sexta-feira, 24 de julho de 2009

História do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e da Lagoa

 

 
Logotipo oficial do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Antes de postar as imagens acerca do passeio ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, gostaria de escrever sobre a história da sua criação.
 
Situado no bairro de mesmo nome, na zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, o Jardim Botânico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1937, em razão de sua importância histórica, cultural, científica e paisagística.
 
Considerada como uma das mais belas e bem preservadas áreas verdes da cidade, com uma grande diversidade de espécies vegetais nativas e estrangeiras, distribuídos em uma área de 54 hectares, ao ar livre e em estufas, em 1991, a UNESCO o definiu como área de Reserva da Biosfera.
 
Antes da chegada dos portugueses e da família Real à cidade do Rio de Janeiro, a extensa área, onde se localiza os atuais bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon, Gávea, Humaitá e Jardim Botânico era habitada pelos índios tupinambás.
 
Com a chegada dos portugueses, no século XVI, os índios foram desaparecendo. A paisagem começou a sofrer modificações e vários engenhos de cana-de-açúcar foram se instalando na região.
 
O primeiro deles foi o Engenho Del Rey fundado pelo governador Antonio Salema para a Coroa portuguesa. Posteriormente, este foi dividido em 3 engenhos: o Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, o Nossa Senhora da Cabeça e o Vale da Lagoa.
 
A propriedade de Antonio Salema foi vendida para Diogo de Amorim Soares, que ao retornar a Portugal, em 1609, repassou o engenho ao seu genro, Sebastião Fagundes Varela.
Sebastião Fagundes expandiu suas terras, foi criador de gado e passou a extrair madeira.
 
Na época, uma grande festa foi realizada no Engenho da Lagoa em celebração ao casamento de Petrolina Fagundes com o capitão português Rodrigo de Melo Castro Freitas. Esta é a razão da Lagoa ser denominada de Rodrigo de Freitas, antigo dono do Engenho ali existente: o Engenho da Lagoa.
 
De acordo com fontes bibliográficas, a lagoa Rodrigo de Freitas passou a ser chamada assim desde o ano de 1660.
 
A extensa propriedade continuou nas mãos desta mesma família até a chegada da corte real portuguesa no Rio de Janeiro, no início do século XIX (08 de março de 1808).
 
Com a vinda da família real portuguesa houve a necessidade premente de assegurar a defesa da região. Sendo assim, no dia 13 de junho de 1808, D. João assinou um Decreto, no qual desapropriava o Engenho da Lagoa Rodrigo de Freitas para que fosse construída - em sua área - uma fábrica de pólvora, a Real Fábrica de Pólvora.
 
Junto à Fábrica de Pólvora, D. João criou, sob o mesmo Decreto, um "Jardim de Aclimação", com a finalidade de aclimatar as plantas advindas do Oriente, ou melhor, especiarias das Índias Orientais, tais como noz moscada, pimenta do reino, cravo, caneta etc.
 
A direção tanto da Fábrica de Pólvora quanto do Jardim de Aclimação ficou sob a responsabilidade do militar João Gomes da Silveira Mendonça, grande conhecedor de botânica, o qual recebeu, décadas depois, o título de Marquês de Sabará (no dia 04 de maio de 1826).
 
O Jardim de aclimação sofreu diversas alterações e, logo depois, em 11 de outubro de 1808, recebeu o nome de Horto Real.
 
A Real Fábrica de Pólvora funcionou até o ano de 1831 quando, após sucessivas explosões, foi transferida para a região de Petrópolis.
 
O Tenente General Carlos Antônio Napion, de origem italiana (Turim), que veio ao Brasil, integrando a comitiva da Família Real, substituiu João Gomes da Silveira Mendonça (Marquês de Sabará) na direção da Fábrica de Pólvora.
 
Para o Real Horto foram trazidas mudas de espécies vegetais bastante diversificadas e das mais diferentes regiões e países.
 
As primeiras espécies de plantas exóticas foram introduzidas no Horto Real por iniciativa do capitão de fragata portuguesa Luiz de Abreu Vieira e Silva. Este, após naufrágio em Goa, na Índia, em 1809, foi feito prisioneiro pelos franceses e enviado para a Ilha de França (atualmente Ilhas Maurício), local onde havia um jardim botânico Jardim Gabrielle), repleto de plantas de estimado valor econômico.
 
Ao fugir para o Brasil, Luiz de Abreu trouxe mudas e sementes de abacateiros, moscadeiras, frutas-pão, cajazeiras, sagüeiros e de palmeira (Roystonea oleracea) cuja origem é caribenha, as quais foram presenteadas a D. João e imediatamente plantadas no Real Horto.
O primeiro exemplar de palmeira (Roystonea oleracea) foi plantada por D. João, em 1809, quando passou a ser conhecida como Palmeira Imperial.
 
Diz a lenda que o diretor do Jardim, na época, queria monopolizar o plantio das plameiras, isto é, restringir o seu cultivo à área do Real Horto. Porém, durante a noite, os escravos subiam nas árvores, colhiam as sementes e as vendiam, na intenção de juntar dinheiro para comprar suas respectivas cartas de alforria.
 
Em razão disso, a palmeira imperial foi amplamente disseminada e desta descenderam todas os espécimes desta palmeira, daí sua denominação de Palma Mater.
 
A primeira palmeira plantada por D. João (1809) foi destruída após ser atingida por um raio, durante uma tempestade, no ano de 1972.
 
Em 1812, Raphael Bottado de Almeida, que também havia sido refém dos franceses, enviou as primeiras sementes de chá (chá verde, preto etc.). Estas foram cultivadas por cerca de 300 colonos chineses, que vieram para o país para ensinar a preparação do produto.
 
A produção de chá teve muito êxito, chegando a ser empreendido o cultivo para fins de exportação, porém a iniciativa para o mercado esterno não obteve o mesmo sucesso, mediante a produção competitiva da Inglaterra, ficando o cultivo de chá destinado somente para consumo interno.
 
O Real Horto passou a ser denominado Real Jardim Botânico em 1818, após a coroação de D. João como Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, isto é, como D. João VI.
 
Caracterizado como uma área praticamente particular, local preferido de passeio de D. João VI, o Real Jardim Botânico foi aberto ao público para visitação no século XIX, em 1819, com a devida permissão do diretor e acompanhamento de praças do corpo de Veteranos.
 
Na época, a referida área do Jardim Botânico e adjacências já era muito procurada e, em consequência disso, vários hotéis e restaurantes foram surgindo ao longo da travessia que levava ao jardim, como por exemplo os Hotéis Orléans e o L'Étoile du Sud.
 
De acordo com as fontes de pesquisa, o original Jardim de Aclimação, construído em anexo à fäbrica de Pólvora, recebeu as seguintes denominações até chegar o seu atual nome: Real Horto (1808); Real Jardim Botânico (1818); Jardim Botânico da Lagoa Rodrigo de Freitas (1825); Jardim Botânico (1833); Jardim Botânico do Rio de Janeiro e/ou Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (1998).
 
Sua importância foi tão grande que acabou dando nome a todo o bairro: Jardim Botânico.

Fontes de Consulta Complementar
 
Anotações registradas por ocasião do Curso de Educação Ambiental que eu e os professores Sandra Amadeu e Roberto fizemos no ano passado acerca do Jardim Botânico)
 
 
. Guia Jardim Botânico e Lagoa (Coleção Bairros do Rio, Editora Fraiha);
 
 


Imagens capturadas da Internet para efeito ilustrativo

 
Pintura, autoria de FACCHINETTI, Nicolau (1887): Vista da Lagoa Rodrigo de Freitas, ao fundo se vê o Pão de Açucar e o Corcovado. No lado direito, o Morro dois Irmãos e no lado esquerdo, palmeiras e uma construção, possivelmente do Jardim Botânico.
 



Rua Jardim Botânico, Fotografia de FERREZ, Marc (1880):
O Jardim Botânico e a rua do mesmo nome.
O bondinho, puxado a burro, começou a funcionar em 1871.

 

Jardim Botânico, Fotografia de LEUZINGER,Georges (1865):
Aléia das Palmeiras. Em primeiro plano, o antigo chafariz

 
Fotografia de FERREZ, Marc (1890): O lago Frei Leandro.

 
Endereço: Rua Jardim Botânico, 1008, Jardim Botânico, Rio de Janeiro - Brasil


Quem tiver interesse e curiosidade, acesse AQUI e realize uma Visita Virtual ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
 

5 comentários:

Katia Medeiros disse...

Olá

Era tudo que eu precisava para fazer minha pesquisa para o Curso Tecnico de Turismo Colégio Estadual Antônio Prado Junior !!!!!

Maravilhoso !!!!
Parabéns !!!!

Katia Medeiros
Rio de Janeiro
Brasil

ps. gostaria de saber se vc autoriza eu copiar fotos antigas e outras coisitas
desde já
obrigada

Marli Vieira disse...

Kátia Medeiros,

Obrigada, antes de mais nada, por seu comentário.

Olha, de jeito nenhum eu vou me importar. Inclusive, estas imagens eu capturei na Internet. Eu só tenho o cuidado de citar que não são minhas e observar se há alguma restrição quanto ao uso da imagem.

Bom trabalho!

Abraços

Anônimo disse...

Eu quero saber quem autorizou mas isso não fala então dou meu jeito isso não fala de nada então meu jeito isso não serve
Mas foi bom saber quem

Anônimo disse...

verdade

Anônimo disse...

quem autorizou a criação do jardim botanico??????????????