domingo, 1 de março de 2015

Aniversário da Cidade Maravilhosa



Imagem capturada na Internet (Fonte: Wikipédia)


Cidade Maravilhosa
Sérgio Magalhães

Ao comemorarmos os 450 anos do Rio de Janeiro, vale realçar uma característica fundamental da cidade que estamos festejando.
 
Entre as famosas obras do prefeito Pereira Passos que deram uma nova feição ao Rio, no início do século XX, a construção da Avenida Beira-Mar talvez seja a de mais profunda influência.
 
Claro que o símbolo mais conhecido é a Avenida Central, hoje Rio Branco. A Beira-Mar, porém, com cinco quilômetros, indo da Cinelândia a Botafogo, foi além da função de ligação viária Centro-Zona Sul. Teve pelo menos duas outras importantes contribuições: definiu a paisagem geocultural e uniu a cidade e o mar.
 
Ao passar pela orla, criou um ponto de vista que coloca a arquitetura da cidade em primeiro plano e, ao fundo, os grandes ícones geográficos, Pão de Açúcar, Corcovado e Maciço da Tijuca.
 
Antes, visto o conjunto desde o mar, a geografia dominava a imagem. Depois, associada à arquitetura, a geografia “culturalizou-se”. A simbiose é a nova paisagem do Rio.
 
À época, as cidades não se integravam ao mar (veja o Palácio do Catete, de frente para a terra, de costas para a água). A Beira-Mar incorporou o mar à cidade e garantiu a praia para o uso público, um novo conceito que Pereira Passos ainda replicou na Avenida Atlântica, em Copacabana.
 
Criou-se um paradigma de ocupação para a costa brasileira, onde a praia é pública e o seu acesso é livre — diferentemente, aliás, do que ocorre nos Estados Unidos, na França, em Portugal e na Espanha, entre outros países.
 
Demonstram os cronistas, o carioca sempre amou a vida no espaço público — lugar da interação. Sua identidade é indissociável dessa característica. A obra de Pereira Passos somou aos já então qualificados espaços públicos interiores um novo espaço público de excelência, a praia.
 
É dessa soma que, na década seguinte, emerge a expressão “Cidade Maravilhosa”, a cidade da bem-aventurança, idealizada desde a fundação. Essa feliz expressão está fazendo o seu centenário por agora, junto com os 450 anos do Rio.
 
No Brasil, nós não temos os guetos étnicos, religiosos e culturais que embasam ódios mundo afora (o carnaval é uma das evidências de como a população pratica e quer a integração). Nós temos uma só nação, de muitas cores e grandes desigualdades.
 
Mas, urbanisticamente, nas últimas décadas, de modo descuidado, importamos a segmentação social dos shoppings, dos condomínios fechados e do monofuncionalismo, parentes do multiculturalismo em que cada grupo quer seu lugar exclusivo. Não é um bom caminho — está aí o mundo a demonstrar que a segregação e a intolerância andam juntas.
 
Em muitas cidades brasileiras abandonamos a cidade misturada em busca da miragem imobiliária mais ordinária. Grande parte de nossos espaços públicos é descaracterizada pela falta de manutenção, pela perda de população, pela violência, pelo consequente enfraquecimento econômico e pela invasão rodoviarista. Conformam-se cidades cada vez mais difíceis.
 
As grandes cidades têm, mesmo, muitos problemas. Mas elas são o motor do mundo contemporâneo. Precisam preservar o seu papel de lugar da sociabilidade e valorizar a qualidade de vida — base sobre a qual constroem seu protagonismo.
 
Para o Rio, em especial, há de haver um cuidado máximo na permanente qualificação dos espaços públicos, matriz da sua identidade cidadã.
 
Praias limpas, seguras e sem poluição é uma condição cada vez mais básica que, em uma metrópole, somente poderá ser garantida com espaços públicos interiores igualmente seguros, limpos, bem tratados, bem mantidos, com vitalidade econômica e social.
 
A grande obra de Pereira Passos consolidou um modo de vida que encheu de orgulho a cidade e o país. É persistir no bom caminho.
 
Salve os 450 anos da Cidade Maravilhosa!

Fonte: O GLOBO 

2 comentários:

Victor Hugo disse...

oi professora sou da dilermando cruz sou da 1804 achei teu brog

Anônimo disse...

Cidade maravilhosa com muitas qualidade
Professora achei seu blog..
Moises turma: 1004 escola: scudese