segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Evento Escolar: Dia Nacional da Consciência Negra


  Imagem capturada da Internet

Peço mil desculpas aos alunos da E. E. Assis Chateaubriand, aos quais prometi postar, de imediato, as imagens do Evento sobre o Dia Nacional da Consciência Negra, realizado na escola, no último dia 19 de novembro (quarta feira passada).

Postar no mesmo dia foi impossível, pois havia aplicado avaliações em quatro turmas pela manhã (E.M. Dilermando Cruz) e, à tarde, estive envolvida diretamente com o Evento do Assis, atuando no início da peça dos alunos da Turma 802 e registrando as demais atividades (coral, danças, declamação de poesias etc.) através da máquina fotográfica.

Quando saí da escola, ainda, passei no comércio do Centro de Duque de Caxias, que acabou me fazendo chegar tarde em casa. Resultado: cheguei “morta” de cansaço e com dores nas pernas (problemas de circulação).

No dia seguinte, feriado estadual (Dia Nacional da Consciência Negra), fiquei na casa da minha mãe nos períodos da tarde e da noite. Por isso, nada de postagem.

Sexta feira sai com a família e no final da tarde fui tirar xérox para os alunos de ambas as escolas em que trabalho.

Em geral, nos fins de semana ou feriados, não acesso a Internet na parte da manhã, porque sempre me encontro envolvida com os afazeres domésticos (limpeza de casa, preparo do almoço etc.), reservando os períodos da tarde e da noite para tal.
Ontem, à tarde, fui para casa da minha mãe. Minha filha foi junto, pois tinha que estudar Matemática e História para as suas próximas avaliações (dia 25/11). Retornei à noite e fui terminar os textos que já havia rascunhados sobre o Dia da Consciência Negra.

Sei que estou em atraso, mas o que fazer, se o meu dia tem 24 horas e estas se mostram insuficientes no meu caso?

A mesma coisa diz respeito às postagens que salvo em rascunho (com data retroativa)...

Reconheço que estas devem ser publicadas no dia, mas – na maioria das vezes - tenho que interromper a digitação, salvar como rascunho para, depois, publicá-las. Mas, procuro fazer o máximo possível!

Com relação o Dia Nacional da Consciência Negra, alguns alunos ficaram em dúvida sobre a Data Comemorativa a Zumbi dos Palmares.

A confusão recaia no uso ou não do termo Nacional e, também, se esta é comemorada como feriado em todos os municípios do país.

A data foi sancionada pelo Governo Federal, em caráter nacional, porém o feriado é facultativo, cabendo a cada governo municipal e/ou estadual instituí-lo ou não.

Muitas instâncias governamentais alegam que a data não é comemorada como feriado, principalmente, em conseqüência do impacto na economia do estado e/ou do município (comércio, indústrias, agências bancárias etc).

Em postagem anterior, eu comento acerca da origem da escolha desta data, os seus precursores (Grupo Cultural Palmares, Rio Grande do Sul) etc.

Ao realizar um levantamento na rede, a data comemorativa consta como feriado estadual apenas no Rio de Janeiro e Mato Grosso.

No entanto, há divergências quanto ao número exato de cidades que o instituiram como feriado municipal (mais de 360 municípios distribuídos por 18 estados).

A página da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do Governo Federal, por exemplo, disponibiliza a relação dos municípios, onde houve feriado bancário no Dia Nacional da Consciência Negra (evidentemente foi feriado).

O site Globo.com, por sua vez, disponibiliza uma outra lista de cidades onde o Dia Nacional da Consciência Negra consta como feriado municipal.

E, nesta, contrariamente a do SEPPIR, referencia João Pessoa, capital da Paraíba.

Neste aspecto, outra divergência, pois a minha sogra e cunhada moram em João Pessoa e disseram que, contrariamente, ao que está publicado, tudo funcionou normalmente na capital (escolas, bancos etc.).

Entre as capitais brasileiras constam Cuiabá (capital de Mato Grosso), Florianópolis (Santa Catarina), Goiânia (Goiás), Maceió (Alagoas), Manaus (Amazonas), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro) e São Paulo (São Paulo).

No entanto, vale ressaltar que muitos municípios transferiram o feriado para o dia 21 de novembro, a fim de se evitar o enforcamento da sexta feira.

A cidade do Rio de Janeiro foi o primeiro município a instituir a data do Dia Nacional da Consciência Negra como feriado municipal, em 1999 e, em novembro de 2002, este passou a incorporar o calendário estadual através da Lei N.º. 4.007, sancionada pela, então, governadora Benedita da Silva.

Em 2003, o Presidente da República - Luiz Inácio Lula da Silva - incorporou a referida data comemorativa no calendário escolar e, ao mesmo tempo, tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro Brasileira (Lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003).

Este ano, o Governo Federal sancionou a Lei N.º 11.645 (de 10 de março de 2008), onde incluiu - nas Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei N.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003) - a obrigatoriedade, também, da História e Cultura Indígena (além da Afro-Brasileira, estabelecida em 2003).

Em função disso, as escolas passaram a tratar e explorar mais profundamente sobre a cultura afro brasileira.

Neste ano, o evento realizado na E. E. Assis Chateaubriand me surpreendeu, mesmo que o tempo chuvoso tenha sido um obstáculo a mais, junto, ao espaço limitado e mínimo que a Unidade Escolar oferece.

Desde segunda feira passada (dia 17/11) , a escola estava em festa em razão das referidas comemorações. Os alunos e professores da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) prepararam o evento do noturno para própria segunda feira.

Os preparativos iniciaram à tarde e os trabalhos de todos os alunos (períodos do diurno e noturno), expostos nas paredes, deram um toque bem especial. Até o pessoal de apoio, da cozinha, estava animadíssimo!
 
Os eventos dos períodos do Diurno (manhã e tarde) foram realizados, cada qual, no seu horário, na quarta feira.
Embora, durante o evento, as condições do tempo não estivessem a nosso favor (tempo nublado, com chuvas ocasionais), a chuva deu uma trégua, caindo mais no final da tarde e à noite.
 
O barulho externo também atrapalhou muito, pois a escola não tem um Auditório ou quadra esportiva, capazes de assegurar o desenvolvimento de atividades extracurriculares.
 
Ah, não posso esquecer de alguns alunos, que se comportaram indevidamente na hora das apresentações, mas graças a um grupo expressivo de alunos participantes direto e/ou indiretamente nas atividades e dos professores engajados no Projeto "A Construção da Igualdade", posso afirmar que o evento foi muito bom.
 
A Professora Maria Gorete (Matemática) é que comandou o início das apresentações, as quais depois foram conduzidas pelo Professor Fernando.

Professora Gorete comandando as apresentações

Vale destacar, aqui, o empenho e dedicação dos professores Fernando (Ciências) e André (Educação Artística)... é algo, assim, revigorante e incentivador! Eles são ótimos!

Os primeiros a se apresentarem foram os alunos do sexto ano, da Turma 602, que cantaram a música "O Canto das Três Raças" (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro), sob a regência do Prof. Fernando, que estava vestido de acordo com a ocasião, com abadá (roupa) e o eketé ("chapéu").







Alguns alunos da mesma turma foram selecionados e se apresentaram a caráter mostrando a influência da cultura africana em nossa sociedade.

A primeira aluna, Ana Carolina, expôs a contribuição africana na culinária brasileira. Além de estar vestida de acordo, a aluna trazia uma travessa com cocadas.

Aluna Ana Carolina e o Prof. Fernando

Logo depois, o Prof. Fernando anunciou a entrada do aluno Lucas que representava o vestuário, usando Eketé na cabeça e Pano da Costa.


Aluno Lucas vindo ao encontro do Prof. Fernando


Alunos Lucas e Ana Carolina

Andressa foi a terceira aluna a se apresentar, representando a capoeira.

Aluna Andressa


Por último, entrou o aluno Fabrício com o pavilhão (bandeira nacional). Este veio representando o samba como identidade do nosso país.
 
A medida que ele se aproximou mais do grupo, o coral dos 17 alunos da turma 602 começou a cantar "Aquarela do Brasil" (Ary Barroso), sob a regência e acompanhamento dos professores Fernando e André (com pandeiro), respectivamente.








Depois da apresentação do coral, sob a coordenação do Prof. André, alguns alunos da Turma 703, do Turno da Manhã, jogaram Capoeira. A apresentação foi bastante ovacionada pelos presentes.



















A aluna Ingrid, da Turma 802, declamou a poema "O Menino Negro não entrou na Roda", do escritor africano Geraldo Bessa Victor (Angola).




O Menino Negro Não Entrou Na Roda
(Bessa Victor-Angola)

O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas - as crianças brancas
que brincavam todas numa roda viva
de canções festivas, gargalhadas francas...

O menino negro não entrou na roda.

E chegou o vento junto das crianças
- e bailou com elas e cantou com elas
as canções e danças das suaves brisas,
as canções e danças das brutais procelas.

O menino negro não entrou na roda.

Pássaros, em bando, voaram chilreando
sobre as cabecinhas lindas dos meninos
e pousaram todos em redor. Por fim,
bailaram seus vôos, cantando seus hinos...

O menino negro não entrou na roda.

"Venha cá, pretinho, venha cá brincar"
- disse um dos meninos com seu ar feliz.
A mamã, zelosa, logo fez reparo;
o menino branco já não quis, não quis...

O menino negro não entrou na roda.

O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas. Desolado, absorto,
ficou só, parado com olhar cego,
ficou só, calado com voz de morto.


Este poema foi musicado por Luis Cilia. Quem desejar ouví-lo, basta acessar AQUI.


Dando prosseguimento, os alunos das Turmas 701 e 702 (Turno da Manhã), sob a coordenação da Profa Analucia (Ciências e Matemática), apresentaram uma dança.








Após a dança foi a nossa vez, isto é, da peça teatral da Turma 802, intitulada "Preconceito Racial, não está com nada!", de minha autoria.
 
Devo dizer que, mesmo tendo poucos dias para ensaio, os alunos conseguiram gravar muito bem os seus respectivos textos ("falas"). A falta de um ambiente com acústica apropriada acabou prejudicando um pouco o som.
 
Eu atuei, no início, no mesmo papel que atuo desde 1994, ou seja, como professora. O ambiente era uma Unidade Escolar e, por isso, o traje dos alunos era o próprio uniforme.
 
Os alunos que atuaram na peça foram: Ludmila Martins (como Sabrina); Matheus Cunha (Allan); Rosilene (Carolina); Vitória Ovídio (Júlia); Cleyton Silva (Guilherme); Michele Costa (Andressa); Michele Terto (Bruna); Kevin (Gustavo); Beatriz (Anne); Gabriela Paula (Renata) e, ainda as participações de Carlos Henrique; Eduardo; Maysa; Ludmila Vanessa;Carlos Henrique; Gabriela Silva; Wallace Santana e Lucas Rocha.
 
A peça teatral, ainda teve uma narradora, a Ingrid, a mesma que declamou o poema "O Menino Negro não entrou na Roda".









Ao término da peça, um cartaz foi aberto com a seguinte mensagem: "Preconceito Racial, não está com nada! Racismo é crime! Dá cadeia!"
 
Para encerrar a apresentação teatral foi, ainda, colocada para tocar a música "Sorriso Negro", de D. Ivone Lara.






Ainda foram apresentadas duas danças, antes do encerramento, uma da Turma 804, sob a coordenação do Prof. André e a outra da Turma 801.





Alunas da Turma 804


As alunas da Turma 801 foram, logo, em seguida.




Estava previsto para o encerramento do evento, o soltar de uma pomba branca, simbolizando a PAZ, mas diante do início da chuva e o dispersar de muitos alunos, este não foi realizado.
 
Vale registrar aqui, ainda, as pessoas que nos auxiliaram em muito: O Luís (o "Pipoca") no som; o pessoal de apoio da cozinha, a Profa e Orientadora Pedagógica Mayuce (OP), a Profa. Miriam Nogueira (Português) e outros profissionais de Educação que atuaram direta e/ou indiretamente no evento.





quinta-feira, 20 de novembro de 2008

20 de novembro: Dia Nacional da Consciência Negra

Imagem capturada na Internet


A origem da escolha do Dia Nacional da Consciência Negra remonta o início dos anos 70 (Século XX), quando um grupo de seis pessoas em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), engajados no movimento negro, resolveram homenagear a luta da comunidade negra brasileira, insatisfeitos - como estavam - com a escolha da data 13 de maio referenciada à Abolição da Escravatura.

Inicialmente, o referido grupo cogitou datas em homenagens aos poetas e abolicionistas Luiz Gama e José do Patrocínio.

A escolha do dia 20 de novembro foi uma sugestão do militante do grupo, poeta e professor de Português, Oliveira Silveira, em tributo a Zumbi e ao Quilombo dos Palmares, respectivamente, nomes do líder e do maior quilombo do Brasil colonial, localizado na Serra da Barriga, cuja área situava-se na antiga Capitania de Pernambuco e, que hoje faz parte do município União dos Palmares, no estado de Alagoas.

De acordo com o mesmo, esta data teria maior expressividade para a comunidade negra brasileira em detrimento a que se comemora a Abolição dos Escravos, assinada em 1888, pela Princesa Isabel.


Poeta e professor, gaúcho, Oliveira Silveira, integrante e militante
do Grupo Cultural Palmares que deu bases para a criação
do Dia Nacional da Consciência Negra


Inclusive foi desta opção que se originou, também, o nome do grupo, passando a se denominar de Grupo Cultural Palmares.

Vale ressaltar, aqui, que a cidade de Palmares, localizada em Pernambuco, não se refere à localidade do Quilombo dos Palmares. Seu nome deriva da grande quantidade de palmeiras que existia na região e adjacências e, também, em menção ao referido Quilombo que, como mencionei anteriormente, se encontra localizado na Serra da Barriga, no estado de Alagoas. No entanto, ambos os municípios faziam parte da área de abrangência da Capitania de Pernambuco.

Este alega, também, que a escolha do dia da morte do líder do Quilombo de Palmares (Zumbi), decorreu em razão da falta de registros históricos sobre a data do seu nascimento e nem do início do Quilombo dos Palmares.

Sendo assim, a data que passou a ser reverenciada primeiramente no Rio Grande do Sul transpassa os seus limites, sendo difundida e conhecida no resto do país. E, segundo o próprio Oliveira Silveira, graças ao apoio e divulgação da imprensa, a data comemorativa alcançou projeção em âmbito nacional.

São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro constam como as primeiras cidades a comemorar a referida data em prol da luta da comunidade negra.


Sete anos depois da iniciativa do grupo gaúcho, mais precisamente em 1978, foi criado o Movimento Negro Unificado contra Discriminação Racial (MNUDR), o qual, em assembléia realizada na Bahia, no final do mesmo ano, acatou a proposta de um militante do Rio de Janeiro, chamado Paulo Roberto dos Santos, e oficializou a data 20 de novembro como o Nacional da Consciência Negra (Data de celebração a Zumbi e a Palmares).

A cidade do Rio de Janeiro foi o primeiro município a instituir a data do Dia Nacional da Consciência Negra como feriado municipal, em 1999 e, em novembro de 2002, este passou a incorporar o calendário estadual através da Lei nº. 4.007, sancionada pela, então, governadora Benedita da Silva.

Em 2003, o atual Presidente da República - Luiz Inácio Lula da Silva - incorporou a referida data comemorativa no calendário escolar e, ao mesmo tempo, tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro Brasileira (Lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003).


Este ano, o Governo Federal sancionou a Lei N.º 11.645 (de 10 de março de 2008), onde incluiu - nas Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003) - a obrigatoriedade, também, da História e Cultura Indígena (além da Afro-Brasileira, estabelecida em 2003).
Segue abaixo, a transcrição da entrevista da Agência Brasil com o poeta e professor gaúcho Oliveira Silveira, realizada nesta semana - por telefone - onde o mesmo avalia a atuação do movimento negro no Brasil. Logo, em seguida, disponibilizo imagens do Parque criado na localidade do Quilombo dos Palmares (União dos Palmares, Alagoas)*.

Agência Brasil: Por que o movimento negro gaúcho resolveu buscar uma nova data para reverenciar a luta dos negros contra o regime escravagista, em substituição ao 13 de maio?

Oliveira Silveira: Isso ocorreu em 1971. Estávamos insatisfeitos com o 13 de maio. Havia um grupo de negros que se reunia na Rua da Praia [no centro de Porto Alegre] e o nosso assunto, invariavelmente, era a questão negra e o fato de o 13 de maio não ter maior significação para nós. Logo, surgiu a ideia de que era preciso encontrar outra data. Eu, como gostava de pesquisar, aprofundei-me nisso. E encontrei material, cuja fonte era Édison Carneiro, autor do livro O Quilombo dos Palmares, indicando que Zumbi dos Palmares havia sido morto em 20 de novembro [de 1695]. Essa informação foi confirmada no livro As guerras dos Palmares, do português Ernesto Ennes, no qual foram transcritos documentos. Já que não sabíamos o dia de seu nascimento ou do início de Palmares, tínhamos pelo menos a data da morte de Zumbi, o último rei do quilombo de Palmares, Alagoas. Então, promovemos uma reunião, que originou o Grupo Cultural Palmares, cuja idéia era fazer um trabalho para reverenciar Palmares e Zumbi como algo mais representativo que 13 de maio.


Agência Brasil:Qual a crítica que vocês faziam e ainda fazem ao 13 de maio?

Oliveira Silveira: Nós vimos logo que o 13 de maio teve conseqüências práticas. Não havia medidas efetivas voltadas à comunidade negra. Foi uma liberdade que apareceu apenas na lei e nada de concreto ocorreu depois. Ao mesmo tempo, era uma data oficial, que o oficialismo governamental queria que fosse comemorada, celebrada, com homenagens à princesa Isabel. Ao passo que Palmares significava uma liberdade conquistada na luta, que durou um século inteiro, e, por isso, era plena de significado. Os homens e mulheres quilombolas fizeram um trabalho de resistência, de afirmação da dignidade humana sem precedentes, de luta pela defesa da liberdade. Então, não havia dúvidas de que aquela era a principal passagem da história do negro no Brasil.


Agência Brasil: Quando foi realizado o primeiro ato para reverenciar Zumbi e Palmares?

Oliveira: Como o Grupo Palmares havia se disposto a trabalhar a partir de datas e já estávamos em julho de 1971, resolvemos homenagear primeiro o poeta e abolicionista Luiz Gama, que morreu em 24 de agosto, e mais adiante, em outubro, homenageamos o nascimento do poeta e abolicionista José do Patrocínio. Em novembro, fizemos a homenagem a Palmares. À época, o Grupo Palmares tinha quatro pessoas e depois entraram mais duas mulheres. Por isso, consideramos que o grupo fundador foi formado por seis pessoas, que fizeram esse trabalho em 1971, quando homenageamos Luiz Gama, Patrocínio e Zumbi e Palmares. O Grupo Palmares realizou, então, no Clube Náutico Marcílio Dias, em Porto Alegre, o primeiro ato evocativo a Zumbi e a Palmares. Foi o início de um trabalho que teve continuidade ao longo dos anos.


Agência Brasil: Quando o restante do país começou a reverenciar o 20 de novembro?

Oliveira: Inicialmente foi só o Rio Grande do Sul, mas graças à divulgação, com o apoio da imprensa, a data foi se tornando conhecida. Em 1975 e 1976, São Paulo, com grupos de teatro de Campinas e da capital paulista, e o Rio de Janeiro começaram a celebrar o 20 de novembro. De modo que foi se implantando o 20 de novembro no país. Até que em 1978 surgiu a idéia de formar o coletivo de organizações negras denominado MNUDR – Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial. Foi a tentativa de uma organização que reunia algumas entidades, entre as quais algumas já celebravam o 20 de novembro. No final de 1978, numa assembléia na Bahia, foi proposta a denominação de Dia Nacional da Consciência Negra em 20 de novembro. Foi uma idéia feliz de Paulo Roberto dos Santos, um militante do Rio de Janeiro. Então, aquilo fez com que o 20 de novembro se consolidasse [como data de celebração a Zumbi e a Palmares e de afirmação da comunidade negra brasileira], mas foi um trabalho contínuo do Grupo Palmares. Foi também o coroamento de um trabalho realizado no Rio Grande do Sul pelo Grupo Palmares e que se tornou importante, porque foi adotado pelo movimento negro em nível nacional.


Agência Brasil: O que representou o resgate da figura de Zumbi e do quilombo de Palmares na luta do negro em busca da cidadania plena e de sua auto-estima?

Oliveira: Foi extremamente significativo, porque o 20 de novembro se mostrou como algo com uma força aglutinadora muito grande. Com isso, muitos grupos se formaram e muitas atividades passaram a ser desenvolvidas. Em São Paulo, por exemplo, criou-se o Festival Comunitário Negro Zumbi, que promovia atividades em cidades do interior. Foi uma motivação muito positiva, especialmente pela mensagem, uma coisa mais afirmativa do que o 13 de maio.


Agência Brasil: Como o senhor explica que o resgate histórico de Zumbi e do quilombo dos Palmares tenha começado justamente num estado de maioria branca, como o Rio Grande do Sul, com forte presença de imigrantes de origem européia?

Oliveira: Parece até algo meio milagroso que o segmento negro tenha resistido nos estados do Sul. Antes, a Região Sul era considerada essa parte que vai do Rio Grande do Sul a São Paulo. E foi onde a imigração se localizou preponderantemente. Então, houve uma política voltada para essa região. Foi a política do branqueamento, que trouxe imigrantes e deixou de lado e de fora o indígena e o negro, a partir do século 17. Essa política poderia ter eliminado o segmento negro, mas ele resistiu. Eu considero que os imigrantes vieram como convidados e também interessados. Tiveram depois grande participação, grandes oportunidades e apoio logístico, inclusive de seus países. De modo que eles se desenvolveram muito aqui. Eles não podem ser isentados de culpa ou qualquer coisa nesse gênero, porque, na verdade, são beneficiários da nossa exclusão, da tentativa de exclusão de negros e indígenas.


Agência Brasil: Como o senhor avalia a atuação do movimento negro hoje e a inserção do negro na sociedade brasileira?

Oliveira: Foi um processo. O movimento foi se desenvolvendo. Vieram novas fases. Tivemos aquela primeira fase, de 1971 a 1978, que eu chamo de virada histórica. Depois, uma fase de surgimento de organizações e de aproximação com o poder, com o governo e a participação na [Assembleia] Constituinte de 1988. A partir da nova Constituição, temos uma nova fase, na qual o movimento tem uma linha mais prática. Já temos experimentações muito importantes, com participação no governo. Temos a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial [Sepir] e a Fundação Palmares. São instâncias que nos permitem uma experiência muito válida. Então, o movimento avança. E, com a política de cotas nas universidades, estamos dando passos importantes e necessários.


Agência Brasil: O Brasil se intitula como a maior democracia racial do mundo. Como o senhor analisa isso?

Oliveira: A democracia racial é um mito trabalhado especialmente em função dessa política de branqueamento, que nunca foi revogada. A miscigenação é apresentada como uma coisa positiva, mas, na verdade, não é. No Brasil, existe preconceito, discriminação na prática, existe racismo. É um país reconhecidamente racista. Isso é oficialmente reconhecido. Eu acredito que o racismo não é uma coisa que desapareça, que possa ser eliminado. Ele pode se aquietar, mas lá pelas tantas está vivo, forte e atuante.

Nota (publicada em 10/02/2017): O referido professor, poeta e pesquisador Oliveira Ferreira da Silveira faleceu no dia 01/01/2009.


Fontes de Pesquisa:








Imagens capturadas da Internet

União dos Palmares, Alagoas



Morro da Barriga, União dos Palmares (AL)


Parque Memorial Quilombo dos Palmares (aberto em maio/2006)




















Zumbi dos Palmares

Símbolo da resistência negra contra a escravidão e o grande líder do Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, área pertencente à antiga Capitania de Pernambuco e que, hoje, faz parte do município União dos Palmares, no estado de Alagoas, Zumbi, nasceu numa das inúmeras povoações palmarinas.

O ano de seu nascimento é um fato incerto devido a precariedade de documentos históricos, porém em sua biografia no site do Parque Memorial Quilombo dos Palmares consta que este se deu no começo de 1655.

Sabe-se, no entanto, que ainda recém-nascido o mesmo foi capturado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso e presenteado ao padre português Antônio Melo, do distrito de Porto Calvo.

Batizado na Igreja Católica com o nome Francisco, ele não era tratado como escravo pelo pároco. Aprendeu latim e português e, aos 10 anos, auxiliava o padre como coroinha da igreja.

O menino demonstrava uma inteligência privilegiada, que era admirada pelo padre Antônio Melo, tal como o mesmo cita “engenho jamais imaginável na raça negra e que bem poucas vezes encontrei em brancos” ("Palmares - A Guerra dos Escravos", Décio Freitas, Edições Graal, 1982).

Francisco cresceu neste ambiente, recebendo educação e bons tratos, mas a medida que o tempo passava, ele achava injusto a vida que levava em relação aos outros negros, que viviam em condições subumanas, como escravos.

E, para a perplexidade e consternação do referido pároco, certa manhã do ano de 1670, Francisco, aos quinze anos de idade, foge para a companhia dos escravos rebelados de Palmares.

Mais tarde, este assume o lugar do líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas, que era comandado por Ganga Zumba. A frente do Quilombo, chefiou a resistência contra os portugueses, que durou 14 anos.

Sua amizade ao pároco o fez retornar, três vezes, ao distrito de Porto Calvo com o objetivo de visitar e presentear o padre, o qual, segundo fonte bibliográfica, passava por dificuldades.
E foi, por ocasião da segunda visita, que o padre ficou sabendo que o líder do Quilombo havia trocado o seu nome cristão Francisco por Zumbi.

Nome este, interpretados de diferentes maneiras. Alguns historiadores remetem-no às palavras de origem angolana, como N’ Zambiapongo, N’ Zambi e N’ Zumbi, todas sob a conotação de Deus; outros autores referenciam e associam o nome a um posto no âmbito da hierarquia Palmarina ou, ainda, há aqueles que a interpretam, simplesmente, como guerreiro.

No final do século XVI, as terras pernambucanas eram as mais prósperas das novas colônias portuguesas, com registro de 66 grandes engenhos e ampla estrutura de escoamento dos produtos no litoral. Foi nessa época que Quilombo dos Palmares surgiu, refugiando os primeiros negros rebelados.

O Quilombo tinha leis próprias, algumas bastante rígidas.Segundo fontes bibliográficas, a população interna do Quilombo de Palmares, chegou a reunir mais de 30 mil pessoas, que trabalhavam e viviam da agricultura.

A Coroa portuguesa deu ordens para acabar com o Quilombo e, para tal, foi organizado 16 expedições oficiais, sendo que quinze fracassaram devido à geografia da região (Serra da Barriga) e às estratégias militares dos negros, que mesmo carentes de armas, obtiveram sucesso.

Contudo, a décima sexta expedição sob o comando de Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista treinado na caça aos índios, saiu vitoriosa. Seu exército de 2 mil homens, armados de arcos, flechas e espingardas conseguiu, por fim.

Domingos Jorge Velho e seu exército chegaram na região, em 1694, descarregando contra a comunidade todo o seu poder de fogo. A cidade resistiu durante 22 dias.

Zumbi lutou bravamente, se feriu, mas fugiu e se escondeu. Foi traído por um dos seus companheiros, Antonio Soares, sendo capturado pelas tropas portuguesas e morto em 20 de novembro de 1695.

Zumbi teve o seu corpo mutilado e sua cabeça foi enviada para o Recife, onde ficou exposta em praça pública. Segundo fontes bibliográficas, assim foi precedido a fim de acabar com os boatos acerca de sua imortalidade.


Fontes de Pesquisa:




domingo, 16 de novembro de 2008

Comportamento agressivo e vingativo na escola: Bullying

Imagem capturada da Internet


Na última sexta-feira (14/11), eu recebi os trabalhos sobre Bullying dos alunos da turma 602 da rede estadual (E.E. Assis Chateaubriand). Alguns tiveram dificuldades em razão do referido tema ser encontrado, basicamente, através da rede.

Acredito que, tal como as escolas onde atuo, há escassez de material bibliográfico a respeito do Bullying nas Salas de Leitura e/ou Bibliotecas.

Em compensação, a Internet abre um leque de sites que tratam o assunto. Eu mesma já postei neste espaço um artigo sobre a temática, inclusive, com indicação de fontes de pesquisa, o qual foi informado a todos.

Mas, aí vamos encontrar um outro empecilho: a falta de acesso a um PC e, necessariamente, que este esteja conectado à Internet.

A maioria dos nossos alunos, da rede pública (estadual e municipal), não tem acesso a estas tecnologias e este fato dificulta muito a ampliação do conhecimento e a oportunidade de formar pesquisadores na rede.

O tema Bullying surgiu em razão do nível de intolerância que as relações inter-pessoais chegou com uma parcela significativa de alunos da turma 602.

Na semana passada, eu chamei atenção da turma a respeito da gravidade da situação e, diretamente, com alguns alunos.


Imagem capturada da Internet

O trabalho caiu como uma exigência e, também, como um ponto de apoio para as discussões e reflexões.

Há uma diferença muito grande entre os dois grupos de alunos que tenho, do sexto ano, nas duas escolas em que trabalho. A diferença não perpassa no nível da rede de ensino, público, tendo em vista que uma é estadual e a outra é municipal (Prefeitura do Rio).

Na verdade, a diferença recai no trabalho desenvolvido com eles, ao longo dos anos, sob uma mesma proposta pedagógica. Acredito, eu!

Vou especificar melhor! A escola da rede municipal, E.M. Dilermando Cruz, localizada em Bonsucesso, município do Rio de Janeiro, a quase totalidade dos alunos do sexto ano (antiga 5ª série) é proveniente da mesma Unidade Escolar, uma vez que a mesma oferece desde o Ensino Infantil até o Terceiro Ciclo de Formação.

Já a minha escola da rede estadual, E.E. Assis Chateaubriand, localizada no bairro Cidade dos Meninos, município de Duque de Caxias, a oferta se restringe apenas ao ensino do sexto ao nono anos. Sendo assim, a totalidade dos alunos do sexto ano (a exceção dos alunos retidos) é procedente de outras Unidades Escolares, distintas entre si e da nossa escola em termos de prática e política pedagógica.

Mediante a isso, percebe-se – desde o início do ano - um quadro de indisciplina e uma grande dificuldade em uniformizar certos hábitos aos mesmos.

Algumas pessoas podem atrelar tal situação à questão da localização geográfica de ambas as escolas (municípios Rio de Janeiro x Duque de Caxias), mas não acredito
ser.
Por experiência própria e diante da minha situação posso afirmar que, de uma forma geral, a relação aluno x professor na rede estadual se dá com maior respeito.

Razões a parte, o que importa é que o tema necessita ser trabalhado, pois o comportamento dos alunos entre si (suas relações interpessoais) agravou de tal forma que ficou insustentável.

Além da conversa, do trabalho e de uma próxima discussão, eu solicitei que os alunos refletissem em casa sobre a nossa conversa e todo o ocorrido, no final de semana (a passada) e que, na segunda feira (10/11), trouxessem - em um papel com identificação do autor - o nome do (a) aluno (a) que eles gostariam que houvesse uma maior proteção do Anjo de Guarda.

Utilizei a concepção de Anjo de Guarda, porque tanto os alunos católicos quanto os evangélicos acreditam na sua existência, evitando assim quaisquer problemas de ordem de intolerância religiosa.

A data da entrega do trabalho sobre Bullying foi na sexta-feira (tempo maior para a pesquisa na Internet).

Não vou poder colocar, neste momento, o resultado da dinâmica do Anjo de Guarda, pois ainda iremos discutir. Só posso adiantar que a minha explanação na sala de aula, no dia do ocorrido, parece que surtiu efeito.

Bom, espero que sim! Espero que eles, realmente, tenham refletido e chegado à conclusão do quanto procederam de maneira errada com o outro e com os outros.

Bullying é um tema que deveria ser tratado de forma mais efetiva nas escolas, ainda mais que a inversão de valores e a perda do senso comum de socialização estão colocando em riscos a própria convivência entre eles e, com certeza, em sociedade.



Imagem capturada na Internet

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Imagens da África Selvagem

Navegando na Internet descobri um Blog muito interessante o Obvius: um olhar mais demorado...

Tem várias seções, cada qual com uma série de publicações e imagens incríveis: Arquitetura, Design, Fotografia, Música, Tecnologia, Humor, Artes e Letras, Cinema etc.

Em geral, os artigos não são muito explorados, profundos, pois muitas das vezes, a intenção é só compartilhar o trabalho de um profissional ou outro. Eles são bem curtos, mas eu adorei pelas imagens.

Como já deu para perceber, eu adoro imagens e, pode ter certeza, não só a nível digital. Adoro recortes de revistas, livros velhos, fotografias de papel etc.

Eu selecionei algumas imagens sobre a África Selvagem que o autor compartilhou no Blog sobre o trabalho de Nick Brandt, cujas fotografias já forma expostas e publicadas em livro.

São imagens lindas, que vale o seu registro aqui!

Ignorar a grande biodiversidade do continente americano face às mazelas e desafios que a população passa, principalmente, a subsaariana, é algo impensável. Devemos sim, conhecer toda as faces de sua realidade...