domingo, 4 de março de 2018

Cidade do Rio de Janeiro completou 453 anos sem motivos para celebrações

Vista parcial da cidade do Rio de Janeiro
Vista Chinesa - Parque da Tijuca
Imagem do meu acervo particular
 
 Texto atualizado em 04/03/2018 às 21h10
 
Na quinta-feira passada (01/03), a cidade do Rio de Janeiro comemorou 453 anos de fundação, mas infelizmente não houve muito o que festejar... Não houve e nem há celebração cabível na conjuntura atual não só da cidade, como de todo o estado do Rio de Janeiro, em razão da situação caótica e problemática que a população, respectivamente, carioca e fluminense vive.
 
Talvez, as comemorações - quanto à fundação da cidade – fossem apropriadas às belezas de sua geografia física, suas paisagens fundidas harmonicamente entre a arquitetura urbana e a natureza, assim como, também, pela simpatia e o acolhimento da população carioca a todos que visitam a cidade.
 
Fora a isso, nada nos coloca no patamar de alegria e no afã de comemorar o seu aniversário. Muito pelo contrário, nos últimos anos, o amor pulsante à cidade tem se revertido, para muitos, a outro estado emocional gerado pela consciência real de sua insegurança e caos urbano, o que fortifica o medo e, ao mesmo tempo, a vontade de migrar para outro município, estado ou até país.
 
Mesmo que movimento migratório forçado não possa ser concretizado de forma imediata, a consciência e opinião acerca da sua vulnerabilidade e insustentabilidade são fortes e condizem com o desejo vivo e eminente de querer sair da cidade e ir morar em outro lugar, menos violento...
 
Segundo um levantamento realizado pelo Datafolha (Instituto de Pesquisas do Grupo Folha/ Folha de São Paulo), divulgado em outubro de 2017, cerca de 72% dos cariocas têm vontade de sair da cidade. O motivo? A violência urbana associada à má gestão administrativa do Governo na área de segurança pública.
 
Essa insegurança em que vivemos, apesar da violência não ser fato recente, aumentou assustadoramente mediante a “falência” do estado, com a “inoperância” dos órgãos de Segurança Pública, com a crise política e econômica, cujos reflexos atingem os seus 92 municípios (incluindo a sua capital, a cidade do Rio de Janeiro).
 
Não resta dúvida que a nível de estado, a situação é mais agravante, cujos efeitos são sentidos há muito tempo, mas os sinais de esgotamento do seu sistema também passaram a ser visíveis na instância do governo municipal. E, lamentavelmente, quem mais sofre é a população e os servidores (estaduais e municipais) de diversas categorias.
 
Essa sequência de crises nos diferentes setores originaram os mais variados problemas, assim como a sensação de impotência do cidadão comum.
 
Faltam ações sérias e eficazes que possam atingir e modificar a base estrutural de tais problemas, os quais permeiam a corrupção nos diferentes níveis institucionais (Governo Estadual, Tribunal de Contas do Estado, Assembleia Legislativa, Câmara dos Vereadores, Polícia Militar, entre outros); atraso no pagamento dos salários do funcionalismo público estadual (ativos e inativos) e municipal; greve dos professores estaduais e manifestações de diversas categorias profissionais da rede estadual e municipal; o aumento da violência urbana (assaltos, furtos, homicídios, assassinatos de policiais, tiroteios, balas perdidas etc.); o aumento de usuários de crack e de outras drogas; roubos de cargas; corte de verbas em várias Secretarias Estaduais e Municipais; ineficiente sistema de saúde público estadual e municipal, com falta de médicos e de materiais hospitalares; Universidade do Estado do Rio de Janeiro em colapso; ineficácia em todos os níveis do sistema público de ensino, entre tantos outros problemas. 
 
E sob a égide desta crise e falência institucional do Rio de Janeiro, o Governo Federal decretou intervenção federal na segurança do estado... E aí, as opiniões se dividem...
 
Se, por um lado, essa medida possa representar o caminho para deter o aumento da criminalidade no estado e, principalmente, na capital, para muitos, ela não é a solução mais adequada aos problemas da violência urbana.
 
A polêmica envereda pelo uso das Forças Armadas, a questão da democracia e do desrespeito aos direitos humanos. Por outro lado, o cidadão comum, que nada mais é que o próprio protagonista da democracia, se sente impotente e a vítima principal diante dessa situação caótica e de má gestão administrativa do Governo expressas nos altos índices de violência urbana.
 
 Imagem capturada na Internet
Fonte desconhecida
 
Negar esses fatos ou romantizar a data não se aplica a nossa dura realidade. Há muitos anos, a data comemorativa perdeu seu brilho, ainda mais agora...
 
Muitas das vezes, quando me deparo e contemplo as diversas paisagens do Rio, eu lamento pela situação caótica por qual a cidade atravessa, pois sua beleza é ímpar, grandiosa. A combinação de sua geografia com o seu povo festivo, alegre e acolhedor a torna fascinante.
 
Não foi à toa que a cidade do Rio ficou conhecida e, posteriormente, reconhecida mundialmente como “Cidade Maravilhosa”. Ela foi a primeira do mundo a receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade - Paisagem Cultural Urbana - pela Unesco, em 2012.
 
Ela esteve no topo do ranking (1° lugar) de cidades mais felizes do mundo, em 2009, após uma pesquisa feita pela empresa GfK Custom Research. Tal “virtude”, no entanto, não foi mantida nos anos subsequentes e, no ano passado (2017), ela ocupou a 22ª posição nessa pesquisa.
 
Se a felicidade foi abrandada devido à violência, a mesma pode reaparecer, contagiando a todos, mas só no caso de se promover as devidas políticas públicas nas áreas de Segurança, Trabalho e Sociais (Saúde, Educação, Assistência e Habitação).
 
Eu quero ter esperanças, mesmo diante da realidade dura e de dificílima solução por qual enfrentamos, cariocas e fluminenses... 
 

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