comemoração à data de hoje, Dia Nacional da Consciência Negra, a minha intenção é ratificar a importância do negro na composição da nossa sociedade e, mais do que nunca, enfatizar que o racismo, seja contra o negro ou qualquer outro grupo é – antes de qualquer coisa – renegar a nossa própria origem, ou seja, da população brasileira.
A origem da escolha do Dia Nacional da Consciência Negra remonta o início dos anos 70 (Século XX), quando um grupo de seis pessoas em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), engajados no movimento negro, resolveu homenagear a luta da comunidade negra brasileira.
A escolha do dia 20 de novembro foi uma sugestão do militante do grupo, poeta e professor de Português, Oliveira Silveira, em tributo a Zumbi e ao Quilombo dos Palmares, respectivamente, nomes do líder e do maior quilombo do Brasil colonial, localizado na Serra da Barriga, cuja área situava-se na antiga Capitania de Pernambuco e que, hoje, faz parte do município União dos Palmares, no estado de Alagoas.
De acordo com o mesmo, esta data teria maior expressividade para a comunidade negra brasileira em detrimento a que se comemora a Abolição dos Escravos, assinada no dia 13 de maio de 1888, pela Princesa Isabel.
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