domingo, 7 de junho de 2009

Cidade dos Meninos vai abrigar o novo Aterro Sanitário de Duque de Caxias e municípios adjacentes

Retornando a esta questão do lixo e, mais especificamente, ao destino final do mesmo, a Comunidade Escolar da E. E. Assis Chateaubriand tem, pela frente, um outro assunto polêmico a ser avaliado e discutido: a possibilidade da construção de um Aterro Sanitário na área da antiga Fundação Cidade dos Meninos, que fica próximo de nossa Unidade Escolar e é, mundialmente, conhecida pela contaminação do “pó de broca” (vide postagem do dia 05/06/08).

Como muitos já ouviram falar, o Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, localizado no 2° Distrito do município de Duque de Caxias, junto à Baía de Guanabara, vai fechar. A previsão de sua paralisação é para o ano de 2012.
 
No dia 05 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi inaugurada uma Usina de Biogás na localidade do referido aterro, com o objetivo de gerar energia através do tratamento do chorume, efluente líquido produzido pela decomposição do material orgânico do lixo, caracterizado pelo forte odor e alto potencial de contaminação.
 
O projeto da Usina de Biogás na localidade foi considerado o maior do mundo em crédito de carbono em aterro sanitário.
 
No âmbito de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) de redução de emissão de gases do efeito estufa, no que diz respeito ao fenômeno do Aquecimento Global, a nova Estação de Tratamento de Gramacho visa, além da produção de biogás, gerar renda com a venda de créditos de carbono aos países ricos, comprometidos com a redução de emissões de gases de efeito estufa.
 
Aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e atendendo o Protocolo de Quioto (Acordo entre as Nações do Mundo sobre o Aquecimento Global), a Usina tem como estimativa obter, em 15 anos de atividade, 10 milhões de créditos de carbono.
 
Considerado, também, como o maior reservatório de lixo urbano do estado do Rio de Janeiro, inicialmente, este se configurou como um grande lixão, aberto em 1976.
 
Atualmente, com uma área de 1,3 milhões de m², o Aterro Sanitário de Gramacho recebe diariamente cerca de 9.000 toneladas de resíduos sólidos de cinco municípios, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Nilópolis, São João de Meriti e Queimados.
 
A polêmica que ronda as discussões entre ambientalistas e estudiosos do assunto, recai nas alternativas mais adequadas para a sua situação atual, ou seja, a manutenção deste aterro enquanto reservatório metropolitano, com o monitoramento dos sistemas de coleta de resíduos através, entre outros, da reciclagem, reutilização e produção de biogás ou a criação de um novo reservatório.
 
É sabido que os impactos ambientais na área são graves, além da grande quantidade de chorume produzida e a contaminação do solo, subsolo e dos lençóis freáticos, a sua construção em área de manguezal ocasionou a destruição de 1,3 milhão de metros quadrados de mangue, considerado um dos ecossistemas mais ricos do planeta.
 
Além disso, no bairro Jardim Gramacho já foi constatado cerca de 12 aterros clandestinos, que aumentam consideravelmente os riscos de contaminação ambiental.
 
Sua desativação, com a proposta de servir apenas para produção de biogás, implicará – por sua vez – um impacto ambiental em termos sociais, visto que muitos catadores vivem direta e/ou indiretamente em função dos resíduos despejados no aterro.
 
No entanto, por outro lado, a sua desativação requer a escolha de uma outra área para que seja construído um novo aterro sanitário. E é nesta questão que reside a nossa preocupação, pois a área mais cogitada para atender estes propósitos é a da antiga Fundação Cidade dos Meninos, muito próxima da nossa escola.
 
Apesar desta área já estar comprometida em razão da contaminação do “pó de broca”, ter características rurais e comportar uma população muito reduzida (alguns alunos residem na área), o temor se justifica pelas conseqüências - a médio e longo prazo - de uma atividade desta ordem, além desta ser compatível com a infra-estrutura de um aterro sanitário, com a impermeabilização do solo, impedindo assim que o lençol freático (água subterrânea) seja contaminado pelo chorume.
 
Ademais, a operação de um aterro sanitário prevê a cobertura diária dos resíduos sólidos, a fim de se evitar a proliferação de vetores (ratos, insetos, urubus, como por exemplo), mau cheiro e poluição visual.

Temos ou não temos de ficar preocupados?
 
 
Imagens capturadas na Internet

Usina de Biogás de Jardim Gramacho (Duque de Caxias)


Vista área da área do Aterro sob diferentes ângulos
 
 

Catadores de lixo
 
 



Fontes de Pesquisa

Aterro Controlado

Portal Fator Brasil

Jornal O Globo (06/06/09 - página 30)

Outros

3 comentários:

PAULO AMANCIO disse...

Cada Munucípio tem que arcar com o lixo que produz.O lixo de Duque de Caxias deve ser enterrado no muni-
cipio. Não precisamos de uma area muito grande para isto.O lixo do Rio é problema da prefeitura do Rio.Tem que ser enterrado nomunicípio do rio.Na Cidade dos Meninos NÂO>

rozeira disse...

SOU MORADORA DA OLARIA PERTO DA FUNDAÇÃO ONDE ESTÃO DIZENDO QUE SERA UM LIXÃO ISSO E VERDADE OU NÃO

swaissman disse...

Estou coordenando a edição de um livro educacional sobre ecologia e precisamos de uma boa foto, em alta resolução, do Aterro Sanitário de Gramacho. Seria possível publicar uma das suas fotos?
Antecipadamente, muito obrigado.
SWaissman