quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Chuva de Granizo


Nuvem Cumulonimbus
Foto do meu acervo particular
 
Na 2ª feira passada (25/02), muitos moradores da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro presenciaram um tipo de precipitação, a chamada “chuva de pedra”, ou melhor, chuva de granizo.
 
Em razão disso e do conteúdo que está sendo trabalhado, eu aproveitei para sondar, os meus alunos do Ensino Médio e, também, do Ensino Fundamental II, acerca de uma situação muito comum entre as pessoas, que é a confusão que existe quanto ao termo certo: granizo ou granito.
 
Como era de se esperar, todas as turmas, com exceção de uma (em um total de nove classes), as opiniões se dividiram.
 
Na verdade, as expressões granizo e granito são muito parecidas e, por isso, causam certa dúvida. Elas são classificadas como palavras parônimas, isto é, são palavras escritas e pronunciadas de forma parecida, cujos significados são distintos.
 
Já ciente que eu iria encontrar esse resultado, levei uma amostra de granito (rocha magmática) a fim de esclarecer e acabar com as possíveis dúvidas.
 
Granito
Foto do meu acervo particular
(a mesma mostrada aos alunos)
 

A precipitação de granizo provoca grandes prejuízos tanto nas áreas rurais (nas lavouras) quanto nas áreas urbanas (danos materiais) como, por exemplo, estragos em telhados ou vidraças de residências e lojas.
 
Esse tipo de precipitação (granizo) está associado às condições de altas temperaturas (muito quente) e de umidade do ar elevada, sendo – por isso – de ocorrência mais comum nas regiões equatoriais e tropicais. Daí ela não ocorrer nas regiões polares.
 
No entanto, ela pode cair - de forma rara - em outras regiões (extratropicais e temperadas), como já houve registros, segundo especialistas.
 
O granizo é formado no interior da nuvem “cumulonimbus, mais conhecida como nuvem de temporais, a qual é responsável, também, pelos relâmpagos e trovões, além das fortes chuvas.
 
Os tornados também se encontram associados às nuvens cumulonimbus.
 
 Imagem capturada na Internet
 
Essas nuvens se desenvolvem verticalmente e, em seu estágio maduro, quando atinge altitudes mais altas da atmosfera, os ventos horizontais são responsáveis pelo aumento do seu comprimento e, também, pelo formato de uma bigorna em seu topo.
 
Em seu interior ocorrem intensas correntes ascendentes e descendentes (correntes verticais), cujas gotas de água se congelam ao atingirem as camadas mais elevadas da nuvem, onde as temperaturas são negativas. A sua base permanece constituída por gotículas d'água, enquanto o seu topo é composto de cristais de gelo.
 
Com o aumento do gelo, em seu interior, a nuvem fica pesada, precipitando as pedras de gelo em direção à superfície terrestre, ou seja, provocando a queda de granizo.
 
Granizo
Foto do meu acervo particular
 
Só para se ter uma ideia das condições atmosféricas do tempo, na 2ª feira (25/02), a temperatura já era bem elevada desde o início da manhã, apresentando uma sensação térmica em torno de 46ºC por volta das 7h00.

Às 13h15, a sensação térmica sensação térmica registrada no bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste, foi recorde (a maior deste ano, 53,5°C, segundo o Alerta Rio. E, por volta de 14h, de acordo com a Infraero, a temperatura marcava 37°C, sendo a sensação térmica de 50°C no Aeroporto de Jacarepaguá.



Fontes de Consulta
 

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Fim do Horário de Verão 2018/2019


Foto do meu acervo particular
Pôr do Sol na Mureta da Urca (Janeiro de 2019)
 
 
Hoje, quando o relógio bater meia-noite (de sábado para domingo), os relógios deverão ser atrasados em uma hora nos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal, onde o Horário de Verão entrou em vigor desde o dia 04 de novembro de 2018. O relógio deverá ser ajustado para 23 horas, que corresponderá uma hora a mais no sábado.
 
Embora, muitos odeiem essa medida do Governo Federal (Ministério de Minas e Energia), como eu sempre mencionei neste espaço, eu adoro o Horário de Verão. O seu principal objetivo consiste em promover a economia de energia elétrica à partir do aproveitamento da luz natural (Sol) dos dias mais longos das estações de primavera e verão.
 

Atualmente, ele é adotado por cerca de 30 países, sendo - em alguns casos - em partes do território, tal como ocorre em nosso país.
 
Ainda não foi divulgado a análise por parte do Ministério de Minas e Energia quanto a eficácia dessa medida, mas especialistas do Setor Elétrico já apontavam que a redução no consumo de energia, nesse período, seria inexpressiva.
 
Segundo os mesmos e, como publiquei no ano passado, a redução no consumo de energia é pouco significativa e não se justifica mediante os impactos negativos sobre a população brasileira. Afinal, hoje me dia, não é mais a incidência da luz solar que está influenciando direta e/ou indiretamente os hábitos do consumidor e, sim, a temperatura.
 
Com isso, os horários de maior pico de energia também sofreram alterações, não sendo mais os mesmos. Hoje, a demanda por eletricidade está mais ligada ao aumento do uso de ar-condicionado em horários diferentes daqueles considerados, anteriormente, como de pico (entre as 17h e 20h).
 
Atualmente, os picos de maior consumo passaram a ser registrados, no final da manhã e início da tarde, justamente, quando o calor é mais intenso, assim como durante a madrugada (entre meia-noite e 7h), quando se verifica um aumento do consumo devido ao largo uso de aparelhos de ar condicionado na hora de dormir.
 
Não resta dúvida que há certa economia de energia entre 17h e 20h, no entanto, esta é expressamente menor se comparada ao aumento do consumo constatado tanto no diurno (manhã e tarde) quanto na madrugada devido ao uso do aparelho de ar condicionado.
 
A polêmica em torno de manter ou não essa medida (Horário de Verão) em vigor no país, anualmente, não foi resolvida no governo passado (Michel Temer). Eu não li nada a respeito dessa situação com o novo governo (Jair Bolsonaro), mas acredito essa discussão vai ser retomada e terá uma conclusão final.
 
Resta-nos aguardar até meia noite, ajustar os ponteiros do relógio, aproveitar uma hora a mais neste dia (sábado) e as propostas de mudanças no futuro quanto a isso. Mantê-lo ou não mantê-lo, eis a questão!

Fevereiro 2019: Riscos de Temporais na Cidade do Rio de Janeiro

 
Imagem do meu acervo particular
Foto tirada do C.E. Prof.ª Sonia Regina Scudese,
em Brás de Pina, em 2016
 
 
Na 4ª feira passada (13/02) vivenciamos uma situação inusitada, sobretudo, na cidade do Rio de Janeiro. A maior parte da população residente na capital do estado evitou sair de casa.
 
No dia anterior (12/02), a Defesa Civil, o prefeito Marcelo Crivella e os Secretários de Educação da rede estadual e municipal orientaram a população a não sair de casa devido aos riscos de chuvas fortes, acompanhadas de ventos, previstas para o dia seguinte, na capital, devido à passagem de uma frente fria.
 
A Marinha também emitiu aviso de alerta acerca da ocorrência de ressaca no mar para o estado, desde às 10h de 4ª feira (13/02) até às 10h do dia seguinte (5ª feira), com ondas de até 2,5 metros.

O prefeito Marcelo Crivella foi além e pediu à população, também, que não colocasse o lixo na rua, além do fechamento de vias situadas em locais de riscos de deslizamentos de encostas, como a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, o Alto da Boa Vista e a Avenida Niemeyer.

Esta última já se encontra interditada desde o temporal do dia 06/02 (4ª feira), quando parte da ciclovia – recentemente reformada - caiu em decorrência de deslizamento de terra, pedras e árvores.

Ou seja, a nossa cidade ainda não está totalmente recuperada deste último temporal, que causou a morte de 7 pessoas e a queda de cerca de 200 árvores, pois muitos entulhos ainda se encontram espalhados pelas ruas, assim como a Av. Niemeyer se encontra fechada.

As equipes da COMLURB e da CET-RIO foram deslocadas e posicionadas para pontos estratégicos da cidade, considerados de alta vulnerabilidade.

As aulas foram suspensas nas escolas públicas, assim como em grande parte da rede privada. Muitas pessoas não saíram de casa, o tráfego pela cidade estava bom devido a divulgação dessas medidas preventivas, jamais vistas - pelo menos por mim - com esta magnitude e... o temporal não chegou.

Como a previsão do tempo trabalha com probabilidades. segundo os próprios meteorologistas, nunca há 100% de acerto. Podendo errar por vários motivos, pois as condições meteorológicas são bastante complexas e dinâmicas. Falhas e lacunas nas observações podem resultar em uma análise menos precisa.

Devido a essa situação caótica da cidade e para os demais municípios do estado, mediante aos riscos de um forte temporal, aproveitei o tema para a minha primeira aula do Ano Letivo de 2019, junto com os alunos do Ensino Médio, falando da importância da Geografia no nosso dia a dia.

Ressaltei que, embora a mesma trabalhe com esses e outros aspectos da Natureza (clima, relevo, vegetação e hidrografia), o seu foco principal é sempre orientado para o homem, para a sociedade e que, por isso e outros fatores, ela não é uma Ciência Natural (como muitos alunos confundem). Ela é uma Ciência Humana.


Daí a importância de trabalharmos as características dos elementos da natureza, bem como a sua rede sistêmica, no intuito de conhecermos a dinâmica ambiental local para evitarmos e/ou amenizarmos certas situações concretas, impactantes, no cotidiano da população.

É claro que, muitas das vezes, somos pegos de surpresa e/ou provocamos um efeito negativo devido as nossas ações irresponsáveis na natureza, mas a par das características ambientais dos lugares, das regiões e outras dimensões do espaço geográfico, podemos evitar muitos transtornos ou problemas advindos destes.

 
Alguns países têm riscos de terremotos, vulcanismos, nevascas, passagem de tornados, de furacões... Outros, de fortes chuvas e temporais. Em todas essas situações, bem como em outras, a Geografia poderá elucidar a dinâmica ambiental a partir de seus estudos, contribuindo de forma ímpar na vida dos cidadãos e da gestão governamental.
 

Constatação
A Geografia é vivenciada no nosso dia a dia
 
 Imagem do meu acervo particular
Foto tirada do C.E. Prof.ª Sonia Regina Scudese,
em Brás de Pina, em 2016