quarta-feira, 7 de setembro de 2011

07 de Setembro: Dia da Independência do Brasil


Tela "O Grito do Ipiranga", de José Américo de Francisco de Mello (1888)
Imagem capturada na Internet (Fonte: Pedro da Veiga)


O meu retorno, hoje, 7 de setembro, não foi devidamente planejado em virtude das comemorações do Dia da Independência do Brasil, mas por ser feriado e eu estar em casa.

Mas, aproveitando a data comemorativa e sem ser repetitiva no enfoque, gostaria de abordá-la sob outro aspecto, isto é, o fato histórico representado em quadros.

Por coincidência, a análise em cima das representações artísticas do chamado “O Grito do Ipiranga”, sob as telas do pintor paraibano Pedro Américo de Francisco de Mello (1888) e o de francês e radicado no Brasil, François René Moreaux (1844), constituiu-se em uma das atividades propostas no Curso Mídias na Educação, Ciclo Avançado (Eproinfo), deste ano, quanto ao uso de imagens.

Tal como vários especialistas já mencionaram, Mauricio Puls ratifica que a “pintura não é um registro preciso do que aconteceu, mas uma reconstrução simbólica do real”, pois o fato histórico a ser retratado em uma tela de quadro pode sofrer intervenções de acordo com os interesses vigentes, principalmente, se esta for realizada sob efeito de encomenda.

O referido autor faz uma análise crítica das obras dos pintores, acima citados, embasado na conjuntura histórica à proclamação da independência, ou seja, ao dia 07 de setembro de 1822.

Quadro de José Américo (1888) - Imagem capturada na Internet (Fonte: Pedro da Veiga)




    Quadro de François René Moreaux (1844) 
Imagem capturada na Internet (Fonte: De Lá Prá Cá


Tomando por base a sua análise sobre as referidas telas, podemos destacar as seguintes diferenças e constatações: 

Quadro comparativo entre as telas de Pedro Américo e François-René Moreaux
(Autoria: Marli Vieira) 

Alguns aspectos acerca da paisagem ficam mais em evidência na tela de Pedro Américo de Francisco de Mello (1888) e merecem destaque, mas, antes de mencioná-las, vale a pena ressaltar que o nome original do quadro era "Independência ou Morte", mas este ficou conhecido como "O Grito do Ipiranga".

Voltemos aos elementos descritos no quadro...

- A configuração do espaço geográfico de São Paulo, na época, eminentemente rural, como o resto do país, agrário e o trabalho escravo.

A cidade de São Paulo, na época, apresentava um quantitativo populacional bem abaixo do registrada no Rio de Janeiro, bem como em outras cidades brasileiras, como Salvador, Recife, Belém etc.

Só para se ter uma ideia, em termos comparativos entre as duas principais metrópoles nacionais, envolvidas no referido episódio histórico, ou seja, Rio de Janeiro e São Paulo, a primeira – por ter sido a segunda capital do Brasil (1763-1960) e mediante a evolução e mudanças decorrentes em seu espaço desde a chegada da corte portuguesa (1808), passando pelo período do Império e, depois, com a proclamação da República, apresentava uma população bem maior que a de São Paulo, que, hoje, é a cidade mais populosa do país, com 11.253.503 habitantes (dados do censo de 2010/Fonte IBGE) e a sexta do mundo.

A cidade do Rio de Janeiro, por sua vez, com 6.320.446 habitantes (IBGE, 2010) configura-se como a segunda cidade mais populosa do Brasil e a 26ª do mundo.
 Evolução Demográfica da cidade do Rio de Janeiro (Fonte: Wikipedia


 Evolução Demográfica da cidade de São Paulo (Fonte: Wikipedia)

A população paulistana só passou a superar a carioca após a década de 50, com o desenvolvimento industrial no país, sobretudo, em São Paulo e com as migrações internacionais e/ou regionais (Nordeste-Sudeste).

- O riacho (Ipiranga) aparece na parte inferior, à direita. Considerado a localização do ponto histórico, daí a referência ao “Grito do Ipiranga”, mas a distância entre colina (onde está D. Pedro) e o riacho foi reduzida, tanto para destacar a posição elevada do príncipe quanto para mostrar o riacho que dá nome ao quadro. E, ainda, segundo fontes de pesquisa, o local não era este.

Sobre a escolta armada, Maurício Puls ressalta que um outro aspecto no quadro de Pedro Américo, pois - naquela época (1822) - a “Guarda de Honra” ainda não existia, uma vez que ela foi criada meses depois, por um Decreto, em 01 de dezembro do mesmo ano.

O quadro pintado por Pedro Américo foi feito sob encomenda pela Família Real, visando ressaltar a forma de governo monárquico. Ele tinha o destino de decorar o Museu do Ipiranga, cuja construção estava sendo cogitada já há algum tempo.

As obras para a construção do museu iniciaram em 1885, mas a sua inauguração só veio a ocorrer em 7 de setembro de 1895, como Museu de História Natural (atual Museu Paulista da USP – Universidade de São Paulo ou Museu do Ipiranga).

No dia de sua inauguração, no entanto, o Brasil já era uma República, proclamada - em 15 de novembro de 1889 - por Marechal Deodoro da Fonseca.

Pedro Américo terminou de pintar o quadro em 1888, em Florença (Itália) e, hoje, o quadro é a principal obra do Museu Paulista (Museu do Ipiranga), em exposição no seu salão nobre.

Ainda sobre a análise do quadro de Pedro Américo, outros autores ainda ressalvam que o mesmo é um plágio da obra do pintor francês, Jean-Louis Ernest Meissonier, intitulada “1807, Friedland”, a qual retrata a vitória de Napoleão Bonaparte sobre o exército russo do Czar Alexandre I, na Batalha de mesmo nome (e ano).

Segundo as fontes de pesquisa, o próprio Meissonier viu uma foto do quadro de Pedro Américo ("O Grito do Ipiranga"), em maio de 1889, em uma Exposição em Paris e gostou.

Errando uma ou por duas vezes, fica evidenciado que Pedro Américo de Francisco de Mello ao retratar em tela, o dia da Independência do Brasil das mãos da Coroa Portuguesa, quis dar valorizar, dar maior imponência ao fato histórico e à figura do príncipe regente, D. Pedro.

De acordo com a literatura específica sobre a História do Brasil, D. Pedro e sua comitiva pararam às margens do Ipiranga devido ao mal estar do príncipe regente acometido por uma diarreia.

Segundo consta, até o local não coincide com o lugar verdadeiro, pois - em decorrência da diarreia – D. Pedro estava junto ao Pouso do Ipiranga, próximo à venda do Alferes. Foi, neste local, que ele rompeu o vínculo que existia entre Portugal e o Brasil (período do Brasil-Colônia) e proclamou a Independência do Brasil.

Este local não foi preservado e não faz parte dos limites internos do Parque da Independência, onde se encontra localizado o Museu Paulista.

Sendo assim, podemos constatar que nem sempre a imagem condiz com a realidade dos fatos.

O quadro pintado por François René Moreaux (1844), também foi feito sob encomenda, a pedido do Senado Imperial, de acordo com os pontos levantados por Mauricio Puls, este está mais próximo do contexto. Apesar que a fisionomia de D. Pedro, com braço erguido segurando o chapéu, não condiz com alguém que esteja com desarranjo intestinal.

Veja a imagem panorâmica ou em 360°da Casa do Grito, situada no Parque da Independência (São Paulo, SP), contruída originalmente em pau-a-pique e cogitada como existente na época da proclamação da independência do Brasil (fato não comprovado).



Fontes de Consulta

. IBGE Cidades@

. MARTINEZ, R.V. A Polêmica do Mapa do grito do Ipiranga - Urano chegou ao Ascendente?

. Museu Paulista - Museu do Ipiranga

. PULS, Maurício - Imagem e realidade

. VEIGA, Pedro da - Tela da Instalação do Paraná, de Theodoro de Bona, pode ter sido inspirada em obra dos Estados Unidos

. Wikipedia

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu tenho orgulho de fazer parte dessa nação... e de ser seu aluno kkk J.Renato bjs me liga..

Marli Vieira de Oliveira disse...

Obrigada, José Renato!

Apesar do KKK, eu sei que é de coração!

Beijos e tenha um ótimo final de semana.