segunda-feira, 6 de março de 2017

Dica de Filme: Hidden Figures ou Estrelas Além do Tempo


Imagem capturada na Internet
Fonte: Adorocinema
 

Final da década de 50 e início dos anos 60 (Século XX)...
 
O mundo se encontra sob a vigência de uma Ordem Mundial bipolar, desde o final da II Guerra Mundial (1945), isto é, sob a influência política, econômica e militar dos Estados Unidos da América (EUA) e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
 
As mesmas superpotências que protagonizaram a Guerra Fria (1947-1991), período do embate indireto entre ambas (EUA x URSS) e que provocou grande tensão mundial devido ao poder bélico que cada uma delas possuía na época, sobretudo, em termos de armamento nuclear.
 
Período este, caracterizado - entre outros aspectos - com a corrida espacial e as constantes demonstrações de superioridade tecnológica e ideológica entre ambas.
 
Em território estadunidense, a segregação racial era bem marcante e, mesmo diante das várias “tentativas” de minimizá-la, a política de segregação dos EUA mantinha-se muito forte e enraizada culturalmente contra os afro-americanos, que eram limitados a ocupar determinados cargos no mercado de trabalho, tendo ainda salários inferiores aos brancos e com acesso restrito a locais de uso comum, com exceção a aqueles determinados para uso exclusivo aos negros.
 
Além disso, a questão de gênero ainda se mostrava apoiada na cultura machista, com ênfase e o engrandecimento ao papel do homem em face à explícita desvalorização da mulher como mente pensante e produtiva no mercado de trabalho, em todos os seus níveis de atuação e complexibilidade.
 
Todos esses elementos intrigantes perpassam na história do livro “Hidden Figures (“Figuras Escondidas”), homônimo do filme lançado esse ano no Brasil, o qual foi intitulado de "Estrelas Além do Tempo" em nosso país.
 
Baseado em fatos reais, o filme apresenta uma riqueza de detalhes e elementos sob esta conjuntura histórica (final da década de 50 e início da década de 60) nos EUA e da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) sob o contexto da chamada Guerra Fria.
 
Antes mesmo de assisti-lo (assisti no sábado passado), eu já havia o recomendado aos alunos, tanto do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio, em função de sua importância relacionada ao conteúdo da minha disciplina (e de História), assim como também no contexto do Trabalho Escolar do 1◦ Bimestre da E. M. Dilermando Cruz, o qual consta de levantamento biográfico de importantes personalidades femininas nas diversas áreas de abrangência do mercado de trabalho.
 
Neste caso específico do trabalho e, ao mesmo tempo, relacionado ao filme em questão, foram incluídos na lista das personalidades femininas, os nomes das três amigas e cientistas da NASA –Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson – para o levantamento biográfico concernente.
 
Todas as três iniciaram a sua carreira no Comitê Nacional de Consultoria para Aeronáutica (NACA), agência que deu origem à NASA, criada em 1958.
 
Na NASA, elas faziam parte de uma equipe, composta por 20 mulheres negras, que trabalhavam como “computadores humanos”, calculando manualmente equações imprescindíveis para a realização das viagens espaciais. Havia outro grupo com a mesma função só que era de mulheres brancas, em outras condições de trabalho (mais favoráveis).
 
Elas se destacaram em relação às demais em função da inteligência aguçada em cálculos matemáticos, da persistência e da grande vontade em crescer e conquistar o seu lugar na NASA e, consequentemente, na sociedade estadunidense.
 
Elas não só alcançaram este lugar de destaque como venceram o preconceito de raça e, em parte, o de gênero. Neste último, eu digo, em parte, porque a valorização delas não foi reconhecida na época, pelo menos, em termos de maior divulgação nas mídias antigas. Na época, o prestígio era sempre em cima do sexo masculino.
 
A mulher, ainda mais afrodescendente, tinha a sua importância relegada a um plano secundário e, na maioria das vezes, não valorizado e/ou reconhecido.
 
O filme retrata a competitividade entre estadunidenses e soviéticos em termos de pioneirismo à exploração e tecnologia espacial, a qual – para efeito da rivalidade – simbolizava não só a superioridade tecnológica, política e militar como, também,  forte estratégia de propaganda do sistema ideológico 
 
Efetivamente, quem saiu à frente na corrida espacial foi a União Soviética, em 1957, com o lançamento do satélite artificial Sputnik 1 e, no mesmo ano, foi enviado o primeiro animal no espaço, a cadela vira-lata Laika a bordo da nave Sputnik 2.
 
No entanto, o filme, em questão, destaca o terceiro e grande feito do Programa Espacial soviético – ocorrido em 1961 - que foi enviar o primeiro homem ao espaço, o soviético Yuri Gagarin que deu uma volta na órbita da Terra, em 108 minutos (1h48), a bordo da cápsula Vostok.
 
Nesta época, a Agência Espacial Norte-Americana (NASA) ainda dava os seus primeiros passos (ela foi criada em julho de 1958), apresentando muitas falhas técnicas e de cálculos que justificavam o atraso do seu programa espacial.
 
O primeiro astronauta estadunidense a ir ao espaço foi Alan Shepard, em um voo sub-orbital, de 15 minutos, no dia 5 de maio de 1961. Mas, John Glenn foi o primeiro a entrar na órbita da Terra, no dia 20 de fevereiro de 1962, a bordo da cápsula espacial Friendship 7.
 
Neste mesmo ano, a NASA começou a trabalhar – pela primeira vez - com computadores eletrônicos da plataforma IBM e, no dia do lançamento da espaçonave Friendship 7, mesmo com os cálculos feitos pelas máquinas, o referido astronauta solicitou – sob ameaça de desistência (segundo cena do filme) – que Katherine Johnson revisasse os cálculos de sua rota, nos quais foi constatado um erro.
 
Apesar do superaquecimento que a nave sofreu ao entrar na atmosfera terrestre, no seu retorno, causando uma grande apreensão nacional e, sobretudo, a John Glenn, a intervenção e recálculo da rota feito por Katherine Johnson o trouxe de volta, são e salvo. Katherine Johnson sabia que iria dar certo e deu!
 
Essas três mulheres negras -  Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson - que por muitas décadas viveram como  verdadeiras Figuras Escondidas”, foram fundamentais para que o Programa Espacial dos EUA desse certo e, mediante a rivalidade e à corrida espacial, os colocassem a frente dos soviéticos, com a empreitada de levar o homem à Lua, pela primeira vez, em 1969. O mérito desse feito coube, também, à Katherine Johnson, pois foi ela que fez o cálculo da trajetória do Apolo 11, o foguete que levou os astronautas à Lua.
 
Vale a pena assistir ao filme por todo esse contexto (Guerra Fria, corrida espacial, NASA etc.) e demais elementos inerentes à história de época que são importantes para discussões em sala de aula.
 
Cientistas x Atrizes (personagens do filme)
Imagens capturadas em M de Mulher
 

Katherine Johnson           Taraji Penda Henson




              Dorothy Vaughan                  Octavia Spencer

 

Mary Jackson                  Janelle Monáe

 
 
Assista o trailer AQUI! 

2 comentários:

Duda Oliveira disse...

Professora, pesquisei sobre o filme e todos os ingreços (nos cinemas que vi) estão esgotados.
Maria Eduarda Gomes de Oliveira
T. 1903

Marli Vieira de Oliveira disse...

Uma pena, Maria Eduarda Gomes! Com certeza, você iria gostar muito do filme! Vamos aguardar sair o CD no mercado. beijos