quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Papa Francisco e a JMJ Rio 2013



"Cristo bota fé nos jovens."
 Imagem capturada na Internet (Fonte: Blog Pastoral da Juventude Nossa Senhora dos Prazeres)

Embora, eu não tenha participado da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), realizada recentemente na cidade do Rio de Janeiro, acompanhei e assisti partes de sua programação através das mídias. Presenciei e experimentei o sentimento de religiosidade, de jovialidade e de fé em cada grupo de peregrinos que encontrei por onde andei, como nas ruas da Tijuca, do Centro, Penha, Olaria, Estácio e outros bairros que percorri, assim como em Niterói.
 
Até mesmo a Igreja da Penha reviveu os velhos tempos de intensa visitação com os peregrinos da JMJ, que subiram a sua escadaria para contemplar o Santuário como, também, apreciar a vista do alto do rochedo.
 
 Imagem do meu acervo particular (foto tirada 27/07/2013)

A cidade do Rio de Janeiro viveu um momento histórico - de grande religiosidade, paz, alegria, fraternidade e solidariedade - não só por sediar a 13ª Edição da Jornada Mundial da Juventude, como por ser a primeira cidade do mundo a receber a visita do Papa Francisco após a sua nomeação como 266º Papa da Igreja Católica (o primeiro papa latino-americano ou, mais especificamente, sul-americano).

Papa este, que cativou a todos não só por sua simpatia, simplicidade e humildade, mas por abraçar a causa e o foco principal que deve ser da Igreja Católica, isto é, servir aos pobres, aos mais necessitados e aqueles que ainda se acham desorientados na fé cristã. Em outras palavras, evangelizar através da palavra e de atitudes com o próximo. O que, em minha opinião, a Igreja Católica desviou um pouco o seu rumo. 

Neste sentido, o Papa Francisco mostrou-se revolucionário aos padrões tradicionais da Igreja, pois além de desprezar e renegar o luxo, a ostentação que sempre marcou a vida do sumo pontífice, ele pregou e prega a acolhida a todos, amparando e não fechando as portas da igreja católica a ninguém.

Estes aspectos ficaram em evidência não apenas a nível de seu discurso, mas em suas atitudes perante ao povo e aos peregrinos da JMJ.

 
Antes dele, eu sempre admirei o Papa João Paulo II, falecido em 2005, mas o atual consegue superá-lo por sua simpatia, típica do povo latino-americano.
"Quis Deus na sua amorosa providência
que a primeira viagem internacional do meu pontificado
me consentisse voltar à amada América Latina,
precisamente ao Brasil,
nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica
e dos profundos sentimentos de fé e amizade
que sempre a uniram de modo singular ao Sucesso de Pedro"
(Papa Francisco, Palácio Guanabara, 22/07/2013).

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foi uma iniciativa do próprio João Paulo II (1978-2005), com o objetivo de evangelizar os jovens, em 1985. A periodicidade dos eventos não é fixa, podendo variar entre dois e três anos.

A principal finalidade das Jornadas é colocar Jesus Cristo
no centro da fé e da vida de cada jovem,
para que seja o ponto de referência constante
e a luz verdadeira de cada iniciativa
e de toda tarefa educativa das novas gerações
(João Paulo II, 1996).


Edições das Jornadas Mundiais da Juventude

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A próxima, conforme anunciou o Papa Francisco, no último domingo (28/07), na praia de Copacabana, será realizada em 2016, na cidade de Cracóvia, na Polônia (cidade considerada a capital espiritual do país).

De acordo com o Site Oficial da JMJ, a cidade do Rio de Janeiro recebeu peregrinos de 175 países, os quais foram acolhidos nas paróquias, nas casas de voluntários e de católicos (famílias de Acolhida), em Unidades Escolares, entre outros estabelecimentos, além de hotéis, pousadas, albergues etc. 

Símbolos da JMJ
São dois, os símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude, ambos oferecidos e de iniciativa do antigo Papa João Paulo II, assim como a própria Jornada.
 
. Cruz
Medindo 3,8 metros, a Cruz da JMJ - feita em madeira – é uma réplica da verdadeira Cruz instalada no altar mor da Basílica de São Pedro. A Cruz foi oferecida aos jovens do Centro Juvenil Internacional São Lourenço, em Roma, pelo Papa João Paulo II, em 1984, como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade, devendo esta ser levada pelo mundo todo.

 
Ela recebeu diversas denominações, como: Cruz do Ano Santo, Cruz do Jubileu, Cruz da JMJ, Cruz Peregrina ou, simplesmente, Cruz dos Jovens. 

Meus queridos jovens, na conclusão do Ano Santo,
eu confio a vocês o sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo!
Carreguem-na pelo mundo
como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade,
e anunciem a todos que somente na morte e ressurreição de Cristo
podemos encontrar a salvação e a redenção”
(Sua Santidade João Paulo II, Roma, 22 de abril de 1984).
 
 
. Ícone de Nossa Senhora
Este segundo símbolo da JMJ também foi oferecido aos jovens pelo Papa João Paulo II, em 2003.  Trata-se de uma cópia do ícone de Nossa Senhora, “Salus Populi Romani”.

Junto com a Cruz, o Ícone de Nossa Senhora também deve ser levado em todas as Jornadas.
 

Hoje eu confio a vocês... o ícone de Maria.
De agora em diante,
 ele vai acompanhar as Jornadas Mundiais da Juventude,
 junto com a cruz.
Contemplem a sua Mãe!
Ele será um sinal da presença materna de Maria
próxima aos jovens que são chamados,
como o apóstolo João, a acolhê-la em suas vidas”
 (Roma, 18ª Jornada Mundial da Juventude, 2003).
 

Religião Católica no Brasil
Como muitos sabem que a matriz religiosa do nosso país – em razão da colonização portuguesa – fora a Católica Apostólica Romana, inclusive, iniciada através da catequese pelos jesuítas (Companhia de Jesus) com os grupos indígenas, os primeiros habitantes do nosso país. E, depois, com a forte influência da chegada da Família Real (Século XVII).
 
Embora, a religião Católica venha apresentando uma queda considerável de fiéis ao longo dos anos e de forma mais atenuante à partir da década de 90 (Século XX), o Brasil ainda sustenta o título de  país mais católico do mundo, com mais de 123 milhões de pessoas que professam a religião, segundo o Censo Demográfico de 2010.
 
Em termos de números de católicos, o Brasil é seguido pelos seguintes países: México, Filipinas, EUA, Itália, Colômbia, França, Polônia, Espanha e República Democrática do Congo, segundo levantamento de 2010 pela Pew Research.
 
Na década de 70 do século passado, 91,8 % da população brasileira era católica, mas de acordo com os dados do Censo (2010), este percentual caiu para 64,6%. Em contrapartida, o número de correntes evangélicas cresceu (mais de 42 milhões), sobretudo, nas áreas periféricas dos grandes centros urbanos onde a igreja católica não se fazia muito presente e, muito menos, o Poder Público, em termos de infraestrutura básica.
 
Os pentecostais é que se sobressaíram neste processo de ascensão dos evangélicos, seguido pelos demais grupos religiosos deste segmento, atuando como “guias espirituais” e oferecendo assistência mínima no lugar do Estado.
 
O cientista político da PUC-Rio, Cesar Romero Jacob, citado em artigo no Blog de Reinaldo Azevedo, enfatiza o poder de abarcamento dos evangélicos na sociedade em detrimento aos religiosos católicos, comparando-os em termos de tempo e de custo da ordenação de um padre com o período de formação de um pastor. 
 
“Houve uma mudança na distribuição espacial das pessoas.
A Igreja Católica é como um transatlântico,
que demora muito para mudar um pouquinho a rota,
devido ao tamanho de sua estrutura burocrática.
Já os evangélicos são como pequenas embarcações”
(Cesar Romero Jacob, PUC-Rio*)

A situação pela qual se encontra a religião Católica Apostólica Romana, em nosso país, é uma realidade que não podemos negar. Mas, a esperança de quem a professa paira justamente em dois pontos cruciais, isto é, na evangelização dos jovens e no papel do Sumo Pontífice. E, nestes aspectos, não há dúvidas que o processo de mudança já se iniciou.
 
A própria JMJ de 2013 e a postura do maior representante da Igreja Católica da atualidade, na pessoa do Papa Francisco, comprovaram que a Igreja Católica está aberta e apta a estas mudanças, capazes de revolucionar alguns preceitos arcaicos da mesma, assim como aproximar as pessoas ou, até mesmo, resgatar aqueles que dela migraram.
 
 “Pra mim é fundamental a proximidade da Igreja.
Porque a Igreja é mãe,
e nem você nem eu conhecemos uma mãe por correspondência.
A mãe dá carinho, toca, beija, ama.
Quando a Igreja, ocupada com mil coisas,
se descuida dessa proximidade,
se descuida disso e só se comunica com documentos,
é como uma mãe que se comunica com seu filho por carta.
Não sei se foi isso o que aconteceu no Brasil.
Não sei, mas sei que em alguns lugares da Argentina
isso aconteceu."
(Papa Francisco)

Outro fato ocorrente e que merece destaque é a postura do referido Pontífice em relação ao batismo de filhos de mãe solteira, onde ele é contra a atitude de determinados padres que se recusam a realizar tal sacramento da igreja nesta situação.
 
Fale ressaltar aqui que ele, enquanto arcebispo de Buenos Aires, ainda como o seu nome de batismo, Jorge Bergoglio, já pregava esta abertura da igreja.
 
Na condição de Papa, em missa na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, no dia 25 de maio deste ano, ele voltou a mencionar a questão da Igreja Católica vetar o batismo de crianças, filhos de mãe solteira.
 
 "Somos muitas vezes controladores da fé,
em vez de facilitadores."
(Papa Francisco)
 "Essa mulher teve a coragem de continuar a gravidez.
E o que encontra? Uma porta fechada?"
(Papa Francisco)
 "Isso não é zelo, isso é distância de Deus.
Quando fazemos este caminho com esta atitude
não estamos ajudando o povo de Deus.
Jesus instituiu sete sacramentos e,
com este tipo de atitude,
estamos criando um oitavo,
o sacramento da alfândega pastoral."
(Papa Francisco) 
 
Frases que marcaram o discurso do Papa Francisco
"Peço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: A paz de Cristo esteja com vocês!"
"O motivo principal da minha presença no Brasil, como é sabido, transcende suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude. Vim para encontrar jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu braço para, junto do seu coração, ouvir de novo o potente e claro chamado: 'ide e fazei discípulos em todas as nações.'"
 
Eu não poderia vir ver este povo que tem um coração tão grande, protegido por uma caixa de vidro. E no automóvel, quando ando pela rua, baixo o vidro. Para poder estender a mão, saudar as pessoas. Quer dizer, ou tudo ou nada. Ou se faz a viagem como deve ser feita, com comunicação humana, ou não se faz."

"O futuro exige hoje a tarefa de reabilitar a política, que é uma das formas mais altas da caridade. O futuro nos exige também uma visão humanista da economia e uma política que logre cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evite o elitismo e erradique a pobreza. Que a ninguém falte o necessário e se assegure a todos dignidade, fraternidade e solidariedade."

“Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem por que os jovens estão protestando. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados.”

"Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo."


"Eu, por outro lado, lhes peço que sejam revolucionários, que vão contra a corrente; sim, nisto lhes peço que se rebelem contra esta cultura do provisório, que, no fundo, acredita que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar verdadeiramente."

"A realidade pode mudar. O homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo."

Eu não sinto medo. Sei que ninguém morre de véspera. Quando acontecer, o que Deus permitir, será. Eu não poderia vir ver este povo, que tem um coração tão grande, detrás de  uma caixa de vidro. As duas seguranças (do Vaticano e do Brasil) trabalharam muito bem. Mas ambas sabem que sou um indisciplinado nesse aspecto.”

“O povo brasileiro tem um grande coração. Quanto à rivalidade, creio que já está totalmente superada. Porque negociamos bem: o Papa é argentino e Deus é brasileiro.”

“Penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade - eu diria, inclusive, de pobreza. O povo sente seu coração magoado quando nós,  as pessoas consagradas, são apegadas a dinheiro.”


Fontes de Consulta  

2 comentários:

Fernanda disse...

Oi professora.Sou Fernanda Pereira da Turma 1704.Estava curiosa para saber mais sobre a segunda guerra mundial, porque estou lendo um livro que conta um pouco de como foi.Gostei de ler as postagens.

Marli Vieira de Oliveira disse...

Fico feliz pelo seu interesse, Fernanda! Se você quiser, eu tenho alguns livros ou textos que falam da II Guerra Mundial. Eu posso lhe emprestar.

Ou, ainda,se você quiser visite alguns sites ou Blogs direcionados a este tema. Vou citar dois endereços:

http://chicomiranda.wordpress.com/tag/segunda-guerra-mundial-2/

http://www.naval.com.br/blog/tag/segunda-guerra-mundial/#axzz2bt5bvHrP

Beijos e até a próxima aula